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11 O fim
11 de dezembro de 2012
\"O mundo vive a expectativa do fim dos tempos, os mais devotos as teorias Maias preparam-se para o fim do mundo que segundo eles acontecerá amanhã.[...] Nunca foram tão grandes os índices de suicídio e natalidade no país.\"
O jornal da noite pregava a expectativa que pulsava na minha veia como um veneno mítico. Olhei pela janela e senti um vento frio arrepiar-me. Nimbus apareceu logo depois trazendo as notícias tranquilizadoras de que no momento estava tudo bem.
Não sei se tudo no mundo gira da mesma forma que gira no meu universo particular, mas o timing entre o fim da notícia de paz e o terremoto de Nefilins foi perfeito como num filme recheado de sensacionalismo e ficção americano. Eles surgiam de toda a parte e não era possível fugir daquela vez. Procurei Heidh, mas tudo que eu via eram aqueles seres esquisitos e mau arrumados. O desespero ativou minhas células nervosas ativando meu campo de repulsão elétrica.
Eles atacaram todos de uma vez só. Meu domínio das moléculas era bem maior naquele momento do que nos encontros anteriores. Os primeiros 3 que se aproximaram foram eletrocutados, mas os outros ficaram alertas. Pulei sobre um deles e corri por cima deles desesperada para encontrar os olhos de verão. Eu precisava de paz, eu queria saber que tudo ia terminar bem.
Não o vi. Os Nefilins ficaram mais agressivos e eu comecei a lutar. Afastava os golpes deles com o meu campo de defesa e golpeava com toda a minha energia física. Não perdi tempo contando, mas eram muitos, uma quantidade inacreditavelmente grande.
12 de dezembro de 2012
estava amanhecendo e a luta mantinha-se da mesma forma. A maior diferença era a exaustão do meu corpo e o desespero pra ver HEIDH que só aumentava. O primeiro raio de sol triplicou a quantidade de adrenalina no meu corpo, pois fez-me lembrar os olhos de verão que eu precisava ver. Aumentei a intensidade do meu campo e corri entre corpos e combatentes pedindo aqueles olhos que eu tanto precisava.
Tropecei em um cadáver e só o que protegeu-me da morte foi meu escudo. Eu não resistiria muito... Os Nefilins começaram a amontoar-se sobre o escudo forçando suas espadas e marretes e coisas do tipo. Parecia uma luta medieval com personagens de Star trek. Eu aceitei que aquele seria meu fim, eu não tinha mais forças para resistir a eles.... Porém um novo tremor de terra aconteceu.
O que eu achava que seria o decreto do meu fim não foi exatamente o que parecia. Ouvi ruídos estranhos e soube que eles comunicavam-se. Eles começaram a recuar e os cadáveres foram absorvidos pela terra. Foi uma cena mais surreal do que eu estava acostumada a ver. Sentei e olhei para os lados em busca de Nimbus ou Heidh. Vi Nimbus em pé ao lado de uma árvore, mas eu não pude ver ele... Onde ele estava era minha única preocupação. Depois de todos os corpos desaparecidos eu vi num espaço mais longe a forma de um homem deitado e corri aos tropeços para lá.
Ajoelhei-me ao lado do corpo. Meus olhos choviam e minha alma estava em tempestade. Nada em mim fazia sentido. Toquei o rosto dele com receio e morri naquele momento junto com ele. O rosto estava gelado e tão normal que eu não podia entender qual era a razão da morte, nenhuma perfuração aparente, nenhum trauma visível... POR QUÊ?
Os olhos dele agora eram um verão passado, uma vaga lembrança de paz e calor. Foi o dia que descobri que o amava, era impossível pra mim seguir sem ele, notei isso naquela hora, mas eu iria seguir da mesma forma e descobrir Nemu, não queria completar a missão dele...Eu não era tão nobre quanto Heidh, eu quis matar Nemu... Por que não apareceu?
Abracei o corpo desesperadamente, tirei a fita verde do pulso inerte revelando as letras IDH e toquei pela primeira vez os lábios dele com os meus. Eles eram delicados e suaves exatamente como a expressão dele, mas estavam frios. Imaginei o calor que deveriam emanar e chorei desesperadamente. Era a única coisa que parecia preencher o espaço do meu coração morto.
23 de setembro de 2022
Hoje a vida ainda não tem sentido e não há motivo nenhum para eu continuar respirando além da imagem quente dele por 3 meses todos os anos. Eu fico olhando o por do sol, ele me trás dor e não fazem diferença dez anos na vida. Ainda não tinha Nemu...
Penso que Nemu nunca existiu, ele é como o perdão, não existe realmente, mas se acreditarmos nele teremos esperanças o suficiente para tocar a vida diante dos erros cometidos. O problema é que muitas vezes confundimos as coisas e o perdão vira desculpa para errar assim como Nemu era a desculpa para escondermo-nos da vida.
Sobreviver é sempre uma tarefa difícil, mas tudo ficará bem se você souber viver.
Pergunto-me ainda o motivo dos Nefilins terem recuado. Nunca mais apareceram, nem pra mim e nem para os outros... Tinham desistido? Tarde demais... Já tinham levado todo meu encanto.
Por favor...
VIVA
O quanto quiser, o quanto puder, o quanto precisar... Não existem anjos ou milagres que possam nos salvar de nós mesmos. Não houve nenhum que pudesse salvar à mim disso que sou e nada que possa salvá-lo do futuro. O tempo não passa quando as horas mudam e sim quando mudamos elas... E eu mudarei cada hora, se eu não puder culpar Nemu, a culpa será do MUNDO e minha vingança será a mesma...
O Fim!?
Do primeiro ato, talvez...
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