Notas iniciais
Hey galerinha, como estão? ♥ Aqui está mais um capítulo de Estranha Perfeição dedicado à YourAngel99 pela linda recomendação. Lindas palavras que realmente me motivaram muito. Obrigada. Eu amei ler cada pedacinho dela e fiquei muito feliz. Não há muito o que dizer. Não gostei muito do capítulo, mas como não podia mais atrasar, tive que postá-lo. Me alertem se houver algum erro de ortografia. Os vejo nos comentários ♥ FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ACOMPANHE MINHA NOVA FIC --> http://fanfiction.com.br/historia/582921/Back_to_Home/

TOBIAS EATON

Eu não sabia que a mãe dela estava morta. Porra, eu não teria sido tão duro se eu soubesse. Deveria ter acreditado nela quando ela disse que estava sozinha, mas presumi que fosse apenas uma de suas histórias para tirar proveito da situação. Fui um filho da puta de merda. Ela não é do tipo de pessoa que eu pensei e isso só complica ainda mais as coisas.

Quero ficar perto dela, mesmo sabendo que estou sendo egoísta. Tudo nela me atrai. Tenho vontade de conhecê-la, conversar com ela, saber se sua voz é sempre naquele tom tão doce. Fiquei puto e perdi a cabeça quando Will revelou algo que eu não sabia sobre ela. Ele sabe muitas coisas sobre ela. Ele não tem segredos. Ele não tem uma irmã mimada implicando o tempo todo. Ele é o cara bom para ela. Eu sou o cara mau, que diz coisas ruins e a afasta o tempo todo. Eu só quero protege-la, porra.

Quando é por volta das quatro da manhã, eu consigo dormir. Tirar a menina da cabeça não é nada fácil. Então os raios solares atravessam o vidro e eu percebo que não fechei a porra das cortinas. Levanto e as fecho, e quando estou prestes a voltar para cama, escuto um som. Uma melodia, para ser mais específico, vindo do meu piano.

É uma música conhecida. Kelly Clarkson.

(Essa é a versão. Aperte o play)

Visto uma bermuda e desço às escadas, indo em direção à sala do piano. Me apoio no batente da parede, quando vejo Tris de costas para mim, com toda sua atenção voltada para o instrumento. Eu deveria ficar chateado, porque não deixo que ninguém entre nessa sala, mas não consigo parar de olhá-la e me encantar. Ela parece um anjo. A melodia suave e a maneira delicada como ela toca só deixa tudo ainda mais sobrenatural. Eu não sabia que ela tocava piano. Porém, levando em conta, eu não sei nada sobre ela.

Quando ela termina de tocar a melodia, ouço-a soltar um longo suspiro, seguido por um soluço. Ela permanece sentada no banco e quando eu vejo que ela não tocará mais nada, eu me aproximo e sento junto a ela. Tris parece não se incomodar com nossa aproximação e o fato de estarmos dividindo o mesmo assento. Ela mantém seus olhos fixos na partitura à sua frente.

– Conhece algo clássico, como Beethoven ou Bach? – brinco com ela.

– Desculpe por entrar aqui. – ela pede e deixa seus ombros relaxarem. Me sinto um completo idiota ao ouvir seu tom vacilar. Viro-me para ela e vejo o quanto seus olhos e nariz estão avermelhados.

– Você está bem? – pergunto, franzindo o cenho em preocupação. Quem a teria feito chorar? Será que Nita havia chegado mais cedo do que pretendia?

– Não é como se você se importasse com isso. – ela solta uma risada seca, repleta de desprezo e eu sinto vontade de bater em mim mesmo. Como pude tratar tão mal alguém tão puro quanto ela?

– Você mora sob meu teto, Tris. Quando eu fizer uma pergunta, você tem obrigação de respondê-la. – digo, e me maltrato por meu tom de voz sair tão duro. Eu não queria trata-la dessa forma, mas preciso protegê-la.

– Desculpe. – ela sussurra, com sua voz trêmula, fazendo com que eu me odeie ainda mais. – Não estou bem.

– Pode me falar o que está acontecendo? – reprimo minha vontade de tocá-la. Ela parece tão ferida; tão distante.

Tris permanece em silêncio.

– Onde você aprendeu a tocar? É incrível. – eu suspiro e evito olhar para ela por muito tempo, porque acabo me perdendo naqueles olhos.

– Herança da minha mãe. Ela era professora de música. – ela funga ao terminar de falar.

Sinto como se tivesse levado um soco no estômago ao ouvi-la falar de maneira tão fraca. Ela está tão vulnerável. Porra.

– Eu sinto muito. – permaneço com minha postura dura, mas engulo em seco quando termino. Não estou sentindo muito somente pelo fato de sua mãe está morta. Essa pequena frase tem mais significado do que ela imagina. – Por que não me fala mais sobre sua mãe? Andrew nunca mencionou que ela estava morta. – arrisco, porque quero poder entendê-la.

Ela me analisa um pouco e eu não a culpo por ela pensar se deve ou não confiar em mim.

– Não me surpreende que ele nunca tenha falado nada a respeito. Eu o liguei quando ela morreu, para pedir ao menos que ele fosse ao enterro. Ele me ignorou. Na verdade ele tem nos ignorado há cinco anos. Mamãe descobriu que tinha câncer dois anos depois que ele foi embora. Ela adorava música e se há algo talento em mim, é herança dela. — Tris solta um longo suspiro. – Lutamos contra a doença por três anos, mas ela não resistiu. Todo o tratamento nos custou muito caro e eu tive que vender nossa casa em Chicago para pagar as despesas. – ela aperta os olhos. – Ela era tudo que eu tinha.

Eu vou matar Andrew. Como aquele filho da puta pôde deixar de comparecer ao velório? Caralho, a menina só tinha a mãe e ela havia acabado de morrer! Porra. Porra. Porra.

– Por isso você veio para cá? – pergunto, engolindo o nó que se formou em minha garganta.

– Eu não tinha mais para onde ir. Quando liguei para o meu pai, eu não fazia ideia de que ele me mandaria para cá e eu juro que jamais quis trazer problema. – ela enxuga suas mãos na barra do seu vestido. – Eu achei que ele iria me ajudar, só não esperava que ele fugisse antes de eu chegar.

– Ele é um idiota.

– Eu sei, mas ainda é o meu pai e mesmo que eu não queira fazer isso, preciso que você ligue para ele. Vou agradecer pela ajuda, mas estarei voltando para Chicago. – ela solta um longo suspiro novamente.

– Você não precisa ir. – eu digo assim que processo suas palavras. – Eu sei que não é muita coisa o quarto que eu lhe dei, mas acredite, é melhor para você que fique longe de mim. Por que não fica por um mês, como eu propus no início? Você vai poupar bastante grana. Já conseguiu trabalho e aposto que você está fazendo um baita estrago lá.

– Você já pagou sua dívida com meu pai quando me deixou dormir aqui. Não precisa mais fazer isso.

– Eu não estou fazendo isso por ele, Tris. – as palavras me saem antes que eu possa contê-las.

– Não acho que dá para ficar em um lugar onde todo mundo me odeia. – ela sorri e abaixa a cabeça, balançando-a de um lado para o outro. – Eu só queria saber o porquê, Tobias. Eu sei que meu pai não é a melhor pessoa do mundo e que vocês não gostam dele, mas eu não sou... Ele. – ela suspira e me parte o coração ao vê-la tão frágil.

Ah, foda-se!

Aproximo minha mão do seu rosto e levanto seu queixo, fazendo-a olhar bem nos meus olhos. Ela me olha como se pedisse respostas, as quais eu não posso dá-las. Não são apenas meus segredos, então não posso conta-la.

– Eu não odeio você, doce Tris. – eu aperto meus olhos. – Eu sinto muito pelo o que minha irmã fez para você e prometo que vou reparar isso. Ela odeia você, mas eu não. Acredite, tudo seria mais fácil se eu a odiasse.

– Eu não entendo você. – ela junta as sobrancelhas.

Eu me levanto do banco, porque se eu não fizer isso agora, perderei o controle.

– Eu sei que não, mas não precisa entender. – eu respiro fundo. – Posso ligar para o seu pai se você ainda quiser ir, mas eu gostaria que ficasse, Tris.

– Por quê? – ela se levanta do banco.

– Porque é bom tê-la por perto.

Ela permanece em silêncio e temo ter dito algo de errado.

– Eu não quero odiar você. Por que não podemos ser amigos? – ela aperta os punhos e vejo o quanto está tensa.

Porra, ela consegue foder tudo.

– Eu não sou Will. Sou o cara mau da história. – admitir isso para ela faz tudo dentro de mim se contorcer em dor.

– Nem tudo em você é mau, Tobias.

– Você não quer se aproximar de mim. Eu sei que não. – digo isso mais para mim mesmo, porque preciso manter minha sanidade. Me aproximar de Tris é perigoso. Ela não merece isso.

– Você não sabe o que eu quero.

– Eu sinto muito, doce Tris, mas tenho que ficar longe de você. Tudo em você é bom e eu não serei cruel o bastante para destruir isso.

Eu deixo a sala, porque sou incapaz de ficar lá e dizer não a ela. Porra, ela só quer um amigo e eu não consigo ser isso para ela. Vou até a sala principal da casa, pronto para subir as escadas, quando ouço a porta ser fechada atrás de mim e os cliques de saltos se aproximam.

– Não posso acreditar que depois de tudo, ela ainda está aqui! – Nita exclama, enquanto eu me viro para olhar para ela e a vejo indo para cozinha.

– Eu já te falei para bater antes de entrar. – eu digo, enquanto ela coloca uma garrafa de uísque em cima do balcão e começa a servir seu copo. Eu tomo da sua mão e bebo um gole, pegando a garrafa com a outra mão. – Nada disso, Nit. Muito cedo para você beber.

– Você não liga para mim! – ela joga as mãos para o alto.

– Não seja tão dramática, irmãzinha. – eu reviro os olhos e sorrio para ela.

– Se você se importasse comigo não deixaria que aquela idiota ainda estivesse aqui.

– Olha como você fala. – advirto-a. – Ela não tem culpa de nada.

– Eu não acredito que você está me dizendo isso. – ela solta um riso irônico e começa a andar de um lado para o outro. – Você está transando com ela? Não me surpreende que não consiga controlar ao menos o seu pau.

– Cale a boca, Nita. Estou cansado desses seus comentários. Por que tudo sempre envolve sexo com você?

– Você está do lado dela? – seus olhos lacrimejam na mesma hora e sua fala vacila pelo choro reprimido. – Você está me deixando também, Tobias? Eu só tenho você. Sempre tive apenas você. Você também vai me deixar?

Eu me aproximo dela e a envolvo em meus braços.

– Não é nada disso, querida. Não há lados aqui. Eu estou ajudando-a porque ela não tem ninguém.

– Isso não é problema seu. Eu sou problema seu. Por que você não se importa comigo? – ela repousa a cabeça em meu ombro e sinto meu coração doer ao ver minha irmã tão frágil. Como poderei lidar com as duas meninas?

– Claro que eu me importo, Nit. Mas tenho que ajuda-la até que ela consiga um lugar para ficar. A mãe dela morreu, Nit, e ela está sozinha.

– Eu não me importo se a mãe dela morreu! – Nita berra e se afasta de mim, enxugando suas lágrimas. É incrível a maneira como ela pode alternar entre tristeza e ódio. – Ela quer tirar você de mim!

– Ela nunca iria conseguir fazer isso. Sou louco por você, Nit. Desde criança sempre amei você. Nós já conversamos sobre isso. Eu só estou tentando ajuda-la. – respiro fundo. – E estou cansado de brigar com você. O que eu posso fazer para você se sentir melhor?

– Além de expulsá-la daqui? – eu balanço a cabeça. Isso está fora de cogitação e no fundo minha irmã sabe disso. – Eu estava vindo aqui para avisar que darei uma festa hoje.

– Seu aniversário é daqui a três dias. Por que diabos dar outra festa agora?

– Porque eu quero. – ela dá de ombros. – Eu gosto de festas.

– Nós já conversamos sobre isso, Nit. Festas aqui não me deixam feliz.

– Mas me deixam feliz. Você não gosta de me ver feliz? – ela faz bico.

Merda. Odeio quando ela faz esse joguinho.

– Tudo bem. – eu cedo e sinto-a pular em meus braços, apertando meu pescoço.

– Obrigada! Você é o melhor irmão do mundo! – ela me beija na bochecha e sorri. Mas em questão de segundos se afasta e aponta o seu dedo para mim, com uma carranca no rosto. – Mas eu ainda não lhe perdoei por deixar aquelazinha morar aqui. Até logo, Tobias. – ela diz, pega sua bolsa e sai pisando duro.

Depois tudo o que eu ouço é o bater da porta.

Respiro fundo e vejo Tris entrar na cozinha.

– Não trabalha hoje? – eu pergunto, enquanto guardo a garrafa de uísque no armário e ponho o copo na pia.

– É meu dia de folga.

– Pretende fazer algo? Conhecer a cidade, talvez? – eu sorrio, ao apoiar um braço no balcão. Ela apenas se vira para mim e sorri também.

– Você acabou de me dizer que não queria ser meu amigo. Por que quer conversar comigo?

– Não quero, apenas sou um cara curioso. – dou de ombros e lhe dou um meio sorriso. – Vai à praia?

– Gostaria, mas visitarei outro lugar hoje.

– Sozinha? – eu levanto minhas sobrancelhas.

– Isso importa? – ela arqueia as sobrancelhas também, como se me desafiasse.

– Sendo sincero não. Já disse que sou curioso. – eu minto. Claro que isso importa.

– Não, eu não irei sozinha. E estou atrasada. Se me der licença... – ela pede com um sorriso travesso nos lábios.

– À vontade. – eu digo e ela some entre o pequeno corredor que dá para o seu quarto, me deixando sozinho na cozinha.

Me pego sorrindo quando ela vai embora. O cheiro dela permanece na cozinha e eu inspiro de olhos fechados. Tem perfume de flores misturado a algo que tenho que certeza que é só dela.

Eu devo estar parecendo um maníaco.

Subo as escadas de dois em dois degraus e quando chego ao meu quarto, pego o celular. Minhas mãos tremem de ódio ao lembrar do que o filho da puta do Andrew fez.

A ligação chama. Uma. Duas. Três vezes e cai na caixa postal. Tento novamente e sou atendido no terceiro toque pela voz sonolenta da minha mãe.

– Se eu não atendo você na primeira vez, significa que eu não quero falar com você agora, Tobias. O que custa você esperar?

– Eu não dou a mínima para o que você quer. – respondo, sentindo minha ira aumentar ainda mais. – A mãe dela está morta. Você sabia disso?

– De quem você está falando? – minha mãe fala com a voz arrastada, claramente desinteressada pelo assunto. É incrível a maneira como ela e Nita são tão parecidas no egoísmo.

– Beatrice. A filha do lixo que você chama de marido. A mãe dela está morta. – eu respondo, soltando um longo suspiro, tentando manter a calma e não atacar a primeira pessoa que eu ver em minha frente.

– Ah. – ela solta, parecendo aliviada com o que eu acabei de dizer. – Andrew mencionou uma vez, mas não merece muita importância. Por que você liga tanto para isso?

– Você é um monstro, Evelyn. – eu rujo. – Quero falar com o Andrew. Passe o telefone para ele agora.

– Olhe a maneira como você fala comigo. Eu sou sua mãe e não vou admitir que você me ofenda e ofenda o meu marido.

– Cartões de crédito. Carros importados. Roupas e casas de luxo. Tenho mesmo que lembra-la que isso tudo é meu e eu posso cortar a qualquer momento? – eu a advirto. Odeio receber ordens e Evelyn sabe disso. Também sabe o quanto estou falando sério no momento.

A linha permanece em silêncio e logo depois ouço a voz de Andrew e sinto meu sangue ferver.

– Olá, Tobias! Como você está? – ele fala animado, como se não fosse o responsável por tanta dor à sua filha.

– Seu desgraçado! – eu grito. – Você a abandonou e a mãe dela está morta! Você sabia disso e mesmo assim a deixou! Seu filho da puta! – o xingo, porque é a única maneira de atingi-lo agora.

– Como ela está? – sua voz é um triste e em um tom suave, que raramente o vi usar, embora eu saiba que isso tudo não passa de um mero fingimento.

– Quebrada. Malditamente quebrada por sua causa! – eu o acuso, mesmo sabendo que parte do sofrimento de Tris também é culpa minha.

– Sinto muito, Tobias, mas não posso ajuda-la. Estou com sua mãe no Havaí e não pretendo voltar agora.

– Você é um filho da puta! – eu grito ainda mais, enquanto ouço o toque de finalização da chamada.

O maldito desligou o telefone. Eu jogo o celular contra a parede e vejo seu visor estilhaçar em milhares de pedaços. Massageio minhas têmporas, tentando entender o motivo de tanta raiva. Sei que o que Andrew fez para Tris foi mau, mas eu também fui mau com ela. Inúmeras vezes e não deveria estar tão abalado com seu estado. Ela não é minha família. Ela não é problema meu. Tudo que ela representa para nós é dor. Ela não é a única a sentir dor.

Porra, o que diabos está havendo comigo? Não consigo parar de pensar na loira desde o dia em que ela pisou na minha sala. Me sinto tão atraído por sua inocência que chega a doer profundamente em meu coração. Me sinto um lixo por trata-la tão mal e me castigo todos os dias por ter que mantê-la longe de mim.

Preciso tira-la da minha cabeça ou todos esses anos escondendo o segredo serão em vão.

Troco de roupa e ponho algo para malhar. Fazer exercícios sempre foi uma ótima maneira de me distrair e me desligar do mundo. Só espero que dessa vez isso realmente funcione, porque nunca quis que desse certo tanto quanto quero que dê agora.

Ligo para Will e combino de nos encontrar na academia em vinte minutos. Eu costumo fazer os exercícios em casa, porque detesto ser incomodado ou reconhecido como um astro do rock enquanto estou fora, mas não consigo ficar nessa casa sem a imagem de Tris tocando piano voltando a minha mente e eu preciso tirá-la da minha cabeça.

Pego meu óculos aviador preto, a carteira, o celular e desço às escadas. Porém, antes de ir para o carro, decido passar pelo quarto de Tris antes. Sei que ela arrumou todo o estrago que minha irmã fez ontem à tarde, mas preciso saber quanto foi o prejuízo para tentar compensá-la. Abro a porta e o perfume dela me faz pensar em desistir de todos os meus planos e permanecer aqui, sentindo o doce cheiro dela. Fecho a porta e olho ao redor. É bem menor do que eu imaginei que fosse. Dou mais uma olhada nas coisas e vejo as pequena mala dela. Não sei se tenho permissão para abri-la, para saber quantas roupas minha irmã destruiu e quantas roupas ela precisa. Decido melhor não invadir suas coisas e comprar até que eu ache suficiente. Tris ficará feliz e mulheres adoram roupas, então isso nunca será demais.

Dando um passo em direção a sua cama, vejo que há uma foto colada ao meio com ajuda de fita adesiva. Pego ela e a observo. Há uma mulher bonita, jovem e de aparência angelical, ao lado de Tris que é muito parecida com ela. Presumo que seja a sua mãe e me aperta o coração ao ver a semelhança e a felicidade estampada na fotografia. Imagino que Tris devesse ser muito ligada à sua mãe e ter sofrido bastante com sua perda. Coloco-a sob o colchão como estava e saio do quarto. Talvez eu não tivesse vindo aqui para saber do que Tris precisava. Acho que essa hipótese está fora de cogitação. Acho que só passei aqui para me sentir perto dela, porque nada é melhor do que estar com ela. Desde que chegou a minha casa, apesar das dores de cabeça que trouxe a Nita, trazendo assim também as minhas dores, ela deixa aqui uma sensação de paz e calmaria, como algo celeste. Tenho quase certeza de que ela é um anjo.

Saio do quarto e vou até a garagem, ligando o carro e dando partida até a academia. Ligo o som e coloco em uma estação qualquer, torcendo para que não toque uma música minha. Estou cansado de me ouvir no rádio. Mesmo tendo saído da banda há algum tempo, eles insistem em tocar o nosso álbum mais vendido, onde há meus solos mais famosos.

Ter saído da banda foi considerada a pior decisão que eu já tinha tomado. Alguns podiam jurar que eu havia enlouquecido, porque abandonei a minha carreira justamente quando eu estava no auge da fama. Quando entrei para a banda, esperava ser reconhecido pelo meu talento, mas quando vi que estava fazendo sucesso principalmente por ser o filho do famoso baterista de rock, fiquei frustrado. Eu tinha talento e queria ser adorado somente por tê-lo. Eu merecia isso. Mas as coisas não estavam saindo como eu sonhava, então pulei fora. Isso é motivo de polêmica até hoje e eu me pergunto se algum dia eu terei paz novamente.

Estaciono na minha vaga da academia e dou uma olhada pelo retrovisor para ver se não fui seguido. Nenhum sinal de paparazzi ou alguma fã enlouquecida, então desço e encontro Will na entrada, com os braços cruzados e uma de suas sobrancelhas erguidas.

– Fiquei surpreso com sua mensagem, já que você não costuma malhar tão cedo. Por que precisou sair de casa tão rápido? Aconteceu alguma coisa? – percebo que ele reprime seus lábios, impedindo que algum riso saia de sua boca. Tenho certeza de que ele sabe o que está acontecendo e faz isso para me provocar.

– Filho da puta! – eu exclamo, enquanto entro na academia e sinto Will me acompanhar.

– Deixe-me adivinhar: Tris resolveu ficar.

– Sim, mas não é esse meu problema.

– Ah não? – Will finge estar surpreso e isso só me faz ter vontade de soca-lo. – Estou decepcionado.

– Ela mexe com você, não comigo. – eu jogo contra ele, mesmo sabendo que isso não é inteiramente verdade.

– Não tente mentir para mim, Tobias. – ele põe a mão em meu ombro, me fazendo parar de andar. – Escute cara, eu não posso permitir que...

– Eu não vou machuca-la. – interrompo-o, antes que ele termine a frase. Eu não posso machuca-la ainda mais.

Will suspirou, e se pôs na minha frente, fazendo-me encará-lo, enquanto ele tinha os braços cruzados na altura do peito, pronto para me enfrentar.

– Por mais doce que Tris possa ser, eu não estou preocupado com ela. Eu estou preocupado com você. – disse ele.

– Eu tenho tudo sob controle, Will. – confesso, e sinto-me envergonhado ao ver minha voz vacilar ao fim da frase.

– Por enquanto você tem. Mas e depois? E quando você perder esse controle? – ele levanta uma sobrancelha em desafio.

– Isso não vai acontecer. – semicerro meus olhos.

– Talvez. Mas isso também pode acontecer e aí o que você fará? – ele pergunta e não me dá a chance de responder, pois já começa a falar novamente. – Por que não me deixa leva-la para morar comigo?

Senti meu sangue ferver e cerrei meus punhos, para não perder a paciência e partir para cima do meu irmão.

– O que você quer com ela? – perguntei, deixando transparecer minha raiva.

Will não se abalou com isso.

– Quero que me deixe leva-la para morar comigo. Eu tentei convence-la, mas ela não quer ser um incomodo e não consigo provar a ela que isso nunca me atrapalharia. Porém, se você manda-la para minha casa, ela irá. – ele suspira. – Faça isso, Tobias. Faça isso por mim.

– Por que está tão interessado nela? Você esqueceu o que ela nos representa? – gostaria que meu tom de voz não saísse tão duro, mas a ideia de Will leva-la para longe da minha casa me deixa furioso.

– Ela não representa nada para mim além de pureza e doçura. O problema aqui é Nita. Sempre Nita. Não quero levar Tris para minha casa somente porque gosto de ficar perto dela, mas também porque sua irmã faz coisas que sempre a machucam. Entendo a dor de Nita ao ver Tris, mas isso não lhe dá o direito de fazer mal a menina. – ele suspira mais uma vez, cansado, assim como eu, de sempre discutirmos sobre isso.

– Minha irmã não tem nada a ver com isso. Se alguém a machucou ou a machuca, esse alguém sou eu. Eu sou o culpado pelo sofrimento dela.

– Por mais que sua irmã prove o monstro que é você está sempre a defendendo. – Will suspira, desvia o olhar e depois volta a me encarar, deixando seus ombros relaxarem um pouco. – Sabe que não é verdade. Tudo que fez a Tris foi por amor a Nita. Acha que é uma boa ideia tê-la na sua casa, Tobias? Ela não é má, irmão. Ela não merece o tratamento que vocês dão a ela.

– Acha que eu não sei disso? – explodo, sentindo meu coração doer por ser tão injusto com a menina. – Mesmo passando apenas dias com ela, eu sei que ela não é má. E por isso é tão difícil me manter longe dela. Não posso deixar que você a leve.

– Está atraído por ela? – Will cruza os braços novamente, arqueando as sobrancelhas.

– Como não iria ficar? – acabo confessando, porque sei que somente assim farei com que Will me deixe em paz. – Eu a vi tocando piano hoje. Estou me esforçando para que a imagem saia da minha cabeça, mas não consigo. Ela parecia um anjo, porra. – eu suspiro ao me lembrar da bela memória que tenho de Tris em minha sala, concentrada somente no piano à sua frente. À maneira como ela foi envolvida pela melodia tornou tudo mais incrível.

Will reprime os lábios, tentando ao máximo não soltar o riso em minha frente.

– Eu sabia. – ele diz e sorri para mim. – Fisgado justamente pela garota que não pode ter? Isso é mesmo impressionante.

– Só preciso de uma distração. Nita dará uma festa em casa hoje à noite. É a minha chance de conseguir alguém para tirar a loira da cabeça. Sempre foi apenas sexo para mim. Não será diferente agora.

– Sei que não envolve apenas sexo com Tris, não é? – Will sorri novamente, porque tem a certeza de que está certo.

– Tris não é ninguém. – minto. – Só estou assim porque a vi tocando e música sempre foi meu ponto fraco.

– Acha que vai esquecê-la se dormir com qualquer uma? – Will ri, enquanto balança a cabeça negativamente. – Você tem que tirá-la de lá ou não terá paz consigo mesmo.

– Não me diga o que fazer, Will.

– Nunca, irmão. – ele dá tapas de companheirismo em meu ombro. – Nunca.

Notas finais
E então? Gostaram? Comentem ♥ Já deu para perceber que todo esse ódio do Tobias não passa de mera admiração e atração por nossa Tris. Postarei no blog sobre os horários das postagens dos capítulos e prometo deixá-los por dentro de tudo. Postarei próximos trechos das fics e espero vocês lá! Até os comentários ♥ FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ACOMPANHE MINHA NOVA FIC --> http://fanfiction.com.br/historia/582921/Back_to_Home/