Enquanto alisava seu longo vestido, Alice tentava disfarçar sua ansiedade, no outro canto do cômodo, o homem que terá que ficar para sempre. Durante o dia, aquela frase a atormentava: "Eu não deveria estar aqui." E a imagem da sombra dele no lado direito de seu quarto... do jeito que a lua iluminava, ele parecia ter asas.

Sempre que se deita, pode ouvi-lo implorar: "Apenas feche os olhos e deixe-me ir.”.

Com a respiração pesada, se lamenta. Alice sabe que sua voz não virá até ela esta noite.

No outro canto do cômodo, seu marido começa interroga-la, sobre o porquê Alice falar tão pouco. Sempre que tentava explicar, ele ria de seus argumentos.

Ela deixa de lado a tentativa de convencê-lo, quando o observou aproximar-se e se inclinar perto de seu rosto perguntando-a: "Quais são os seus segredos?" E vê-lo cochilar naquela mesma cadeira, ela imaginou-se andando até ele, se inclinar da mesma forma e sussurrar:

"Eu falo com anjos."

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