Estamos grávidos!
14 Capítulo 14 - Dores
Notas iniciais
Emily POV
Daniel me olhava com olhos marejados e corria suas mãos pela minha barriga.
O bebê estava agitado desde que eu o vira. Talvez ele soubesse que seu papai estava tão perto.
Eu mesma estava tendo problemas para segurar minha emoção com Daniel ali tão próximo, me tocando. Não havia tensão ou eletricidade. Éramos apenas nós três.
Como pai, Daniel tinha seus direitos que eu simplesmente ignorei e fugi. Queria perguntar o que ele fazia ali depois de tanto tempo, mas só aproveitei do momento. As perguntas difíceis podiam ficar pra depois, afinal, eu o privei daquilo por meses e me sentia um pouco egoísta por não compartilhar dessa experiência.
Ele pareceu sair do transe em que estava e se afastou.
– Desculpe, eu acabei me deixando levar. — disse me encarando e eu podia ver dor em seus olhos – Sinto sua falta.
Suas palavras preencheram o vazio que há muito eu sentia.
– Eu também.
Foram meses de privação e eu sabia que não poderia suportar por mais tempo então me aproximei dele mais uma vez e o abracei tanto quanto minha barriga deixara.
Logo o abraço se transformara em algo mais, enquanto sua boca tomava a minha e suas mãos pressionavam os lugares certos.
– Podemos entrar? – Daniel me colocara contra a porta do apartamento e me olhava com adoração.
Deixei meus impulsos me guiarem e sem pensar muito, abri a porta. Assim que entramos, nos atacamos com desespero. Eu ansiava por aquele contato. Precisava ser amada outra vez sem me preocupar com os problemas. Eu precisava dele.
Em poucos minutos estávamos sobre a cama, no quarto nos amando, como da última vez. E era como estar em casa. Sentia-me segura e feliz.
As palavras podiam esperar.
Tudo o que eu precisava estava ali de novo, como num sonho bom. Aconcheguei-me a seu corpo quente.
Dormi e quando acordei, fiquei com medo de que tivesse mesmo sido apenas minha mente me pregando uma peça.
Daniel tinha ficado acordado durante minha soneca. Sentei-me e o tirei de seu transe.
– Olá, dorminhoca.
– Desculpe, peguei no sono.
Dormir vinha sendo difícil, mas parecera bastante fácil com ele ali.
Logo um braço forte me puxara para mais perto e acariciara minha barriga.
A sensação era única. O bebê respondeu ao toque, me chutando.
– Acho que teremos um jogador de futebol. – disse ele.
Era óbvio que ele torceria pra que fosse um menino.
– Acho que será uma bailarina. – retruquei.
Minha intuição me dizia que eu podia estar muito errada, mas não daria a ele esse gostinho.
Ao seu lado, no criado mudo, estavam alguns livros sobre bebês e gravidez.
– Tem lido bastante? – indaguei, mal contendo a curiosidade.
– Bem, não quero estar despreparado. – me olhou nos olhos – Quero estar presente, saber como lidar com tudo ele ou ela.
– Daniel... – comecei.
– Não precisamos discutir isso agora. – me cortou. – Ainda há tempo.
– Podemos consertar isso? – suspirei e o encarei – Podemos ser uma família?
Seus olhos brilharam de alegria.
Eu o queria ao meu lado para o que desse e viesse.
– Eu transformei nosso amor em um campo minado. – senti uma pontada de tristeza – Minha vida sem você não faz sentido. Acha que podemos voltar a sermos felizes juntos?
– Me perdoa? – disse. – Vamos virar essa página e começar de novo. Eu, você e o bebê.
– Sim. – lágrimas rolavam — Eu o amo. Sempre amei. Me desculpe por desaparecer.
Daniel acariciava minha barriga enquanto o bebê parecia estar mais calmo.
Foi então que eu comecei a sentir dores.
Fale com o autor