Estações

34 O Amor Cura Feridas


Notas iniciais
OLHAAAA EU AQUI "RAPIDINHO"... Não vou falar muita coisa, vamos ao capítulo...

“Quantas vezes você vai me deixar mudar de ideia e dar meia volta? Não consigo me decidir se deixo você salvar minha vida ou se me afogo, espero que você veja além das minhas barreiras, espero que me segure porque já estou caindo, não posso deixar nosso amor se aproximar tanto, mas você coloca seus braços ao meu redor e eu me sinto em casa” – Christina Perri/Arms

Com a alta temperatura que reinara durante todo o dia, a família tinha aproveitado para passar a tarde na parte externa da casa, Heitor estendera uma lona no gramado que terminava na borda azulada, espalhando sabão e água pela mesma, chamou Henrique e Gabriela passando a ensiná-los como deslizar de barriga até a piscina. Foi uma diversão só. Helena não resistiu entrando na brincadeira e com o coração na mão, até cedeu ao pedido do marido de levar os gêmeos para escorregar uma vez.

Quando o sol começara a se pôr e Gabriela e Henrique estavam vermelhinhos que nem morangos, independentemente da quantidade de protetor solar que ela passara o dia retocando, a pele enrugada devido a quantidade de tempo na água e os narizes fungando, era o sinal para pedir que saíssem, logo mais o tempo ia mudar e acabariam pegando um resfriado.

Observando o marido, notou que seu estado não era muito diferente dos filhos, salvo Catarina e Otávio que ficaram embaixo do guarda sol quase toda tarde. Heitor pegou Gabriela para dar banho e ela fez o mesmo com os pequenos, graças a Deus Henrique já cuidava dessa parte sozinho. Não demorou muito e todos já estavam a mesa comendo pizza. A amazona costumava ser rigorosa com a alimentação deles, mas naquele domingo à noite ela deixaria passar.

Antes mesmo do fim do jantar a loirinha “desmaiou” de sono, Henrique que estava bastante sonolento pediu licença seguindo para seu quarto. Com os caçulas também não foi diferente, depois da mamada noturna, logo caíram dormindo.

* * *

— Eu ainda não acredito que são 20:45h da noite e nossos filhos estão todos dormindo – o loiro saiu do closet vestindo apenas uma calça de moletom, os ombros largos dessa vez destacavam-se por causa da vermelhidão, trazendo consigo um frasco de hidratante e o ofereceu a esposa com um sorriso – será que você poderia me fazer a gentileza?

— Meu amor, se eu imaginasse que aquela lona faria esse milagre, o teria incitado a fazer isso muito antes – ela riu também tomando o creme da mão dele e bateu de leve no canto ao seu lado na cama, deixando o livro que lia na mesa de cabeceira – você está muito mais queimado que as crianças, talvez porque mão quis me ouvir sobre retocar o protetor mais vezes, agora vai ficar ardido – derramou um pouco do hidratante nas mãos e espalhou com cuidado na região mais afetada — dói?

— Não muito, o creme está acalmando mais o ardor.

— Falando nisso, você lembrou de passar hidratante na Gabi?

— Sim lovely— ela ia iniciar outra pergunta, mas ele continuou – e verifiquei se Henrique tinha passado também.

— É por isso que eu te amo – terminando de espalhar o creme pela parte que faltava, se inclinou e beijou a bochecha dele.

— Bonitona – Heitor virou para encará-la – minha mãe ligou hoje querendo saber nossos planos para as festas de final de ano, já se decidiu?

— Bem, meu pai queria que fôssemos para Soriano comemorar com eles, porém, sugeri que ele fizesse a ceia aqui mesmo na fazenda, fica mais fácil de todos estarmos presentes, inclusive seus pais e como queria convidar nossos amigos, facilitaria para eles também.

— Acho ótimo amor, então vou avisar meus pais que venham para a capital e todos seguimos juntos para a fazenda depois – sorriu dando-lhe um selinho – Você falou com sua mãe? Como ela está?

— Bem, sem nenhuma alteração no quadro até então.

— Graças a Deus – Heitor riu apertando a mão dela – então este será um natal e tanto, já imagino – Helena concordou com uma expressão divertida, afastando-se dele e se inclinando para pegar seu livro outra vez – Qual livro você está lendo?

— O que as mulheres querem?... É bem interessante.

— O título é interessante mesmo... mas – eles se encaram e Heitor estava com um sorriso conhecedor nos lábios – esse seu livro fala alguma coisa sobre ciúmes?

— Eu já podia até adivinhar que você ia falar sobre isso espertinho... Imaginei que não deixaria passar em branco – a amazona revirou os olhos para ele.

— Foi divertido amor – Helena o encarou fechando o livro.

— Você fala de mim, mas deixou de fechar contrato com o dono da rede de restaurante árabe porque ele passou a reunião de olho em mim – arqueou a sobrancelha para o marido.

— Em minha defesa bonitona, eu tinha todos os motivos, o cara não passou a reunião apenas “olhando” para você, ele estava comendo-a com os olhos, além de te mandar uma joia no dia seguinte, mesmo sabendo que você era minha esposa.

— Pelo menos eu nunca dormi com ele, enquanto Caroline tinha voltado para... “relembrar os velhos tempos”... entendi na hora qual tinha sido o tipo de envolvimento de vocês! – desdenhou fazendo com os lábios o biquinho que o engenheiro amava.

— Você ouviu nossa conversa dona Helena?! – sorriu mordendo o lábio inferior.

— Não tive culpa se a babá eletrônica ficou ligada – ela devolveu com um sorriso sínico.

— Que fique claro que Caroline recuou assim que viu que o interesse não era mútuo, enquanto aquele bastardo ficou te incitando a fugir com ele... Obviamente eu não ia fechar contrato e lhe dar o prazer de ver você durante todos os dias nos meses em que o restaurante seria construído.

— Realmente não gostei de saber que aquela mulher já dormiu com você, sei que é besteira, porém senti como se ela te conhecesse de uma forma íntima e profunda que apenas eu estou acostumada a conhecer... – Heitor notou que sua esposa ruborizou um pouco pela confissão boba desviando seus olhos.

— Helena – tomou seu rosto entre suas mãos – você disse uma coisa certa, Caroline e todas as outras mulheres com quem me envolvi antes, só conheceram partes de mim, já você minha bonitona, é a única me têm e conhece por completo – sorrindo, a amazona sentiu seu coração transbordar de paixão e amor – e eu adoro que tenha sido exatamente você.

— Você é muito encantador quando quer – ela bicou seus lábios – eu o amo demais, foi só ciúme bobo... Quero deixar claro que aquele árabe apesar de bonito, não faz meu tipo – ela desdenhou dando uma piscada par ele. – Sempre gostei de olhos azuis, cabelos loiros dourados lisos e indisciplinados – passou a mão pelos fios, arrumando-os – braços fortes, corpo bem moldado – terminou acariciando o peito tonificado exposto com carinho – isso te lembra alguém?

— Fico feliz em saber, porque eu não me arrependo nenhum pouco de ter renunciado a todas as outras por você – cravando as irises cor de oceano nela, prosseguiu – Sou apaixonado por seus olhos escuros e densos como chocolate – contornando o rosto dela com uma mão, subiu-a pela nuca, enroscando os dedos nos fios, massageando-os – seus cabelos ondulados que me envolvem e me seduzem como qualquer outra curva no teu corpo, amo seus seios redondos e...

— Heitor! – Helena estapeou seu bíceps, só ele poderia ir de um momento tão romântico para outro tão travesso. O loiro deu uma gargalhada que ela acompanhou, não o impedindo de continuar a brincadeira.

— Porém, se existe algo que me encanta no seu corpo meu amor, é essa sua bunda bem desenhada e bonita. Deus foi muito— deu ênfase na palavra – bondoso comigo.

— Você é um safado mesmo! – a amazona riu enquanto se inclinava novamente, sentando no colo dele e selando seus lábios mais uma vez.

— Não tenho culpa se sou casado com a mulher mais linda e sexy do mundo inteiro. Agora vamos dormir porque nossas crianças acabaram comigo hoje.

* * *

— Oi filho, boa noite – um Bernardo animado começara a falar do outro lado da linha – Estamos amando as festividades por aqui, é bem diferente do que estamos acostumados, mas as pessoas são adoráveis. Você vem ou resolveu algo diferente com Sonia?

— Não sei – Alexandre finalmente respondera, deixando passar o quanto estava frustrado em seu tom.

— Que humor é esse menino? O que aconteceu? – já imaginando do que se tratava o pai logo o repreendeu.

— Discuti com Sonia por causa do advogado – suspirou puxando pesarosamente o ar e depois de soltá-lo prosseguiu – acabei falando coisas que não devia e isso possivelmente me custou nossa chance de reconciliação.

— Alexandre... O que está havendo? Você não é assim filho... Por que tem sido grosseiro com sua esposa e agido feito um menino mimado? Tenho certeza que não foi assim que me viu conciliar uma briga com sua mãe durante os anos em que morou conosco.

— Estou tão arrependido pai – Bernardo ouviu seu filho fungar enquanto falava e sentiu muita compaixão pelo rapaz – não apenas por causa da possível reconciliação, mas porque Sonia não merecia ouvir aquilo, mesmo que ela ainda estivesse com aquele homem, nada justifica meus insultos. O suposto envolvimento dela com outro me machucou tanto que eu não pensei, inconscientemente só quis ferir o coração dela com minhas palavras tal qual está o meu. Essa dúvida maldita está acabando comigo! Sei que é mesquinho e imaturo, todavia essa situação tem me feito perder a cabeça.

— Alê você é inteligente o suficiente para saber que esse não é o caminho para trazê-la de volta, pelo contrário. Um relacionamento baseado em ciúmes e desconfiança não sobrevive, ou você engole seu orgulho e pede perdão por algo que não fez, ou não vai funcionar, lembre-se que sua esposa não conhece a história como você. Um dia a oportunidade de mostrar-lhe toda verdade aparecerá, porém deixar Sonia mais ferida contigo do que ela já está é uma péssima escolha – um silêncio rápido preencheu a ligação, o médico até achou que seu pai tinha acabado de falar quando foi surpreendido com a pergunta – você seria capaz de perdoar sua mulher caso ela realmente tenha se envolvido com esse rapaz? – Bernardo mal tinha terminado quando sem hesitação, porém calmamente, Alexandre respondeu.

— É claro pai – engolindo o nó em sua garganta continuou – estou com raiva de Vicente, Melissa e do que essa situação se tornou, mas sei com toda certeza que Sonia é tão vítima quanto eu, a amo tanto que ainda que ela cravasse um estaca em meu peito eu a perdoaria... É só que... Tudo é tão torturante – sua voz começou a ficar embargada – e dói tanto papai – Bernardo sentiu o coração apertar quando o ouviu chorar, imaginando seu filho sozinho e sem ninguém para consolá-lo – dói muito mesmo, Sonia é minha esposa e estou perdendo-a de graça.

— Escute um conselho de seu velho pai...

— Pode falar – ele o ouviu dizer depois de se recompor um pouco.

— Acalme seu coração, use essa noite para fazer isso. Você já me disse que perdoaria qualquer coisa que Sonia fizesse, pare de ser um idiota ciumento, se não irei ai para lhe dar uma lição – os dois bufaram um sorriso – e pense em uma forma de se retratar, durante todos esses anos de casamento você sempre soube tocar o coração de sua mulher, porque agora seria diferente? Perdoe-a, se perdoe se preciso e resolvam essa situação de uma vez. Pare de rodear e haja como homem, tenha uma conversa séria com ela, seja paciente e sensato como foi toda vida. Em 41 anos de casamento e gerenciando uma construtora, descobri que quando se há ranhura nas estruturas, deve-se prestar atenção nas fundações, tudo nasce dali. Talvez esteja se questionando onde eu quero chegar?! Olhe para o começo do relacionamento de vocês e reconstrua isso, se você for esperto pode contar com a vantagem de já conhecer o caminho para não pisar novamente pelos mesmo buracos.

— O senhor está certo. Obrigado. Amanhã conversarei com Sonia e resolveremos tudo.

* * *

Sonia tinha sido forte todo o percurso para casa, sentia os olhos ardendo, as lágrimas guardadas ameaçando cair, todavia foi muito mais tarde quando ela as liberou. Depois que seus filhos estavam adormecidos no anexo da suíte, entrou no banheiro, trancando a porta, tirou a roupa e enfiou-se debaixo da ducha rompendo em seguida, deixando a água levar seu choro a medida que descarregava sua frustração.

Quando eles dois tinham se tornado aquela bagunça horrível? Com um timing pior ainda. Quando Alexandre tinha se transformado em um babaca? Nos 9 anos juntos, ela mal se lembrava de uma briga se quer entre eles, entretanto, agora, tudo o que eles faziam eram se magoar. Ela se sentia tão cansada, tão frustrada, tão magoada com ele e se questionava como mesmo assim seu peito queimava de amor. As faíscas da paixão teimavam em arder e tudo o que queria era poder dar um fim nessa situação.

Não entendia como estava sendo tão forte, como conseguia resistir tanto a ele, todavia agradecia ao seu amor próprio que brotava com força e a levava a ter essas atitudes. Alexandre tinha sido hipócrita ao acusá-la a respeito de Victor, quando ele que tinha jurado nunca estar com outra mulher depois dela, foi o primeiro a macular o relacionamento deles. Será que ele tinha se tornado tão cego a ponto de não ver os olhares necessitados que ela lhe dava? Que tinha aberto mão de todo seu orgulho para estar ali apenas por causa dele? Que Vic não passava de um amigo e que a única pessoa com quem queria estar era ele? Ela precisava superá-lo, precisava seguir em frente, pois Alexandre se transformara em alguém que ela desconhecia. Como podia amá-lo se tudo pelo que se apaixonara nele parecia não existir mais?!

Quando se acalmou um pouco, terminou o banho e viu seu reflexo no espelho da pia, os olhos e nariz vermelhos entravam em contraste com a pele alva, pegou um roupão e saiu para dar uma olhada nos filhos. Todos dormiam tranquilamente, ela pegou seu celular, encontrando uma mensagem de Victor:

“Oi Ceci, eu estou no bar do hotel, talvez eu demore um pouco para subir, não por estar acompanhado, e sim porque hoje parece ser um daqueles dias em que entramos na bad por causa de um ex. Antes de ir para o meu quarto passo para conferir está tudo em ordem. Se precisar de algo, não hesite em me chamar. Vou lamber minhas feridas um pouco mais.”

Com um riso seco pela ironia da situação voltou para o banheiro respondendo que estava tudo bem e que ele poderia ficar o tempo que precisasse, ela iria lamber as dela também. Pegando o secador sobre a bancada, começou a secar seus cabelos tentando não voltar a chorar outra vez.

* * *

Em outra parte da cidade, dia tinha iniciado bastante alegre para Alice, Louise levara café da manhã na cama para ela, seu marido chegara depois do almoço e sua felicidade ficara completa quando Orlando sugeriu que eles deveriam sair para beber um pouco. Ficara tão contente com a ideia de tomar uns bons drinks e dançar que fez seu marido alugar um quarto de hotel para deixar Laura e o latino a sós pelo menos uma noite antes dos pais dela chegarem.

— Laurinha meu amor – ela deu um tapa de leve na bunda da amiga que pulou com o susto – Orlando vai desmaiar quando vê-la nesse vestidinho, você está incrível garota!

— Ally! – Laura a repreendeu com um sorriso.

— O que? Só disse a verdade, você está maravilhosa e tenho certeza que vais ter que pedir para Karen dormir aqui com Lou Lou, pois vocês vão acabar pegando um quarto no hotel também – as duas sorriram e a ruiva balançou a cabeça.

— Eu te adoro Ally – se inclinando, beijou o rosto da amiga morena

— Eu sei – sorriu convencida – agora me diga para onde nós vamos?

— Orlando vai nos levar para jantar no Sheraton.

— UAU! – ela assobiou – diga para seu namorado que ele não precisa mais me impressionar, estou bastante satisfeita com o que vi durante os dias que estou aqui

— Um dos restaurantes lá são especializados na culinária italiana, ele só está querendo que você goste dele... Orlie sabe o quanto sua aprovação é importante.

— Eu já gosto, mas não o deixe saber disso até eu ir embora, estou adorando os mimos – piscando, Alice voltou-se para a penteadeira da amiga e pegou um batom parando em frente ao espelho para passá-lo.

Quando estavam prontas e o latino chegara, Alice não errou, viu o exato momento em que Orlando pusera os olhos em sua amiga e ficara extasiado, o vestido preto deixava os ombros amostra e o caimento era perfeito, modelava o corpo de Laura muito bem e o homem não havia perdido nenhum detalhe. Demorou alguns segundos admirando-a até puxá-la para perto e dar-lhe um beijo. Eles despediram-se de Louise, que não havia ficado satisfeita em ser deixada de fora do “passeio” e Orlie jurou que a levaria em um passeio muito mais incrível para compensar o fato dela não poder sair com eles e a menina se contentou um pouco. Depois de vários beijinhos e risadinhas, os quatro partiram.

* * *

Após o jantar, Orlando sugeriu que eles fossem no pub em que ele costumava ir com a turma do trabalho, o mesmo em que levara Laura e tiveram seu primeiro beijo, enquanto os dois homens foram pagar conta, as mulheres foram caminhando para a recepção, deslumbradas com a beleza do local, a arquitetura, os móveis planejados em harmonia com as cores e iluminação, o chão de mármore, os painéis em madeira de lei, um deleite para os olhos. De onde estavam também tinha uma visão boa do bar do hotel, a ruiva acabou precisando ir ao banheiro e Alice sentou-se em uma poltrona enquanto aguardava todos retornarem.

Alice correu os olhos pelo ambiente, um tanto entediada de ter que esperar sozinha, levantando-se e se aproximando do balcão. Olhou, lendo o nome das bebidas expostas na prateleira e de repente sentiu o ar faltar tamanho o susto... Obviamente aquele não era quem ela estava pensando não é mesmo?! Não podia ser... Ela só podia já estar mais bêbada do que pensava... Talvez o vinho que tomaram era muito mais forte do que parecia.

Holy shit!!!

Apressando os passos, saiu em busca de seu marido, caramba! Ela não estava vendo Victor Campbell bem ali, não era possível! Graças a Deus Patrick vinha sozinho.

— Onde está Orlando??

— Ele foi acompanhar Laura por que?

— Meu amor, você acha que estou bêbada?

— Bem não, mas agora estou começando a desconfiar que você misturou algo no vinho – ela começou a guia-lo pelo caminho por onde tinha vindo – Diabos Ally! Por que está me arrastando desse jeito?

— Preciso que veja algo e confirme que não fiquei louca ou estou tendo alucinações... – Patrick a seguiu, rindo e ao mesmo tempo um tanto intrigado com sua morena. O que será que ela tinha visto que poderia tê-la deixado tão alarmada?!

Entrando no bar próximo a recepção, ela apontou para o balcão de bebidas, virando rapidamente o rosto na direção oposta e disse:

— Por favor, me diga que aquele homem sentado logo ali não é Victor Campbell... – os olhos escuros de Patrick varreram a área e ele começou a sorrir.

— Meu bem, a não ser que Victor tenha ganhado uns 100kg e ficado careca eu duvido muito que seja.

— O que? – virando-se abruptamente viu a pessoa que seu marido tinha citado.

— Não ele Patrick, o que está atrás...

— Amor, veja – ele afastou-a um pouco para o lado para que conseguisse ver atrás do homem corpulento – não tem ninguém ali.

— Mas não é possível... eu juro que o vi... – deu um giro pelo local, tentando ver se poderia encontra-lo novamente – ele estava logo ali...

— Me diga o que você pediu para o garçom misturar ao seu vinho linda? Certamente não era o cara... O que Victor estaria fazendo aqui no México?

— Também não sei – Ally franziu a testa encabulada – eu com certeza tomei mais vinho do achei que devia, tinha quase certeza que era ele... De todo jeito, não comente nada com Laura.

— Por que? Eles já terminaram a tanto tempo... Qual problema deles se esbarrarem por aí?

— Nenhum Patrick, só não acho necessário... – Alice ia continuar a enrolá-lo quando ele a interrompeu.

— A menina é filha dele não é?!

— O que? – ainda que quisesse dar uma de desentendida, tinha certeza que sua cara a denunciara.

— Ela não vai poder escondê-la dele para sempre... Hoje não era Victor ali, mas um dia pode e vai ser.

— Patrick – ela respirou fundo e soltou o ar pelos lábios – nós não temos o direito de dizer nada!

— Eu sei que não tenho o direito de dizer, nem somos mais tão amigos, têm anos que não o vejo e não sei dele... Só que Laura não pode esperar que seja “alarme falso” toda vez.

— Ela está ciente disso babe e vai assumir as consequências de suas escolhas, podemos por favor mudar de assunto, eles estão vindo ali e tudo o que menos quero é estragar a noite.

— Ok... – segurando-a pela cintura provocou – O que você acha de pularmos o pub e ficarmos por aqui mesmo? Senti sua falta esses dias que passamos separados...

— Foi nesse hotel que você alugou um quarto? – mordendo o lábio inferior Alice circulou seus braços ao redor do pescoço dele – Acho que Laura e Orlando vão adorar a ideia, sei que eles tem planos parecidos em mente depois que o expulsei da cama de Laura por mais de uma semana.

* * *

Não havia se passado tanto tempo quando Sonia voltou ao quarto com os cabelos secos e um pijama, não era tão tarde ainda, próximo das onze horas e sua aparência continuava péssima. Se aproximou do bercinho portátil de Arthur e notou que ele ainda dormia, ela até estranhou, tocando nele percebeu que sua temperatura estava alta, foi até a bolsa de remédios em busca de um termômetro. No percurso ouviu batidas na porta desviando a rota para abri-la, sabendo que seria Victor do outro lado.

— Tão cedo? Você tem que me ensinar como lamber feridas rápido assim...

— Eu vim antes de ficar bêbado demais – ele riram, ou pelo menos ele sorriu e ela tentou, mas apenas esboçou um vislumbre disso. Ela cedeu passagem e ao entrar Victor notou sua aparência, percebendo que tinha passado um bom tempo chorando.

— Por que estava chorando Ceci? O que Alexandre aprontou dessa vez? – eles foram caminhando pela suíte, ela indicou que ele sentasse enquanto procurava pelo termômetro.

— Sou eu que abro as portas para a esperança e acabo levando um chute na cara como resposta... Estou tão cansada de ser estúpida, de acreditar que existe um futuro para mim e Alexandre.

— Acho que eu sou um péssimo conselheiro amoroso dado meu histórico, porém, estou bêbado e sinto que tenho o direito de filosofar.

— Você não está bêbado Vic...

— O que aconteceu entre vocês? – Sonia encontrou a chupeta que media temperatura e a colocou na boca do filho, pegando no colo e sentando-se ao lado do amigo na cama – o que Arthur tem?

— Não sei ainda, espero que ele não esteja com febre, entretanto, ele está morninho, senti só de tocá-lo... Já entre eu e o pai dele – bufou fechando os olhos – Alexandre teve a cara de pau de insinuar coisas entre a gente, inclusive você deveria se sentir orgulhoso, porque segundo ele você é tão bom de cama que esse é o motivo de andarmos sempre juntos.

— Não sabia que ele descia tão baixo.

— Nem eu – revirou os olhos.

— Na verdade, achei que vocês estivessem se acertando, você me disse que iria convidá-lo para passar o natal conosco no Refúgio.

— E foi só eu dizer que você estaria presente que ele se tornou um idiota.

Victor riu. Por que os homens agiam assim?! Principalmente se estivessem sentindo-se feridos e ameaçados, tudo por ego... Era tão previsível, e ele entendia bem, afinal, era um.

— Cretino – o advogado deu uma risada revirando os olhos.

— Muito! – Sonia não acompanhou a risada dele, apenas olhou para a chupeta que estava marcando 37,5°.

— Então, está tudo bem? – ela parecia aliviada.

— Por enquanto sim, a temperatura só não pode subir mais – a senhora Del Rio aninhou-o um pouco mais em seu colo, encostando-se na cabeceira da cama. Victor a observou por alguns segundos, perdido com a beleza delicada e única de sua velha amiga, antes de começar.

— Sonia, tudo o que eu queria era poder te amar e seguir em frente contigo, para construirmos um futuro juntos e sermos felizes, porém já vimos que não dá certo – eles riram – falta aquela faísca especial, que já não sinto há muitos anos desde que saí do dormitório de Laura, se eu ao menos soubesse que era a última vez que a veria... – frustrado ele prosseguiu, fechando os olhos, deixando sua mente vagar por memórias antigas – falta aquele frio na barriga que eu sentia todas as vezes em que íamos nos beijar, eu nem sei te explicar direito, porque... não me entenda mal, você é incrivelmente linda e inteligente, estava agora mesmo pensando que sou um idiota por não conseguir me apaixonar por ti, quando tudo está indicando que deveríamos escrever uma nova história para nós, mas...

— Simplesmente falta algo – a ex-modelo completou fitando Arthur – entendo seus sentimentos Vic.

— O que estou dizendo é que eu queria muito seguir em frente contigo, mas amo outra mulher e a amo tanto, que se ela estivesse ao meu alcance faria qualquer coisa para tê-la, mesmo que isso significasse que eu tivesse que mudar toda minha vida. Laura nunca me foi um fardo, mas o que eu tivesse que sacrificar para estar com ela novamente, faria sem hesitar...

— Eu sinto muito, sei o quanto é doloroso, queria poder arrancá-lo fora do meu coração também, acabar com tudo isso de uma vez por todas e voltar para França, dar continuidade a minha vida, mas eu olho para o meu filhinho e vejo tanto dele – sentiu a garganta secar, mesmo assim continuou – poderia jurar que sou forte o suficiente para seguir em frente, porém quando Arthur me olha com os mesmo olhos do pai, posso sentir meu peito arder de amor... talvez seja muito cedo, talvez um dia eu deixe de amá-lo...

— Por experiência própria...? Não vai passar, não quando termina mal resolvido. Já fazem quase 6 anos e nunca superei... Hoje foi um desses dias em que a senti estranhamente perto, não sei se é esse lugar, ou toda situação nos envolvendo, todavia podia jurar que Laura estava a passos de mim... Você sabe o porquê não vou atrás dela, implorar para que me perdoe e me tenha de volta? Porque não sei aonde ela está. Juro a você que se eu soubesse onde aquela ruiva bonita se meteu, não a deixaria em paz até fazê-la entender que nosso destino é permanecermos juntos por toda vida, construirmos um família, ter um monte de filhos e nos amarmos até que estejamos velhos e enrugados.

— Aonde você está querendo chegar Victor?!

— Sei que Alexandre cometeu um erro terrível, mas eu passei tempo suficiente por perto para ver o quanto ele se importa contigo e com as crianças, ele está com ciúmes e isso danifica nossa percepção das situações, confesso a você que a ideia de Laura feliz com outro homem me consome, por isso eu fui beber hoje, imaginá-la construindo esse futuro que te relatei agora com outro alguém me destrói, e eu sou ainda mais imaturo que Alexandre por sofrer pelas divagações da minha mente, por possibilidades, entretanto, não faço ideia do que aconteceu com ela, por que partiu da forma que partiu, por isso minha mente viaja em um mundo de “ e ses”... Você precisa esclarecer as coisas para Alexandre...

— Victor... foi ele quem me traiu!

— Eu sei darling, porém a natureza do nosso relacionamento não está clara para ele e o casamento de vocês está uma confusão maior ainda. Tudo o que vocês precisam é de uma longa conversa sobre tudo... se o perdoou e acha que merecem uma segunda chance, diga isso para ele com todas as letras. Culpa pode acabar com um ser humano. Vocês estão a poucos dias da audiência que decidirá o futuro dessa família, se assinarem aqueles papéis, será definitivo... – Sonia o encarou, os olhos estavam vidrados – eu já assisti muitas famílias serem desfeitas, trabalho com isso, portanto, também sei quando um lar não deveria ser desfeito, não quando existe tanto sentimento em jogo.

— E o que você quer que eu faça? Que eu vá até a porta dele pedir para que se retrate por tudo? Eu não vou até lá, nem sei mais se ele merece...

— Já estive na mesma posição em que Alexandre está Sonia, fui um filho da mãe estúpido, que pisou na bola e cometeu o maior erro que alguém pode cometer em uma relação. Então, tenho certeza que ele está se remoendo de vontade de vir até você, só não o fez ainda para dar-lhe espaço, todavia não se engane, no máximo até a hora do café ele estará à sua porta em busca de perdão.

— Tenho medo de que Alexandre termine de quebrar meu coração – nesse momento ela desviou os olhos de Victor e focou no bebê, ia continuar sua sentença quando notou que a temperatura tinha subido mais, o termômetro marcava 38,8° — Caramba Vic! Arthur está com febre, a temperatura subiu quase 2 graus.

— O que será que aconteceu? Ele me parece tão bem.

— É verdade, nem está chorando, só quente mesmo – preocupada, pôs-se de pé e começou a andar pelo quarto balançando suavemente o bebê em seu colo – e se for algo sério? Arthur só tem 3 meses, preciso leva-lo em um médico... – começou a ir atrás de sua mala em busca de uma roupa quando o advogado parou ao seu lado, tocando-lhe o ombro.

— Ligue para o pai dele – Victor sorriu fitando-a e Sonia soltou um suspiro rendendo-se.

— Você tem razão, vou ligar.

* * *

Alexandre estava em seu quarto estudando um caso de cirurgia de alta complexidade, Dr. Navarro, o médico que havia assumido seu lugar na neurocirurgia enquanto se recuperava precisou de sua ajuda, após sua conversa com o pai, parara com os lamentos e dedicou-se ao pedido do companheiro. Já estava decidido, pela manhã passaria o procedimento mais adequado para a operação e em seguida iria até Sonia, não ficaria mais um dia sem o perdão dela.

Estava em sua mesa de estudos no quarto mesmo, o celular descansava próximo a um livro quando tocou. Ao ver a foto de sua esposa na tela seu coração bateu rápido em expectativa e prontamente atendeu.

— Alô – tentou não soar tão ansioso.

— Oi... – ele a conhecia tão bem que sabia que ela ia pedir-lhe algo e estava nervosa por isso – preciso de você.

— O que aconteceu?

— Apareceu uma febre de repente em Arthur, não sei o que pode tê-la causado, tenho medo de medicá-lo sem a recomendação de um profissional.

— Chego aí em alguns minutos... O helicóptero está no heliporto do condomínio, peça para liberarem meu pouso por favor... – Alexandre hesitou – Sonia eu...

— Quando você chegar nós conversaremos, só se apresse por favor. Vou pedir para liberarem sua entrada. Obrigada.

— Sempre que precisar.

A ligação terminou e Alexandre se apressou em trocar de roupa, pensando se deveria se preocupar com a saúde do caçula, o menino tinha passado a tarde bem, o que teria ocasionado a febre? Descendo as escadas parou em seu escritório, pegou a maleta com seus equipamentos, partindo em seguida. Durante o voo, faria uma ligação para o chefe da pediatria pedindo auxílio.

* * *

— Ele já está a caminho, espero que não demore tanto, estou preocupada com meu menininho.

— Você não está preocupada apenas com seu garoto, mas vai ficar tudo bem...

— Vic, você poderia ir até a recepção informar que Alexandre está vindo de helicóptero e entregar um dos cartões de acesso ao quarto? Não quero deixar Arthur.

— Claro Ceci, volto logo.

* * *

Victor retornou cerca de quinze minutos depois, ela estava na sala de estar da suíte, Arthur estendia as mãozinhas para tocar no móbile colorido preso na alça do bebê conforto.

— Como o rapazinho está? A febre aumentou?

— Aparentemente ele está bem e não, não aumentou.

— Que bom, então vou para o meu quarto, qualquer coisa me chame, estou à disposição – o advogado sorriu e Sonia deixou o bebê para acompanhá-lo até a porta.

— Obrigada Vic, por todos os conselhos.

— São reflexões de alguém que já teve tudo e hoje não têm mais nada. Nada que realmente importa.

— Eu só... Não sei se vale a pena mon cher.

— Se encontrar alguém que ame o suficiente para arriscar toda sua vida por ele, então vale. Amar é o maior risco que corremos, pode ser maravilhoso na medida que é mortal... Se eu tivesse o poder da escolha com Laura, escolheria sempre arriscar, pois um dia do que vivemos juntos significa mais para mim do que todo restante sem ela.

Uma lágrima solitária escapou pelos olhos de Sonia, as palavras de seu amigo tinham a tocado profundamente. Ela amava seu marido com todo o coração, talvez um dia passaria, mas ela duvidava. Eles teriam aquela conversa mais tarde, depois que o bebê fosse examinado. Se houvesse um futuro para eles, Sonia se agarraria a ele com todas as forças. Se valeria a pena? Pagaria uma segunda vez para ver, ela daria a Alexandre sua segunda chance, assumiria os riscos outra vez. E esperava que o doutor não a despedaçasse como anteriormente.

— Você é um anjo na minha vida.

— Amo você darling— piscou com um sorriso bonito.

— Eu te amo também – Victor se inclinou e beijou a testa dela, recuando em seguida.

— Boa noite – uma terceira voz foi ouvida, levando os dois a pularem de susto.

Bloody hell! pensou o homem de olhos claros.

— Alexandre... – sussurrou Sonia.

* * *

Nada pareceria tão errado e dolorido aos seus ouvidos e coração do que ouvir Sonia pronunciar aquelas três palavras a outro homem, teve que se segurar para não fazer ou falar algo estúpido, mas ele prometeu para si mesmo que não agiria mais como uma criança mimada e precisava mostrar que estava presente antes que eles se beijassem e fosse obrigado a assistir.

— Eu já estava de saída – Victor quebrou a estranha conexão que se formou entre Alexandre e Sonia, ambos estavam calados e fitando-se sem dizer uma palavra ou esboçar nenhuma reação – será que eu poderia falar com você lá fora por alguns segundos doutor?

— Acredito que não tenhamos muitos assuntos em comum sr.Campbell.

Sonia assistia ao diálogo sem saber se deveria interferir. O que Vic tinha para falar com ele?

— Me acompanhe e descubra, não levarei mais que alguns rápidos minutos – saindo, deixou a porta aberta indicando que estava esperando por ele.

— Eu já volto – encarou-a, partindo assim que ela acenou concordando.

— O que você quer? – Alexandre tentava manter a paciência, mas a vontade de socar o bastardo queimava em suas mãos.

— Explicar o que viu e ouviu agora pouco.

— Não é necessário, eu entendi.

— Precisa sim, porque se você for grosseiro com Sonia novamente eu não responderei por mim.

— Vamos lá, me acerte um só murro, é tudo o que eu preciso para dar-lhe algo pelo que espero ansiosamente – os olhos do médico brilharam de raiva e Victor quase acreditou que uma briga seria iniciada, porém, ele recuou – Entretanto, se sua preocupação é Sonia, não precisa, eu não seria estúpido de destratá-la outra vez – Alexandre puxou uma respiração pesarosa – Se a decisão dela é seguir em frente contigo, não posso fazer nada. Apesar de toda má impressão, em todo tempo que estivemos juntos, jamais a maltratei, não é do meu feitio ofender uma mulher, principalmente se ela for o amor da minha vida e mãe dos meus filhos, não é esse o exemplo que quero deixar para eles seguirem.

— Foi por isso que pedi para que ela te ligasse. Eu tinha certeza que Sonia não se apaixonaria por um babaca estúpido – Alexandre o encarava com um vinco entre a testa – você parece ser um bom homem Alexandre Del Rio, alguém que fez besteira e está tão desesperado por perdão que acaba fazendo mais merda ainda.

— O que você está querendo dizer companheiro? – Victor conseguiu pegar o tom de irônico com o qual ele lhe adjetivou – Me insultar não é bom negócio.

— Talvez sejamos mais parecidos do que imagina... Quando você chegou e ouviu Sonia dizer que me amava e eu a ela, era como amigos, não estamos juntos, foi eu quem pedi para ela ligar para ti. Ao passar por aquela porta seja sábio, diga a verdade e converse com ela, pode ser sua última e única chance. Lute pelo seu amor enquanto ele ainda está ao seu alcance. Com licença – sem dar a Alexandre a chance de resposta, Victor virou-se e foi para seu quarto.

* * *

O doutor retornou ao quarto ainda sem entender a conversa que tinha tido com o advogado. Rapidamente ele fechou a porta e encontrou Sonia sentada ao lado do bebê conforto onde Arthur ainda tentava alcançar o brinquedinho suspenso. Ela lhe relatou sobre como identificara a febre e voltou a colocar o termômetro em forma de chupeta, a febre continuava nos 38,8°. Deitando o filho sobre a cama, tirou o pijaminha que usava e começou a examiná-lo, sem nenhuma reação de dor por parte do garoto, abriu sua boca e olhou a garganta, também permanecia sem nenhuma alteração.

— Ele mamou direito hoje? – perguntou enquanto guardava seus objetos na maleta.

— Sim, não notei falta de apetite, as mamadas seguiram um ritmo normal – Alexandre começou a vestir o menino outra vez.

— Antes de chegar aqui liguei para o melhor pediatra que temos na rede, verifiquei tudo o que ele me pediu, nada está fora do padrão, então a única resposta é o que eles chamam de febre do recém nascido, pode ocorrer até o terceiro mês de vida do bebê, geralmente ocasionado por alguma pequena desidratação ou quando as temperaturas caem muito depois de um dia quente, como aconteceu hoje. O tempo faz com o sistema de defesa do bebê aumente a temperatura do corpo para protegê-lo do frio – ele o envolveu em outro cobertor e o pegou no colo – Não é nada grave, até a amanhã de manhã a temperatura volta ao normal – sorriu confortando-a e em seguida dando um leve aperto em sua mão.

— Você tem certeza?

— Podemos marcar alguns exames durante a semana para vermos com precisão, mas conforme o que você me disse e meu exame, tenho sim, não há nada de errado com esse rapaz. Ele só precisa se manter quentinho e se hidratar bastante.

— Graças a Deus, fiquei preocupada, ele estava tão bem e de repente essa febre do nada – seu marido começou a balançar suavemente o bebê, sorrindo ora para ele, ora para ela, a cena encheu seu coração de ternura.

— Hey homenzinho, que bocão – bebê bocejou se irritando por não achar o que procurava – você está com sono? Quer tirar um cochilo no colo do papai ou da mamãe?

— Infelizmente você não tem o que ele quer.

— Você tem razão, é que eu amo tê-lo no meu colo – sorriu para o garotinho e esse lhe devolveu o sorriso, se inclinando, beijou a testa dele e passou-o para a mãe que sentou e lhe ofereceu o seio que logo Arthur abocanhou e sugou – parece que alguém realmente não perdeu o apetite.

— Eu disse que ele não havia perdido a fome – passou alguns segundos admirando-os, em silêncio, os olhos dela permaneciam no filho e nos lábios um sorriso de felicidade por saber que ele estava bem.

— Alexandre...

— Sonia...

Soaram juntos, encontrando suas faces.

— Sei que já está muito tarde, porém – se aproximou sentando-se ao seu lado – não queria ir embora sem me retratar pelo que falei mais cedo – a proximidade o permitiu ver claramente que ela havia chorado bastante, sabia reconhecer quando o tom rosado em volta dos olhos azuis indicavam isso. Se amaldiçoou por ter sido ele o ocasionador de tanta dor, não resistindo, tocou suavemente sua bochecha com a costa dos dedos – e... por tudo.

Sonia balançou a cabeça concordando.

— Eu acho que precisamos mesmo ter essa conversa.

— Sinto tanto pelo que falei hoje – encaixando melhor sua mão, moldou o rosto dela, deixando o polegar deslizar por ali com ternura – você nunca me deu motivos para desconfiar de sua lealdade, acabei deixando o ciúmes falar mais alto, tenho tomado tantas atitudes erradas em relação à nós dois ultimamente que estou profundamente arrependido... Você sempre foi tudo de mais importante para mim e nesse ano que passou a única coisa que fiz foi te decepcionar...

— Não posso discordar... – torceu o canto da boca, desviando o olhar – Por que você fez aquilo Alexandre? – buscando seus os olhos, pode ver mais uma vez que estavam vidrados e temerosos, eles sempre tinham sido um céu limpo, sem barreiras, nada ficaria oculto naquele olhar.

— Eu... – Alexandre sabia que ela não se referia apenas ao insulto de mais cedo – eu não sei, todavia, tudo o que nunca quis foi magoá-la.

— Então por que foi em frente? – Sonia falou de repente, incompreensão e inconformismo transbordavam de seu olhar – Eu já não era mais suficiente ou atraente para você? Me dói pensar que passou todos esses anos brincando comigo... Nunca realmente signifiquei nada para você? – virou o rosto, livrando sua bochecha do toque dele

— Deus! Não! – como ele explicaria algo que nunca tinha feito?— É claro que não, você significa tudo para mim, tudo – a ex modelo discordou com um movimento de sua cabeça, não aceitando – sempre foi a mais bela de todas as mulheres ao meus olhos, Melissa foi um erro terrível, não sei o que ela pode ter lhe dito, mas é mentira. – ele não ia mentir, apenas tentava usar partes da verdade em seu favor. Precisa pedir perdão, sem assumir uma culpa que não lhe pertencia. E confiar em Melissa realmente tinha sido o pior dos erros.

— Seja sincero em tudo o que lhe perguntar, eu posso parecer ingênua, mas geralmente sei quando você está mentindo, não perdoarei mais nenhuma mentira.

— Pergunte o que quiser, juro lhe falar toda verdade – Arthur terminara de mamar, ajeitando a roupa, o colocou entre o protetor que impedia o bebê de rolar e pegou Alexandre pelas mãos o levando a sentar-se em um pequeno sofá de dois lugares na lateral da cama.

— Você pensou em me deixar para construir um futuro com ela?

— Nunca.

— Vocês ainda mantém qualquer tipo de envolvimento?

— Não.

— Por que deu ações do hospital para ela?

— Eu nunca dei, Melissa é uma sonsa minha querida, não se engane, se aproveitou que eu confiava nela e me fez assinar os papéis, muitas vezes eu nem lia o que estava escrito.

— Meu Deus! – ela estava surpresa – Por que ainda deixa que ela trabalhe para você?

— Mesmo que eu a despeça, como possui ações no hospital, ela tem liberdade para atuar lá. Estou fazendo o possível para resolver a situação com o setor jurídico.

— Você... – Sonia hesitou, era a pergunta pela qual mais temia a resposta, entretanto, tinha que fazê-la – você se apaixonou por ela?

— Eu lhe disse que não... Melissa nunca significou nada para mim.

— Você já me traiu com outra pessoa?

— De forma alguma! – mantendo o olhar por mais alguns segundos, ela procurou qualquer vestígio de desonestidade, não o achando, prosseguiu. Puxou o ar e o soltou, tornando a repetir a ação, encarando-o.

— Victor e eu... – Céus! Ele não queria mesmo ouvir aquilo. E de todo jeito, o advogado já confirmara que eles não tinham nada.

— Isso não importa – sorriu – se você quiser estar comigo e me dar uma nova chance, nós só vamos focar nisso de agora em diante.

— Você tem certeza que não quer ouvir sobre ele?

— Seu amigo já me disse o que eu precisava ouvir na nossa conversa lá fora.

— Ok... Só nunca mais jogue isso na minha cara então. Doeu ouvir aquilo.

— Eu realmente sou um idiota não sou? – ambos sorriram de leve.

— Nunca pensei confirmar algo assim, mas é... – fixando o olhar em um ponto aleatório pelo quarto, continuou – Eu quero muito te perdoar e seguir em frente, porém estou com medo que você quebre meu coração novamente... – pegando a ponta do queixo dela, Alexandre prendeu seus olhares. Ali ele contemplou medo, insegurança, mas também viu esperança e o melhor de tudo, amor.

— Sonia, se você abrir seu coração para mim outra vez, te dou minha palavra que eu morreria antes de machucá-lo... Você – agora fora ele que hesitou – você ainda me ama?

— Sim, não deveria depois de tudo, porém, eu não pude deixar de amá-lo. E quanto a você? Ainda me ama?

— Eu nunca parei, nem um único minuto.

— Então talvez haja sim um futuro para nós, eu quero tentar – os lábios dela delinearam um sorriso tão iluminado que acabou desencadeando o seu.

— Oh meu amor, obrigado – ele a puxou para um abraço, apertando-a contra seu peito – obrigado – Uma lágrima de felicidade escorreu dos olhos dela e Alexandre chorava veemente. Depois de tanto tempo, o doutor se sentiu leve como uma pena. Um peso saiu de seus ombros e uma sombra escura de seu coração. Alexandre cruzou seus dedos, beijando os dela unidos aos dele, enquanto ela descansava a cabeça em seu peito.

As batidas do coração dele sempre tiveram o poder de acalmá-la e nesse momento, abrandavam a tempestade em sua mente, que repetidamente lhe dizia que estava cometendo um erro. Uma árdua batalha, a qual hoje terminava, já estava decidido, eles teriam um recomeço.

Observando suas mãos unidas, ela constatou o quanto eles se encaixavam bem, até o contraste era bonito. Ele tinha uma pele dourada, já ela, era tão branca quanto um copo de leite, mas era bonito de ver. Um fio de luz brilhou sobre o metal da aliança, ela sorriu tocada com o fato dele mantê-la enquanto a dela já havia sido retirada há meses, ainda que estivesse muito bem guardada em sua caixinha de joias preferida. Levantando-se o pediu para esperar, não demorou mais que segundos para retornar com os anéis nas mãos, estendendo-os a ele. Como os olhos embaçados pelas lágrimas novamente ele ficou de joelhos, como no pôr do sol no qual lhe pedira em noivado tantos anos atrás.

— Eu posso? – sua garganta secou, se não fosse uma frase curta talvez não tivesse nem concluído tamanho as emoções que o envolviam.

— Sim – ela limpou as lágrimas que escorriam pela bochecha dele e manteve sua mão ali, acariciando. Ele beijou-a, curtindo o carinho, colocando os anéis no local ao qual pertenciam. Ficando de pé, cruzou mais uma vez seus dedos, aproximando-os.

— Você é o grande amor da minha vida, a mãe dos meus filhos e eu amo mais do qualquer palavra poderia descrever. Obrigado por me aceitar de volta quando eu não merecia.

— Eu te amo – soltando suas mãos, as subiu encaixando o rosto dele entre elas, o puxando para um beijo apaixonado. E lá estava a sensação que não passou nem perto com Victor, ou qualquer outro homem que ela tinha beijado...

Parecia tão surreal que ele demorou segundos para entender e começar a responder, colocou suas mãos na cintura esbelta, a envolvendo em seus braços, sentindo todo amor do mundo fluindo entre eles outra vez. Naquele momento nada mais importava, só sentir um ao outro, sem culpas ou ressentimentos, apenas amor e desejo.

Só porque o ar foi preciso eles se afastaram, mas não muito, seus lábios ainda permaneciam poucos centímetros distantes, suas respirações tocavam a pele do rosto, um sorriso doce brincou nos lábios de Sonia e Alexandre se ergueu beijando sua testa, descendo beijos delicados por toda sua face, finalizando com um singelo toque dos lábios na pontinha do nariz. O coração bateu mais forte com tanta doçura, e aquele sentimento delicioso de finalmente ter voltado para casa depois de um longo tempo se apossou deles.

“Eu nunca imaginei que você seria aquele a manter meu coração, mas você apareceu e me tirou do chão desde o começo. Você colocou seus braços ao meu redor e eu acredito que é mais fácil se você simplesmente me deixar ir, mas você insiste em colocar seus braços ao meu redor e eu me sinto em casa...”

Notas finais
Então? Gostaram? Espero que sim, tem sido capítulos difíceis de escrever devido a carga emocional, perdão pelos erros, aguardem o próximo que mais emoções estão por vim com o reencontro L&V e a descoberta da verdade sobre a "traição" de Alexandre. Beijos, até logo.