Estas encarnações dos dias de hoje...
2 Capítulo 2- Uma, duas...três
Notas iniciais
O grupo destinado ao Egipto chegou de dia ao hotel, era um local quente sem dúvida, o ar era pesado e notaram que a respiração era minimamente mais difícil, mas como o hotel tinha instalações bastante boas isso não se fazia notar, sendo todo ele em tons de dourados e azuis turquesa “lembrava a Cleópatra” segundo Saga, o que fez o escorpiano rir baixinho.
Não demorou muito para que o grupo partisse em busca do cosmo referido, embora fossem bastante vastas as informações que tinham sobre o local, tentaram se instalar num hotel próximo a algumas aldeias referidas pelos espectros.
Andaram, andaram e andaram nada de sentirem a mínima faísca de um cosmo, ainda mais sendo poderoso devia ser fácil de sentir, mas nada. As ruas de terra e pedra pareciam todas iguais casinhas brancas aqui, casinhas beges acolá, crianças a brincar nas mesmas, ou então vazias, de vez enquanto encontravam um vendedor numa praça mais atual e movimentada com mais pessoas que pareciam demasiado contempladas no seu dia-a-dia do que reparar nos três estranhos.
–Está quase na hora de jantar, daqui a pouco vai escurecer e começar a arrefecer um pouco, deveríamos voltar e continuar amanhã, não encontraremos nenhuma criança com cosmo a esta hora.- Faraó advertiu os cavaleiros e que assentiram, não discutiram com um nativo.
Esse dia se passou para os três que na manhã seguinte apressaram-se a continuar a procurar numa aldeia, em outra direção. Embora a paisagem fosse igual o cheiro mudava, aqui cheirava a jasmim, não terra.
–Senti algo!- Mú puxou Saga pelo ombro que parou e procurou por um cosmo.
–Sim eu também senti algo- Faraó e Saga comentaram ao mesmo tempo olhando para uma aldeia a um ou dois quilómetros dali, seria ali que estaria a encarnação?!
–Corram!- os três dispararam na corrida, a aldeia era muito pequena, nem eles se incomodariam a procurar.
Ao chegarem ao local puderam ver que se tratava de um aldeia muito velha, onde reinava a população idosa, embora fosse visto crianças ajudando em algumas barraquinhas de rua:
– Pensei nunca mais ter uma visão destas- Faraó comentou para si rindo um pouco da nostalgia que sentia.
– Saiam da frente!- Uma figurinha de cabelos rosas arroxeados atravessou-se no meio da rua correndo como se um morto corresse atrás.
– Volta aqui peste!- Não era um morto, mas um menino de cabelos negros arrepiados que lhe cobriam um dos olhos esmeralda, corria atrás dela com um bastão de pau- Você vai ver como elas te mordem idiota!
Saga agarrou na menina quando ela tentou passar por ele, que esbracejava que nem um pássaro numa armadilha, mas os braços do geminiano envolviam-na mais.
– Me solta! Ele vai me matar!- a menina não aparentava ter mais que dez, onze anos, os olhos tão azuis como o céu deixavam escapara algumas lágrimas, os cabelos arroxeados num corte quase chanel com dois cachos na frente e uma franja picotada que tapava a testa.
–Hey! Quem são vocês, larguem-na ela precisa sofrer por seus atos!- O jovem apontou o taco a Saga, ele tinha um sotaque carregado.
– O que ela fez assim de tão mal? “Saga agarra ela bem, ironicamente sinto nela num cosmo adormecido, pode ser ela”- Mú perguntou ao rapaz fazendo o pedido via cosmo.
– “Certo”- respondeu o geminiano- Não se preocupe vai ficar tudo bem ninguém a vai machucar- a menininha olhou o mais velho com esperança nos profundos olhos e se encolheu, agora quieta, nos braços dele.
– Ela roubou um pão de minha barraca!
– Não seja por isso jovem, tome, deve chegar para pagar o seu pãozinho e para mais quatro, pode-mos trazer aqui?- Faraó entregou umas moedas ao de cabelos negros que pareceu mudar de personalidade ali mesmo.
– Em cinco minutos estarei aqui com seus pães!- saiu disparado pela rua donde tinha vindo, voltando nem cinco minutos depois com os pães- Deu para cinco meu senhor. Obrigada!
–Obrigada eu jovem, bem até mais!- Faraó afagou a cabeça do jovem e saíram andando.
–Para onde me levam?- ao contrário do esperado a jovem nos braços do geminiano nem protestava, apenas mostrava curiosidade.
– Bem você virá connosco, caso queira, para um local chamado Santuário que fica na Grécia- Explicou Saga afagando os cabelos cacheado da garota.
–Grécia é ali em cima- ela apontou o céu, “em cima”, mas falava para ela mesma- Tudo bem! Meu nome é Neith, tenho dez anos!- a menina falou como se fosse a coisa mais natural do mundo inteiro, ela sentia como se estivesse indo, finalmente, para o lugar certo, um lugar onde não dormiria na rua e roubaria para se manter viva, onde ninguém a empurraria como se fosse um copo de plástico no chão.
Em Itália as procuras não foram nada fáceis, há três dias, três longos dias que procuravam por cosmos, mas nada.
O grupo decidira continuar as buscar durante a noite, com os únicos resultados sendo muito mau humor por parte de todos e muito cansaço.
Na face pálida de Valentine e Afrodite as olheiras eram notórias, já Queen arrastava os pés exausto, Mascará tentava não demonstrar qualquer sinal de fraqueza, mas o seu cosmo oscilava devido à fadiga:
–Devíamos parar, já não aguentamos muito mais tempo, há dias que buscamos estas encarnações e sem resultados, para além que não temos dormido nada de jeito, Mask!- o pisciano pedia ao amigo italiano que parecia ignorar, apenas se virou quando o amigo gritou o seu nome.
– Eu sei Dite, mas…- uma pausa- Tá bom fazemos assim, procuramos uma pousada e descansamos um pouco, não valerá de muito continuar nesta busca assim- o italiano deu o braço a torcer mostrando todo o cansaço que corrompia o seu corpo e mente.
Andaram mais um pouco, até encontrarem uma pousada simples e velha, servia para dormir umas quantas horas, só teriam que ignorar o cheiro a mofo e as camas velhas.
Dormitaram por ali até ser de noite, onde jantaram comida típica italiana, por sorte a cozinheira era fantástica e então bastante recuperados saíram em busca de algum cosmo.
– Sabem começo a achar que não vamos encontrar nenhuma criancinha com o poder e capacidade de aniquilar a vida dos humanos num estalar de dedos- Queen reclamava enquanto se concentrava e não sentia nenhum cosmo.
– Bem, bem, mas que bella ragazza (bela mulher/menina)– MDM saiu de onde o grupo andava para ir ter com uma loira “de esquina”. – O que uma ragazza tão bella faz aqui a estas horas da noite?
– MASCÁRA DA MORTE! – O sueco gritou, correndo para o encontro do canceriano — Devíamos estar à procura das encarnações não a tentar levar uma noite de graça de prostitutas italianas!- o pisciano agarrava o amigo pelo pescoço abanando-o até ele ficar roxo.
– Queridinho queria você ter esta prostituta na sua cama!- a loira respondeu numa voz aguda.
– Queridinha não se preocupe não quero, afinal se quisesse teria bem melhor até!- Afrodite respondeu-lhe largando o italiano e estalando os dedos.
– Uuuuuuhhhhhh!- Os gritinhos vindos de Valentine e Queen como “vitória” do cavaleiro fizeram a loira virar as costas balançando o cabelo com as pontas detonas.
– Ai por Atena, aquele cabelo nem deve saber o que é hidratação!
– Ahm Dite, sem querer tirá-lo dos seus devaneios sobre cabelos, mas o Mask está desmaiado- Enquanto chutava o que estava no chão, Valentine informou o pisciano.- Ai valha-me Hypnos, porque tinhas de desacordar o caranguejo apreciador de pastas logo agora?
– Deixa Val, eu carrego!- Dite sorriu colocando o amigo no seu ombro- Agora ele pode ser tratado como o saco de batatas italianas que ele é.
– HIHIHIEHEHEHEHEHAHAHAH- os três riram loucamente enquanto começavam a andar.
“Tenho passado muito tempo com o Saga vishi” pensou Afrodite.
–ASHUUUU!- no avião de regresso ao Santuário Saga espirrou- “Quem pensará em mim?” (Nota: na cultura chinesa espirrar significa que alguém pensa em você)
– Shh- Queen parou e colou o indicador nos lábios rosados- Não ouviram?
– O quê?
– Ouvi vozes por aqui- explicou ao pisciano.
– A estas horas?- Valentine perguntou- O Mask…- indicou o aquariano ao pisciano.
– O que foi mama? Mi lascia dormire che non sono ore (Me deixa dormir que ainda não são horas) – O canceriano, agora no chão, remexia-se como se estivesse na cama.
– Mask…Mask…Mask!- Afrodite cutucava o amigo com um pauzinho até que o enfiou por uma narina fazendo o outro acordar e espirrar.
– Oh boa, agora nos ouviram!- o alemão reclamou com os companheiros que abaixaram a cabeça.- Oh minha nossa Perséfone sentiram?!
Sim de facto todos sentiram, um forte oscilo de um cosmo adormecido, bem perto, talvez Queen tivesse razão, de facto havia vozes ali.
Um silêncio mortal era ouvido na rua despovoada de vidas, ao menos era o que parecia, um cheiro a hortelã e chuva pairava no ar. Num reflexo MDM voltou-se para uma rua pequena, que dava a outra rua que ficava por detrás dos edifícios da rua onde se encontravam, na qual viu um vulto pequeno correr.
–Ali!- ele correr pela pequena rua atrás do ainda mais pequeno vulto, quem sabe de uma criança, quem sabe também uma encarnação.
Os companheiros seguiram-nos dando de caras com um italiano segurando uma menina com os seus sete anos talvez, cabelos ruivos, curtos mas compridos o suficiente para lhe cobrirem a face, de roupas largas e era segurada pelos bracinhos, tentando a todo o custo se soltar.
– Mask, largue el…- Afrodite ia dizer algo quando sentiu um pequeno cosmo emanando da ruiva- é ela. Uma encarnação?
– Não sei, mas assim que a levarmos para o Santuário saberemos!
– Não!- um gritinho ecoou assustando os espectros e os cavaleiros e acalmando a pequena ruiva- Não a leve de mim!
Uma outra menininha apareceu, esta de olhos púrpura que emanavam um brilho estonteante, cabelos castanhos-claros presos em duas trancinhas que chegavam aos ombros da criança.
– Thaís some daqui!- a ruiva ordenou à amiga que ignorou a sua ordem- Não me ouviu?!
– Garota quem é você?- Valentine aproximou-se da morena segurando a sua mão. – Não faremos mal a ninguém.
Mais uma oscilação de cosmo que fez Valentine retirar a sua mão da dela, agora sabiam que as oscilações não vinham da ruiva, mas sim desta moreninha um pouco maior que a ruiva, não seria sorte a mais?
– Sou Thaís, ela é a Michaela, não nos façam mal!- a pequena pediu com muita convicção.
– Dois coelhos numa cajadada só, que maravilha!- Mask sorria de canto enquanto agarrava na ruiva ao colo, que ainda se tentava soltar, mas nem sequer incomodava o cavaleiro.
– São elas?- Queen interrogou.
– Veremos.
– Agora é quando eu uso os meus poderes de persuasão.
– Força Frô-Frô- Mask entregou a ruiva ao pisciano e a morena correu até á ruiva agarrando a sua mão com tanta força que poderia esmagar os seus ossos.
Afrodite com toda a sua simpatia conversou com as meninas durante meia hora ou mais, sobre o Santuário e o quão importante elas poderiam ser, ambas o olhavam com os olhinhos a brilhar, ou achava o cavaleiro já que os olhos da ruiva mal se viam, nem a cor dava para perceber:
– Este cabelo está meio grande, não achas?- Dite passou a mão pelo cabelo ruivo revelando uma cara muito fofa e inocente por baixo, mas mais importante seus olhos- OH MEU ZEUS! Queen, Val, Mask aqui agora!
– Que foi homem?!- Queen chegou-se a seu lado e olhou a menina entendendo logo o que o outro queria com os gritos.- Oh…
Os outros dois chegaram-se ao pé ao que Afrodite mostrou o rosto da menina aos companheiros, que logo mudaram o semblante calmo para choque e admiração, a ruiva possuía olhos lindos e apaixonantes, ambos olhos, já que um possuía um verde tão vivo como a primavera e um cinzento gélido como ferro e ao mesmo tempo parecia diamante.
– São olhos de gato!- comentou Afrodite com uma voz apaixonada- São lindos.
Como resposta a ruiva apenas tapou o olho verde e abanou a cabeça negativamente, agarrando a mão da amiga.
Logo este grupo também se dirigiu ao Santuário, estavam esgotados e Valentine dizia ser um passarinho do amor na chapa, devido ao calor que estava.
No santuário Shion tomara uma decisão um quanto difícil mas justa, não havia Deusa mais importante no Santuário que Atena não havia razão para haver tratamentos especiais para com estas encarnações, para além do mais Pandora pediu um treinamento do cosmo caso encontrassem Perséfone e qual é a melhor maneira de se treinar o cosmo que com um treinamento de cavaleiro?
O grupo de Saga e Mú já regressara ao Santuário com a menina de olhos cor de céu que com a ajuda das estrelas e de Pandora descobriram ser sim uma encarnação, de uma Deusa que de facto não era conhecida por suas encarnações, Diké a Deusa da Justiça.
– Vamos lindas, ainda falta um pouco.- Afrodite encaminhava as pequenas até ao Salão do Grande Mestre com a intenção de descobrir se as noites mal passadas e todo o cansaço tinham valido a pena ou não.
– Não consigo mais- a moreninha caiu de joelhos no chão ofegante, ainda só estavam a oitava casa do zodíaco, Escorpião.
– Estou suando e cansada também, mas vamos Thaís- a mais pequena puxava a morena pela mão que ganhou uma nova vida com as palavras de Michaela, ou Mih como insistia em chama-la.
Logo passaram pelo templo de escorpião e não tardava estavam na Sala do Grande Mestre, mas as meninas pareciam que iam desfalecer entretanto.
– Grande Mestre Shion, aqui vos apresento as coisinhas lindas que encontramos em Itália.
Assim que Shion pôs os olhos na ruiva riu.
– Chamem uma criada aqui, alguém precisa de um corte de cabelo- Shion deu um sorriso dócil, ao que a menina abaixou a cabeça e assentiu seguindo a criada “para o seu cabeleireiro”- Bem, qual é seu nome querida?
–Thaís, tenho nove anos e nasci na Noruega, mas meus pais se mudaram para Itália quando sumiram, Mih me salvou das ruas- a menina explicou tudo como se estivesse num interrogatório em que lhe arrancariam dedos se não falasse tudo, o que fez os cavaleiros rirem.
–Calma haha. E a sua amiga?
– Michaela, tem nove anos como eu, mas não sei muito sobre ela…- a tristeza era notória na voz dela que logo foi alterada quando viu a amiga sair da sala com o cabelo bem mais curto- Mih! Wow que legal que o seu cabelo ficou!
– Também gostei! Obrigada dona!- finalmente alguma emoção era mostrada pela ruiva que sorriu abertamente à criada que fez um reverência se retirando.
– Oh, mas esses olhos são…- Shion levantou-se correndo para as meninas, seria uma cena totalmente dramática senão fosse por Shion ter tropeçado nas vestes e caindo com tudo no chão.
– Hahahahahahaha- as meninas riam com gosto da situação e Afrodite segurava-se para não imitá-las, era muito cómico ver o Shion naquelas situações.
– Ora bem- o ariano tentou se recompor como pode e foi observar os olhos da ruiva- Bem ganhamos a lotaria, olhos de duas cores e um deles ser verde só pode significar uma coisa…
– Grande Mestre?
– Hera!
Afrodite gaguejou silabas sem nexo e Shion olhava sério a menina.
– Isso é mau?- ela perguntou inclinando a cabeça o que fez Shion ganhar uma gota na cabeça
“Aff talvez nem tanta lotaria”- pensou- Não, é bom Michaela, muito bom.
– Sinto o cosmo adormecido de minha Imperatriz- a voz feminina invadiu a Sala, era Pandora- Perséfone, esperávamos seu regresso- a morena ajoelhou-se perante Thaís que recuou confusa.- Tivemos imensa sorte nesta missão vou ter de admitir.
– Que o primeiro dia das vossas vidas comece Thaís e Michaela, escolherei os vossos tutores hoje mesmo.
– Tutores?
– Sim Afrodite, acho que a melhor maneira de se treinar o cosmo é com treinos de cavaleiro, assim se preparam física e mentalmente- Pandora assentiu as palavras de Shion- Quais são suas datas de nascimento?
– 13 de fevereiro e 25 de março- Thaís apontou a amiga e de seguida ela.
– Thaís treinarás com Mú, já que és mais tímida e reservada já tu…- Shion não sabia quem escolher era óbvio- Ah entreguem-na ao Kanon, aquele favelado não tem nada a perder mesmo.
– O QUÊ? – Pandora e Afrodite estavam chocados com a decisão.
– Vá Afrodite, leve-as por-favor!
– Si-sim Grande Mestre.
Desceram novamente as escadas, Afrodite chocado e com pena da ruiva, já as meninas estavam apavoradas por dentro.
“Quem raio é Kanon e Mú? Isso é som de vaca!” Ambas pensavam o mesmo, ririam se não estivessem suando de medo.
“Por Zeus, Kanon vai me matar!”
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