Esse amor
2 Mais um?
Notas iniciais
Passei a tarde toda no CT, estava mais que realizada com o Thiago no nosso time, e conversamos sobre tudo, família, futebol, dinheiro, trabalho, lazer, amor... Bom, nem todos os assuntos me agradaram, falar de amor pra mim é quase tortura, já me importei demais com pessoas que só brincaram comigo, não, não foi um jogador de futebol, nunca me envolvi com nenhum, na verdade eu tinha os meninos do clube como meus amigos, grandes amigos que sempre estiveram do meu lado nos momentos bons e ruins.
Acordei cedo na manhã seguinte, ia para uma entrevista de trabalho, finalmente ia conseguir trabalhar dignamente, terminei a faculdade há um ano e desde então não tive nenhum emprego. Até hoje. Já estava tudo pronto, saí com um vestido clarinho um pouco frouxo, uma jaqueta de couro preta com as mangas puxadas até meu cotovelo e calcei uma sapatilha simples. Arrumei meu cabelo de um único lado, peguei minha bolsa e às nove e meia já estava saindo de casa, para a entrevista ás dez.
Quando cheguei no escritório da entrevista, fui até a recepção e dei meu nome, a moça de olhos castanhos me orientou a sentar e esperar até me chamarem. Não pude deixar de notar a formalidade do local, se tratava de uma empresa internacional, ou seja, se fosse contratada haveriam viagens a serem feitas, algo que eu realmente amava de paixão, viajar. Sai da sala um instante e comprei um café, quando voltei havia um rapaz novo na sala.
— Wallace Fourier, sou arquiteto, candidato a vaga oferecida pela empresa — então esse era o nome dele.
— Espere até seu nome ser chamado Sr Wallace. — a recepcionista respondeu.
Até esse momento só havia lhe visto de costas, e bom, chamava atenção, alto, magro, cabelos lisos, bem aparados e estava vestido de um modo realmente adequado. Calça jeans escura, jaqueta de couro preta e sapato esporte social. Sentei sem tirar os olhos dele falando com a recepcionista, quando se virou revelou seu par de olhos azuis, muito bem direcionados aos meus, igualmente azuis, como os dos meu pai. Saí da minha viajem dentro daqueles olhos quando meu telefone tocou, era a Mirela, vulgo melhor amiga de todos os tempos pra todo o sempre.
— Puta merda — pensei alto demais e todos olharam pra mim.
Pra que diabos Thiago Silva foi contratado pelo PSG logo ontem, quando Mirela me chama pra almoçar? Quero morrer agora mesmo. Atendi o telefone com medo.
— Oi amiga linda do meu coração hehehe... — dei uma risada amarela, que ficava cada vez mais fraca.
— Oi nada sua puta, porque você furou comigo ontem? Fiquei te esperando durante duas horas sentada no restaurante, será que é difícil avisar que não vai poder ir? — ela cuspiu as palavras em mim com ódio.
— Me desculpa por favooor Mirelaa, me perdoaaa — eu já falava alto o suficiente para o tal de Wallace escutar minhas súplicas, seu olhos azuis me miraram novamente. Exatamente nesse momento a recepcionista de olhos adoravelmente castanhos me chamou no balcão, avisando que chegara minha vez.
— Mirela, vamos fazer o seguinte, to entrando na sala de entrevista pro emprego que eu PRECISO muuito, então me encontra meio dia no restaurante que a gente marcou ontem certo, tchau amiga, beijooo — disse finalizando a chamada e entrando na sala.
(...)
A entrevista foi bem tranquila, acho que vou conseguir o emprego, fiz desenhos ótimos na prova. Estou muito confiante. Sai do carro na frente do restaurante onde acertei com Mirela. A encontrei sentada numa mesa tomando um suco.
— Mi? — comecei meu pedido de desculpas mais uma vez — Olha só eu pago teu almoço hoje certo, e dos próximos 20 almoços que nós tivermos juntas, só me perdoa por favor. — disse fazendo manha, com a cabeça baixa.
— Relaxa Babi, a Júlia ligou pra mim há pouco tempo dizendo o motivo de você não ter vindo. — ela riu e eu levantei a cabeça automaticamente, já sorrindo.
— Não é incrível Mi? É tipo, TUDO que eu queria. — falei com entusiasmo.
Muita conversa jogada fora depois de pedirmos nossa comida, Mirela é realmente incrível,ela trabalha num hospital, dá pra acreditar? Minha melhor amiga é pediatra, ela adora criança, vive dizendo que vai ser madrinha dos meus filhos,mas infelizmente isso vai esperar um pouco, preciso estabilizar minha vida. Acho que seu único defeito é falar demais, ela fala como se não houvesse amanhã, e ela tem uma justificativa convincente, pelo menos pra ela: “ Deixa eu falar caralho, tenho boca pra que?”. Ela amava ir ao CT comigo, algo que fazemos juntas eventualmente até porque ela tem uma quedinha pelo Verratti, uma queda não, uma abismo, Mirela só fala nesse italiano, até que nossa comida chegou, e quando eu pensei que ela fosse calar a boca...
—Olha só, amanhã a noite tem uma festa, o pessoal do hospital me chamou e disse pra eu convidar alguém, vê se não fura de novo lerda. — Mirela disse pondo uma garfada de seu macarrão na boca — Ah e fala com o italiano gostoso e perfeito que tu vive conversando por gentileza, ajuda tua amiga aqui beleza?
(...)
Já passavam das oito da noite e nada de Mirela aparecer, ela marcou de chegar aqui às 19:00 pra se arrumar e confirmar a presença de Verratti, que felizmente aceitou meu convite, o dela na verdade. Liguei pra Mirela trocentas vezes mas a mesma simplesmente ignorava as minhas chamadas. Desisti de ligar e fui tomar banho e lavar meu cabelo, o pobre já estava precisando mesmo. Como se adivinhasse o melhor momento de me atazanar, as duas escolhem o mesmo minuto, Júlia liga pra mim e Mirela bate na minha porta.
— PUTA QUE PARIU MUNDO, ME DÁ UM DESCONTO! — eu gritei de dentro do banheiro. Saí de roupão e atendi o telefone enquanto andava até a porta.
—Vamo logo Bárbara, aqui ta frio pra caralho!! — Mirela grita do lado de fora
— O que foi Júlia? — atendi o telefone enquanto abria a porta e mandava mina amiga fechar a boca.
— Babi amor, papai pediu que viesse aqui um minuto. — MEU DEUS DO CÉU, OQ EU FIZ? USEI A CRUZ DE CRISTO PRA FAZER UM SKATE?
— Sério isso? Júlia manda ele ir pra porra, to atrasada pra uma festa e não vou deixar ele me encher de novo.EU NEM TOMEI BANHO AINDA! —falei com ódio da vida pra Júlia.
— BÁRBARA BLANC VENHA AQUI AGORA! — ouvi meu pai gritar do outro lado da linha.
— Aaaaaaaaah!! JÁ EU CHEGO. — resmunguei.
A linda da morena já estava dentro do meu banheiro, puta merda, será possível que ela não tenha tomado banho em casa?
— Termina essa porra de banho agora Mirela, eu preciso entrar. — como num passe de mágica lá estava ela, toda molhada enrolada numa toalha, o que me fez rir bastante.
Depois de terminado meu banho, vesti um vestido azul escuro justo em que as mangas iam até os meus punhos e as costas cavada. Mirela resolveu demorar. Grande novidade. Fiz minha maquiagem rapidamente e corri pro CT depois de ter avisado pra Mirela.
Logo que cheguei me dirigi à sala do meu pai, não sei como alcancei essa proesa, mas consegui correr sem cair de cima daqueles saltos. Quando abri a porta, suspirei e olhei para meu pai buscando por paciência, pra ele e pra uma cabeleira que parou de tagarelar com ele sim que sentiu minha presença.
Pera, cabeleira? Não, não pode ser, ele não! Aquela moita loira virou pra mim e revelou o que eu pedia aos céus que não fosse verdade. Era ele sim, David Luiz, o homem no qual o Brasil todo ama, que o mundo reconhece como ícone de simpatia e um dos melhores zagueiros do mundo. Todo mundo acha isso, menos eu. Sinceramente, ele nem é tão bonito assim, ele joga bem, ok, isso não se pode negar, mas ele também faz suas burradas, não é o melhor do mundo, é só mais um bom jogador de futebol, nada que se compare a Thiago Silva.
— filha acho que você já conhece esse aqui — meu pai falou apontando pra David e com um sorriso no rosto — como você disse filha, jogadores brasileiros tem muito potencial e são ótimo profissionais, os olheiros já estavam fitando David quando eu o procurei. E agora é com grande satisfação que lhe apresento nosso novo integrante do time, David Luiz. — ele terminou assim seu discurso, e acho que esperava de mim uma reação melhor que um sorriso amarelamente falso.
—Ah... que bom né pai,pro time e tal... só espero que ele faça menos merda que no Chelsea, nem quem falhe como na copa... — provoquei de propósito, eu sei que foi realmente difícil pro Brasil perder daquela maneira, mas eu de fato, não queria que David Luiz vacilão fizesse parte do meu PSG. — É só isso? Já estou atrasada, já vou indo. — fui em direção a porta com a cara fechada e fui repreendida por seu Laurent.
— Ei mocinha, volte aqui, David não conhece a cidade direito, terá que ajuda-lo nisso. — ele disse, e David olhou PR mim com uma expressão um tanto safada na minha opinião.
COMO ASSIM PARIS?EU VOU TER QUE CARREGAR ESTE TRASTE COMIGO PRA FESTA?
—NÃO PAI, EU TO INDO PRA UMA FESTA. TA FALANDO SÉRIO? — baixei o tom de voz quando senti aqueles olhos azuis me fuzilarem. — Ele vai ter mesmo que vir comigo? — perguntei menos exaltada e ele só assentiu com a cabeça. Saí dali bufando e batendo a porta. O imbecil do David me acompanhou e no mesmo momento que fechou a porta soltou uma gargalhada exagerada demais pra mim.
— É muito linda, pena que a ruivinha é abusada demais— David riu novamente.
Ele disse e eu parei de andar, deixando que ele me ultrapassasse. Abusada? Ele chega aqui do nada, atrapalha meu programa, e ainda me chama de abusada? Dei uma risada sarcástica. Metido e inconveniente, esse é o verdadeiro David Luiz. Não pensei duas vezes e pus todo esse pensamento pra fora, ele só me olhou, sorriu (ele só sabe rir?).
—Não vai dizer nada idiota? — perguntei.
Ele riu e disse:
— Você ainda vai me conhecer.
E então seguiu em direção ao carro.
Fale com o autor