Estes Laços Que Unem
2 O Passado Está Sempre Presente.
Notas iniciais
Mais tarde, naquele mesmo dia, eu ajudava Hanna a selecionar roupas e acessórios que as meninas e eu usaríamos no desfile enquanto ela estava ao telefone com alguns dos melhores maquiadores da atualidade e os quais estavam sendo cotados para um dos grandes eventos na cidade, que era a Semana da Moda em Rosewood. Mas nem mesmo isso estava sendo suficiente para acalmar seus ânimos, que estavam à flor da pele nos últimos dias.
— Ei! Cuidado com isso! — Ela gritou para um cara alto e careca, um dos responsáveis pelas luzes do estúdio e que, em seu ponto de vista, havia acabado de cometer o seu pior crime: esbarrar e quase derrubar um dos quadros enormes que moldava elegantemente uma das paredes de tons escuros, com a capa da revista Vogue estampada na grande tela de vidro.
Então, quando o rapaz fez menção de tentar endireitar o quadro na parede acinzentada, Hanna o repreendeu com a voz não tão moderada:
— O que pensa que está fazendo? Não toque nisso! — Ela largou o telefone na sua mesa e foi até ele, que parecia completamente indefeso.
— Você precisa de um descanso. — Olhei para ela assim que ela retornou com o rosto em brasa, provavelmente já de saco cheio desse dia estressante, assim como eu.
Minhas costas já estavam doloridas de tanto tempo que eu fiquei numa mesma posição, a qual era desfavorável à minha coluna, e as minhas pernas dormentes estavam no começo de um formigamento desagradável. Eu ainda estava com o meu uniforme de Rosewood Day e sentia a necessidade de tirá-lo o quanto antes, mas isso só seria possível quando eu fosse para casa.
Passei a mão pelo meu rosto lentamente e, então, me olhei no espelho que Hanna mantinha em sua mesa cheia de revistas, fitas métricas e maquiagens. Havia, também, dois tablets perto do seu grande copo de café e tecidos de cetim espalhados pela mesa de cor cinza escuro. Pelo espelho, eu conseguia visualizar perfeitamente duas garotas com aparência fútil e tola a alguns metros de distância. Elas pareciam ser um pouco mais velhas que Hanna e eu e sussurravam uma para outra conforme seus olhares pausavam em nós duas de modo acusatório. Provavelmente, elas estavam fofocando sobre alguns dos inúmeros escândalos em que nos envolvemos desde a primavera passada, e que dificilmente seriam esquecidos.
— Como você consegue aturar essas cretinas? — Perguntei com assombro, observando atentamente um misto de raiva e chateação passando pelo seu rosto enquanto ela mantinha sua atenção presa nas fofoqueiras de plantão.
— Sacrifícios precisam ser feitos. — Ela murmurou, sentando-se na beirada da mesa e ficando de frente para mim. Então, rapidamente, ela deu de ombros e um sorriso cruzou seus lábios com gloss. — Por isso, eu aceito que você me pague um jantar no Rive Gauche depois que sairmos daqui.
— Feito! — Concordei depois de um segundo fingindo pensar no assunto. Afinal, Hanna estava definitivamente merecendo.
— Agora estamos conversando. — Ela riu, abrindo um sorriso ainda mais largo e bem mais animado.
— Hanna? — Chamou alguém que se aproximava de sua mesa a passos tranquilos e relaxados, com os tornozelos muito bem equilibrados sobre o seu sapato de salto alto preto. — O catálogo já está pronto? — Perguntou a figura de cabelos louros e curtos e olhos bonitos e azuis.
Ela havia acabado de sair de uma das salas que o sétimo andar possuía, e logo algumas outras pessoas muito bem vestidas também saíram da sala, que certamente era a de reunião. Samara... Era esse o nome dela?
— Aqui. — Hanna o estendeu para ela, mantendo um olhar neutro e, ao mesmo tempo, simbólico. — Roupas e acessórios. — Garantiu com firmeza, provavelmente se lembrando de quando Samara pediu gentilmente que Hanna montasse um catálogo com os tipos de roupas e acessórios que teríamos de usar durante o desfile.
— Perfeito! — Samara gorjeou, mostrando certa satisfação com o que via conforme passava seus olhos rapidamente pelas páginas na tela do tablet. — Muito bom. Você fez um ótimo trabalho. — Ela disse antes de alguém chegar por trás dela e tomar toda a sua atenção.
Já em contrapartida, Hanna arqueou suas sobrancelhas claríssimas e bem feitas, deliciosamente surpresa com o elogio que acabara de receber e de forma tão simples e... Sincera. Ela não estava tão acostumada a receber elogios das pessoas daqui, em especial de sua grande e poderosa chefe, o que logo Samara seria.
— Você escutou aquilo? — Sussurrou para mim, inclinando-se em minha direção de forma mais confidencial. Um sorriso alegrinho dançava pelo seu rosto a um ritmo envolvente e intoxicante.
— Você fez um bom trabalho, parceira. — Repeti num tom surpreendente e orgulhoso ao mesmo tempo, piscando genuinamente contente por ela.
— Vou roubá-la mais vezes para vir me ajudar. — Ela brincou, jogando seu corpo para trás em puro deleite.
— Isso não é nada, Han. Você ainda vai ser muito reconhecida pelo que faz, e vai brilhar de forma mais intensa e veraz do que aqueles diamantes que envolvem o pescoço dela. — Apontei com o queixo na direção de sua chefe, sentada atrás da sua mesa presidencial e com óculos de grau enquanto mantinha seus olhos fixos no que ela estava lendo naquele momento.
Hanna riu e assentiu lentamente, logo suspirando com o que parecia visualizar para o seu futuro. Finalmente estávamos conseguindo algum progresso na nossa vida. Muitas coisas haviam mudado e eu simplesmente não conseguia deixar de imaginar como seria se a nossa Ali ainda estivesse viva e se sua irmã não tivesse tentado nada contra nenhuma de nós, estando ainda na Preserve. Eu poderia tê-la feito me amar da mesma forma que eu a amei, nós poderíamos ter fugido para Paris... Em uma realidade alternativa, eu teria sido plena, feliz.
No entanto, a felicidade nem de longe veio ao meu encontro; ela se esquivou dos caminhos que eu trilhava enquanto eu apenas tive que me adequar ao vazio que Ali havia me deixado. Mas, talvez, tudo o que eu passei durante todos esses anos tenha feito com que eu me interiorizasse, passando a rever tudo o que eu achava que já estava definido quando, na verdade, não estava coisíssima nenhuma. Porque, no final de tudo, eu continuava uma grande bagunça; Ali havia partido para sempre, e ela não voltaria. Portanto, tudo o que eu precisava fazer era parar de esperar que ela fosse ressurgir das suas próprias cinzas, como uma Fênix.
— Como uma Fênix... — Sussurrei vagamente, puxando a pele do meu dedo indicador com os dentes.
— O quê? — Hanna olhou confusamente para mim e só então eu percebi que Samara estava ao seu lado. — O que você disse?
— Nada. — Balancei a cabeça rapidamente, afastando os pensamentos para longe.
Se Hanna soubesse que eu ainda pensava em Ali, ela iria me condenar de modo implacável, usando tudo o que nos aconteceu desde que o corpo da nossa Ali fora encontrado sem vida há dois anos como forma de argumento válido.
— Você fez ajustes. — Samara observou quando Hanna lhe mostrou tudo o que ela, secretamente, havia projetado para o evento. — Está mais acessível e... Organizado. — Ela sorriu, sentando-se na beirada da mesa e ficando de costas para mim. Enquanto isso, eu observava a interação das duas que se passava bem diante dos meus olhos com as pálpebras pesadas, me sentindo inegavelmente entediada.
***
Os dias de primavera em Rosewood costumavam se arrastar duramente devagar com o decorrer de cada semana. Contudo, já havia se passado quase vinte e quatro horas desde que Hanna me apresentara como a modelo do evento que acontecerá dentro de alguns tortuosos dias na cidade que sedia inúmeros eventos por ano. Então, depois de uma noite de sono estranha e, ao mesmo tempo, intrigante, eu estava sentada na cadeira giratória de umas das inúmeras salas da empresa fashionista e editorial onde Hanna trabalhava.
— Quanto tempo ainda nós temos que esperar? — Spencer perguntou impaciente, deitando-se no longo sofá de couro e, então, jogando seus pés no colo de Aria.
Já havia se passado quase vinte e cinco minutos desde o momento em que chegamos para fazermos a prova das roupas tenebrosas que vestiríamos no desfile da Semana da Moda em Rosewood e, enquanto Spencer, Aria e eu esperávamos pela responsável do evento, Hanna organizava alguns vestidos de coleções passadas em forma de montinho bem dobradas sobre a mesa mais ao centro da sala específica para as vestimentas. Ela parecia muito mais equilibrada e menos raivosa quando fazia isso, o que talvez fosse seu mantra.
— Han, o que está fazendo? — Perguntei depois de um longo momento observando ela repetir os mesmos processos trinta vezes seguidas.
Eu já estava chegando bem próximo do auge do cansaço físico e mental. Passar o dia inteiro no colégio hoje havia sido desgastante, visto que eu só conseguia pensar no sonho que eu tinha tido noite passada. Ali havia protagonizado a maior parte dele, e eu ainda estava tentando me decidir como me sentir em relação àquilo.
— Apenas separando algumas roupas de coleções passadas para a Foxy. — Respondeu de forma simples e descontraída assim que eu a olhei novamente, saindo do meu pequeno transe. Foxy era o baile de caridade anual, organizado pela Liga da Caça às Raposas de Rosewood, mas que só aconteceria daqui a dois meses.
— Tudo bem, mas por que está fazendo isso agora? — Olhei para ela, encostando meu rosto em meu braço ao tempo em que eu tentava conter um bocejo.
— Ordens da vadia que conhecemos ontem. — Ela disse, fazendo Aria e Spencer rirem cansadamente no outro lado da sala. Então, quando eu olhei, notei que elas não riram do que Hanna disse, mas delas mesmas com panos enrolados na cabeça.
— Eu pensei que você tinha gostado dela. — Voltei minha atenção para ela, que apenas revirou os olhos como se isso fosse besteira.
— Eu não posso gostar dela assim, logo de cara. E se ela estiver fingindo ser amigável para depois me apunhalar? — Ela ponderou, balançando a cabeça devagar. Seus olhos encaravam os meus de modo astuto, mas sem deixar de ser paranoico.
— Ela não parece ser tão legal. — Spencer disse distraída, rindo como se tudo ao seu redor fosse realmente divertido. Hanna revirou os olhos, mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, Spencer acrescentou: — Mas, francamente, ser legal pode ser muito superestimado quando se é podre de rica.
— Sim, nós sabemos disso, afinal, temos você como um exemplo real do que é superestimado. — Retruquei instantaneamente, recebendo olhares curiosos e sobrancelhas arqueadas apontando em minha direção.
— Olhe, eu espero que isso não seja você descontando seu estresse e frustração em cima de mim. — Ela avisou, erguendo seu corpo do sofá e apontando o dedo para mim de maneira repreensiva. — Porque eu já tenho ciência de que Hanna interrompeu seu momento de perversidade com Enzo. —
— Como você sabe disso? — Olhei para Hanna quase que de imediato, acusatoriamente, e ela apenas balançou os ombros, como se dissesse que não havia sido ela a compartilhar a informação.
— Eu contei. — Aria confessou, mordendo os lábios nervosamente. — Me desculpe, eu não me aguentei. — Ela parecia um pouco arrependida, mas, quando fixei meus olhos nela, nem tanto.
— E quem contou para você? — Perguntei, me sentindo um pouco tonta e... Pasma.
— Noel. — Riu como se fosse óbvio. — E se você estiver se perguntando quem contou a ele, eu digo que foi Mike. Mas não se desespere, Enzo sabe que Mike e Hanna também não fizeram nada ainda e quis conversar sobre isso, então a informação acabou escapando. — Ela deu de ombros, como se não fosse algo realmente importante quando, na verdade, meio que era.
— Eu não sabia que garotos conversavam sobre essas coisas. — Hanna murmurou um pouco incrédula.
Seu tom soou despreocupado, mas eu sabia que, no fundo, ela estava se sentindo desconfortável sobre o assunto ter se centrado nela de repente. Ela ainda não havia consumado seu relacionamento de longo tempo com Mike e, de nós quatro, ela era a única que permanecia intocada, portanto, virgem.
Então, antes que qualquer outra coisa pudesse ser dita, a porta se abriu repentinamente e a mesma mulher de ontem adentrou a sala com alguns cabides camuflados e revistas em seu braço, enquanto, em sua mão livre, ela carregava um tablet, o qual olhava atentamente para a tela.
— Olá, meninas. Espero não tê-las feito esperar muito... — Ela disse, ainda com os olhos fixos no tablet. Em seguida, aproximou-se da mesa em que Hanna e eu estávamos sentadas e colocou suas coisas sobre ela. — Eu sou Samara e, caso não saibam, muito a contragosto, fui encarregada de criar as coleções da primavera que vocês usarão no desfile da Semana da Moda em Rosewood. — Concluiu de forma rápida e profusa, lançando um olhar sóbrio a cada uma de nós.
Hanna sorriu para mim e se colocou de pé assim que Samara pegou cabide por cabide e entregou a cada uma de nós três, cuidadosamente. E, ao contrário do que eu havia imaginado, os vestidos que usaríamos eram incrivelmente deslumbrantes. No entanto, a textura suave da seda não deslizou com tanta facilidade pelo meu corpo quando eu o coloquei e, da mesma forma, não pude deixar de me sentir insegura quanto à imagem que eu encarava no espelho.
— Han, pode me ajudar a tirá-lo? — Pedi, ainda com os olhos no espelho, presa entre a decisão de o vestido estar moldando impecavelmente o meu corpo ou estar terrivelmente exagerado.
— Eu estou ocupada, Cinderela. — Hanna disse num tom falso de desaforo, provocando o riso de Spencer e Aria.
Quando eu olhei para trás, ela estava ajeitando a barra do vestido preto e longo de Spencer. E, naquele momento, ela parecia tão profissional e envolvida que apenas dei de ombros. Então, antes que eu pudesse deixar um suspiro cansado e pesaroso escapulir pelos meus lábios, a presença repentina de Samara causou minha paralisação imediata.
— Você parece nervosa. — Ela riu, soando delicada e imaculada, ajeitando alguns detalhes no vestido que eu estava usando.
Agora que ela tinha se dirigido a mim, eu percebi que gostava do som da sua voz. Seu sotaque era extremamente charmoso e agradável, mas fiquei na dúvida de onde ele poderia ser com tantas influências que parecia carregar. No entanto, a forma como ela me encarava conforme fazia sua mágica no vestido provocava certa curiosidade sobre mim e, ao mesmo tempo, melancolia acentuada.
— É por isso que está me olhando assim? — Questionei com firmeza, virando meu rosto para trás com o intento de observá-la sair dessa.
— Eu estou olhando você porque está usando um vestido fabuloso feito por mim. — Dito isso, ela ergueu sua cabeça e olhou em minha direção através do espelho.
— E porque você sabe quem eu sou. — Deduzi de repente, notando seu olhar cheio de gentileza e solidariedade. Mas, então, uma ruga se formou nos cantos dos seus olhos azuis. — Você tem cara de quem lê a People. — Dei de ombros, puxando o vestido um pouco mais para cima e me sentindo desconfortável.
— Na verdade, eu odeio a People. — Samara decidiu depois de um momento, balançando a cabeça lentamente e parecendo genuinamente sem jeito. — Desculpe pela minha indelicadeza, não foi a minha intenção deixá-la desconfortável.
— Está tudo bem. — Decidi de repente, notando que eu realmente estava sendo sincera quando a isso. — Mas, se não foi na People, como você soube?
— As garotas da recepção estavam falando sobre vocês quatro quando eu cheguei. Eram comentários desnecessariamente rudes e desrespeitosos, que eu não pensei que tivessem qualquer fundamento. — Contou, apertando o vestido na minha cintura com delicadeza quase tocante.
— Bem, isso é muito compreensível. — Tentei soar irrelevante e despreocupada. — Não somos muito bem vistas aqui e, não importa quanto tempo passe, nós sempre seremos lembradas como as Pequenas Mentirosas que foram notícia suculenta na revista People. — Desabafei, soltando o ar que estava preso em meus pulmões lentamente.
Minha garganta se fechou e aquele velho sentimento de impotência diante das memórias que me causavam dor, mas que, ainda assim, eram inevitáveis, inundou minha mente como agulhas finas e cortantes.
Depois que a verdadeira Alison tentou nos matar pela primeira vez, ateando fogo na casa do celeiro de Spencer, ela havia entrado em apuros com a sua própria armação e, então, Aria a salvou do incêndio que tinha se alastrado por toda a floresta. Por um tempo, após vê-la com o rosto coberto por fuligem, eu tive todas as minhas esperanças renovadas, achando que a garota que eu havia amado com todo o meu coração estava de volta.
Então, por um maldito momento de impulso, eu gritei aos bombeiros que nos medicava que Alison estava viva até meu fôlego se esvair. No entanto, por mais que eu estivesse certa quanto à certeza de que ela estava viva, não era a Ali pela qual eu me apaixonei; era a sua irmã gêmea mentalmente insana, que nos odiava por ter facilitado a troca das duas.
A partir daquele momento, todos os veículos de mídias passaram a nos perseguir também e a nos chamar de Pretty Little Liars, em especial a revista People, que havia feito uma entrevista, a qual noventa e dois por cento das pessoas acreditavam que Spencer, Hanna, Aria e eu havíamos assassinado a nossa melhor amiga. Durante semanas, os repórteres da CNN acamparam na rua de cada uma de nós. Até um filme contando a nossa triste e tortuosa época de perseguição havia sido feito, chamado de Pretty Little Killer. Agora, eu estava tão cansada de isso ainda meio que existir.
— Ei... — Samara disse depois de um momento, percebendo o longo e choroso suspiro que involuntariamente escapou dos meus lábios. — Você está bem? — Sua voz soou extremamente doce e cuidadosa, enquanto seus olhos emanavam sinceridade e gentileza tocante.
— Eu estou... Só tive um momento de lembranças realmente desagradáveis. — Respirei fundo, dando de ombros para toda a melancolia que sempre me atingia quando eu tinha reminiscências sobre o passado que eu nunca seria capaz de escapar.
Alison estava na minha cabeça e eu não conseguia tirá-la, mesmo depois de todas as barbaridades envolvendo sua família perturbada. Ela estava completamente certa em querer fugir para longe e, talvez, se eu a tivesse levado mais a sério, ela ainda estaria aqui. Era tudo o que eu queria.
— Samara, eu acho que o vestido da Aria precisa de alguns ajustes. Ele parece um pouco apertado na cintura. O que você acha? — Hanna soou a alguns poucos metros de onde estávamos. Mais uma vez, olhei para trás, conferindo como elas estavam.
Aria mexia em seu celular enquanto Hanna ajeitava a barra do seu vestido, fazendo o mesmo que havia feito com Spencer. Então, rapidamente, Samara se afastou e foi até as duas, passando a auxiliar Hanna nos seus próximos procedimentos. Com isso, senti um ar quente desagradável correr pelas minhas costas, o que me levou a prender meu cabelo para que um pouco de ar fresco circulasse pelo meu corpo.
— Noel e Enzo estão nos esperando na sorveteria do outro lado da rua. — Aria avisou, chamando a atenção de todas nós para ela. — Será que eles pensam que estamos mentindo para eles quanto a estarmos aqui? — Ela enrugou a testa, começando a digitar em seu celular.
— Deus sabe o quanto eu sinto falta do meu namorado. — Hanna resmungou, erguendo-se do chão e deslizando a sua mão pela testa, cansadamente.
— Mas pelo menos você tem um. — Spencer rebateu, trocando seu peso para o outro lado do quadril. — Eu estou procurando alguém perfeito para me acompanhar no Baile de Primavera, mas estou sem muitas opções.
— Nós podemos arranjar alguém para você! — Aria sorriu animada, lançando um olhar para Hanna e eu, como se pedisse apoio. — Noel tem um amigo realmente fofo, Spence. Ele é um pouco mais velho e é de algum lugar do sul. O nome dele é Derek alguma coisa. — Ela bateu palmas, ficando cada vez mais animada com a ideia.
— Jesus, Aria! — Spencer exclamou espantada, provocando meu riso baixo. — Eu não estou tão desesperada assim.
— Você tem certeza? — Perguntei suavemente, virando meu rosto para que eu pudesse encará-la diretamente. — Ele não é mesmo de se jogar fora, e tem um sotaque realmente adorável.
Voltei a minha atenção para o espelho enquanto eu a deixava pensar sobre isso e deslizei meus dedos suavemente pelo tecido do vestido. Em seguida, encaminhei-me até onde Hanna e as outras duas estavam, esperando que ela me ajudasse a tirar o vestido. Então, assim que ela o fez, coloquei de volta o meu uniforme de Rosewood Day e aguardei que as meninas terminassem para que fôssemos embora juntas.
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