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16 Nosso Refúgio e o Último Presente
Notas iniciais
“... e ela disse siiiim! E eu não acreditava que ela havia dito sim! Sai dali tal qual um pássaro que encontra uma semente no mais alto pico da montanha mais alta. Queria correr, voar, abraçar o mundo, fazer com que todos os planetas coubessem entre meus braços. Queria soltar fogos, milhões deles, coloridos. Lançar balões ao céu como prova do meu amor maior. Fazer com que o universo todo ouvisse o tamanho da felicidade que havia em três únicas letras. Três pequenos passos que firmavam o que de mais belo existia dentro do amor, dentro do nosso amor.”
— Você está feliz? – Sonia perguntou enquanto sua cabeça descansava juntamente com sua mão direita sobre o peito do marido e se mexiam no ritmo calmo da música que tocava.
— O que você acha minha vida? – ele perguntou docemente enquanto procurava os olhos dela, os dois sorriram como bobos e selaram seus lábios – Eu nunca estive tão feliz. Na verdade, minha felicidade é tê-la ao meu lado. Você é tudo pra mim! – Alexandre gentilmente a envolveu ainda mais em seu abraço.
— Assim como você é pra mim querido!
A modelo sorriu e continuou balançando em sintonia com a canção, perdida nos pensamentos do quanto ela amava aquele homem, seu homem na verdade. Agora ela tinha todo direito de chama-lo de seu, até mesmo levava uma aliança em sua mão esquerda com as iniciais dele gravadas. Eles começariam a partir daquele dia uma nova vida. Vida esta que Sonia não sabia muito bem como seria, mas de uma coisa ela tinha certeza, se ela estivesse nos braços dele, como agora, estaria segura e feliz, independente das intempéries.
— Eu tenho algo para você... Uma surpresa...
— O doutor perfeição e seus mimos... E o que seria? – ela perguntou fitando-o com um doce sorriso.
— Não posso dizer, mas é meu presente de casamento. E nós vamos precisar ir até a capital para que possas tê-lo.
— Mas eu pensei que íamos passar nossa noite de núpcias aqui... O quarto nupcial deles é tão perfeito dear... – ela fez um biquinho fofo e o doutor sorriu.
— Tenho certeza que você vai adorar o que preparei para esta noite, mas se quiseres, nós podemos ficar aqui e amanhã eu lhe dou seu presente... – Sonia até cogitou a possibilidade, ela realmente queria ter uma noite romântica com Alexandre naquele lugar, mas também não queria estragar os planos dele... Pensou mais um pouco e disse com um sorriso provocante.
— Eu estava pensando aqui – ela deslizou a mão pelo peitoral dele, subindo pela parte de trás do pescoço e começou a acariciar discretamente aquela região – Nós podemos fazer as duas coisas, são apenas 1 hora de jato até a capital, então podíamos fugir para o quarto agora, os convidados nem sentiriam tanto nossa falta a essa altura da festa e depois de aproveitarmos um ao outro, ainda chegaríamos em Paris antes das 22h... Então o que me diz?
— Ótima ideia! – o doutor sorriu e puxou sutilmente sua esposa pelos convidados e foi em direção a ala dos quartos. Não percebendo que Helena e Heitor viram a cena e sorriram um para o outro... Quem poderia condená-los? Eles próprios tinham tido a mesma fuga em seu casamento.
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— Você já viu aquela menina mais feliz do que ela estava hoje Viviene? – Guilhermino perguntou enquanto estendia a mão para a irmã, levando-a para pista de dança.
— Sinceramente... Não! – ela sorriu e posicionou-se em frente ao estilista – Nós conversamos mais cedo, foi um ótimo momento mãe e filha, ela está totalmente apaixonada por ele, envolvida demais, de fato ela o ama...
— Como não? O homem é perfeito Vivi, veja esse lugar? Ele gastou uma fortuna fazendo as vontades da nossa menina, fez questão de arcar com todas as despesas da festa... Mesmo com todas as suas cismas, precisa admitir que ele é um gentleman! É um bom moço e também está apaixonado por ela, a ama profundamente, é visível...
— Eu sei Gui, eu sei... E foi por perceber tudo isso nele que não surtei com esse casamento! Ele é maravilhoso, a ama, tem condições de lhe dar uma boa vida e claro, o que Arthur mais desejava, a faz feliz... Foi ele quem fez meu coração amolecer, ele adorava ver um sorriso no rosto da nossa Sonia, assim como eu e há tempos eu não a via tão radiante como quando ela está com o seu “doutor”... Eu sei que de onde ele estiver, ele iria abençoar a união dos dois, então fiz o mesmo...
— Você tomou a decisão certa, se ficasse contra os dois só iria causar mais um atrito com Sonia, eles serão tão felizes como vocês foram, pois se amam na mesma intensidade e com a mesma sinceridade...
— É por saber disso que tenho consciência de que a carreira dela como modelo está com os dias contados...
— Por que você diz isso chéri?
— Porque eu também achei um homem perfeito tempos atrás, e eu o amei tanto, mais tanto que ele estava acima de tudo para mim... E você sabe que abri mão de muitas coisas por ele, para fazê-lo feliz e lhe dar o que ele tanto queria, uma família, um lar... Alexandre é como Arthur, parece que 1 em cada 1 bilhão de homens no mundo nascem com essa pré disposição genética para perfeição – eles sorriram – Minha filha encontrou um como eu também encontrei... Se eu não hesitei em renunciar tudo o que construir pelo pai dela, você acha mesmo que Sonia, cujo coração é tão benevolente quanto o de Arthur, vai?! Ainda mais com todo o charme e encantamento que esse médico tem?!
— Você tem razão! Sonia tem muito dele, e esse doutor, minha nossa, ele realmente lembra Arthur em muitos aspectos... Da forma como estão apaixonados, não demorará muito para sermos avôs – ele sorriu, adorando a ideia, Viviene pareceu meio tensa com a sugestão – Porém, Vivi me diga... Você se arrepende? Se arrepende da troca que fez? De renunciar as passarelas para construir uma história com seu amor?
— Nem um só dia! Meu único arrependimento foi de não ter dado tudo o que ele queria antes, teríamos tido mais tempo... Eu poderia tê-lo amado mais...
— Tenho certeza que Sonia pensa da mesma forma! Qualquer sacrifício que ela fizer valerá a pena aos olhos dela...
— Meu medo é só que ela sofra, que um dia tudo escape pelas mãos dela como um dia escorregou pelas minhas...
— Oh Vivi, nós já conversamos sobre isso tantas vezes... Você não pode controlar tudo o que acontece, Arthur tinha que partir, foi prematuro e indesejado, mas o destino quis assim... Não sabemos se o mesmo vai acontecer com nossa menina, esperamos profundamente que não, mas se algo do tipo lhe sobrevier, nós estaremos aqui para ela como sempre estivemos, certo?!
— Sim, tens razão... É só que... Eu... Eu ainda sinto tanta falta dele Guilhermino – os olhos dela encheram de lágrimas – Eu ainda o amo tanto...
— Eu sei – ele a abraçou, mesmo que ainda estivessem se movendo por causa da música – Ele também te ama de onde ele está...
— As vezes parece que eu posso sentir seu amor... Eu só queria que ele estivesse aqui, Arthur não merecia morrer, tínhamos tanto pela frente, tantos sonhos e planos juntos, tanto para nos amar e viver... Nossos filhos eram apenas crianças, precisavam dele aqui, eu precisava...
— Tenho certeza que ele sempre olhou por nós, sempre esteve por perto de algo forma e guiou os filhos... Apesar de que quem dera Pietro ter o altruísmo do pai... – ele falou divertido tentando quebrar o clima melancólico e nostálgico que os estava envolvendo.
— Oh Guilhermino, ele é só um menino – Viviene sorriu sabendo o quanto o filho se aproveitava de sua beleza e das posses para conquistar muitas moças – Ele deve ter puxado a você...
— A mim? – ele riu – Você deu bastante trabalho antes de conhecer Arthur, era tão bonita, eu me lembro de quase enlouquecer junto com nosso pai espantando uns muitos rapazes aproveitadores e que só estavam interessados em... Você sabe bem o que...
— Você devia ter casado... Seria um ótimo pai... Me ajudou tanto com as crianças...
— Minha profissão acabou por não deixar tempo para investir em outras áreas... Mas eu fui pai, meus sobrinhos são como se fossem meus filhos...
— Claro... Você foi de certa forma um pai para eles em metade de suas vidas...
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— Imagino que vamos ao Le Bristol agora?! – Sonia disse depois de pousarem em um hangar privado do aeroporto e moverem-se para o carro a espera deles.
— Não – o doutor sorriu – mas iremos para um lugar tão especial quanto! E por favor, pare de tentar adivinhar...
— Como está misterioso hoje meu doutor...
— Apenas se renda para mim está noite meu amor.
— Oh baby, acredite, eu estou completamente sem reservas!
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Alexandre conduzia uma Sonia vendada pelo caminho que ligava o jardim muito bem cuidado, com algumas castanheiras altas, jasmineiros e um pergolado com orquídeas a entrada principal da grande casa branca.
— Eu podia jurar que o cheiro desse jardim – eles já estavam diante da porta de mogno pintada de branco e ele a estava destrancando – é o mesmo da casa que tínhamos em Paris – ela sorriu desdenhando seus pensamentos...
Quando ela terminou de falar ele a desvendou, a porta estava aberta, a iluminação baixa das muitas velas espalhadas e que pareciam fazer um caminho e a modelo não podia crer no que estava diante de seus olhos...
— Como... – seus olhos encheram de lágrimas, a voz falhou e ela pensava “Não é real, não pode ser...” – Alê... Como você conseguiu preparar tudo isso aqui? Como conseguiu esse lugar? – ela se virou para ele, o doutor sorria docemente, pegando sua mão e a conduzindo pelo caminho de velas, que terminava em um ponto onde uma mesa estava montada com uma refeição.
— Minha Sonia, eu consegui tudo isso por que esse lugar agora é nosso, ou melhor, é seu! – era visível o choque na expressão dela.
— Alexandre, eu te amo muito, mas não brinque com minhas emoções assim...
— E quem disse que eu estou brincando amor? Você sabe que eu não teria tamanha audácia – ele se virou, puxando um envelope dourado e elegante de cima da mesa – Veja – ele entregou-lhe o mesmo.
As mãos dela tremiam, ela ainda não podia acreditar...
— OH MY GOD isto é a...
— A escritura da casa? Sim meu bem. E é sua! – ele sorria orgulhoso por poder proporcionar essa alegria a ela enquanto dava-lhe um chaveiro com algumas chaves.
Sonia deixou algumas lágrimas de felicidades escorrerem, colocando o papel sobre a mesa e passando os braços envolta de seu pescoço, beijando com toda intensidade da paixão e gratidão que sentia nesse momento.
— Meu amor – ele limpava algumas lágrimas com o polegar – muito obrigada! Eu não sei como agradecer por isso... É perfeito, maravilhoso! Isso significa muito para mim...
— Eu sei, por isso queria que fosse meu presente de casamento...
— Você deve ter gasto uma fortuna para adquiri-la querido, eu tentei várias vezes, fiz propostas bem generosas, mas ele nunca quis ceder...
— Sim, mas foi um bom investimento, valeu a pena cada centavo. Eu soube quando vi sua expressão...
— Como conseguiu convencê-lo a vender? – ela ainda estava extasiada, olhando o papel e o molho de chaves, seus olhos maravilhados varrendo o lugar.
— Ser o “famoso” Dr. Del Rio tem lá suas vantagens, a esposa do Sr. Le Marchall há tempos tentava uma vaga na minha agenda, então nós chegamos a um acordo...
— Você não cansa de me surpreender! – ela o envolveu pela cintura, selando seus lábios – Agora podemos trazer nossos filhos aqui também, deixar impresso nesse lugar nossa história de amor, como César e Charlotte, meus pais e agora, Sonia e Alexandre.
— Nós vamos viver uma linda e apaixonante história de amor minha querida, eu prometo a você! Seja aqui no nosso refúgio, em nossa casa no México ou em qualquer outro lugar. Será uma história tão linda que irá inspirar nossos filhos e netos... Eu nunca desistirei de nós mesmo quando as provas e dificuldades vierem, pelo contrário, vou buscar me apaixonar novamente e vez após vez. Sou um homem de palavra, jurei estar ao seu lado e amá-la incondicionalmente, agora quero prometer que serás a única mulher para mim pelo resto de nossas vidas... Mesmo se... – ele hesitou – mesmo se eu te perdesse, nunca saberia tocar outra pele – suas mãos desciam e subiam pelas costas dela – beijar outros lábios – ele se inclinou levando sua boca na dela apaixonadamente – apreciar outro sorriso tão radiante como o seu – seu polegar deslizou pela bochecha macia – meu corpo não se encaixaria tão perfeitamente em outro corpo – Alê a puxou contra si, não deixando distância alguma entre eles – muito menos meu coração bateria tão intensamente por qualquer outra...
— Eu te amo tanto! Não sei como compensá-lo por tudo o que você faz por mim...
— Me ame, dê-me tudo de você, assim como eu me entrego por completo ao nosso amor...
Sonia se afastou um pouco dele, levando as mãos para trás, abaixando o zíper do vestido que usava, deixando-o cair no chão, ficando em nada mais do que sua roupa íntima. Seus olhos em nenhum momento deixaram os de Alexandre que permanecia parado centímetros a sua frente. Ela tirou o paletó que o doutor usava, desabotoou sua camisa, descobrindo seu peito, passando a mão pelos ombros e derrubando a peça no piso de carvalho.
— Vamos lá para cima amor, selar o nosso casamento e o começo da nossa vida conjugal. Eu quero amar você e deixar você me amar, como se só existe nós dois no mundo e como se pudéssemos parar o tempo aqui...
O doutor a suspendeu em seu colo, o que levou a modelo a enlaçar suas pernas na cintura dele. Alexandre começou a fazer uma trilha de beijos que iam do ombro até sua orelha, e quando chegou no destino final ele sussurrou:
— Você só esqueceu que nós já selamos nosso casamento amor – ela sorriu e o beijou.
— Oh querido, pode ter certeza que eu não esqueci... Mas então vamos selar nosso refúgio – uma das mãos dele acariciava o corpo dela e a outra a segurava.
— Tudo o que você quiser minha vida! – ele a deitou sobre a cama.
Sonia observou rapidamente a suíte principal da casa, a porta dupla que dava acesso à varanda estava aberta, a brisa fria da noite movimentava as cortinas de linho, a cama ainda era a de madeira de cedro, com dossel, um vuale caindo delicadamente pelas laterais. A chaise de mogno estofada próximo à porta do closet, o baú no final da cama, a mesinha de ferro esculpido, tonalizada de dourado também ainda permanecia no mesmo lugar no canto da sacada, a decoração em sua maioria provençal. Algumas coisas não tinham mudado, outras, no entanto, eram totalmente novas para ela.
O quarto estava romanticamente organizado, um balde com champanhe na mesa de cabeceira, velas, a modelo começou a sentir pétalas deslizando sobre sua pele juntamente com os lençóis de seda marfim, foi quando percebeu que já estava nua e seu marido tirava a última peça de roupa que possuía, deitando-se sobre ela.
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4 meses e meio depois...
— Helena esse menino cresceu tanto, não acredito que ele já está andando... Como eu pude perder isso?
— Andando e falando muitas coisas – ela pegou o filho do chão e o colocou nos braços – Tia Sonia viaja muito, por isso perde essas pequenas realizações não é docinho?! Diga com a mamãe Henrique: T-I-A S-O-N-I-A – ela repetiu a palavra mais algumas vezes pausadamente para que ele conseguisse reproduzi-la.
O garotinho de um ano e três meses pode falar algo como: “Tia Onia”. Quando Helena olhou para a mulher a sua frente seus olhos estavam cheios de lágrimas, a amazona estranhou o fato da amiga se emocionar tão facilmente.
— Venha com a titia meu príncipe – Sonia o pegou no colo, o enchendo de beijos e mimando um pouquinho.
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Do outro lado da piscina da casa de Heitor, ele e o amigo médico saboreavam algumas carnes assadas e petiscos, junto com algumas bebidas, aproveitando para conversar um pouco:
— Então Alê, como você e Sonia tem conseguido equilibrar as coisas com essas viagens?
— É torturante passar tanto tempo longe dela Heitor, mas percebi que quando namorávamos ficávamos muito mais tempo separados... Eu sempre procuro um dia vago na agenda e voo para onde ela está, geralmente deixo as sextas feiras livres e assim aproveitamos o fim de semana com os intervalos do desfile. Só conseguimos viajar em lua de mel mês passado, a propósito, você e Helena precisam conhecer a Polinésia Francesa, irmão, o lugar é de tirar o fôlego! Mas nós nos damos extremamente bem em todos os aspectos, quando estamos juntos não nos desgrudamos...
Heitor sorriu, entendo o que o doutor quis dizer, mesmo que essa não tivesse sido a intenção de seu amigo ser maldoso ao dizer suas últimas palavras.
— Entendo... – ele riu maliciosamente e Alexandre percebeu o que seu amigo havia entendido sorrindo também – Vou lançar a proposta à Helena, assim que tivermos uma oportunidade iremos a Polinésia Francesa. Aliás, vou surpreendê-la qualquer dia e “sequestrá-la” até lá...
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— Mamã, mamã – o menino apontava na direção do pai – quelo papai...
— Claro meu amor – ela o colocou no chão – vamos até lá? – ele balançou a cabeça concordando e os 3 foram até a mesa onde os 2 homens estavam sentados.
— Papai – Henrique dizia com a voz infantil, esticando os bracinhos na direção de Heitor e se inclinando para ele – pixina...
— Ah então meu garotão quer tomar banho de piscina? – Heitor perguntou sorrindo e o pegando no colo.
— Sim – o garotinho esboçou um sorriso idêntico ao de seu pai – titio – ele se esticou na direção de Alexandre, sorrindo para ele e batendo palminhas.
— Claro rapazinho, titio vai adorar dar uns mergulhos com você – ele o pegou no colo e beijou seus cabelos loiros. O pequeno ria feliz.
— Vou buscar umas boias e o protetor solar dele lá em cima amor, você precisa de algo?
— Não querida...
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Da sacada do quarto de Henrique Sonia admirava Alexandre e o afilhado interagindo na piscina, o garotinho e seu marido soltavam gargalhadas genuínas, era lindo apreciar o jeito que ele tinha, era natural, seu doutor realmente amava o menino. Mais uma vez seus olhos lacrimejaram e um sorriso doce brotou de seus lábios. Helena que estava no closet procurando alguns brinquedos e acessórios aquáticos para o filho olhou para ela e sorriu, caminhando na direção da amiga.
— Nada como ver o homem que você ama segurando um bebê não é?! É tão apaixonante...
— Alê é louco por esse menino Helena! – ele limpou a lágrima que escorreu.
— Alexandre é louco para ter um filho Sonia, isso sim! – ambas se olharam e Helena sorriu.
A modelo desviou o olhar para a piscina novamente, um silêncio rápido se estabeleceu.
— Como você soube que estava preparada para ser mãe Helena? – os olhos dela continuavam fixos em Alexandre e Henrique.
— Bom, eu não estava – Helena sorriu – Como você sabe, Henrique foi inesperado apesar de ser extremamente querido e desejado depois que soubemos, no começo foi um tanto chocante, em um dia eu era só uma mulher comum, preocupada com minhas trivialidades e no outro eu descobri que ia gerar uma vida, ia ter alguém dependendo de mim, tinha que me preparar para dar a luz, para amamentar, cuidar, disciplinar, educar e formar um caráter. Era uma responsabilidade enorme... Mas meu maior medo sempre foi de que eu não ia conseguir, eu não tive mãe quase a minha vida inteira, na verdade as vezes eu ainda temo um dia decepcioná-lo, mas Heitor me disse uma vez o quanto eu sou maravilhosa com ele e que eu só preciso continuar dando o meu melhor. Eu eventualmente vou errar, porém nunca sairei do lado dele...
Helena olhou para a amiga, ela estava chorando novamente, sua mão direita pousando sobre seu ventre e logo a amazona ligou os fatos:
— OH MINHA NOSSA SONIA – ela abriu um sorriso imenso, sua expressão enchendo de êxtase – é claro! Como eu demorei tanto para perceber... Você está grávida não é?! – A modelo virou de uma vez para Helena e arregalou os olhos – Obvio que está, desde quando você chegou que percebi algo diferente... A pele corada, os cabelos mais lindos que nunca, os seios avolumados que você não tinha, levando em conta também o fato de que já a vi chorar 3 vezes hoje, você não era tão sensível assim...
Sonia permanecia estarrecida diante dos fatos, ela realmente estava cogitando a possibilidade, principalmente depois que sua menstruação atrasou, algo que dificilmente acontecia. Mas agora parecia óbvio, tão claro como água, ela estava grávida, estava esperando um bebê de Alexandre, do seu marido amado, do homem da sua vida. Por sinal, o homem mais gentil e doce que ela já havia conhecido. Ele seria um ótimo pai, ela olhou rapidamente em direção a piscina mais uma vez e chorou.
— Oh querida – ela a puxou quarto a dentro e ambas sentaram no puff – não chore, eu sei que ficamos sensíveis, mas por que você está assim? Isso é uma ótima notícia, Alexandre vai surtar!
— Helena... – ela conseguiu dizer – Eu... Eu não tenho certeza ainda, porém depois do que você falou parece claro, meu corpo está diferente e eu ando mais sensível que o normal... Mas será que estou grávida mesmo? Oh meu Deus e eu Alê acabamos de casar...
— Sonia, sua menstruação está atrasada não está?
— Sim...
— Quanto tempo?
— Mais de um mês...
— Dio Santo— Helena a envolveu em seus braços – É claro que está meu bem! Acredite, uma mãe conhece outra – elas se olharam e sorriram – Mas se você quiser confirmar, eu tenho alguns testes de gravidez no meu quarto...
— Helena, calma! Eu ainda nem acredito direito... Na verdade é apenas uma possibilidade né?
— Então vamos tirar as dúvidas que você insiste em ter?! – ela deu um sorriso desdenhoso e estendeu a mão para a modelo, a puxando para seu quarto.
— Só uma pergunta... Por que você tem testes de gravidez guardados? Não vai me dizer que você também suspeita estar grávida? – Sonia perguntou um tanto surpresa.
— Sonia, eu não confio nos meus anticoncepcionais, até porque engravidei de Henrique tomando eles, meus hormônios são uma confusão, então quando se é casada com um homem como Heitor – ela deu um sorriso malicioso para a amiga que entendeu a mensagem – eu não posso não esperar outra gravidez surpresa... No mês que Henrique completou 1 ano eu jurei que estava grávida de novo, acordei enjoada vários dias e minha menstruação estava atrasada, eu não queria contar para meu marido sem ter certeza, comprei vários testes diferentes e fiz 3 deles, dois deram positivo – Sonia fez uma expressão surpresa e abriu a boca para falar, mas Helena foi mais rápida – marquei consulta com minha médica e fiz os exames, na manhã seguinte fui “visitada”, voltei para pegar o resultado dos exames de sangue e tinha dado negativo... Ou seja, sem irmãos para meu bebê por enquanto – Sonia sentiu um pouco de decepção no tom de Helena – Agora deixe de me enrolar e vá fazer esse teste...
— Ok – ela foi em direção ao banheiro.
Dez minutos depois a modelo volta com os três testes na mão, sua expressão permanecia neutra.
— Então... ? – uma ansiosa Helena a questionou.
— Os 3 deram positivo! – Sonia sorriu e Helena a abraçou eufórica.
— Meus parabéns querida!
— Obrigada... Eu não consigo acreditar... – ela sorria abobalhada.
— Você vai contar ao Alê? Não sei como ele não percebeu, ele é médico...
— My God Helena, Alexandre...
— O que tem ele? Você não vai contar? – ela perguntou confusa.
— Não é isso... É só que eu viajo amanhã pela manhã e não quero simplesmente dizer: “Amor estou grávida, tchau, até quando eu voltar!”... Quero que seja especial, um momento que possamos desfrutar com calma. Quero fazer um exame de sangue primeiro, ter certeza absoluta antes de contar para ele. Odiaria lhe dar esperança acerca de algo tão maravilhoso quanto um filho e depois arrancar isso dele... Entende?
— Claro que sim, eu prometi pra mim que quando eu engravidasse de novo daria a notícia a Heitor de forma menos dramática e mais romântica...
— Você poderia guardar esse segredo para sua amiga por alguns dias?
— Claro que sim meu bem – ela sorriu e a abraçou – pelo tempo que você julgar necessário. Desculpe meu entusiasmo, por que é tão bom saber que sua melhor amiga também vai ser mãe... Sabe Sonia, você é a única amiga que eu tenho, poder compartilhar esses momentos contigo é tão bom, ter outra mulher com que dividir essas “coisas de meninas”, eu nunca tive isso...
— Oh Helena, saiba que você é muito especial para mim honey, minha conselheira e em você que busco ajuda para “coisas de meninas” também – Sonia segurou a mão dela e olhou nos seus olhos – Eu amo você!
Helena a abraçou apertado e disse:
— Eu também te amo! Você é a irmã mais nova que eu perdi...
— E você a irmã mais velha que eu nunca tive! – agora era Sonia que enxugava uma lágrima que escapou do olho escuro de Helena.
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Duas semanas depois...
— Sonia? – Alexandre seguia caminho pelo pequeno corredor do banheiro – Você está em casa amor? Já cheg... – suas palavras foram roubadas diante da figura graciosa de sua esposa sentada sobre a lateral da espaçosa banheira de mármore, os pés dentro da água, apenas com um robe curto de renda pelo que ele podia perceber...
— Sim meu amor, eu já cheguei e corri para nossa casa por que estava com saudades suas – ela sorriu e Alexandre sentiu-se totalmente perdido e rendido, não sabia dizer o que tinha de diferente nela, estava mais bonita do que da última vez que a vira, suas bochechas coradas, seu corpo destacado e seu sorriso parecia irradiar tanto quanto o sol.
— Você está melhor? – ele foi se aproximando da banheira e selou seus lábios, estava extasiado por ela – Quando seu tio me ligou dizendo que tinhas passado mal eu quase peguei o jato e fui para Milão...
— Estou sim querido, foi um mal estar momentâneo, logo passa – ela lhe deu um beijo rápido – Agora, eu preparei um banho para você, ou melhor, para nós, tire suas roupas e venha, depois que você estiver bem relaxado quero te dar um presente...
Sonia não tinha percebido o duplo sentido da sua frase até que seu doutor sussurrou em seu ouvido:
— Eu adoraria tomar um banho com você em nossa banheira, mas acho que você deveria guardar o presente até você estar melhor...
— Alê, não seja tão ortodoxo, eu estou bem, e não estava falando necessariamente “disso”, eu realmente tenho um presente para compartilhar contigo...
— Tudo bem.
Ele começou a se despir, quando já não tinha mais nenhuma peça de roupa entrou na banheira, Sonia não conseguia ocultar um sorriso doce de sua face. Além de ainda estar encantada com o fato de ter um filho (algo que ela confirmou quando chegou em Milão e foi a um hospital fazer exames), seu marido era uma homem extremamente atraente, era difícil resistir admirar seu porte musculoso e ainda sim meigo, e o que ele tinha de mais charmoso era justamente o fato de não perceber o quão lindo e sedutor demonstrava ser.
O doutor se aproximou de sua mulher e desatou seu robe, quando o tecido de renda caiu no chão ele respirou fundo ao encontra-la como ele imaginava, sem nada por baixo da peça a não ser por uma fita de cetim rosa na altura do umbigo, que se destacava em sua pele branca, finalizada por um laço. Alexandre beijou a curva de seu pescoço enquanto falava:
— E você ainda me diz que não era o presente...
Sonia suspirou diante das carícias dele, se rendendo ao toque delicado, sentindo seu corpo pedir por ele...
— Eu não sou necessariamente o presente querido, desate a fita e veja o que tem escrito...
Alexandre desceu as mãos que estavam nos ombros dela e trilhou um caminho sensual, afagando as partes por onde passava, até chegar na região da barriga onde o laço repousava. Ele o desfez e leu o que estava escrito:
“Agora dentro de mim batem dois corações apaixonados por você!”
Seu coração começou a bater fortemente em seu peito... “Ele tinha entendido direito? Era realmente o que ele estava pensando?”. O doutor olhava para sua mulher um tanto surpreso, e ela lhe respondia com um sorriso que não parecia sair do seu rosto desde que ele entrara naquele cômodo.
— Sonia... Isso... Isso é realmente o que eu estou pensando? Você... Você está...
— Grávida?! Sim meu amor, eu estou esperando um filho seu!
— Oh Sonia, que maravilha! – ele a abraçou apertada, beijando-a – Meu Deus, eu não posso acreditar... Eu vou ser pai?
— Sim meu amor, você vai! – ela sorria, tocando seus narizes.
— Minha querida, que notícia maravilhosa! Esse – ele desceu a mão na altura do seu ventre – com certeza é o melhor presente que eu poderia receber em toda a minha vida... – ele a puxou mais perto e beijou-lhe apaixonadamente.
— Com certeza é o melhor presente que você já me deu também... Obrigada, eu te amo!
— Eu te amo mais, duplamente agora! – ele a olhava abobalhado – Eu ainda estou pensando que isso é um sonho... Um filho, você está esperando um filho meu... Tens noção do quanto eu desejei isso? – ele sussurrou a ultima sentença em seu ouvido.
— E você tem noção do quanto eu queria poder carregar um filho teu? – ela envolveu os braços ao redor do pescoço dele, beijando próximo ao seu ouvido.
Eles sentaram-se entrelaçados na banheira, sorrindo, apaixonados um pelo outro e pelo seu presente, se amando com olhares, palavras, gestos e promessas.
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7 meses depois...
O casal Herrera juntamente com o filho entraram no quarto onde Sonia estava instalada para encontrar uma cena doce, os novos papais sorrindo encantados pelo pequeno embrulho envolto nos braços da modelo. Os três se aproximaram lentamente, até que foram percebidos pelos amigos. Alexandre e sua esposa sorriram largamente para eles, que deixaram 2 caixas com presentes no sofá próximo a cama, um cachorro de pelúcia imenso e um cacho cheio de balões com felicitações ao recém nascido.
Alexandre com um olhar os convidou a se aproximar, Helena encaixou o inteligente garotinho de quase 2 anos na cintura, se aproximando para finalmente apreciar o rostinho do tão esperado bebê. Henrique observava tudo com seus grandes e expressivos olhos claros, seu padrinho beijou o alto de sua cabeça e o menino respondeu com um sorriso iluminado. Heitor sorriu e apertou o ombro do amigo, encarando o bebê que assim como seu filho tinha olhos azuis, porém de uma tonalidade mais clara, brilhando suavemente.
— Deus... Ela é linda Alexandre! Tão pequena e delicada, como uma boneca de porcelana... Parabéns amigos, vocês fizeram uma garotinha linda!
— Obrigado! Ela é perfeita! – Alexandre respondeu acariciando o rostinho da filha – Eu me apaixonei assim que coloquei meus olhos nela...
Helena sorriu e beijou a cabeça de Sonia, Henrique se inclinou e beijou sua bochecha.
— E ainda não conseguiu tirar não é meu amor?! Mas não posso culpa-lo, ela é o ser mais lindo que eu já vi... Impossível não se apaixonar! – a modelo dizia balançando suavemente o bebê em seus braços.
— Sim, uma princesa Sonia! – Helena concordou passando o indicador pelos cabelos castanhos claros da menina.
— Vamos prometer essas crianças em casamento logo Alexandre... Sua princesa e meu príncipe, eles são lindos e nos darão netos encantadores... – Alexandre olhou para a mãe de sua filha e ambos olharam para Heitor sorrindo.
— Terei que prometê-la a Henrique mesmo, pois será o único garoto que eu confiarei o suficiente para deixá-lo se aproximar da minha filha.
— Eu queria saber se vocês já decidiram que nome vão dar a nossa princesinha? Ou ainda terei que chamá-la de apelidos carinhosos?!
— Não será nenhum daqueles que cogitamos – Helena já ia retrucar, quando Sonia continuou – Entretanto, nós já escolhemos um – ela olhou para o marido e ambos olharam para a menina enquanto a nova mamãe continuou falando – Quando nós olhamos hoje para nossa filha, percebemos que nenhum dos nomes escolhidos combinavam com ela – Sonia parou e Alexandre continuou.
— Nossa menina é tão delicada, até seu choro era suave e calmo, tão pequena que se perdia em nossos braços, quando olhamos em seus lindos olhinhos, a amamos com todo nosso coração, pois nosso bebê é a jóia mais preciosa de todo mundo... Seus olhos brilham como pedras bem lapidadas e ela é frágil como um... Cristal...
— O nome é lindo pessoal – Helena disse e Heitor sorriu olhando para a menina, ele esticou os braços e pegou o bebê envolto em uma manta rosa, se aproximando de sua esposa e filho.
— Diga Olá para Cristal meu rapaz – o garotinho se curvou e beijou a cabecinha da menina e disse – Olá “Cacau” – Alexandre segurava uma das mãos de Sonia, enquanto com a outra ela tirava uma foto das duas crianças. Henrique não era seu, mas ela o amava como se fosse. Quando ouviram o garoto dizer o nome da pequena todos sorriram.
O doutor beijou sua têmpora, sussurrando em seu ouvido:
— Eu te amo tanto, obrigado por esse presente encantador – ela lhe devolveu o sorriso.
— Eu te amo mais – Sonia se aconchegou mais a ele.
Cerca de meia hora depois Viviene, Guilhermino, Pietro, Cecília, Sophie e Bernardo chegaram ao hospital na capital francesa, e assim como todos que a viam se encantaram com a doçura da menina. A cesariana que havia sido marcada para a próxima semana teve que ser antecipada, pois a pequena Cristal se adiantou, por isso seus avôs e tios tiveram que viajar as pressas para Paris e acabaram por chegar um pouco atrasados. Helena e Heitor tinham resolvido passar a semana na França com os amigos, portanto estavam presentes na madrugada em que a bolsa de Sônia rompeu e numa das mais belas manhãs da primavera francesa nascia a pequena e doce herdeira dos Del Rio, a jóia preciosa de Alexandre e Sonia.
...
Tudo parecia perfeito, e assim seria, só que as estações mudam, em um tempo ela nos presenteia com as mais belas flores, outras vezes com o calor que aquece o corpo no devido tempo e reluz o brilho das paisagens, mas ela também derruba todas as flores e rouba o verde, o colorido, transformando tudo em tons de marrom e laranja, em seguida vem o frio, com seu poder de congelar tudo ao seu redor. Será que esses amores sobreviverão até a próxima primavera onde tudo floresce de novo? O inverno intenso poderá congelar paixões ardentes e amores eloquentes como esses?
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