Notas iniciais
Olá, leitores lindos, tudo bem?! ♥ Esta é a surpresa. Uma nova atualização em menos de dois segundos. Tudo isso graças a vocês, aos leitores que me cobram capítulos nas mensagens, aos que comentam, aos que recomendam... Vocês são muito importantes para mim. Espero que me perdoem pelo atraso. Desfrutem, amem, se apaixonem nesse capítulo. Não posso prometer, mas tentarei postar mais dois capítulos ainda essa semana. Eu amo vocês! Os vejo nas notas finais ♥ FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323

BEATRICE PRIOR

A voz de Tobias no telefone era uma mistura de sentimentos. Ele estava apavorado, com medo e desesperado, mesmo que tentasse disfarçar. Eu engoli em seco, enquanto estacionava o carro de Jeanine no pátio do hospital. Eu tinha implorado para vir. Eu entendia que Jeanine era a principal responsável por Hector, mas eu amava aquele menino. O pensamento de algo ruim acontecer com ele me deixava insana. Ela tinha me deixado vir em seu lugar se eu a mantivesse informada de tudo. Nós tínhamos voltado assim que recebemos o telefonema de Christina e Jeanine tinha me entregado os documentos necessários de Hector. Ela teria vindo também, mas uma de nós teria de ficar para ajudar Christina e eu simplesmente não podia abandonar Hector. Jeanine entendeu meu amor por ele. Eu amava todos eles, mas Hector era especial para mim. Assim como Lou.

– Em cirurgia. – Tobias me respondeu, parecendo um pouco mais aliviado ao ouvir minha voz.

Droga, eu odiava interpretar tudo que ele fazia como se ele estivesse apaixonado por mim. Ele não estava aliviado por ser eu a atender ao telefone. Isso tudo era apenas coisa da minha cabeça.

– Onde você está? – eu perguntei, enquanto fechava a porta do carro e acionava as travas.

– Na ala dos funcionários. Eles me reconheceram, Tris. – ele disse, suspirando com um pesar na voz. – Molly irá buscar você. Vá para a área de emergência.

– Ok. – eu respondi, me perguntando quem era Molly.

– Tris. – ele me chamou. – Eu estou feliz que seja você.

E então encerrou a chamada. Eu já estava na recepção da emergência, olhando ao redor, quando uma enfermeira começou a andar em minha direção. Eu não vi de onde ela tinha surgido. Ela era média, com o cabelo castanho cortado reto na altura dos seus ombros e um sorriso amigável no rosto. Ela não usava maquiagem e sua beleza era diferente.

– Olá. – ela se aproximou e eu pude ler o nome bordado em seu jaleco: Molly. Certo. Molly era uma enfermeira. Por que eu me senti aliviada por isso? – Pelo que Tobias descreveu, você deve ser a Tris. – ela falou, enquanto me analisava. – Eu sou Molly. Venha por aqui.

Eu não protestei ou qualquer outra coisa, eu somente a segui, enquanto caminhávamos por um corredor branco e dobrávamos a esquerda, passando pela porta que dizia “acesso restrito aos funcionários”. Molly e eu paramos diante uma sala branca, com portas de vidro. Eu espiei apenas o suficiente para ver Tobias sentado de costas para a porta, em um sofá branco em forma de L.

Antes que eu desse mais um passo e pudesse entrar na sala, Molly segurou meu braço.

– Desculpe eu perguntar, eu sei que não é da minha conta. – ela suspirou e eu esperei que ela continuasse. – Você e Tobias estão juntos? O jeito como ele reagiu ao saber que era você que estava ao telefone foi... Intenso. O olhar nos olhos dele falou por ele. – ela sorriu para mim quando eu fiquei muda. – Desculpe, eu não deveria ter perguntado. Não é da minha conta, de qualquer forma. Apenas vá lá e o acalme. Ele está extremamente nervoso.

O jeito como Molly se importava com Tobias me chamou a atenção. Eles se conheciam? Será que Molly também tinha dormido com Tobias? Se ela era uma dessas mulheres, eu preferia manter distância. Shauna havia me dado o recado muito bem. As garotas poderiam ficar loucas quando se tratava de Tobias.

Ao me lembrar de Shauna, meu corpo instintivamente ficou tenso. Isso não passou despercebido por Molly. Ela deu um passo para trás e encolheu os ombros. Ela não parecia alguém louca como Shauna, embora eu ainda não confiasse nela.

– Eu vou deixá-los a sós. – ela me deu um sorriso de desculpas. – Eu realmente não quis tocar no assunto. Só estava curiosa.

Molly desapareceu e eu abri a porta de correr, entrando na sala de espera que Tobias estava, vendo-o se levantar e virar-se para mim assim que o barulho da porta se fez quando foi fechada. Quando olhei a expressão em seu rosto, foi fácil esquecer tudo que ele tinha dito hoje. As palavras que tanto me feriram e o quanto ele estava furioso comigo por não acreditar na inocência da sua irmã. Eu não podia esquecer isso, mas agora estava tão fácil. Ele estava tão cansado. Seus olhos estavam inchados e vermelhos, assim como a ponta do seu nariz, como se ele tivesse acabado de chorar. Sua testa tinha uma ruga de preocupação e em seus olhos havia medo.

Nós ficamos parados, olhando um para o outro e era incrível sentir a conexão que nós tínhamos. Era intensa, perfeita, inexplicável. Não sei quanto segundos se passaram, mas pareceram horas até que ele corresse até mim e me envolvesse em seus braços, puxando minha boca na sua e afundando-se em mim. Ele chupou meu lábio inferior, enquanto beijava e explorava cada canto da minha boca. Eu sabia que o mais inteligente seria me afastar dele, mas eu estava tão envolvida no que estava sentindo que não me importava. Eu gostava de ser beijada por ele. Eu gostava dele.

– Sinto muito. – ele disse, encostando sua testa na minha, enquanto ambos estávamos ofegante. – Eu sinto muito, Tris. Eu realmente não quis fazer isso.

À menção da sua declaração, eu saí do meu transe e dei um passo para trás. Eu realmente não quis fazer isso. Certo. Isso foi o suficiente para que eu caísse na real. Ele não queria me beijar. Mas o que diabos nós tínhamos feito então?

– Eu estou uma pilha. – ele começou, enquanto passava a mão no cabelo e começava a andar, parecendo incapaz de permanecer quieto. Eu apenas fiquei parada. Ainda estava imersa na nuvem da sensação de ser beijada por Tobias. – Eu estou com medo. Eu nunca estive tão apavorado desde que meu pai... – ele parou e olhou para mim. O desespero em seus olhos fez meu intestino torcer. – Droga, você não precisa dessa merda. – ele disse mais para si mesmo.

– Como Hector está? – eu perguntei, me aproximando e me sentando no sofá. Eu não podia me esquecer do porquê estava aqui. Era a saúde de Hector em jogo.

– Ele entrou na cirurgia há algum tempo. É apêndice, apendicite... Alguma merda assim. – ele passou a mão na barba e suspirou. – Ele estava apavorado. Eu queria entrar com ele, mas não deixaram. Ele sentia muita dor.

Nós ficamos em silêncio. O pensamento de perder Hector aterrorizava a nós dois. Eu podia ver e ler isso em Tobias. Ele estava com tanto medo. Seu corpo inteiro estava tenso, sua respiração dificultada e o suor escorrendo pela sua testa. Eu já tinha ouvido falar em apendicite. Passei a maior parte da minha adolescência no hospital cuidando da minha mãe. Eu tinha visto milhares de casos como o de Hector. Embora fosse comum e considerada uma cirurgia simples, eu sabia dos riscos. Eu sabia que seu apêndice podia se romper e infeccionar todo seu corpo. E eu também sabia que isso poderia mata-lo.

Entretanto, eu não iria falar isso a Tobias a menos que esse fosse o destino de Hector. Ele não precisava se preocupar mais do que já estava. Embora eu estivesse ferida com tudo que ele me causou e me falou, eu me importava com ele. Ele parecia tão atormentado.

– Ele vai ficar bem. – eu o assegurei e ele me olhou com aquele par de olhos azuis.

– Como você sabe? – ele me perguntou; um rastro de esperança ultrapassando sua íris.

– Ele não pode nos deixar agora. – eu o respondi, desta vez com convicção na minha voz. Isso foi o suficiente para que Tobias soltasse um suspiro de alívio.

– Eu fui uma criança fodida. – ele confessou, enquanto afundava no sofá. Eu podia ver as engrenagens rodando acima de sua cabeça e ele estava imerso nas suas lembranças. – Eu não tive a minha mãe disposta a mover o mundo por mim. Eu sequer sei se ela me amou. Ela dormiu com meu pai para tirar vantagem do dinheiro dele e da sua fama. Eu fui apenas uma forma de manter seu bolso recheado. Ela sabia o escândalo que seria se o famoso baterista Marcus Eaton se recusasse a criar seu filho.

Eu não o interrompi. Tobias estava falando sobre sua família comigo. Nós tínhamos vários problemas para resolver e estávamos orando internamente para não perdermos uma pessoa que amávamos, então se essa era sua maneira de se acalmar e se aliviar, eu estava permitindo que ele derramasse sua alma para mim. Eu estava ouvindo, se era isso o que ele precisava. Além do mais, ele podia não entender, mas ele falar sobre sua vida comigo era um passo em tanto. Eu me sentia como se fosse especial.

– Meu pai tinha vinte e pouco quando minha mãe disse que estava grávida dele. Ele era bem jovem e tinha acabado de entrar no sucesso. Sua banda era número um em todas as paradas. Eles estavam no auge. Um filho iria estragar tudo e Marcus não queria isso. A princípio, ele não acreditou na minha mãe, mas então ela apareceu com o teste de DNA e comprovou que eu era seu filho. Ele ficou furioso, mas não me deserdou. Ele enviava muito dinheiro para que Evelyn me criasse com tudo o melhor, mas eu não sei se ele realmente se importava comigo. – ele riu secamente, enquanto uma nuvem sombria se formava em torno dos olhos dele. – Ele raramente ia me ver e quando ia, as coisas não davam muito bem.

– Você deve estar se perguntando por que eu estou falando tudo isso. – ele riu, enquanto continuou. – A questão é que eu não quero isso para Hector. Eu nunca me senti amado até que Nita ou Will entrasse em minha vida. Eu era um garoto e me sentia um lixo. Eu não sabia se alguém se importava comigo e eu não quero isso para Hector. Ele é um garoto incrível. Eu quero mostrar para ele que tem alguém que se importa com ele. Ele tem a mim. Ele tem você. Eu só não posso suportar a ideia de perdê-lo. – ele confessou, sua voz sendo encoberta pelo nó em sua garganta. – Me rasga ainda mais pensar que posso perdê-lo sem que ele saiba que nós o amamos.

– Nós não vamos perdê-lo. – eu o assegurei mais uma vez. Tobias estava muito inquieto e nervoso. A possibilidade de perder Hector talvez tenha despertado um lado seu adormecido há muito tempo. Eu não sabia o que o tinha acontecido, mas tinha a ver com seu pai. Ele teve uma infância horrível graças ao homem que lhe deu a vida. Eu podia enxergar através da maneira como seus ombros ficavam tensos e o quanto seus olhos eram sombrios quando ele o mencionava.

No entanto, ele não estava pronto para compartilhar isso.

– Eu sei que nós estamos uma merda de fodidos quanto a Hector, mas também sei o quanto nós estamos fodidos em relação a nós. – ele me olhou. – Tris, nada justifica a maneira como eu lhe tratei. Justo você, que é sempre tão boa e gentil com todo mundo. Eu sei que eu fui um merda e que esse não é o momento adequado para me desculpar, mas foda-se isso. Eu não deveria ter gritado com você. Eu não deveria ter deixado as coisas com Shauna irem tão longe e eu deveria ter protegido você dela.

Eu estava perdida na intensidade do seu olhar e da sua sinceridade. Ele estava tão vulnerável a mim e estava me dizendo a verdade. Ele queria dizer aquelas coisas. Meu coração vacilou um pouco e eu perdi uma batida por ele. Era tão fácil se apaixonar por Tobias. Ele tinha uma essência única e incrível. Ele era honesto, sincero e tão bondoso. Eu não entendia o que sentia por ele, mas era tão mais intenso do que qualquer coisa que eu já tivesse sentido. Eu podia quase acreditar que ele sentia-se da mesma forma. Quando não havia o empecilho da sua irmã nos separando, era notável ver o que ele sentia por mim.

Nós éramos tão errados, mas ao mesmo tempo tão certos.

– Eu não quero acreditar em você quando você diz que Nita armou tudo aquilo. Eu não quero acreditar porque não sei se terei controle sobre mim mesmo. Ela é minha irmã, Tris. Eu a amo incondicionalmente e pensar que ela teve a audácia de ir tão longe para me afastar de você me deixa tonto. Eu não sei do que seria capaz, Tris. – ele suspirou. – Eu só não quero acreditar.

– Você prefere viver acreditando em uma mentira ou se decepcionar enfrentando a verdade? – eu o questionei.

– Eu ainda preciso confirmar o que eu já sei. – ele soltou sua respiração e olhou novamente bem no fundo dos meus olhos. – Eu só não sei como irei consertar isso que eu fiz com você se realmente for verdade. Você acha que conseguiria me perdoar?

Eu pensei no que ele estava me falando e a resposta me veio imediatamente. Eu já o tinha perdoado quando pus os pés aqui e olhei para ele. Tobias estava no modo irmão protetor ontem e hoje mais cedo. Ele só estava defendendo e protegendo quem ele amava, mesmo que não fosse realmente justo. Nita, por mais cadela que tenha sido comigo, o amava. Talvez ela só estivesse protegendo sue irmão de mim, embora eu não entendesse que tipo de ameaça eu poderia ser.

– Eu já perdoei você. – eu o confessei e vi seu rosto se transformar de uma carranca para algo esplêndido. Era injusto que ele pudesse ser tão lindo. – Eu só acho que nós não devemos ser mais do que bons amigos. – eu disse, odiando o fato de como a ideia me deixava enjoada. Tobias me atraía de uma forma totalmente inexplicável. – Seu estilo de vida é muito diferente do meu e há mais do que uma irmã protetora que nos impede de ficar juntos. Eu não consigo lidar com toda a bagagem que vem com você, Tobias. E de qualquer forma, eu estou indo embora.

– Eu sei. – ele soou cabisbaixo. – Christina me falou. O seu pai sabe disso?

– Eu não acho que ele se importe. – dei de ombros. – Desde que cheguei aqui, ele sequer ligou para mim para saber como eu estava. Eu só sei que ele está vivo porque você falou com ele.

– Ele não merece você. – Tobias diz. – Por que ir embora? Já considerou morar aqui em Miami?

Eu não podia simplesmente responder que estava indo embora por sua causa ou porque estava cansada do que eu sofria aqui. Morar aqui e ter Tobias por perto é tentador, mas meu lado racional me alertava de que eu não teria forças o suficiente para lutar contra a atração que eu sentia por muito tempo. Era inteligente fugir, por mais covarde que isso pareça.

– Isso está longe da minha realidade. – eu sorri, já que não era uma mentira. Eu odiava mentiras. – Miami está muito além do meu orçamento de garçonete. Viver aqui é caro. Além do mais, nada me prende aqui. Os túmulos da minha mãe e do meu irmão estão em Chicago e eu tenho amigos lá.

– Você pode ficar na minha casa até quando quiser. – ele rebateu. – Você tem amigos aqui também.

Eu sorri, provocando-o.

– Está mesmo tentando me convencer a ficar? – minha voz era sarcasmo puro.

– Depende... Está funcionando? – ele sorriu, a covinha afundando no canto dos seus lábios.

É tão fácil ficar assim com ele. Nós estamos ansiosos e nervosos quanto à situação de Hector, mas nossos corações estão tão pertos e unidos que é em momento como esses que me fazem pensar que lutar por ele vale à pena. Lutar com sua irmã, com sua família, com nossas diferenças... Tudo parece valer à pena se eu puder observar e desfrutar da leveza do seu espírito. Tobias não demonstra estar relaxado com tanta frequência.

Se tudo pudesse ser tão simples como parece...

– Eu não posso. Você sabe. – eu respondo, desta vez com a voz mais triste, enquanto vejo o rastro de decepção e mágoa nos olhos de Tobias e ele se aproxima mais de mim no sofá, pegando minhas mãos na dele. Apenas um toque seu faz com que meu coração se encha de vida.

– Isso é pelo seu pai ou por Nita? – ele perguntou com cuidado.

Eu suspirei. Apenas ouvir o nome dela me causava arrepios. Eu odiava me sentir tão impotente para enfrentar sua irmã louca. Eu não queria sentir medo dela. Eu era tão corajosa e já tinha vivido o inferno da minha vida. Estava tão cansada de ter pessoas à minha volta ditando quem eu era e o que eu devera fazer. Eu cuidava de mim mesma sozinha há anos. Eu não precisava de Nita. Eu não precisava dela me dizendo para ficar longe do seu irmão. Eu não precisava da sua loucura destruindo o fiasco de felicidade que eu estava encontrando.

Minha mãe, antes de morrer, havia me ensinado que ódio era algo muito forte. Ela tinha se certificado todas as noites em me dizer para não sentir mágoa das pessoas. Ela dizia que isso nos tornava sombrio e que poderia me tornar alguém que eu não queria ser e alguém que a envergonharia. Ela não conseguia odiar as pessoas. Ela não conseguia sequer odiar o papai, mesmo depois de tudo que ele nos fez. Eu queria ser como ela. Eu me esforçava todos os dias para ser como ela.

Ela estaria envergonhada de mim nesse momento, mas por mais que eu tentasse não fazê-lo, eu estava começando a odiar Nita.

– Tris. – Tobias me chamou, tirando-me do meu transe.

– Eu não quero odiar sua irmã. – eu confessei, minhas mãos tremendo, o nó se fechando em minha garganta.

– Está tudo bem se você odiá-la. – Tobias tentou me acalmar passando as mãos suavemente em minhas costas. – Eu não vou culpa-la se você fizer isso. Para falar a verdade, eu acho que ela merece muito mais.

– Minha mãe não iria me perdoar se eu fizesse isso. – eu disse. Tobias me puxou para um abraço e eu descansei minha cabeça em seu peito. Por que era tão difícil ficar com ele se ele me trazia uma paz tão grande? – Eu não posso deixar que ódio me transforme em algo que eu não sou.

– Às vezes eu penso que você não é real, Tris. – Tobias confessou, enquanto eu ainda estava em seu peito. – Você é tão incrível. – ele pegou meu queixo e o levantou para que eu pudesse olhar em seus lindos olhos. – Você viu as mensagens que eu mandei hoje de manhã? – eu concordei, lembrando-me da manhã horrível que eu tive hoje. – Eu não estava mentindo. Não posso ficar sem você.

– Por que eu? – eu juntei as sobrancelhas.

Ele abriu a boca para responder, mas Molly entrou na sala segurando uma pasta transparente com documentos dele. Nós nos levantamos no instante em que a porta se abriu e a enfermeira à nossa frente nos olhava com uma das sobrancelhas arqueadas. O sorriso no rosto era amável e parecia doce também, mas eu não confiava nela totalmente. Havia algo por trás dos seus olhos. Algo que eu não sabia o que era, mas que não era bom.

– Hector já saiu da sala. – ela sorriu e olhou para Tobias. – Você já pode vê-lo.

Ele não percebeu, mas ela estava tentando ao máximo esconder a ansiedade por trás daquele sorriso doce dela. Molly conhecia Tobias e seus olhos estavam brilhando quando ela olhava para ele. Ela escondia a mão livre dentro do bolso do seu uniforme e a outra segura a pasta; elas estavam tremendo. Eu não sei se Tobias percebeu que ela estava flertando com ele indiretamente. Ele parecia não ter feito isso.

– Obrigado. – ele agradeceu e o sorriso de Molly tornou-se ainda mais brilhante. Ela parecia uma adolescente quando encontra seu famoso favorito. E talvez Molly fosse exatamente isso. – Nós poderíamos ir os dois? – ele apontou para mim.

Molly virou para me olhar e o brilho de desgosto passando pelos seus olhos passou rápido, mas não o suficiente para que eu não notasse. Era óbvio que ela não estava feliz que eu estivesse aqui. Eu fiquei atenta a cada movimento dela. Ela pôs um sorriso no rosto e olhou para mim, antes de voltar-se para Tobias novamente.

– É claro. – ela saiu da sala e nós a seguíamos pelo corredor em direção aos leitos do hospital.

– Como ele está? – eu perguntei, preocupada com a situação de Hector. – Eu sei que o apêndice pode se romper e sei que isso pode mata-lo.

Imediatamente Tobias parou de andar e Molly e eu nos viramos para olhá-lo. Uma gota de suor estava começando a escorrer por sua testa e ele estava pálido. Era incrível como a ideia de perder Hector podia afetá-lo e muda-lo completamente.

– Que porra é essa? – ele perguntou, o maxilar cerrado, os dentes travados e os punhos fechados ao lado do seu corpo. Eu podia ver que ele se esforçava ao máximo para não perder o controle. – Por que você não me disse?

– Sim, você está certa. – Molly sorriu tranquilizadora para mim, mas seus olhos eram desafiadores. – O apêndice pode sim se romper, mas nós conseguimos remover a tempo. Agradeça a impressionante equipe médica que temos aqui e a Tobias, já que ele está pagando todo o procedimento.

– Você está fazendo isso? – eu perguntei, olhando como ele relaxou após a declaração de Molly.

– Eu não sabia se ele tinha algum plano de saúde e ele não podia esperar. Além do mais, eu quero que Hector tenha o melhor. – ele deu de ombros, como se não fosse grande coisa e nós voltamos a andar em direção ao quarto de Hector.

Tobias podia pensar que não era grande coisa, mas eu sabia o quanto hospitais costumavam ser caros e embora isso não fosse fazer qualquer diferença na sua conta, eu estava orgulhosa dele. Ele não tinha noção do quanto seu gesto seria importante para Hector. O garoto o amava e eu podia ver que Tobias o amava também.

Eu queria chorar, mas eu segurei minhas lágrimas. Ninguém iria entender esse turbilhão de sentimentos que pairavam de mim para Tobias.

– Ele está dormindo, então se ele começar a se debater, não se preocupem, é apenas...

– O efeito da anestesia passando. – eu completei para ela e os olhos de Molly brilharam em guerra. – Ele ainda está sob o efeito dela, certo?

Eu não sei por que, mas me senti ameaçada por ela. Ela tinha atenção de Tobias e eu, aparentemente, não gostava disso. Ela tinha franja nos cabelos e isso a deixava com uma aparência jovem, bonita. Ela também era inteligente e muito educada. Eu queria poder sua pergunta agora, apenas para saber qual seria sua reação.

Droga, eu estava com muito ciúme.

– Sim, ele está. Já pensou em ser enfermeira, Tris? – ela sorriu presunçosamente e eu apenas dei de ombros. – A cirurgia foi um sucesso. Ele ficará apenas por três dias em observação, em seguida, nós lhe daremos alta. Sintam-se à vontade e qualquer coisa que precisarem, basta me chamar. Eu me certificarei de que ninguém está tirando alguma foto ou coisa parecida. Você está seguro comigo, Tobias.

– Obrigado, Molly. – Tobias sorriu para ela e eu revirei meus olhos quando o sorriso dela ficou ainda maior. Eu estava sendo patética, mas não conseguia evitar. – Por tudo, aliás.

– Disponha. – ela abriu a porta do quarto de Hector e nos deixou passar. – Quem sabe eu peça para você autografar uma camisa minha em troca. – ela piscou para Tobias, arrancando um sorriso dele e fechou a porta, nós deixando a sós.

Ela piscou para ele.

Tudo que eu estava pensando desapareceu da minha cabeça quando eu pus olhos na cama em que Hector estava. Sua cabeça estava apoiada em um travesseiro e ele não estava completamente deitado; sua cama estava um pouco inclinada, deixando-o em uma posição mais confortável.

Eu me aproximei dele e me sentei no espaço vago em sua cama, passando a mão nos seus cachos adoráveis. Eu amava seu cabelo. Ele o fazia parecer como um anjo e eu não duvidava de que ele fosse um. Hector era tão inteligente e tão sábio para alguém tão pequeno quanto ele. Eu me perguntava se era isso que acontecia quando as crianças perdiam seus pais e eram jogadas de lar em lar adotivo. Eu queria tanto que ele pudesse levar uma vida normal. Ele merecia isso. Ele merecia a melhor vida que alguém poderia oferecê-lo.

– Obrigada por pagar por isto aqui. – eu olhei para Tobias. – Nós estávamos em direção à prefeitura quando Chris nos ligou. Jeanine queria convencer ao governo a pagar por planos de saúde para as crianças já que elas não têm.

– Nenhum deles tem? – Tobias perguntou, descrença se destacando em sua voz.

– Não. – eu disse, balançando minha cabeça. – O lugar está sendo abandonado cada vez mais. Está ficando difícil conseguir patrocínio. Christina e eu iríamos receber para ajudar Jeanine, mas o dinheiro que nos foi dado esse mês sequer dará para comprar todos os alimentos. Nós abrimos mão do salário, mas não será o suficiente. Eles vão fechar o lugar em breve.

– E as crianças? – Tobias perguntou mais uma vez, uma ruga de expressão se formando no meio da sua testa.

– Elas vão ser separadas. Se ninguém aparecer para adotá-las, elas vão ser divididas e mandadas para outro lugar. Os mais velhos irão para uma casa de apoio ao adolescente e depois disso, provavelmente serão emancipados mais cedo.

– Isso é uma merda. – ele bufou, passando a mão pelos cabelos.

– Sim, é. – eu concordei, quando Hector começou a se mexer e abrir os olhos lentamente. – Hec?

– Tris? – ele perguntou, ainda sonolento. Suas mãos tremiam um pouco e seus pés também. – Está frio.

Eu sabia que não era a temperatura e sim o efeito da anestesia passando, mas ainda assim, eu peguei o cobertor em cima da mesinha no quarto e o coloquei sob o corpo de Hector, cobrindo-o cuidadosamente.

– Assim está melhor? – eu pergunto, enquanto ajeito a ponta do tecido.

– Sim. – ele responde e abre um pequeno sorriso. – É engraçado. Eu não consigo parar de mexer minhas mãos ou meus pés.

– Isso é apenas a anestesia. – eu disse para ele com um sorriso. – Como você se sente?

– A dor passou. – ele responde fazendo uma careta. – Eu dormi por quanto tempo? O que aconteceu?

– Não muito. – eu respondi, levando minha mão até seu rosto e o acariciando. – Você passou por uma cirurgia de emergência. Eles tiraram o que estava fazendo sua barriga doer e em poucos dias você poderá voltar para casa.

– Eu não tenho casa. – ele confessou com um sorriso triste. – Eu gosto que vocês estejam aqui. Eu pensei que fosse morrer e ninguém estaria comigo.

– Você não está sozinho, Hector. – Tobias falou pela primeira vez desde que o menino abriu os olhos. – Você nunca vai estar. Tomamos um susto hoje. Há quanto tempo você vinha sentindo dores?

– Eu não sei. – Hector fez uma carranca, tentando se lembrar. – Acho que há três dias. Eu pensei que fosse algo ruim que eu tinha comido.

– Você precisa nos dizer quando não se sentir bem. – eu falei. – Nossa sorte é que Tobias o trouxe a tempo.

– Eu não gosto de hospitais. – Hector disse com a voz triste e cheia de lembranças. – Quando eu estive aqui da última vez, meus pais tinham morrido.

Tobias travou onde estava e eu senti as lágrimas queimarem meus olhos e embaçarem minha visão. Eu odiava que Hector tivesse passado por isso e odiava que ele estivesse sozinho por todo esse tempo. Eu sabia que ele não tinha família, mas jamais podia imaginar que a memória da perda dos seus pais ainda era tão fresca para ele.

– Você quer falar sobre eles? – eu perguntei e ele negou com a cabeça.

– Eu não me lembro muito bem. Eu era pequeno, mas eu amava minha mãe e meu pai. Eu fiquei mais chateado do que triste no dia em que eles morreram. Eu não queria ficar sozinho. Eu sei que pode parecer covarde, mas eu tinha medo de viver num mundo sem eles.

– Não é covarde, Hec. – Tobias falou antes de mim. – Perder eles e crescer sem uma família deve ter sido duro para você, mas eu quero que você saiba que você tem a nós. Nós estaremos com você se você estiver com medo, se você ficar doente... Nós estaremos com você todo maldito tempo, entendeu? – Tobias se aproximou e beijou a testa de Hector, que agora estava se esforçando para não chorar. – Nós somos sua família agora, tudo bem?

– Eu amo vocês. – Hector disse e eu limpei a lágrima que caiu do seu olho. Ele me encantava cada dia mais. – Antes de vocês chegarem ao orfanato, eu ficava orando para que alguém me quisesse. Agora, eu não quero sair de lá. Eu não quero ser adotado e ficar sem vocês.

– Nós não vamos lhe deixar. – eu o assegurei. – Mesmo quando uma família vier adotar você, nós o faremos assinar um contrato em que permita nossa visita quando você bem quiser.

Nós três rimos e Hector fez uma careta de dor.

– Quando eu rio, dói. – ele falou com uma carranca, enquanto repousava sua mão no canto direito da sua barriga, no lugar onde havia sido operado. – Se eu fiz uma cirurgia, significa que eu terei uma cicatriz, não é?

Tobias e eu concordamos com a cabeça, quando Hector abriu um largo sorriso.

– Legal. – ele olhou para nós e ergueu seu punho no ar, como se tivesse recebido uma vitória. – Eu sempre quis ter uma dessa.

Tobias e eu explodimos em uma gargalhada e Hector se esforçava para não rir também. Naquele quarto de hospital, rindo com aquela criança tão inocente e divertida e tendo ao meu lado uma pessoa incrível que tinha o maior coração bondoso no mundo inteiro, eu me dei conta do quanto eu amava aqueles dois. Eu os amava da maneira mais intensa e pura que podia existir.

Eu amava Hector.

Eu amava Tobias.

Como eu poderia ir embora e ficar sem isso?

Notas finais
O que acharam?! Vocês gostaram? Odiaram? Falem comigo ♥ Para quem está achando que as coisas estão ocorrendo devagar: paciência, gafanhoto. Tudo acontecerá no tempo certo e eu farei o possível para não decepcioná-los. Terá romance no próximo capítulo e já vou dando um baita spoiler do que está por vir: seis de março. Um beijo! Até o próximo capítulo! Os vejo nos comentários ♥ FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323