Estações
9 Perseguição.
Estavamos escondidos em uma casa subterrânea havia já duas semanas, Heidh falou pouco sobre o incidente que nos levou até ali, mas explicou algo sobre os Nefilins estarem nos caçando e da necessidade de descobrir Nemu. Além disso só treinos e treinos... Nunca havia passado pela minha mente aquele homem com medo de algo, mas o rosto sem expressão escondia com falhas um pavor e um pesar envolto em histórias de morte e fim. Eu quis muito dizer algo naquela hora, mas eu não poderia nem saber o motivo de estar ali...
- Ellen... — Ele disse sereno.
- Oi. — Respondi surpresa, ele realmente não conversava muito naquele esconderijo.
- Precisamos sair daqui. — Ele finalmente dizia uma coisa com sentido, mas eu não concordei daquela vez... Fiquei em silêncio. — Precisamos saber como os outros estão.
- Tudo bem. — Medo, o que percorreu minha medula e ativou cada célula sensorial em mim foi ele, o medo.
- Não Fique com medo, certo? Ou você não é capaz?
Foi um impulso daqueles inexplicáveis, que não podem nem ser chamados de instinto de tão sem sentindo que são o que me levou a um abraço desesperado antes de saírmos. Tudo parecia bem normal na superfície. Mas a gente correu até chegar em uma casa despedaçada, era um local bem distante da cidade. Eu preferi nem perguntar o motivo do telhado estar no chão junto com as paredes ao invés de estar erguido por ela.
- Methew...
Heidh fechou a mão com uma força que eu desconhecia nele. As sinapses intensas passaram a liberar a substância P em grande quantidade, eu estava sentindo dor... Dor o bastante para compreender que aquele lugar era perigoso demais para ficar.
- Vamos. — Pedi bastante séria e ele consentiu com um movimento suave e discreto com a cabeça.
Corremos até uma mansão branca, o lugar era lindo, o jardim era uma reserva ecológica praticamente, o lugar caberia 200 pessoas morando e minhas hipérboles todas. Perguntei-me se ele estava indo pro lugar certo. A porta exalava um cheiro amendoado que eu sinceramente achava que não deveria ter. Quem abriu a porta foi uma senhora baixinha de cabelos negros e um rosto claramente latino.
- Señor! — Ela saudou abaixando a cabeça o suficiente para eu achar que estava pirando.
- Rosa, onde estão Nimbus e Aniiel?
- No compreendo, fui hacer tacos e no....
- Sumiram?
- Si, pero Yo...
- Vá para casa, Rosa, tudo bem?
- Señor, que se passa?
- Apenas vá, sim?
- Si — Ela respondeu com uma alegria encantadora. — Yo veré mi niña, iré hacer burritos para nosoutros!
- Sim, divirtam-se por mim. — O sorriso de Heidh irradiou-me. Foi um surto de alegria, curto como uma chuva de verão.
A mulher não fez nenhuma objeção nem perguntou nada além daquilo, passei a entender que mandar e ser obedecido com alegria era um dom dele, nunca ouvi ninguém fazendo objeções a ele... Uma personalidade inesquecível. Talvez eu nunca possa esquecê-lo por que ele pediu que eu nunca o fizesse através do olhar quente ... Ou talvez porque eu jamais conseguiria, mesmo que quisesse. A latina poderia não ter perguntas, mas eu tinha muitas delas implorando respostas convincentes coisa que eu jamais conseguiria tratando-se de Heidh, mas eu precisava tentar.
- O que está acontecendo? Onde estão todos? Onde estamos?
- Geralmente esperamos a resposta da primeira antes de fazer a segunda pergunta, sabe? — O rosto sem expressão incomodou-me pela primeira vez. — Os Nefilins começaram a perseguição, cedo demais...
- Tem alguma forma de acabar com isso? Ou vamos fugir pra sempre? Lembro que tinha prometido uma vida pra mim, sobrevivência não me interessa... Que me matem então! — Reclamei.
- Você é sempre esquentadinha assim? — Ele provocou-me com uma calma irritante. — Não podemos fazer nada, Ellen... — Ele falou concertando a fita verde sobre a tatuagem.
Eu estava realmente determinada a fazer um escândalo e explodir todas as duvidas que eu carregava no subconsciente, mas um novo tremor de terra me levou ao chão e novamente eu vi-me apoiada em Heidh. Dessa vez, no entanto, não tivemos pra onde correr pois eles eram uma quantidade aceitável e estavam nos cercando. Eu contei 10, mas não era muito preciso.
Dois olhos de verão abriram-se pra mim, era um olhar fatal e quente que alertou cada um dos meus neurônios fazendo meu coração acelerar. Minhas veias pareciam nervos condutores, em volta de mim o medo e a adrenalina criavam um campo eletromagnético de repulsão. Meu olhar fixo em Heidh mudou de direção com intensidade, NEFILINS... Um perigo completamente novo.
Eram todos irritantemente iguais, cabelos de cuia colados na cabeça, olhos esticados para cima, forma humana, narizes afilados ao extremo, uma boca triangular e dentes organizados em 3 fileiras desordenadas. Eu senti-me uma atriz de Hollywood estreiando star wars ou Guerra dos mundos... Talvez Shrek, foi mesmo horrivel...
- Heidh... Eu não vou terminar assim...
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