Notas iniciais
Olá meus amores, como vocês estão? ♥ Bem, aqui está mais um capítulo de Estranha Perfeição com um pequeno atraso. Como eu havia falado no blog e no facebook, as minhas histórias serão atualizadas todo domingo. Eu iria postar três dias atrás, mas não deu. Explicarei tudo isso no blog. Espero que gostem e não esqueçam de comentar! FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ACOMPANHE MINHA NOVA FIC --> http://fanfiction.com.br/historia/582921/Back_to_Home/ ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323

BEATRICE PRIOR

Ficar longe de Tobias não era exatamente fácil, já que estávamos morando sob o mesmo teto. Ainda que ele tentasse manter distância, continuávamos a nos esbarrar. Ele também evitava cruzar olhares comigo, mas isso só fazia aumentar o meu fascínio. Eu sabia que deveria ficar longe dele. Ele já deixara isso claro para mim mais vezes do que posso contar, mas quanto mais ele se afasta, mais eu quero conhece-lo. O mistério que ele demonstra só me deixa ainda mais curiosa a seu respeito.

Três dias depois da nossa conversa no piano, eu saio do meu quartinho e vou até a cozinha, pronta para sair e aproveitar a praia no meu segundo dia de folga. O trabalho tomava conta de todas as horas do meu dia e eu chegava cansada demais para ter alguma energia para observar e sentir a brisa do mar. Mas esta era a minha segunda folga, e meu trabalho no orfanato só começaria na próxima semana.

O orfanato era incrível. Eu tinha ouvido falar sobre ele enquanto servia algumas mesas no clube, então me informei a respeito e decidi fazer uma visita assim que tivesse minha folga. Christina fora comigo. Ela também adorou o lugar. As crianças eram gentis e amáveis, e eu me encantei no segundo em que pus os pés no lugar. Me senti próxima da minha mãe. Ela era altruísta, e sempre estava visitando lugares como esse, levando alegria e esperança para todos aqueles que não tiveram família. Eu gostei de lá e fiquei feliz ao saber que precisavam de ajudantes. Eles não pagavam muito, mas eu não me importava com isso. Christina e eu trabalharíamos sempre que não estivéssemos no clube. Não apenas pelo dinheiro, porque o clube me pagava bem e eu ganhava boas gorjetas, mas também pela minha necessidade de fazer o bem. Minha mãe tinha sido uma pessoa maravilhosa e eu estava me esforçando ao máximo para ser como ela.

Saio pela porta dos fundos e caminho em direção à praia. Esta área é bem reservada, então não há sinal de pessoa nenhuma por aqui. À medida que meus pés tocam a areia e eu avanço em direção ao mar, o vento sopra meus cabelos e eu fecho os olhos, contemplando tudo aquilo. Era uma coisa que eu esperava fazer com minha mãe. Nós não conhecíamos muito o mar e tínhamos feitos planos para que assim que ela melhorasse do câncer, nós iriamos para a mais próxima. O problema é que ela não melhorou.

O sorriso de Natalie ao me contar sobre a vez em que havia brincado no mar surgiu na minha

lembrança. Eu ergui o rosto para o céu e sorri. Finalmente tinha chegado. Estava lá por nós duas. Apesar das circunstancias que me trouxeram até aqui, acho que ela estaria orgulhosa de mim. Estou fazendo o que ela me pediu: estou tentando cuidar de mim mesma.

Um barulho à esquerda faz com que eu me assuste, até perceber que Tobias aparecera sob a luz do sol. Ele estava correndo. Não usava camisa, o que tornava difícil não olhar para seu torso nu. O short pendia baixo nos quadris estreitos. Eu estava hipnotizada com a imagem dele correndo em minha direção. Não tinha certeza se deveria me mexer e sair dali. Tobias não gostava de me ver. Não gostava da minha presença na sua casa e tentara manter distancia durante esse tempo. Apesar de eu estar curiosa em relação a ele, ele não estava curioso em relação a mim, e eu não tinha permissão de invadir o espaço dele. Aliás, eu estava morando em sua casa por um favor que ele devia ao meu pai. Por mais que eu quisesse acreditar nas palavras que ele me dissera na sala do piano, eu não conseguia. Tobias deixava claro que me odiava.

Porém eu não entendi quando ele desacelerou o passo e parou ao meu lado. Ele dissera querer distancia, mas estava se sentando ao meu lado. O suor no seu peito reluzia aos raios solares. Por mais estranho que isso fosse, eu senti vontade de esticar a mão e tocá-lo. Ele estava coberto de suor, mas nada que aquele corpo produzisse seria nojento. Era impossível.

– Você acorda cedo todos os dias? – ele diz, respirando fundo algumas vezes.

– Meu trabalho começa cedo, então eu meio que me acostumei ao horário. – digo, olhando para o mar à minha frente.

– Tem olheira debaixo dos olhos. Você não tá dormindo bem? O quarto não é bom o bastante? – o tom de preocupação em sua voz me surpreende e eu viro meu rosto para olhá-lo. Ele mantém seus olhos voltados para o mar, se recusando a olhar para mim.

– Não, o quartinho é ótimo. – eu sorrio em constrangimento. Não quero que ele me ache uma mal agradecida. – Obrigada por me deixar morar aqui.

– Eu queria poder fazer mais, mas não posso. – ele diz, parecendo estar distante. Engoliu em seco. – Como está o emprego?

Até que ele estava sendo educado. Não pude deixar de ficar surpresa.

– Por que está conversando comigo? – eu pergunto, incapaz de conter as palavras.

Tobias finalmente vira o rosto para mim e me olha. A testa dele estava cheia de vincos, como se algo o tivesse machucando. Havia tristeza e algo sombrio em seu olhar. Eu nunca tinha estado tão perto dele para enxergar as emoções nas profundezas azuladas daqueles olhos. Mas agora era tudo tão nítido. Tobias era formado numa espécie de camadas. Havia muita coisa sobre ele que eu não entendia. Ele não era mau. Tinha visto a maneira como ele olhava e adorava a irmã, mesmo sendo o monstro que ela é. Tinha visto o respeito e amor que ele tem por Will. A relação deles era bonita de observar. Ele não era a pessoa que mostrava ser para mim. Como ele poderia ser alguém tão ruim, se demonstrava ter um coração tão bom?

– Eu perguntei primeiro. – ele me dá um sorriso torto.

Eu dou de ombros.

– Está bem. Eu estou gostando.

– Imagino que esteja. – ele retruca, em um tom irônico.

– O que você quer dizer?

– Você sabe que é bonita, Tris. Sem falar nesse sorriso encantador. Os golfistas lá do clube estão lhe pagando uma nota. Imagino o estrago que está fazendo.

Eu fico em silêncio. Ele estava certo em relação às gorjetas. Eu ganhava muito bem mesmo. Mas eu também estava ficando desconfortável e ao mesmo tempo sem ar ao vê-lo olhar para mim daquele jeito. Eu não me achava bonita. Eu tinha os olhos da minha mãe. Era a única coisa encantadora em mim. Mas eu queria que ele gostasse do que via. Eu não entendia o porquê, nem o que estava acontecendo comigo, porém eu me importava. Eu me importava com o que ele achava de mim. Se ele estava mudando de ideia em relação a manter distancia, eu queria que ele fosse meu amigo. Que ele gostasse da minha companhia. E que ele gostasse de mim.

Tobias aproxima sua mão do meu rosto, tira uma mecha do meu cabelo da frente do meu rosto e a põe atrás da minha orelha.

– Por que não consigo ficar longe de você, Tris? – ele me analisa com uma expressão confusa, como se estivesse entrando em conflito consigo mesmo.

– Você tem trabalhado bem nisso essa semana. – digo, virando meu rosto de volta para o mar. O fato de ele me ignorar me incomoda e me deixa irritada, mesmo que eu não demonstre isso.

Ele solta um suspiro e volta a olhar para o mar. Passamos algum tempo sentados em silêncio; ele manteve os olhos fixos à frente o tempo todo. Pude ver que estava pensando em alguma coisa. Tinha o maxilar contraído e uma expressão sombria. Repassei nossa conversa em minha mente. Talvez o que eu tenha dito tenha o deixado irritado também. Abro minha boca diversas vezes para falar, mas não consigo pensar em nada apropriado para dizer.

– Quanto tempo faz que sua mãe morreu? – ele pergunta, tornando a olhar para mim.

Droga. Eu não queria falar sobre minha mãe. Tudo ainda estava muito fresco em minha mente e doía a falta que eu sentia dela. Tinha deixado claro na sala do piano que não queria falar sobre isso, mas ele não aceitava não como resposta. Eu já tinha sido grossa uma vez. Não queria ser novamente.

– Trinta dias e cinco dias. – eu respondo e me amaldiçoo por minha voz ter vacilado um pouco.

– Seu pai sabia disso. – Tobias diz mais para si mesmo. – E mesmo assim não apareceu no enterro. – ele repete tudo que eu lhe dissera uns dias atrás. – Você odeia seu pai?

– Às vezes. – respondi sincera. – É difícil odiá-lo. Ele é o único parente que eu tenho.

Tobias assente e estende uma mão para segurar a minha. Ele não fala nada, mas nessa hora nem é preciso. A pequena conexão que temos agora já é o suficiente. Eu não o conheço muito bem, mas estava me afeiçoando a ele. Quando estávamos sozinhos, longe de toda a bagunça que sua irmã causava, ele não era mau.

– Eu... – ele começa, mas é interrompido por uma voz que o chama.

– Tobias. – nos viramos para ver Will caminhando até nós. Ele está com ambas as mãos nos bolsos do seu jeans e acena para mim sorrindo gentilmente, mas se volta para Tobias e começa a falar. – Parece que trouxeram as rosas erradas. Nita não gostou disso. Ela tá fazendo uma cena.

Tobias solta um longo suspiro e se levanta. Sua expressão mudou. Ele está sombrio e frio novamente. O maxilar está trincado e ele evita me olhar.

– Eu vou cuidar disso. Obrigado por me avisar. – eu o observo se afastar.

– Não vai convidá-la? – Will diz.

Tobias para e se vira para mim. Seus olhos se suavizam novamente.

– Eu vou dar uma festa hoje á noite. É aniversário da minha irmã. Eu sempre dou festas para ela. Eu não sei se você curte, mas está convidada a ir, se quiser. – ele diz. Eu assinto e ele volta a caminhar para casa.

– Viu que ele não odeia você. – Will diz enquanto senta-se ao meu lado na areia da praia.

– Foi por questão de educação. – eu sorrio e volto a olhar o mar.

– Não, não foi. Ele iria convidar você se eu não tivesse chegado. Só não queria fazer isso na minha frente.

– Tobias é aquele tipo de pessoa que não deixa que as pessoas saibam da vida dele. Como você o conhece tão bem? – me viro para Will e imagino que meus olhos estejam brilhando em curiosidade. Eu queria saber mais a respeito de Tobias.

– Nós crescemos juntos. Ter Evelyn como mãe não é muita coisa, então nós só tínhamos um ao outro quando meus pais se separaram. Ele é uma pessoa boa, mesmo que ele esteja tentando provar o contrário para você. – ele sorri para mim. – Tobias mudou muito depois que Nita nasceu, porque ele praticamente a criou. Ele amadureceu mais cedo que todos nós.

– Quando eu cheguei aqui, você me disse que ele era filho único. Mas depois eu descobri que ele tinha Nita. E agora vejo que você também é meio-irmão dele. Por que mentiu para mim, Will? Eu estou confusa. – eu respondo. Eu tinha prestado atenção em cada palavra que Will dissera na minha primeira noite aqui e me lembrava de que ele havia dito que Tobias era filho único.

– Eu não sou a pessoa certa para falar sobre isso, Tris. – ele responde, claramente nervoso. – Quando estiver sozinha com Tobias, pergunte a ele. Ele pode falar.

– Nós raramente ficamos sozinhos.

– Vocês estavam sozinhos hoje e estão morando na mesma casa. É meio que impossível não ficar a sós com ele.

– Tobias tem me evitado o tempo todo.

– Ele é tão previsível. – Will solta uma risada curta sem emoção e diz mais alguma coisa que não consigo ouvir.

– O que disse?

– Nada. – ele responde e se levanta. – Queria ficar com você, mas tenho que trabalhar. Eu verei você hoje à noite?

– Eu não tenho certeza ainda. A aniversariante não gosta muito de mim.

– Se Tobias a convidou, ele cuidará de Nita, não se preocupe com isso.

– Eu ainda não sei.

– Vai ser bom fazer novos amigos. Você vai passar um tempo aqui e é bom conhecer as pessoas. – ele sorri para mim e me dá uma piscadela. – Pense nisso, Tris.

O vejo se afastar de mim e volto a olhar para o mar. Minhas chances de ser humilhada nessa festa são altas. Eu não me encaixaria no meio de toda aquela gente. Eu não me encaixara nem no ensino médio. Minha vida era apenas um eterno constrangimento. Entretanto, Will estava certo. Eu precisava conhecer novas pessoas. Christina era uma amiga incrível, e Will também, mas eles quase nunca estavam disponíveis para mim. Eu precisava de alguém para conversar, ou alguém para me fazer rir. Alguém para me fazer esquecer a bagunça que era morar naquela casa. Eu precisava de alguém que gostasse de mim, porque eu estava cercada por pessoas que me odiavam.

Já era noite. Eu estava sentada na cama, ouvindo os risos e a música que tomaram conta da casa. Eu tinha passado o dia inteiro mudando de ideia quanto ir àquela festa. Por fim, decidi sair do quarto. Havia escolhido o único vestido apropriado que eu tinha. Mamãe comprara quando eu ainda estava no colegial. Al tinha me convidado para o baile do colégio. Eu acabei levando um bolo, porque ele não apareceu, e no outro dia fiquei sabendo que havia ido com outra pessoa. Ele tinha sido um idiota, mas mamãe o perdoara por me fazer chorar. Eu admirava a sua capacidade de amar as pessoas. Eu acabei o perdoando também. O vestido agora seria usado em outra ocasião e eu esperava não ter que tirá-lo novamente com lágrimas nos olhos. Ele era verde, justo nos peitos e quadris, com manga longa apenas do lado direito e saia reta curta que ia até a metade das minhas coxas. Pelos padrões daquelas pessoas, ele não era um vestido caro. Na verdade, era bem simples.

Baixei meus olhos para os sapatos prateados de salto da minha mãe que eu havia guardado. Eu amava aqueles sapatos. Mamãe havia usado eles no dia do seu casamento. Ela nunca mais tornaria a usa-los, mas os guardava dentro de uma caixa muito bem embrulhada. Eles eram especiais. Eu queria me sentir bonita hoje, e esses saltos tinham um significado para mim, e podia imaginar minha mãe incentivando a usá-los. Ela ficava satisfeita a me ver feliz.

Abri a porta da despensa e entrei na cozinha, grata por não ter ninguém ali. Sair da despensa seria um pouco difícil de explicar. Podia ouvir a voz de Will rindo alto e conversando com alguém na sala. Mentalmente eu agradeci e não pude deixar de suspirar em alívio. Ele falaria comigo; poderia até me ajudar a me enturmar naquela festa. Respirei fundo, saí da cozinha e desci o corredor até o hall.

A decoração não se parecia nada com um aniversário. Estava mais parecido com uma festa de casamento de alguma celebridade de Hollywood. Percebi o quanto Nita era perfeccionista em relação à suas coisas e também o quanto Tobias havia pago por isso. Imaginei que custaria uma fortuna e me perguntava se ele era sempre tão bobo assim. Esse desperdício de dinheiro me doía nos nervos.

À medida que eu caminhava pelos cômodos da casa, eu tentava ignorar todos os olhares e comentários que faziam sobre mim. Eu poderia lidar com isso. Bastava apenas tentar achar alguém interessante e conversar. Pensei em Will. Eu poderia voltar para outra sala e chama-lo para conversar. Ele era meu amigo e havia me dito que qualquer coisa que eu precisasse, bastava somente falar com ele. Eu precisava me enturmar, então por que não pedir ajuda? Comecei a voltar os passos.

Foi então que a porta da frente se abriu e eu me assustei. Olhos escuros familiares me encaravam.

– Peter?

– Caramba, Tris... Você fica ótima depois de um banho. – ele me dá uma piscadela depois de me olhar de cima para baixo. – Não achei que fosse possível ficar ainda mais gata. – ele sorri. – Estava errado.

Vindo do meu chefe, o elogio me pareceu bem estranho e eu me senti desconfortável com isso, embora eu tentasse não demonstrar. Seria pura falta de respeito.

– Hm... Obrigada.

– Tobias a viu no campo de golfe? Ou você veio com alguém do clube?

Fiquei confusa e levei alguns segundos para entender o que Peter queria dizer. Quando percebi que ele achava que eu estava ali com alguém que conhecera no trabalho, sorri. Não era nem de longe o caso.

– Não vim com ninguém. – eu sorrio. – Bem, isso não é totalmente verdade. Meu pai é casado com a mãe de Tobias. Ele meio que me convidou, mas estou começando a achar que foi por educação.

O sorriso de Peter se abre mais um pouco.

– Ele a deixou aqui sozinha? – ele coçou o queixo.

Eu apenas dou de ombros.

– Que tal irmos lá fora conversar? A música aqui dói meus ouvidos.

Eu sorrio e o sigo até a saída principal da casa. Nós começamos a caminhar em direção a areia, mas eu penso na possibilidade de ficar a sós com Peter longe de todos, e o pensamento me apavora. Não apenas por ser meu chefe, mas é como se Peter não passasse segurança e confiança para mim como Will faz. Ou como até Tobias faz.

Droga, tudo me leva a pensar nele.

– Aqui está bom. – eu digo, e nós nos sentamos no gramado em frente à mansão.

– Por que Tobias está fazendo a irmã postiça trabalhar no clube? – Peter sorri, enquanto leva a mão até meu rosto e acaricia minha bochecha.

Como explicar para ele que Tobias não gostava de mim? Era constrangedor.

– Eu, hã... Na verdade, ele não me assume como membro da família. Eu sou só uma parente

indesejada do marido novo da mãe dele.

– Nada em você é indesejado, Tris. Nem mesmo aquele idiota é tão cego assim.

Balancei a cabeça.

– Você não entende a situação, Peter. Não tá sendo nada fácil conviver em uma casa onde todos me odeiam.

– Posso apostar que Nita não é sua fã. – ele diz, enquanto olha para frente com um sorriso sugestivo no rosto.

Eu tinha certeza de que ela não era, mas estava surpresa ao fato de Peter saber disso também. Desde quando as pessoas começaram a saber tanto sobre mim?

– Eu nem a conheço. – respondo.

– Mas você já a odeia. – ele levanta uma das sobrancelhas enquanto olha para mim com o mesmo sorriso.

– Odiar é um termo muito forte. – eu sorrio. – Quase sempre ela me deixa irritada, mas não a odeio. Pelo menos eu acho. – solto um suspiro. – De qualquer forma eu só estou aqui por mais uns quinze dias, até conseguir algum lugar para morar. Nita não será mais um problema.

– Ela apenas tem medo de você, Tris.

Eu junto as sobrancelhas. Peter parece entender minha confusão.

– Ah, qual é... Não me peça para explicar isso. Não é assunto meu, Tris. Não sou a pessoa certa para contar.

– Will me disse a mesma coisa hoje de manhã. – eu solto um riso, me lembrando das mesmas palavras que ele havia me dito mais cedo na praia.

– Mais uma prova de que estamos certos. – Peter se levanta. – Agora vamos voltar. Eu vou pegar uma bebida para você e nós podemos dançar um pouco. O que vai querer tomar? – ele pergunta, à medida que caminhamos para dentro da casa.

– Eu nunca bebi. – confesso, e Peter arregala os olhos, ao mesmo tempo em que sua boca cai em descrença. – Bem, eu não tenho idade suficiente para comprar bebida.

– Você nunca bebeu álcool?

Eu devo estar parecendo patética.

– Não, mas pretendo dar um jeito nisso hoje.

– Ok, então vou pegar leve com você. – ele pisca para mim com um sorriso nos lábios e abre a porta para que eu entre.

Quando andávamos em direção ao bar, Nita se posicionou bem na minha frente. Eu congelei. Senti a mão firme de Peter no meu quadril, enquanto ela me encarava com um olhar repleto de ódio e desprezo. Senti o rosto esquentar e soube que estava vermelha. Desejava que ela não fizesse uma cena. Podia sentir todas as outras pessoas prestando atenção em nós.

– Quem convidou você? – ela semicerra os olhos. Eles faíscam e eu resisto ao impulso de me encolher.

– Ela está comigo, Nita. Mantenha suas garras longe daqui. – os olhos de Nita desviam de Peter e pousam em mim. Quando ela vê a mão dele em meu quadril, solta uma risada irônica.

– Eu sabia que você era baixo, Peter, só não sabia que você ultrapassava os limites.

Estava quase tendo a certeza de que sair do quarto havia sido uma péssima ideia. Na expectativa de me encaixar, eu só estava piorando ainda mais as coisas. Eu queria atenção. Só não queria o tipo que eu estava recebendo. Murmúrios e risadas eram notados por toda parte. Eu desejei um buraco para ser enterrada aqui mesmo.

– Você sabe que não é bem-vinda. E ainda que fosse, jamais seria convidada. Olhe o que você veste! Seu vestido é vagabundo e seus sapatos mais vagabundos ainda. Você deveria ter vergonha de si mesma.

Minha vista embaça de lágrimas e eu me desvencilho de Peter, dando passos apressados em direção à cozinha. Pretendo ficar trancada naquele quartinho até o fim da minha vida. Olho para os lados e vejo que todas as pessoas me acompanhando com um olhar. Muitas com desprezo, outras com pena e outros com zombaria. Minha sorte é que estão muito bêbados. Ao menos uma coisa boa essa noite. Aposto que ninguém lembrará de nada amanhã de tanto álcool que está sendo servido.

– Porra, você é impressionante. – Peter resmunga para Nita, e consigo ouvir seus passos em direção a mim. — Não escute o que ela diz.

– Ela tem razão. Eu não deveria ter vindo.

– Nita nunca tem razão, Tris. – ele segura meu braço. – Para onde você vai?

– Meu quartinho.

– Me mostre onde fica. Estou louco para sair disso aqui também.

Embora me sentindo péssima, eu consegui dar um sorriso gentil para Peter.

– Não cabemos os dois lá dentro. – respondo sincera.

– Então vamos voltar lá para fora. Não precisamos ficar aqui com essa gente idiota.

– Obrigada, Peter, mas eu preciso descansar. Preciso estar no trabalho amanhã e...

– Esqueça o trabalho. – Peter me interrompe e sorri. – Eu sou o chefe, entendeu? – ele se aproxima de mim e põe ambas as mãos na minha cintura.

Peter se aproxima e sussurra algo no meu ouvido. Ao menos eu acho que é isso que ele faz. Estou ocupada demais encarando um par de olhos azuis misteriosos à minha frente.

– Tris, venha cá. – ouço o tom firme de Tobias e eu levanto um pouco a cabeça para olhá-lo, enquanto ele desce as escadas. – Eu não imaginei que você viria hoje. – O tom de alerta na sua voz me informou que eu havia entendido mal o seu convite. Ele não falara sério.

– Desculpe. Pensei que você tivesse dito que eu podia vir. – sussurrei, constrangida, sabendo que Peter estava ouvindo aquela conversa.

– Eu não imaginava que você fosse aparecer vestida assim. – retrucou ele com uma calma inabalável.

Isso foi a gota d’água. O que havia de errado com a minha roupa? Estava de saco cheio daquele bando de meninos e meninas mimados e idiotas que agiam como se eu tivesse vestida com algo repugnante. Eu adorava aquele vestido. Adorava aqueles sapatos. Eles que fossem para o inferno.

– Eu não deveria ter aparecido. – minha voz saía o mais dura possível, embora por dentro eu estivesse estilhaçada. – Deveria ter entendido que o convite não fora sincero. Queria que você simplesmente tivesse me dito para ficar no quarto, como queria que eu ficasse. Não entendo esses joguinhos de palavras. – rebati.

Me esquivei de Peter com um tranco e voltei para a cozinha. As lágrimas embaçaram meu campo de visão novamente. Eu estava me sentindo um lixo. E estava decepcionada também. Tobias hoje havia se mostrado uma pessoa boa para mim logo cedo. Se ele não me queria ali e tinha vergonha do que os seus amigos pensariam, deveria ter dito. Em vez disso, me fez passar por boba. Estava cansada de tentar adivinhar o que ele realmente sentia.

– Porra, cara, qual é o seu problema? – perguntou Peter, zangado.

Não olhei para trás. Imaginei o olhar da minha mãe me repreendendo ao saber que eu estava torcendo para que começassem uma briga; torcendo para que Peter quebrasse aquele narizinho de Tobias. Mas duvidava que isso fosse acontecer. Até onde eu sabia, eles eram amigos.

Will tentou se aproximar de mim quando me viu entrar na cozinha e ir em direção à dispensa. Eu estava tentando me controlar quando um soluço me escapou. Will tentou me parar. Eu o ignorei. Eu precisava ficar sozinha agora.

Notas finais
E aí, pessoas... O que acharam? Comentem please ♥ Espero que vocês ainda estejam com o mesmo sentimento de ansiedade, curiosidade e amor por Estranha Perfeição. Eu estou adorando contá-la para vocês. Até domingo! Para os leitores de Sem Rumo: VEM NOVIDADE POR AÍ!!! Todas as informações estarão disponíveis no blog. Mil beijos ♥ FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ACOMPANHE MINHA NOVA FIC --> http://fanfiction.com.br/historia/582921/Back_to_Home/ ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323