Notas iniciais
Espero que esteja ao agrado de todos!

De não poder viver seu amor, secretamente transformou-lhe numa estátua. Póstuma sobre um pedestal, dentro de um mausoléu enfeitado com as mais belas flores e cores, escondido dos olhos cobiçosos e malditos que lhe corroeriam o coração e a paixão há tanto perdida e doce, secretamente imperfeita e pecável, indefinidamente quente e sufocante de modo que nada mais lhe fizesse amar do que o próprio amor.

Fugia da vida e do viver para encontrar-se naquele mausoléu com sua estátua de amor, perpetuada por seus gracejos carinhosos e pela devoção lhe dada. Era uma paixão dolorida, impertinente que lhe fazia sentir vivo e vivo de forma invejável e indiscutível. Talvez estivesse mais vivo quando preso junto da estátua do que livre à mercê da chuva que lhe esfriava o coração.

Cauteloso, fez birra como uma pequena criança. Buscou amá-la secretamente, sem que ninguém mais pudesse sequer saber que por um dia, irremediavelmente, estiveram separados. Sozinho, desolado, perdido. Nunca mais.

Doído, acalentou-se pela dor. Amara a pessoa errada.

As lembranças de seu amor enciumado, de seu desejo incontido, de suas palavras sussurradas que vagaram como a fumaça de um incenso aceso... Lhe fez questionar se seu ciúme fora grande o suficiente para afogar e matar cada ínfima chance que aquele ser tinha de amá-lo mesmo que por um segundo, mesmo que um instante.

Odiou-se. Amou-o. Prendeu-o no mausoléu mais uma vez, ditando que jamais perderia aquela guerra. Não o deixaria sair tão cedo, de forma que talvez passassem a eternidade juntos, sustentando o silêncio magoado e contido.

As lágrimas lhe riscaram a face secretamente, abraçado pela escuridão e pela solidão. Amado, deixado, castigado, furtivo mediante seu próprio amor que não pode conter.

Amava-o tanto... Mas não era o suficiente.

A morte chegou-lhe quando, tomado pelo ciúme, decidiu matá-lo.

Correu pelas ruas escuras, sua sombra escondida na calada da noite.

E foi assim que entristecido e dolorido, correu até a frente da estátua, fitou-lhe com os olhos entristecidos e ali, diante dela, abriu seu coração.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!