Estava Escrito - Cobrade
29 Capítulo 29 - Canção
Notas iniciais
(Narração Jade)
Minha mãe estava fazendo um tratamento alternativo para a sua doença, ela estava melhorando, aos poucos mas estava. Já era possível a encontrar sorrindo pela casa, o que já era uma vitória para nós. Eu por outro lado não estava tão bem, Cobra havia terminado comigo da maneira mais estúpida que se pode imaginar. Ele tinha sido um grosso, babaca, covarde, eu odiava aquele vagabundo, odiava o fato de ter me apaixonado por ele. E me odiava ainda mais por ter dado tanta importância para alguém que sempre me machucou. Aquele era definitivamente o fim.
(Narração Cobra)
Eu estava deitado em minha cama, meus olhos estavam fechados e meus pensamentos a mil, estavam em Jade claro. Já eram mais de meia noite, certamente umas duas da manhã, o sono parecia não chegar nunca. Para me livrar da Jade comecei a pensar no meu falecido amigo Luiz, pensar nos conselhos que ele me daria. E logo lá estava eu, conversando com a minha mente de uma forma bem maluca.
Eu agi corretamente? Será que foi a atitude correta? Jade era tudo que eu tinha, e por isso eu tinha medo de magoá-la. Mas eu havia a magoado! Droga isso é verdade, eu a magoei de qualquer jeito. Mas pelo menos a livrei de uma decepção. É mais agora ela me odeia, está sofrendo por mim, eu não paro de pensar nela, e não consigo dormir. Que saco, e agora o que eu faço? A gente estava se envolvendo demais, não posso deixar acontecer o mesmo que aconteceu com a Camila. Mas é sério isso? Eu estava comparando a Jade com a Camila? Estava comparando uma piranha a uma dama? Jade nunca iria me trair, ainda mais de tal forma. Ainda mais ela que sempre esteve do meu lado. Mas e o sentimento? Ele deixa a gente vulnerável, fraco, nos faz sofrer. Faz só quando não é verdadeiro, e com a Jade era verdadeiro. É acho que fiz uma grande burrada, e concerta-la não vai ser fácil. Mas eu vou conseguir.
(Narração Jade)
Eu estava no banho, sentada de baixo do chuveiro, minha mão estava em minha nuca, e haviam longos fios enrolados em meus dedos. Eu havia prometido ao Cobra que não iria fazer mais isso, mas e ele? Ele prometeu cuidar de mim, estar sempre ao meu lado, e onde ele está agora? Bem longe de mim. Babaca mesmo!
Sai do banho e me sentei em minha cama, eu estava me preparando para vestir roupa quando meu celular vibrou. Era uma mensagem, do Cobra.
"Eu sei que você está me odiando agora, mas eu te peço uma coisa, me da uma chance, uma chance de te explicar por que fiz isso, de te contar meus medos, a minha história, me da uma chance de te reconquistar, eu prometo te surpreender. Por favor, é a única coisa que te peço. Me encontra no Q.G. Daqui duas horas.
Cobra."
– esse vagabundo ta maluco, até parece que eu vou lá. Vai ficar esperando, para largar de ser trouxa. — bufei de raiva.
"Se você não vier, vou acreditar que você é uma covarde que tem medo de voltar correndo para os meus braços. Te espero.
Cobra"
Sorri. Parecia que aquele vagabundo lia a minha mente. Mas tudo bem, desafio aceito, eu iria até o QG, vamos ver o que aconteceria.
***
Vesti minha roupa e me arrumei impecavelmente, quando olhei ao meu relógio que se localizava em uma pequena mesa ao lado de minha cama, observei que já haviam passado uma hora e meia. Então peguei minha bolsa, e sai de casa em rumo ao QG.
Chegando, entrei rapidamente e avistei Cobra, ele estava virado de costas para mim e em sua mão estava um violão.
– oi Dama. — ele disse ainda de costas.
– fala logo o que você tem para falar. — eu disse puxando uma cadeira e me sentando.
(Narração Cobra)
Jade já havia chegado ao QG, não quis virar para olhá-la, a cumprimentei do jeito que eu estava. O violão já estava em Minhas mãos, eu iria tocar e cantar, e a música escolhida seria Preto e Branco. Ela descrevia bem o que eu sentia. Afinal, meu mundo era preto e branco antes dela chegar, eu nunca tinha conhecido alguém que me daria um sentimento puro e verdadeiro, e eu precisava sair daquela minha zona de conforto. Me virei para ela é aquele seu olhar desafiador me doía a alma, abaixei a cabeça e comecei a tocar.
[APERTEI O PLAY]
(Narração Jade)
Cobra se virou para mim, suspirou fundo e logo começou a passar seus dedos pelas cordas do violão. Confesso, meu corpo estava gelado, e meu coração a mil por segundo.
Procurei algum lugar pra descansar
Me cansei de amar sem ter a quem amar
Caminhei lugares sem te encontrar
Sei que errei, perdi chorei
Mas você chegou e trouxe a paz
Pro coração eu sei
Transformou meu mundo
E me mostrou o amor que eu deixei
Sorte a minha, que a vida muda
Muita coisa o tempo cura
E me fez viver
Vem amor, e traz a cor pro que era preto e branco
Eu vou te desenhando
Vem amor e traz calor pro frio que vem chegando
Eu tô te esperando
[TIRE A MUSICA]
A musica já havia terminado. Cobra ainda estava com a cabeça baixa, e em suas mãos estavam aquele belo violão de cor negra.
– bela musica. Não conhecia ela. — eu disse tentando quebrar aquele gelo.
– eu gosto dela, ela transmite bem o que eu estou sentindo. — ele disse ainda de cabeça baixa.
– Vagabundo?! — eu disse me levantando e indo até ele. — você disse que iria me surpreender e conseguiu. Agora me explica tudo isso, por favor.
– eu errei com você dama, errei feio. Você tinha razão quando me chamou de covarde.
– não tinha não. Eu disse aquelas coisas da boca pra fora. — eu disse o interrompendo.
– Jade, eu gosto de você de verdade. E eu não tive coragem de encarar esse sentimento, por causa de cicatrizes passadas.
– Como assim cicatriz vagabundo?
– eu tinha uma ex namorada chamada Camila. Ela era a 'piriguete' do bairro. Quando eu tinha 16 anos comecei a namorar com ela, o namoro durou quatro meses, mas já nas primeiras semanas eu era louco por ela. Perdi minha virgindade, pegava o meu dinheiro e gastava todo com ela.
– e o que aconteceu? — perguntei curiosa.
– ela me traiu. Peguei ela na cama com um cara que morava la perto de casa. E sabe o que eu fiz?
– matou o cara? — perguntei assustada.
– nada. Sai dali e fui chorar. É por isso que eu tenho medo de sentimento, ele enfraquece a gente, nos deixa vulnerável, nos muda.
– mas você mudou de ideia, por que? — perguntei.
– Por que você não é a Camila. Você é a menina mais engraçada e doce que conheço, é linda, simpática, e já demonstrou varias vezes que é uma pessoa incrivelmente especial. Não quero me privar de gostar de alguém assim.
Abri um sorriso de orelha a orelha e meus olhos se encheram d'água. Passei meu dedos pelo rosto do meu vagabundo, e um sorriso também surgiu em seus lábios.
– quer namorar comigo minha dama? — ele perguntou, me deixando boquiaberta.
Fale com o autor