Notas iniciais
Hey lindos, tudo bom com vocês?! ♥ Não vou me prolongar. Desejo a todos uma boa leitura e não esqueçam de dizer o que acharam nos comentários, tudo bem? Amo todos vocês! Os vejo nas notas finais ♥

BEATRICE PRIOR

— Ok, você pode me explicar como diabos você conhece o fucking, rockstar, do caralho todo, lendário Quatro?! – Al perguntou assim que entramos no seu quarto.

Tinha passado cerca de quarenta minutos olhando na direção onde o SUV preto de Tobias tinha partido. Estava arrasada. Era como se a dor que eu sentisse pudesse partir meu corpo ao meio. Dizer todas aquelas coisas para Tobias foi libertador, mas ao mesmo tempo torturante. Eu não queria machuca-lo, mas não me restava qualquer saída. Tinha que ser assim. Nossa história havia acabado antes mesmo de começar de verdade. O que restava agora era aceitar. Lidar com a perda de alguém como Tobias era dilacerante, mas necessária. Ele havia feito parte de algo que eu jamais poderia perdoar. Jamais.

— Terra para Tris; estou falando com você, caramba! – exasperou meu amigo.

Como eu explicaria para ele toda essa história? Al estava me deixando morar em sua casa sem pedir absolutamente nada em troca. Eu meio que devia uma explicação de tudo para ele. Ele estava curioso, mas acima de tudo parecia muito preocupado comigo. Al gostava de ter as situações sob controle. Se eu não contasse o real motivo de ter fugido, ele jamais ficaria são. E eu havia prometido mais cedo que o contaria. Eu não quebrava minhas promessas.

— Eu expliquei que papai é casado com Evelyn, a mãe dele. – respondi, já sabendo que Al não se contentaria apenas com essa resposta. Eu não queria de verdade ter que reviver meu mundo particular com Tobias para explicar isso para Al. Esses detalhes eram meus. Eram as lembranças de que um dia eu tinha vivido um grande amor, daqueles de perder o fôlego.

— Eu sei, eu me lembro dessa parte. – ele falou e então passou por seu queixo. Era um tique de quando Al estava muito nervoso. Eu tinha aprendido a ler suas expressões quando ainda éramos apenas crianças. – Eu quero mesmo saber em qual momento vocês... Porra, eu não consigo nem pensar direito.

— Eu não entendo o que você quer dizer. – falei, franzindo a testa. Al não estava fazendo o menor sentido.

— Foi por causa dele que você voltou pra cá? – meu amigo me olhou preocupado, atento a qualquer movimento que eu fizesse. Sempre protetor.

— Não. – fui sincera. Não havia sido por causa de Tobias. Pelo contrário, ele era o maior motivo que me fazia querer voltar atrás e partir para Miami. Tinha sido por causa dele que eu queria ter ficado. – Muita coisa aconteceu lá para que eu voltasse.

— Eu tenho a noite toda. – ele respondeu, sentando-se na cama e batendo no colchão ao seu lado, indicando que eu deveria sentar ali.

— Não, você não tem. Seus amigos estão te esperando na sala. – respondi. Tori, Edward, Drew e Matt estavam espalhados pelo sofá enquanto competiam pelo videogame. Eles mal notaram quando entramos, mas o olhar de Tori queimando-me viva era a prova de que ela estava atenta. E bem furiosa.

— Meus amigos vão fazer o que eu pedir que eles façam. Estão na minha casa, Tris. Eu amo que todos eles estejam aqui, mas você é minha prioridade. Você está ferida, meu anjo. Eu quero cuidar de você e consertar o que te machucou. Quero entender e te ajudar. Você precisa me contar, Tris. Pelo amor de Deus, eu vou acabar enlouquecendo. – ele exasperou mais uma vez, incapaz de esconder o desespero na sua voz.

Eu não queria ter que contar sobre a morte de Caleb. Reviver aquilo só traria mais dor para nós dois. Meu irmão e Al tinham sido melhores amigos na maior parte da vida. Ele ficou arrasado quando Caleb morreu. Eu fiquei destruída com sua morte. Trazer tudo aquilo de volta era doloroso demais, mas seria mais um passo para minha cura. Eu tinha de encarar. Não havia como fugir destes monstros como eu costumava fazer. Não se eu quisesse seguir em frente.

— A mãe dele planejou o acidente de carro que matou Caleb. – confessei, me sentando ao seu lado, apertando minhas próprias mãos. Senti minha garganta fechar. Vi quando os olhos de Al se arregalaram em descrença e choque.

— Como é? – ele levantou-se da cama num pulo, olhando para mim como se procurasse qualquer sinal de que eu estivesse mentindo. – Caleb morreu porque seu pai perdeu o controle do carro. Que merda é essa, Tris?

— Sim, mas porque sua ex-mulher contratou alguém para alterar os freios do carro. – suspirei. Não tinha mais o que chorar. Doía contar a verdade em voz alta, mas eu era incapaz de derrubar qualquer lágrima. Acho que tinha chorado tudo que estava preso até ficar desidratada. – Andrew tem outra filha. Nita. Aparentemente, Evelyn fez isso para que ele voltasse para casa e para sua filha. Ela culpa minha mãe por ele ter ido embora. Nada do que ela disse fez sentido. Evelyn acusou minha mãe de ser prostituta. Acusou ela de ter destruído seu casamento. Eu sei que minha mãe jamais faria algo assim, mas não consegui enfrenta-los. Não consegui ficar lá sabendo que eles mataram Caleb.

— Que merda. – Al murmurou, voltando a sentar ao meu lado na cama. – Quatro sabia disso tudo? Como é que vocês se conhecerem de verdade? Isso não tá fazendo nenhum sentido pra mim, gata. Não consigo encaixar a peça de que você realmente conhece uma porra de estrela do rock. O pai dele é uma lenda, Tris. Ele é foda. Realmente foda.

Ouvir alguém se referir a Tobias como Quatro era no mínimo estranho. Talvez se eu o tivesse conhecido em sua época de fama, não achasse tão diferente assim. Apostava que sua carreira como músico havia decolado quando descobrimos a doença da minha mãe. Se não fosse por isso, acho que talvez tivesse algum conhecimento sobre sua banda. Ele era aclamado pelo mundo todo. Aparentemente, eu era uma das poucas pessoas que não sabia quem era o lendário Quatro.

— Conheci Tobias quando liguei para meu pai pedindo ajuda. Ele me passou um endereço, mas quando cheguei lá descobri que Andrew estava em uma viagem com sua nova mulher no Havaí. Fiquei arrasada, mas conheci pessoas lá que me ajudaram. Tobias foi uma delas. Ele me deixou morar na sua casa até que eu conseguisse juntar algum dinheiro para me mudar. Voltar pra cá não estava na minha lista e morar em Miami era muito caro, então isso levou algum tempo.

— Então você passou os últimos meses vivendo com uma estrela do rock? Caramba, Tris, eu realmente não consigo acreditar! Tem noção do tanto de gente que daria a vida para estar em seu lugar? – a maneira como Al falava parecia ser uma grande conquista, mas só eu sabia o quanto viver em Miami tinha sido duro no início. Lidar com a frieza de Tobias e a amargura e ódio de Nita não eram coisas que se desejava a alguém.

— Não foi tão empolgante quanto você está dizendo. – respondi, me remexendo no colchão.

— Eu duvido. – Al rebateu com uma risada triste. – Então, quando foi que ele se apaixonou por você? – arregalei meus olhos à medida que ele falou.

Eu sabia disso. Era uma certeza que Tobias havia me dado momentos antes de tomar meu corpo para si. Eu quase cheguei a duvidar disso depois, quando voei para cá, mas ver Al confessar assim, em voz alta, parecia muito real. Confortador e assustador ao mesmo tempo.

— Qual é, Tris, só um cego não notaria a maneira como ele olhou pra você lá em baixo. – Al continuou, quando permaneci em silêncio. Não sabia o que falar. Como reagir depois disso? – E ele confessou também, tão convicto que acho que Chicago inteira estaria do lado dele se soubesse dessa história. O que aconteceu?

— Ele tem uma irmã terrível – eu expliquei, sabendo que Al não me deixaria em paz se não soubesse da história toda. – Nita, a filha de Evelyn e do meu pai. Ela me odeia. Acha que sou a culpada por ter tirado o pai dela. Ela odeia a mamãe também e falou um monte de coisas ruins sobre ela. Tobias sempre a defendeu. Ele a ama da mesma forma como Caleb me amava. Eu só não podia ficar lá e fazê-lo escolher. Seria injusto. Eu não daria certo vivendo com sua irmã também. Além do mais, ele também disse que mamãe era uma prostituta. Eu... Eu não sei como confiar nele. Eu também não acho que posso perdoá-lo. Ele sabia sobre Caleb e nunca me disse nada. Ele sempre protegeu Nita e sua devoção pela família é algo admirável, mas eu merecia saber. Era meu irmão, Al. Caleb era meu irmão. – falei, incapaz de conseguir conter a emoção na minha voz.

Al me puxou para um abraço e eu afundei minha cabeça em seu ombro. Meus olhos queimaram com as lágrimas, provando de que minha teoria sobre não conseguir mais chorar estava totalmente equivocada. Bastava falar de toda a bagunça que estava por trás da minha vida e havia sido negligenciada ao não me contarem. Senti meu coração doer ainda mais pela dúvida que rasgou minha mente: eu seria capaz de perdoar Tobias algum dia? Como poderia nunca mais olhar para o homem que tinha meu coração nas mãos?

— Eu sinto muito, gatinha. – Al me consolou, enquanto enfiava seus dedos em meu cabelo e me fazia um cafuné, procurando me confortar de alguma forma. – Sei o quanto deve ter sido duro pra você ter que lidar com tudo isso lá, mas quero que saiba que você está em Chicago agora, e aqui você sempre terá a mim. Eu abrirei um processo contra Evelyn. Ela vai pagar por essa maldita merda, eu juro.

— É inútil – comecei, porque também já tinha pensado em alguma forma de coloca-la atrás das grades. – Eu não tenho nenhuma prova. Na perícia que fizeram no dia do acidente, também não encontraram nada que pudesse incriminar alguém. Apenas disseram que não havia sido feita a manutenção nos freios do carro.

— Que se foda, eu vou seguir adiante! – ele se desesperou, mas segurou meu rosto manchado pelas lágrimas e seu olhar suavizou novamente. – Droga, Tris, ela matou Caleb, caramba! Ela tem que pagar.

— Ela tem muito dinheiro – eu expliquei, já sabendo que lutar contra Evelyn na justiça só nos deixaria em uma dívida infinita com os advogados e os processos. – Muito, muito dinheiro. Não há nada pra fazer a respeito disso. Ela nunca confessaria também, de qualquer forma. Ela me odeia, Al. Odeia quem eu sou. Odeia a mamãe. Eu não posso enfrenta-la. Isso só seria mais uma perda na minha vida.

— Eu sinto muito, baby. Eu sinto muito mesmo. – ele disse, beijando o topo da minha testa e enxugando meu rosto coberto de lágrimas. Estava cansada de chorar, mas tinha perdido o controle em algum momento. – Você o ama também? – ele soou receoso.

— Quem? – perguntei confusa.

— Quatro. Você o ama também? – Al repetiu a pergunta, desta vez com mais certeza na voz.

— Confessei para ele um dia antes de voltar pra cá. – respondi, percebendo que esconder aquilo não iria me levar a lugar nenhum. Eu amava Tobias. Todo mundo em Miami já sabia disso. Ele mesmo sabia disso. O que tinha acontecido não mudava a forma como me sentia em relação a ele. Por mais que eu quisesse, eu era incapaz de parar de amá-lo.

— Que merda. – Al murmurou, ainda abraçado a mim. Ele descansou seu queixo no topo da minha cabeça antes de voltar a falar. – Imaginei que você pudesse ter se apaixonado enquanto esteve fora, mas caralho, sabendo que essa pessoa é o Quatro... – ele suspirou. – Não sei se posso competir com isso, gata. Acho que não tenho nenhuma chance, né?

Quis responder de que sim, ele não teria nenhuma chance comigo; meu coração pertenceria somente a uma pessoa. Alguém que estava a milhares de quilômetros de mim. Mas algo dolorido no tom de voz do Al me fez recuar, ficar em silencio. Eu não queria magoá-lo. Ele era meu melhor amigo. Meu único amigo. Tínhamos crescido juntos. Eu amava Al. Eu sempre o amaria, por tudo que ele fora e ainda era para mim. Eu só não era mais apaixonada por ele. Nunca voltaria a ser.

— Eu te amo. – eu disse, ao invés de responder diretamente sua pergunta. – Amo muito, muito mesmo.

— Deus sabe que eu sempre amei e amarei você, Tris. – ele devolveu, segurando meu queixo e levantando minha cabeça para que eu pudesse olhar em seus olhos. Aqueles olhos que um dia tinham sido minha segurança. – Fui insensível com você no passado. Era imaturo e aquele erro me assombra todos os dias. Eu nunca me perdoei por ter traído você naquela noite. Queria poder voltar atrás e mudar o passado. Eu juro, Tris. Eu nunca me perdoei.

As palavras de Al me fizeram lembrar de Tobias. Ele também tinha essa vontade de consertar os erros do passado. Os dois homens que me amavam achavam que estavam em dívida comigo. Eu entendia o que os levou a fazer aquilo no passado. Não eram motivos legais, mas eu entendia. Ninguém é perfeito. Estamos cometendo erros o tempo todo. É isso que nos faz humano. Eu conseguia enxergar isso.

— Eu perdoei você, Al. – confessei, enquanto levantava minha mão para acariciar seu rosto. Seus olhos escuros me olhavam com dor, adoração e muito, muito amor. Eu podia ver o arrependimento lá e o perdoava. As pessoas perdoam as outras quando amam e eu sempre amaria Al. Ele era um presente. Um segundo irmão que Deus havia me dado logo após tomar Caleb para si. – Eu perdoei de verdade.

— Eu sei, acredito em você, gatinha – ele soltou uma risada fraca. – E isso só faz com que eu me sinta ainda pior. Você acha que consegue me amar novamente? Não da forma como amou Caleb, porque sei que é assim que você se sente. – ele soltou um suspiro cansado. – Eu falo da maneira como você ama o Quatro agora. Você me amou desse jeito um dia. Eu sinto sua falta, baby. Sinto falta da gente junto. Nada do que eu sentia por você mudou.

— Eu não sei, Al. – entreguei, porque realmente não sabia o que o amanhã me aguardava.

Depois do meu término com Al, jamais pensei que amaria novamente, mesmo mamãe me dizendo que ele ainda não era o cara certo pra mim. Mas então eu tinha amado Tobias depois disso. Ainda amava e acho que sempre o amaria, mas poderia me apaixonar novamente? Por Al novamente? Eu não queria pensar nisso agora. Me envolver emocionalmente com alguém não era algo para o qual eu estava ansiosa. Precisava curar meu coração primeiro. Havia o confiado a Tobias e agora estava machucada. Eu também queria fazer justiça com a morte do meu irmão. Era minha prioridade no momento.

— Ok, me desculpe por pressionar você – Al falou, levando seu polegar até meu rosto e o movendo em círculos sob minha bochecha. – Devo entender como está sua cabeça agora e não quero piorar as coisas. Serei sempre seu amigo, gatinha. Acima de tudo, seu melhor amigo. Mas não me culpe por tentar ser mais que isso, ok? Quando estiver pronta pra tentar de novo, eu estarei aqui. Vou esperar por você como tenho feito há três anos. Uns dias a mais ou menos não vão pesar tanto assim. Tome o tempo que precisar.

Concordei com um aceno de cabeça e quando estava prestes a responder, a porta do quarto se abriu, revelando uma Tori furiosa.

— A pizza chegou há meia hora, Albert, e tá ficando gelada. Você vai permanecer trancado aqui a noite inteira? – ela disparou, ignorando propositalmente minha presença.

— Já estamos indo – disse Al, então se levantou e estendeu a mão para mim. – Me daria esta honra?

Tori falou antes que eu pudesse responder:

— Que merda, Al, ela não vai quebrar se você deixa-la um minuto sozinha. A garota está ferrando com nossa noite. Você sequer foi jogar com a gente o nosso famoso torneio das sextas. É tradição e você furou, agora vai ficar em cima dela também até na hora da gente comer? Pelo amor de Deus, a gente tá tentando marcar esse encontro há um tempão e essa garota aparece e você fica com essa merda sentimental aí. Dá um tempo, porra – ela bufou chateada, mas virou-se antes que eu pudesse falar qualquer coisa para me defender.

— Que droga, Tori, o que há com você?! – Al me deixou no quarto e saiu em disparada atrás de sua amiga.

Tentei ignorar a situação constrangedora em que tinha me metido. Al já tinha me falado sobre esse encontro que estavam tentando marcar três semanas atrás. Eu não me encaixava ali agora. Eram os amigos dele, não os meus. Sentia falta do pessoal de Miami. O mundo lá era completamente o oposto daqui, mas sentia falta dos meus amigos. Será que eles também se sentiam dessa maneira?

Pensei em ligar para Chris ou Will, mas vi que já era bem tarde. Talvez amanhã eu ligasse. Precisava muito conversar com minha melhor amiga.

— Tori te assustou o suficiente para fazer você ficar trancada aqui? — Edward perguntou, entrando no quarto e sentando-se ao meu lado na cama. – Tenho que concordar com ela em uma coisa: a pizza realmente tá ficando gelada. Você devia comer enquanto ela não vira uma pedra. Literalmente.

— Estou sem fome, eu acho.

— Sinceramente, não achei que você e Al fossem realmente voltar pra lá – Ed mudou de assunto, olhando para as minhas mãos entrelaçadas no meu próprio colo. – Você disse que eram apenas amigos, mas não acho que seja assim pro Al.

— Ele sabe.

— Se você diz. – ele riu, parecendo não confiar muito em mim. – O que vai fazer amanhã à noite?

— Não vou sair com você, Ed. – eu ri, quando ele fez uma pose dramática levando sua mão em direção ao peito, como se tivesse sido atingido por algo. – Pelo menos não agora. Eu acabei de chegar aqui, preciso me organizar. Não acho que me envolver com alguém seja uma boa ideia.

— Nós vamos chegar lá, acredite, você mesmo já está me chamando de “Ed” – ele provocou com um sorriso debochado.

— Cai fora, Ed. – Al anunciou quando voltou para seu quarto. – Tris precisa descansar. Ela teve um dia longo e você em cima dela o tempo inteiro não tá ajudando em nada.

— Calma aí, cara, não vou tomar sua garota – ele riu e se levantou da cama. – A menos que ela me queira, aí sim, lamento irmão, amigos amigos garotas à parte. – ele virou-se para mim. – Boa noite, Tris. Amanhã, quando acordar, ainda estarei aqui. Mesmo que isso signifique que Al cortará uma de minhas bolas.

Meu amigo murmurou uma maldição assim que Edward nos deixou. Não pude conter o riso. Eu me esforçava ao máximo para que as pessoas gostassem de mim. Era educada, simpática, e com Tori ali me odiando o tempo inteiro, era bom saber que pelo menos alguém além de Al gostava de mim. Eu não era acostumada com as pessoas me odiando. Nita havia sido a primeira pessoa que sentia repulsa por mim.

— Não ligue pra ele. Edward dá em cima de todo mundo. É um pervertido do caralho – Al fez careta, sentando-se na cama e tirando seus sapatos.

— Então quer dizer que isso não tem nada a ver com meu charme natural? Estou bem decepcionada. – eu provoquei, sorrindo quando Al levantou as sobrancelhas para mim.

— Isso tem tudo a ver com seu charme natural, gata – ele devolveu, desta vez puxando sua camisa por cima da cabeça. – Só é competição demais pra mim. Já não basta enfrentar o fodão rockstar lá, tenho que lidar com meu melhor amigo também? É cruel.

— Você ganhou músculos. – desviei do assunto de Tobias. Não queria falar sobre ele agora. Estava tendo um dia bem legal até que ele apareceu aqui e me fez chorar. Mais uma vez. – Um monte de músculos.

— E você ganhou curvas. – ele apontou o dedo pro meu corpo com um sorriso. – Muitas curvas. Infinitas malditas curvas. Já disseram que você virou uma daquelas gostosonas de Hollywood? – eu gargalhei tão alto que tive certeza de que seus amigos me ouviram.

— Você devia voltar pra sala. Eu estou bem aqui, sério. Não quero estragar sua noite. – falei, me sentindo culpada por Al estar aqui comigo, enquanto todos os seus amigos estavam no outro cômodo. Eu não sentia vontade de ir pra lá, mas não queria ser um peso para meu amigo.

— Minha noite está perfeita, Tris. – ele se deitou na cama e apontou para seu lado. – Vem cá, me conta mais sobre Miami. Estou realmente curioso sobre tudo que aconteceu. Você fez amigos lá?

Eu deitei na cama ao seu lado e conversamos por horas. Contei absolutamente tudo para Al. Desde o momento em que havia acabado meu combustível até o dia em que peguei o primeiro voo de volta para cá. Falei sobre as crianças do orfanato, sobre Christina, Will, Uriah e até Peter. Expliquei como era meu trabalho e contei da vez em que tive de dar carona para Tobias porque os paparazzi o encontraram no clube. Ele surtou. Al era fanático por rock. Até me mostrou um enorme pôster da The Lost colado atrás da porta do seu quarto. Achei graça naquilo, mas quando olhei para a figura de Tobias no centro, desatei a chorar.

Em algum momento da noite peguei no sono envolvida pelos braços de Al. Nem me esforcei em voltar para o quarto onde estava hospedada. Sabia que era seguro dormir com Al; ele sempre me respeitou, não tentaria nada que eu não quisesse, então não foi difícil apagar depois de tanta conversa. Senti algo suave roçar meus lábios, mas meus olhos pesavam tanto que não tive forças para abri-los. A falta de sono da noite anterior massacrava meu corpo cansado.

Quando acordei, Al não estava mais na cama comigo. Me espreguicei ao estilo gato e levantei da cama, indo até o banheiro da suíte. Tinha sido a primeira vez que eu dormira bem desde a noite com Tobias. Eu ainda estava anestesiada em relação a ele, mas estava muito melhor que os dias anteriores. Sabia que conseguiria passar por cima disso. Eu tinha perdido meu irmão, logo depois perdi minha mãe também. A dor de perder um amor era grande, mas nada comparado ao que eu senti quando vi os dois caixões de Caleb e Natalie descendo a areia. Eu tinha superado aquilo. Estava confiante que conseguiria também curar meu coração da dor que ele sentia agora.

— Se você não acordá-la agora, eu mesma invado esse quarto! – a voz do outro lado da porta era tão familiar com a de Christina que eu congelei. Não seria possível, seria?

— Eu acho melhor você deixá-la descansar. – a voz de Al falou desta vez. – Ela não teve uma noite muito boa e demorou muito pra pegar no sono; não sou eu quem vai interrompê-la. Nem você.

— Ah, pelo amor de Deus, eu sou Christina Collins, você não sabe mesmo com quem está lidando! – agora eu tinha certeza de que era minha amiga que estava ali, só me restava apenas uma dúvida: como?! – Saia da porra da minha frente. Eu preciso ver minha amiga.

— É melhor fazer o que ela quer. Eu realmente não gosto de vê-la chateada. – a voz de Will foi o suficiente para eu abrir a porta e sair do quarto. Meus amigos estavam aqui!

No exato momento em que o fiz, os três ficaram em silêncio. Will abriu um largo sorriso e em questão de exatos dois segundos, Christina correu até mim e me abraçou. Notei que os amigos de Al não estavam na sala e mentalmente agradeci. Não queria eles estragando o momento com o meu pessoal. Pelo menos não Tori.

— Você pode dividir, sabe. Eu sinceramente não vou me importar. – Will brincou, fazendo com que Chris me soltasse e ele me envolvesse em seus braços. Não contive as lágrimas. Eles tinham vindo até aqui por mim. Eu tinha tanta sorte... – Ei, eu espero que esse choro seja de alegria, viu? Nós tentamos te avisar, mas você não atendia seu telefone.

— Como me acharam? – perguntei, me soltando de Will e limpando o rosto, sem conseguir conter o sorriso nos meus lábios.

Eles se entreolharam antes de me responder.

— Will pegou o endereço com Tobias. Você acredita que eu andei em um jatinho exclusivo? – Christina riu com empolgação. – Olhe, vou te contar, se fui pobre não me lembro. – olhei para Will antes de cairmos na risada. Sentia tanta falta deles.

— Você não pode nos culpar – Will começou. – Até porque ficamos plantados na frente do prédio perguntando para todos os caras que passaram se algum deles era o famoso Al.

— Eu contei, foram oito até que o gatão ali nos convidou para entrar. – Christina apontou para Al, que agora estava na cozinha em frente ao fogão.

— Sorte deles que não tínhamos mais nada pra comer, então fui à padaria comprar algo – Al deu de ombros, virando-se e mostrando um sorriso para mim. – Geralmente não saio aos sábados. Vocês dois deram sorte.

— Mesmo se você não tivesse lá, teríamos dado um jeito de subir – Will rebateu, aproximando-se de Christina e a abraçando por trás. – Minha noiva é capaz de tudo por essa loirinha aqui.

— Então é mesmo oficial? – perguntei extasiada. Eu me lembrava do pedido improvisado que Will tinha feito. Minha felicidade ao saber que Christina o tinha conquistado e agora estava realizada era incapaz de conter. Ela merecia um cara como Will. Alguém que a adorasse, que fizesse tudo por ela.

Minha amiga estendeu uma mão, mostrando uma esmeralda em forma de lágrima brilhando em seu dedo.

— É tão lindo. – eu suspirei. Nunca tinha visto um anel tão lindo em toda minha vida. – Estou tão feliz por você.

— Você nem imagina como eu me sinto – ela disse com voz de choro.

— Você fez uma ótima escolha, Will. – eu gritei para meu amigo que agora estava na cozinha junto a Al. Ele apenas encolheu os ombros, envergonhado, e abriu um largo sorriso, concordando comigo com um aceno de cabeça.

— Preciso te contar algo em particular – Chris falou baixo o suficiente para que apenas eu ouvisse. – Podemos ir pro seu quarto?

Eu concordei e começamos a andar em direção ao quarto onde estavam minhas coisas, mas então Tori abriu a porta e saiu de lá com cara de poucos amigos.

— Ih, a rainha má acordou. – eu cochichei para Chris, que virou o rosto para mim e franziu a testa.

— Quanta gente mora aqui? – ela perguntou.

— Vocês podem, por favor, fazer a porra de algum silêncio? Tem gente tentando dormir. – Tori resmungou, batendo a porta e voltando para o quarto onde deviam estar todo o resto da galera.

— Bom, pelo que eu sei, apenas Al, mas os amigos do trabalho dele vieram ontem passar a noite aqui. Estou agradecida por você e o Will terem vindo hoje. Eu não estava me encaixando no meio deles. – respondi, enquanto nós íamos ao quarto de Al.

Esperei que Chris entrasse e fechei a porta.

— Então quer dizer que você dormiu com o “Al” ontem à noite. – ela fez questão de fazer as aspas com as mãos ao falar o nome dele.

— Não do jeito que você tá pensando. Ele é meu melhor amigo, Chris.

— Ele é bonitinho – ela revirou os olhos. – Mas você tem o cara mais quente de Miami aos seus pés, então acho que não há condições de uma competição aqui.

— Como ele está? – perguntei apreensiva. Eu estive pensando no quão dura havia sido com Tobias na noite anterior. Apesar de ser necessário dizê-lo adeus, me preocupava em como ele estava. Será que se sentia tão destruído quanto eu?

— Arrasado. – Chris respondeu num tom de voz triste. – Eu trabalhei minha vida toda lá no clube e posso dizer que já vi Tobias de várias formas, mas nunca tão desolado quanto ele está agora. Ele passou a noite bebendo. Passamos em sua casa antes de virmos para cá e o cara tá simplesmente destruído. É lamentável, amiga. Você devia voltar. Sei que está sofrendo também. Poderiam conversar e tentar resolver as coisas. – ela segurou minhas duas mãos e olhou em meus olhos. – O Tobias te ama, Tris. E eu sei que você o ama também.

Não tentei segurar o choro ao ouvir as palavras de Christina. Meu peito doía. Sentia falta de ter Tobias comigo. Sentia falta de Miami. Sabia que tinha perdido muita coisa ao fugir de lá, mas simplesmente não podia voltar. Não agora. Encarar meu pai, Evelyn, Nita... Como poderia viver com Tobias depois do que sua família tinha feito? Depois de tudo que ele tinha escondido? Depois de tudo que falaram sobre a minha mãe?

— Nós já resolvemos tudo que tínhamos para resolver ontem à noite. – eu confessei, enxugando as lágrimas que caíam. – A situação toda é muito difícil. Não acho que posso voltar lá algum dia.

— Ok, vamos deixar isso de lado. De qualquer forma, eu não vim aqui pra isso. – Chris falou, sentando-se na beira da cama de Al. – Sentia sua falta, mas também vim porque preciso da sua ajuda.

— O que houve? – me aproximei dela, porque de repente Christina estava apreensiva. Isso não era um bom sinal.

Ela tomou uma longa respiração antes de voltar a falar.

— Estou grávida.

Notas finais
E aí, curtiram? Odiaram? Amaram? Comentem!! ♥♥ O próximo será o do Tobias e já está sendo escrito! Quero desejar um feliz dia do escritor para todos os meus leitores que também amam essa vocação. Tenham um lindo dia e uma ótima semana! Vejo vocês nos comentários, tá? Não me decepcionem! Amo muito vocês ♥