Notas iniciais
E aí meus queridos leitores, como vocês estão?! ♥ Nem sei se vocês vão acreditar em mim, mas eu confesso que senti uma enorme saudade de postar sobre Tobias e Tris para vocês. Não tive muito tempo para escrever, mas o pouco que tive, rendeu! Tenho esse e o próximo capítulo já prontos e não farei vocês esperar muito tempo pelo próximo. Quem está feliz?! Agradeço a todo mundo pela paciência e apoio que recebi. Obrigada a todo mundo que tirou um pouquinho do seu tempo para comentar no capítulo anterior. Em especial, gostaria de mandar um beijo enorme para à Paula Quirante. Ela quem me cobrou o capítulo e aqui está! Obrigada por lerem minha história. Espero que vocês gostem e amanhã tem mais ♥ Até as notas finais! FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323

TOBIAS EATON

Diminuí o ritmo do beijo para que Tris e eu pudéssemos recuperar nosso fôlego e quando nós paramos, eu me afastei apenas o suficiente para que meu nariz continuasse em contato com o seu, enquanto minha menina sorria perto da minha boca.

– Eu quero você também. – ela riu.

Por Deus, ela ainda iria me matar. Por que eu a queria tanto? Caralho, ela não sabia sobre Nita, ou sobre mim, ou sobre seu pai e sua mãe, mas ainda assim ela me queria. Como ela podia me querer quando eu escondia tanta coisa dela? Se eu quisesse nos salvar da dor quando ela descobrisse tudo, eu teria que pôr um fim em toda essa história agora. Entretanto, uma coisa era me negar algo, mas negar a Tris... Eu iria para o inferno se dissesse um simples “não” a ela. Não podia mais lutar contra isso. Eu a queria. Ela me queria. Isso nos destruiria no final. Valia à pena correr o risco?

– Quero que conheça o meu quarto.

Tão rápido quanto eu terminei a frase, Beatrice congelou e instantaneamente seu corpo tomou uma postura tensa. Somente quando ela começou a falar que então eu me dei de conta da besteira que eu tinha dito.

– Eu acho que estamos indo rápido demais. – Tris falou, recuando com um passo para trás.

Eu não pude deixar de sorrir. Embora leva-la para minha cama fosse meu primeiro desejo, ela havia me compreendido mal.

– Eu falei meu quarto, Beatrice, não minha cama.

– Tem certeza? – ela respondeu baixinho e eu segurei sua mão, guiando-a pelo primeiro lance de escadas.

– Não farei nada que você não queira. Apenas quero ficar com você num lugar que eu adoro. – ela assentiu.

Quando chegamos ao primeiro andar, parei e encostei-a contra parede, encurralando com ambas as mãos na altura do seu rosto e beijando-a logo em seguida. Eu amava a textura suave que só ela tinha, a forma doce como sua língua serpenteava e os suspiros que ela soltava. Tris não reclamava da minha fome por sua boca. Ela correspondia, sentindo a emoção pairando sobre nós e eu me perguntava se seu coração batia tão forte quanto o meu.

– Ainda estou tentando superar o fato de que meu irmão te beijou primeiro. – eu pisquei, fazendo com que ela soltasse uma risadinha. Eu estava apaixonado por esse som.

Nós voltamos a subir o último lance de escadas. Quando paramos os pés no último degrau, estendi a mão até a alça da porta e a abri, permitindo que Tris entrasse primeiro. O espanto em sua face e sua boca aberta em O foi exatamente a reação que eu esperava dela. Entretanto, o que me surpreendeu foi o que eu senti. Eu não trazia ninguém para esse lugar. Esse era o meu espaço. Minha fuga. Meu refúgio. Entretanto, era bom vê-la com minhas coisas. Talvez até melhor do que eu imaginava. Era assustador para caralho o que eu estava sentindo.

– É lindo. – ela suspirou, quando deu mais um passo e eu fechei a porta.

– Você também é. – sussurrei e segurei sua mão, levando-a até a sacada do quarto. A vista para o mar era de tirar o fôlego. – Você gosta do mar?

– Eu nunca tinha o visto antes. Mamãe e eu pretendíamos fazer isso em breve, porque nós duas só víamos na TV, mas então ela ficou doente... – ela parou de falar e virou-se para mim, dando-me um sorriso triste. – Você sabe.

– Sim. – eu respondi. – Ainda dói muito, não?

Ela concordou.

– Ela foi a única pessoa que eu tive durante a maior parte da minha vida. Eu tive um irmão também, mas ele morreu quando nosso pai dirigia o carro. – ela engoliu em seco. – E Andrew... Bem, eu até me esqueci do que é ter um pai.

Meu peito doeu e eu senti como se eu não pudesse respirar. Por quanta dor essa menina havia passado? Era óbvio porque ela tão boa. Somente um coração tão gentil teria passado por tanto sofrimento. Eu sabia pouca coisa sobre seu irmão, mas a maneira como ela falou sobre ele fez meu peito rasgar. Por mais que eu estivesse odiando o monstro que minha irmã estava se tornando, eu não conseguia me imaginar perdendo-a. Nita era meu chão. Ela havia sido minha garotinha por muito tempo. Eu a amava tanto que doía. Nós éramos um só. Eu não conseguiria lidar com esse laço se rompendo. Não conseguia sequer imaginar minha irmã morta.

– Eu não sabia que você tinha um irmão. – eu menti, sabendo que era única coisa que eu poderia dizer. Tinha pensando muito sobre minha irmã esta tarde e a ideia de perdê-la estava me deixando nervoso. Eu precisava manter meu foco em Tris. Nita estava bem. Ela estava bem, porra. – Como ele era? – tentei me manter são, enquanto encara um par de olhos brilhantes à minha frente.

– Ele era incrível. Mesmo jovem, ele era decidido. Eu o adorava. Ele era responsável, cuidadoso e muito inteligente. Eu o via sempre com um livro. Caleb estava decidido a se tornar um médico e levava a ideia muito a sério. Mamãe e eu tínhamos muito orgulho dele. Até mesmo Andrew. Eles eram muito parecidos, exceto no que o papai fez conosco. Eu tenho certeza de que Caleb nunca teria nos traído.

– Eu sinto muito. Nunca poderia imaginar que você passou por tanta coisa difícil sozinha.

– Você não sabe muita coisa sobre mim. – ela provocou, com um pequeno sorriso se formando nos lábios. Eu estava aprendendo a amar isso. Gostava que ela compartilhasse sua vida comigo e que eu estava fazendo-a se sentir à vontade.

– Não, sei pouca coisa, mas podemos consertar isso. Eu só sei que você é linda, inteligente, sofreu para caralho e que está disposta a enfrentar o mundo sozinha. Diabos, não sei nem seu aniversário! – eu ri, quando peguei sua mão e a guiei até a pequena sala de estar do meu quarto. Tris e eu sentamos no sofá.

– Seis de Março. – ela sorriu.

– O que disse?

– Meu aniversário é seis de Março. – ela respondeu. – E o seu?

– Quatro de Julho.

– Não brinca?! – ela gargalhou. – Você não pode estar falando sério. É o dia da Independência!

– Eu sei. Will faz primeiro de Abril. O dele é mais legal. – dei de ombros.

Quando ela estava prestes a responder, meu telefone tocou. Eu o tirei do bolso e o visor se iluminou com o nome de Nita e uma foto nossa aparecendo na tela. Eu tinha pensado nela o dia inteiro. Odiava deixá-la de lado, mas ela estava agindo como uma cadela infantil. Natalie Prior tinha sido uma prostituta que arruinara sua base familiar, mas Tris não tinha nada a ver com isso. Ela sequer sabia a verdade sobre sua mãe. A menina acreditava que ela tinha sido uma santa. Me corroía como o inferno saber que sua vida era uma mentira. Eu queria contar a verdade. Queria que ela ficasse ao meu lado quando o mundo fosse tirado dos seus pés. Eu a seguraria. Não a deixaria cair.

– Eu só preciso de um minuto. – falei a Tris e deslizei meu dedo pelo touch, atendendo à ligação da minha irmã. – Nit? – chamei-a. Ouvi um soluço, antes do pânico se formar no peito enquanto a voz da minha irmã rasgava meu coração.

– Não venha atrás de mim. Eu quero isso. Eu te amo, mas não aguento mais minha vida. Adeus, Tobias. – ela chorou e então encerrou a ligação.

– Puta que pariu! – rosnei e atirei o telefone contra a parede, ouvindo o estilhaçar do vidro, mas não dando a mínima.

Me apressei para pegar minha carteira e as chaves do meu carro. Eu precisava ir até Nita imediatamente. Ela precisava de mim imediatamente.

– O que aconteceu? – o tom preocupado e inseguro de Tris não era o que eu queria agora. Eu só precisava chegar até a minha irmã, caralho.

– É Nita. Ela precisa de mim. Por favor, saia do quarto. – eu não precisava disso. Era com a minha irmã que eu deveria me importar agora, não Tris.

– Ela está bem? Você quer que eu vá com você? – ela se apressou.

– Não, porra! – explodi. – Eu só quero que você saia do meu caminho. Minha irmã te odeia. Ver você vai piorar tudo, inferno! Ela não está bem. Ela não está nada bem. Eu só preciso vê-la. – Tris estava em estado de choque. Minha cabeça estava a mil. Eu não queria perder Nita. O medo estava me consumindo. – Saia da frente, caralho!

Eu estava aterrorizando. Minha irmãzinha estava prestes a cometer uma besteira e precisava de mim para impedir isso. Eu precisava dizer que a amava. Ela queria ouvir isso. Nita não se sentia amada. Ela nunca tinha tido ninguém além de mim. Talvez Will, mas ele não lhe dava a mínima agora. Ele a tinha deixado. Eu tinha feito isso também. Eu era um estúpido de merda.

Deus, que não seja tarde demais.

Dirigi como um louco até o condomínio que Nita morava. Eu havia comprado este apartamento quando ela fez 18 anos. Ela tinha uma casa à beira mar, mas adorava aqui. Embora já tivesse iniciado sua carreira como modelo, minha irmã não podia pagar por esse. Viver nessa área em Miami custava caro. Apenas as celebridades de Hollywood tinham casas ou apartamentos por aqui. Minha irmã queria se encaixar no meio deles. Eu comprei quase a cobertura porque era o que ela desejava. Eu daria o mundo se Nita me pedisse. Por que ela ainda tinha dúvidas de que eu a amava incondicionalmente?

Chegar ao condomínio e me deparar com várias pessoas olhando para o vigésimo primeiro andar fez meu coração se contorcer. O local estava cercado por viaturas da polícia, bombeiros e repórteres. Foi apenas questão de um segundo para que eles bloqueassem meu caminho quando o reconhecimento veio. Eu os empurrava, tentando chegar até o prédio, mas eles eram insistentes. Começaram a me encher de perguntas e eu estava entrando em pânico. Só queria salvar minha irmã. Estava prestes a socar o olho de um paparazzi, quando dois policiais começaram a abrir o caminho até mim e me guiaram até o hall do prédio.

– Espere aqui. Nós, profissionais, temos a situação sob controle. – ele me aconselhou, enquanto eu ouvia ordens através dos megafones, sirenes, flashs de câmeras e gente falando por todos os lados.

– Ela não vai ouvir vocês. – eu disse quando ergui meus olhos para a imagem da minha irmã pendurada na varanda, com uma perna dentro e outra fora, indecisa se pularia ou não. Eu não conseguia pensar direito. Sentia meu coração doer cada vez mais. Nita não olhava para mim. Eu sequer sabia se ela sentia que eu estava aqui. Ela só olhava para baixo.

Nita iria pular.

– Preciso entrar. Não posso deixar minha irmã morrer. Eu não posso perdê-la, porra. – eu soava tão desesperado. Não me lembrava da ultima vez que eu senti tanto medo.

Dois policiais se entreolharam, então um deles fez um sinal para que eu o seguisse, enquanto o outro usava o rádio para passar as coordenadas para o grupo. À medida que eu entrava no prédio de Nita, os cliques, as vozes e as sirenes tornaram-se abafados, mas eu ainda podia ouvi-los. Meu impulso era de usar as escadas, porque eu acreditava que seria mais rápido mas então a realidade me deu um tapa: eram vinte e um andares. Usamos o elevador. Ao me deparar com a porta do apartamento de Nita, usei a cópia da chave para abri-la. Um chute seria inútil. Eu tinha reforçado a segurança e tinha feito portas muito mais fortes.

Quando entrei, o policial segui logo atrás de mim e ao ouvir nossos passos, Nita virou o rosto e pousou seus olhos em mim. Não havia emoção alguma nela. Minha imrã estava completamente vazia. Olhar para ela naquele momento doeu para porra.

– Se você der mais um passo, eu pulo. – sua voz vacilou. A tentativa de esconder seu medo não funcionou muito bem. Ela estava tremendo. Meu peito batia tão forte que tive certeza de que ela podia ouvir. Nita não tirou os olhos dos meus. Era como se ela mesma me pedisse socorro.

– Nit, não faz isso. – minha voz também vacilou. Um caroço havia se formado na minha garganta e estava difícil falar. – Não quero perder você. Eu amo você. – implorei, temendo me aproximar dela e minha irmã cumprir o que falou.

– Cale a boca! – ela gritou. – Isso não é amor. Você grita comigo; você não se importa. Desde que ela chegou, eu sou apenas segundo plano. Você só reclama, me xinga e me humilha. Você não me ama mais. Eu odeio você! – ela chorou. As lágrimas também estavam nos meus olhos. O medo de perder minha irmã estava me destruindo.

– Eu estava tentando ajuda-la, Nit, mas agora eu faço o que você quiser. Só não me fala perder você. Você é a minha parceira do crime. Eu e você contra o mundo, lembra? Eu te amo, mana. Não faça isso. – eu me aproximava dela devagar para que não percebesse meus movimentos. Nita estava tão concentrada em mim que ela não notou quando o policial se aproximou e a puxou de vez, fazendo com que os dois caíssem no piso da varanda.

Corri até a minha irmã e me abaixei, abraçando=a contra o meu peito o mais forte que eu consegui no momento. Ela estava segura. Ela estava comigo. Eu não estava perdendo minha irmã. Nita estava bem agora. Os aplausos explodiram lá em baixo e mais policiais entraram no apartamento, enquanto minha irmã e eu chorávamos abraçados. Ela tremia e soluçava contra mim, enquanto eu acariciava seus cabelos e suas costas.

– Você precisa que ela seja sedada para levarmos a uma clinica de reabilitação? – um policial que eu ainda não tinha visto se aproximou de nós.

Nita me apertou ainda mais forte.

– Por favor, não. – ela fungou. – Eu não sou louca. Eu juro, Jay. Eu só quero que você me note. Eu não quero ficar longe de você. Por favor, não... – ela implorou.

Eu estava dividido. Minha irmã não estava tão bem quanto eu achava que estava ou quanto ela achava que estava. Eu odiava vê-la assim. E odiava ainda mais a ideia de vê-la sedada, dopada de remédios, lutando pela liberdade e sendo tratada como louca. Não poderia deixá-la ou manda-la para a porra de uma clínica. Ela só precisava de mim.

– Promete para mim que nunca mais vai tentar uma loucura dessas. Nunca mais, ouviu Nita? Promete para mim agora.

– Eu prometo. – ela soluçou. Tão frágil Nita estava. Ainda era minha irmãzinha de seis anos que não tinha ninguém para lutar por ela. – Eu juro. Só não me deixe.

– Não será necessário. – falei ao policial que nos observava. – Mas exijo ao menos duas viaturas no condomínio esta noite. Reforcem a segurança. Não queremos ser incomodados e eu tenho certeza que esses malditos jornalistas não nos deixarão em paz. – eu tinha certeza de que isso estaria estampado em todas as bancas, programas e sites de notícia. Seria a manchete do dia. Minha paz estava prestes a acabar esta noite. Tanto tempo tentando me livrar da mídia para chegar aqui e ver que tudo fora em vão.

– Sim, senhor. Precisam de algum paramédico ou atendimento especial? Nós temos os melhores profissionais a sua disposição, senhor Eaton.

Nita balançou a cabeça.

– Não, estamos bem. Só queremos ficar sozinhos.

Ele acenou e todos os outros oficiais começaram a deixar o apartamento, enquanto Nita e eu nos levantávamos e eu a guiava até sua suíte. Pedi que tomasse um banho antes de conversarmos para que ela esfriasse sua cabeça e minha irmã obedientemente foi. Eu também precisava pensar e fazia melhor quando eu estava sozinho.

A raiva que eu estava sentindo da minha irmã por ela ser imatura e egocêntrica havia sido banida quando pus os olhos na sua imagem prestes a pular do prédio. Vê-la tão desesperada e frágil estava me matando. Eu tinha prometido que ela sempre me teria por perto. Tinha prometido que seríamos eu e ela contra o mundo inteiro. O que diabos eu tinha feito? Arriscar perder minha irmã somente porque tinha ficado fascinado por Tris.

Tris. Pensar nela fez um arrepio bagunçar todos os pelos do meu corpo. Eu a tinha deixado de maneira terrível. Seus olhos estavam tão assustados. Ela não merecia os gritos, mas eu não estava pensando tão bem. Nita precisava de mim, caramba. Era a minha irmãzinha. Eu estava assustado também. Ela tinha que entender isso.

– Você está distante. – Nita saiu do banheiro vestindo um roupão e sentou-se ao meu lado na cama.

– Eu pensei.... – estava difícil respirar e falar. As lágrimas estavam embaçando minha vista. Eu estava prestes a desmoronar. – Eu pensei que iria te perder, porra. Eu pensei que iria te perder.

Bastou apenas que minha irmã me envolvesse em seus braços para que eu começasse a me destruir em lágrimas. Eu soluçava como uma criança. Não tinha noção de quanta pressão estava presa dentro de mim. Chorei porque não queria perder minha irmã. Chorei porque não queria perder Tris. Chorei porque tinha que escolher entre as duas mulheres mais importantes da minha vida.

Eu não viveria sem Nita, mas eu morreria se ficasse sem Tris.

– Sinto muito. Eu não pensei direito. – Nita sussurrou, enquanto eu lutava para me recompor. – Pensei que não iria se importar. Não achei que eu te afetaria.

– Não achou que me afetaria?! – gritei. – Você é minha irmã, porra!

– Me desculpa.

– Não me pede desculpa agora. – eu consegui dizer com mais firmeza dessa vez. – Você não pode fazer coisas assim para ter minha atenção, Nita. Você já me tem por completo. Porra, eu te amo! Você é minha vida.

– Você não pode me culpar. – minha irmã entrou na defensiva. – Eu sou a vítima aqui, tá legal? Você me trocou pela filha de uma prostituta!

– Droga, Nit, será que dá para parar com essa comparação ridícula? Para de falar nela por um segundo! Eu só quero um segundo de paz, poxa. – suspirei. – Eu escolhi você, caramba. Eu gritei com ela e a deixei sozinha porque eu amo você. Você está em primeiro lugar. A esta altura, Tris já deve ter ido embora. Eu aposto que depois de hoje ela nunca mais irá querer me ver. Chegou a hora de escolher e eu vim para cá. Satisfeita?

Nita abriu um pequeno sorriso e logo relaxou. Ela parecia estranhamente feliz e satisfeita demais para uma pessoa que havia acabado de tentar suicídio. Eu, no entanto, estava completamente acabado. Meu coração doía ao pensar em Tris. Eu não queria que ela fosse embora, mas sabia que Tris havia chegado ao seu limite e duvidava muito que ela ainda assim iria ficar.

– Você a ama, não é? – Nita soou insegura. Raramente vi minha irmã ter a voz trêmula. Ela era sempre tão confiante de si mesma. – Isso não é justo comigo.

– Você não entende, Nit. – eu suspirei. Precisava conversar com alguém sobre o que eu sentia e fazer isso com minha irmã era a decisão mais insana que eu já tomara, mas eu não tinha controle. As coisas simplesmente foram saindo. – Ela não é o que acreditei que fosse. Se você desse uma chance... Você a amaria também. Não é difícil amá-la. Ela torna tudo tão fácil.

– Você não a conhece. – cruzou os braços e mais uma vez entrou na defensiva.

– Eu moro com ela há dois meses. Ela é doce e muito gentil, mas também é guerreira e muito inteligente. Ela tem aquela paz que faz você querer estar ao lado dela o tempo inteiro. Ela faz valer cada maldito segundo.

– Você está me magoando. – vi quando os olhos da minha irmã encheram-se de lágrimas novamente.

– Você perguntou como eu me sentia e aqui estamos nós. Tente dar uma chance, Nita. Você não tem amigos e precisa de alguém. Estou tentando ajudar você. Você sabe que não está completamente bem. Ela é sua irmã, caramba. Tenta dar uma chance.

– Ela não é minha irmã. – Nita cerrou os dentes.

– Sim, ela é. Vocês duas dividem o mesmo pai. Isso faz de vocês irmãs.

– Eu não a aceito como minha irmã. – ela se levantou da cama e se pôs na minha frente. – Você está errado. Não sabe nada sobre como eu me sinto. Eu estou bem. Muito bem, aliás. E agora eu preciso atender ao telefone. Uma das várias amigas que eu tenho está me ligando. Se me der licença...

Nem mesmo eu conseguia entender essas mudanças repentinas de humor. Numa hora ela parecia completamente bem, mas na outra... Era como se minha irmãzinha doce e amável nunca tivesse existido; uma manipuladora inconsequente tomava seu lugar.

Nita caminhou até o seu telefone e o pegou, atendendo a ligação e indo para longe de mim. Isso me deu tempo para pensar no que eu a tinha dito. Apaixonado por Tris? Isso estava mesmo acontecendo? Porra, eu não sabia amar. Não do jeito que ela merecia. Eu era tão estúpido. Sequer sabia o que estava sentindo. Era uma verdadeira explosão de sensações. Eu queria cuidar dela. Sentia a necessidade de protegê-la. Admirava sua determinação e luta pela sobrevivência. Ela era extremamente corajosa e isso me encantava. Gostava de olhar para ela e tê-la comigo. Não me via mais em um mundo onde Tris não existisse. Isso era amor?

– Eu não tenho mais certeza se de que o que a gente fez foi certo. Acho que passamos dos limites desta vez, Shau. – eu ouvi Nita sussurrar. O apartamento estava extremamente silencioso, então eu a ouvia, mesmo que ela fizesse o possível para esconder sua voz. – Eu preciso desligar. Ele ainda está aqui comigo. Eu ligo para você assim que der... Ok, Shauna... Sim, já entendi. Não me diga o que fazer, ok? Até amanhã.

Nita entrou no quarto e tocou as mãos nervosamente, forçando um sorriso para mim. Eu estava com um pressentimento muito estranho. Algo aqui não estava batendo. Minha irmã estava inquieta à minha frente. As coisas não estavam tão bem quanto ela insistia em dizer. Eu tinha a impressão de que ela estava me escondendo alguma coisa.

– Está tudo bem, Nita?

– Tudo bem. – ela declarou.

– Tem certeza disso? – insisti. Se ela me dissesse o que estava errado, eu faria o possível para consertar.

– Eu só tive um dia difícil. Minha cabeça está queimando.

– O que você fez que agora não acha tão certo? – perguntei. Não gostei do tom de sua voz quando ela falou. Eu odiava que Nita me escondesse algo. Eu era sempre tão aberto e honesto com ela. Eu fazia tudo por minha irmã. O mínimo que ela poderia fazer seria confiar em mim, caramba.

– Você ouviu? – o nervoso em sua voz só me fez ter mais curiosidade sobre o assunto. – Não é nada para se preocupar. Eu prometo. Só tive um dia que agora eu prefiro esquecer. Preciso dormir, Jay. Pode passar a noite aqui?

Eu queria acreditar nela porque ela parecia sincera, mas algo dentro de mim não tinha tanta certeza de que Nita estava falando a verdade. Preferi ignorar meus instintos e decidi que, antes de tudo, ela precisava de uma noite de sono. Eu não queria ficar com ela e me sentia um lixo. Eu queria ir atrás de Tris. Isso fazia de mim um filho da puta? Foda-se, eu era! Mas droga, minha irmã precisava de mim. Ela precisava que eu a colocasse em primeiro lugar desta vez. Eu tinha que fazer isso. Ela estava péssima. Algo ainda a perturbava.

– Claro, tudo bem. – respondi, tirando meus sapatos e puxando a camisa pela gola.

– Obrigada, Jay. É muito importante para mim. – ela soou quebrada. Levantei meus olhos para vê-la e enxerguei minha princesinha insegura. Como diabos eu ainda havia hesitado passar a noite aqui? Nita vinha primeiro, porra.

Deitei na cama king size da minha irmã e ela veio até mim, aconchegando-se e apoiando sua cabeça em meu peito nu. Eu não tinha me dado conta do quanto ela tinha crescido. Nita já era uma mulher formada. Desde seu corpo de dar inveja até seu cabelo negro se destacando em sua pele claríssima. Ela era absurdamente linda, mas eu só conseguia enxerga-la como minha garotinha abandonada. Por mais que tentassem me convencer, não a via como alguém mau. Eles não a conheciam. Ela tinha seu jeito amável. Ela só não o mostrava com tanta frequência, mas ele existia. Eu o via nela.

Nita adormeceu enquanto eu fazia cafune em sua cabeça. Eu a observava. Ela estava tão serena. Sem aquela mascara de maldade, seu rosto parecia em paz como o de um anjo. Por ela não deixava que as pessoas a vissem a versão que eu via? Isso não fazia a porra de um sentido. Quem gosta de ser odiado? Ela era incrível e escondia isso.

Sussurrei ao pé do seu ouvido que eu a amava e beijei o topo de sua testa. Ela fez um ruído e me apertou ainda mais contra ela. Fez alguns segundos antes de ela soltar um “sinto muito”. Fiquei sem entender seu comentário e quando a olhei, ela estava pacífica e dormindo novamente. Estava delirando? Pus o pensamento de lado e me juntei a ela no sono.

Quando eu acordei, minha irmã não estava mais na cama e eu não fazia a mínima ideia de que horas eram. As cortinas tinham sido fechadas graças ao caos de ontem e o quarto estava escuro. Me levantei e coloquei minha camisa da noite passada juntamente com meus sapatos. Procurei pela minha irmã e ao invés de encontra-la, avistei um bilhete em cima do balcão da cozinha.

Obrigada por passar a noite comigo. Eu estou bem. Peguei um voo com Shauna até Paris. Preciso fazer compras; elas me relaxam. Espero que você entenda. Quero evitar os paparazzi. Amo você, Jay.

Sinto muito.

Nita.

Lá estava o “sinto muito” novamente e ele ainda não fazia a porra de um sentido. Ela sentia muito pelo quê? Ameaçar se matar? Ir à Paris? Fugir dos paparazzi? Nita adorava chamar atenção. Ela fazia o impossível para aparecer nas capas de revista. Não havia motivo para que ela quisesse fugir das câmeras. Ela também havia se desculpado enquanto dormia e não mencionara seu passeio. O que porra ela queria me dizer?

Saí do apartamento e peguei o elevador. Quando desci, os cliques e os flashes cegaram minha visão. Pus meus óculos aviador escuro e dois policiais me escoltaram até meu carro, quando um bombardeio de perguntas veio até mim.

– Quatro, o que pretende fazer com sua irmã?

– Nita Johnson já havia tido algum outro episódio de loucura?

– Você pretende interna-la em algum lugar?

– Você sabia que ela queria se matar?

– Fontes nos disseram que você é o culpado, é verdade?

Eu os ignorei e entrei no meu carro, engatando a ré e saindo o mais rápido que eu podia. Eles iriam me seguir e eu não podia deixar que chegassem até minha casa. Eu ainda queria paz. Dirigi até o hotel que eu costumava ficar em Miami quando não podia ficar na minha própria casa. Entreguei a chave ao manobrista e fui direto à recepção. Os paparazzi não tinham me alcançado, mas isso não significava que eles não apareceriam por aqui.

– A suíte presidencial, por favor. – disse a recepcionista que estava anotando alguma coisa e ainda não tinha os olhos em mim.

– Desculpe, senhor, mas... – quando ela levantou a cabeça, o reconhecimento se instalou. Ela abriu a boca, mas não saiu som algum. Edward, um dos gerentes do hotel, se aproximou e me entregou o cartão magnético.

– Tenha uma boa tarde, senhor. – ele se apressou em dizer, enquanto a garota ainda estava imóvel.

Peguei o elevador privado e o usei até a suíte presidencial. Eu gostava dessa porque ficava no último andar e os paparazzi não me alcançavam. Era o lugar onde eu tinha mais privacidade. Se não fossem os helicópteros rodando em volta do hotel, seria quase perfeito. Só não era melhor que minha casa.

Usei o cartão e entrei no quarto, indo rapidamente até o telefone posto em cima de uma mesinha lateral de vidro. Não tinha me dado conta do quanto estourar meu celular tinha sido burro até agora. Eu não tinha notícias de Tris e precisava do meu irmão para saber como ela estava. Eu tinha que esperar a poeira baixar para poder vê-la, mas alguém precisava se certificar de que ela estava bem.

Disquei o número de Will e ele atendeu no segundo toque.

– Alô?

– Will, sou eu.

– Porra, onde você está?! – ele gritou. Will parecia puto. – Eu tentei te ligar um milhão de vezes. Onde está o caralho do seu celular?!

– Nita ia se matar ontem se eu não tivesse chegado e impedido. Eu quebrei meu celular em algum momento. – respirei fundo. – Ouça, preciso que vá até minha casa e veja como Tris está. Eu fui um filho da puta com ela na noite passada, mas eu não estava pensando direito. Fique com ela até que eu possa acalmar os paparazzi, então eu vou vê-la.

Will murmurou um palavrão do outro lado da linha.

– Quer me dizer alguma coisa, Will?

– Você é um estúpido de merda. – ele xingou. – Eu fui à sua casa ontem porque precisava falar com você, mas sabe o que eu encontrei? Uma versão louca de Shauna batendo em Tris. Por que você mantém as vadias? Por que você é tão burro?! Eu não deixei que ela fizesse um completo estrago, mas quando eu cheguei, Tris já estava machucada. Ela teve sua barriga queimada, porra! Não tinha se recuperado de um acidente e já sofreu outro. Os dois por sua causa, caralho! Ela não podia continuar lá. Eu estou com ela, mas você não vai vê-la, seu filho da puta.

Notas finais
E aí, o que vocês acharam?! ♥ O capítulo mais uma vez precisou ultrapassar as cinco mil palavras e eu tive que cortar muita coisa. A boa notícia é que o próximo já está pronto e eu posto amanhã, mesmo que vocês não sejam gentis comigo comentando nesse aqui. Eu devo essa, já que passei um bom tempo sem atualizar a fic. Agradeço a todo mundo que ainda continua aqui. Vocês são a razão para que eu continue postando, mesmo com meu trabalho sendo várias vezes plagiado. Obrigada aos meus leitores! Um beijo ♥ Os vejo nos comentários! FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323