Estava Escrito - Cobrade
36 Capitulo 36 - Palavras amargas
Notas iniciais
Eu havia ficado até tarde na ribalta ensaiando. Já estava cansada, então decidi finalizar a noite de ensaios. Olhei para o celular na esperança de ter alguma mensagem, porém não havia nada.
De repente ouvi um barulho alto vindo do auditório.
Peguei minha bolsa enquanto tremia, fui andando lentamente e assustada para o auditório, o barulho tinha acabado, mas minha curiosidade não.
— te... Tem alguém aí? — falei gaguejando. — olha se for brincadeira de alguém acho melhor parar. — disse colocando as mãos na cintura na tentativa de disfarçar o medo. De repente uma luz se acendeu.
— Co... Cobra? O que você está fazendo aqui? E o que é isso tudo? — o auditório estava todo enfeitado com flores, frases, e luzes decorativas.
— minha dama, sei que eu sou um vagabundo cheio de defeitos. Porém por você eu prometi, e vou, mudar. E essa surpresa é um agradecimento por tudo que você tem feito por mim. — Cobra me olhava com um lindo e tímido sorriso ao rosto. Meu vagabundo me fazendo uma surpresa daquelas? Parecia mentira.
— vagabundo... — eu disse com os olhos cheios de lágrimas. — está tudo tão lindo.
— vai ficar mais ainda. Me concede uma dança? — ele disse me estendendo a mão.
Sorri e me juntei a ele. Parecia mentira, mas eu estava dançando uma música lenta com meu vagabundo.
— você não existe sabia?! — eu disse encostando o rosto em seu pescoço e desejando que aquele momento nunca se acabasse.
— vagabundo, essa surpresa é só para agradecimento mesmo? — disse me afastando de seu corpo.
Ele respirou fundo, parecia estar nervoso. Ficou olhando para baixo até que finalmente me olhou em olhos.
— tem outro motivo minha dama. — ele disse nervoso.
— então fala qual é. — disse segurando suas mãos bem forte e chegando bem próximo a ele. Nossos rostos já estavam quase colados um ao outro.
— minha dama eu... Te...
***
Meu celular despertou e então cai em mim que aquilo não tinha passado de um sonho. — nem em sonho você diz que me ama vagabundo. — disse com o semblante triste. Abracei meu travesseiro e tentei voltar a dormir.
Já eram oito horas da manhã, quando fui acordada pelas batidas na porta do meu quarto.
— Jade, acorde. Preciso falar com você antes de ir para a Ribalta. — minha mãe falou com uma voz seria e dura.
Me levantei rapidamente e fui para o banheiro escovar os dentes. Quando sai do meu quarto minha mãe estava sentada no sofá.
— vou pegar algo para comer e volto, ok? — disse já indo em direção à cozinha.
— Não, volte aqui. Primeiro conversamos, depois você come e faz o que quiser. — ela disse em tom duro, fazendo com que eu voltasse e me sentasse naquele sofá.
Minha mãe me encarava com um olhar tão frio, eu não conseguia entender o que estava acontecendo ali, o que de errado eu tinha feito. Nada fazia sentido.
— Ricardo Cobreloa, então esse é o nome dele? — ela disse com tom de deboche.
— Sim, esse é o nome do meu namorado, o mesmo que me salvou aquela noite.
— O mesmo que agrediu a ruiva, o mesmo que bate em pessoas por dinheiro, o mesmo que tem fama de bandido, o mesmo que te faz mentir pra sua mãe. — ela disse e eu pude ver as lágrimas se formando em meio à aquele olhar de ódio.
— Não estou entendendo mãe. Do que você está falando?
— A ruiva me contou o que aconteceu com ela. Você sabe dessa história Jade?
— Mãe, a ruiva não é nenhuma Santa. O cobra teve os motivos dele, a ruiva que é uma Piranha abusada que não sabe respeitar a privacidade alheia. — eu disse tentando defender o Cobra.
— Você está defendendo aquele marginal? ELE AGREDIU ELA JADE! Quem garante que ele não irá fazer o mesmo com você? — ela disse já com o tom de voz exaltado.
— Eu não sou a ruiva mãe, e o Cobra gosta de mim. É diferente.
— Você está cega. Mas tudo bem, as coisas não param por aí mesmo. — ela disse e logo respirou fundo. — eu falei com o Gael ontem, e ele me contou muitas coisas. Me contou que esse marginal tem uma péssima fama na antiga cidade dele, que TODOS lá sabem que ele só mexe com coisa errada.
— Mãe... — eu disse mas logo fui interrompida por minha mãe.
— Eu ainda não terminei. — ela continuou. — as pessoas poderiam Dizer "cidade nova, novas atitudes". Mas não Jade, ele não está tendo novas atitudes. O Gael me contou o por que ele foi expulso da academia, você por acaso sabe dessa história Jade?
— Sim, eu sei de todas essas histórias mãe. — eu disse de cabeça baixa.
— E MESMO ASSIM CONTINUA COM ESSE RAPAZ? — ela disse aos gritos vindo em minha direção.
— Ele merece uma segunda chance, ele está mudado. Eu estou ajudando ele a mudar, ele está em uma outra academia. Não está mexendo mais com essas coisas, ele tá diferente mãe. E por mim. — eu disse já em lágrimas.
— Você consegue se escultor enquanto fala? Suas palavras são patéticas, PATÉTICAS JADE. — ela disse aos gritos. — eu não consigo sentir outra coisa a não ser vergonha e desprezo por você. Minha filha mulher de bandido? Meu deus, eu preferia estar morta a ver isso. Você só me dá desgosto. Eu preferiria ter a...
— A Bianca como filha? — eu a interrompi completando sua fala. Meus olhos estavam cegos pelo ódio, as palavras da minha mãe feriam, eram duras.
— Eu não ia dizer isso, mas já que você disse. Sim eu preferiria, ótima moça. Uma jovem esforçada, talentosa, honesta, que não mente, ótima filha e que se envolve com rapazes de boa índole. — ela disse enquanto se aproxima de mim em passos largos e ódio nos olhos. — já você, só me dá desgosto. — ela disse enquanto segurava o meu queixo.
— E você. — eu disse dando uma pausa. — vai acabar morrendo sozinha Lucrecia. — eu disse tirando a mão dela do meu queixo e me afastando. — amarga desse jeito a única pessoa que estará presente em seu velório será o coveiro. Aliás, quem sabe sua amada Bianca aparece lá né, já que ela é tão amável e perfeita.
— Você fala de mim, mas está tão amarga quanto. — ela disse aos choros.
— Você me deixa assim. — eu disse abrindo a porta e saindo.
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