Notas iniciais
Esse é primeiro capítulo do conto. O próximo já o epílogo.
Espero que apreciem!

Alguns meses.

Era o que faltava para o casamento da minha melhor amiga. E eu só posso dizer uma coisa sobre isso.

Ela era uma trouxa!

Como alguém pode ser tão imbecil assim? Eu percebi desde os tempos de namoro que aquele homem era um traste! E falei pra ela diversas vezes, mas ela me escutou?

Não! Ela aceitou o pedido de casamento daquele ser! Mesmo que ele já tenha provado diversas vezes que eu estava certa. Mas é como diz o ditado: "O amor é cego". Mesmo que eu saiba que ela não gosta dele de verdade. Mesmo que eu saiba que isso é apenas comodismo.

Mesmo que eu saiba que ela gosta mesmo é de outro otário. Um otário conhecido como Dani, meu ilustríssimo irmão, que... Nossa! Vejam só! Também é perdidamente apaixonado por essa trouxa.

Então qual seria minha posição em uma tragédia dessas? Eu estabeleci desde que ouvi o "sim" saindo da boca de Cristina.

A de cupido. Porque eles obviamente precisavam.

Em uma bela noite de Fevereiro, uma semana depois do pedido e três dias depois da contratação do meu irmão, lá estava eu dirigindo e planejando um jantar com ele. Com o celular em mãos pronta para convidá-lo.

— O que é? – e isso é meu simpático irmão atendendo a ligação.

— Nossa! Boa noite pra você também maninho! – ironia está no sangue, vindo dos dois lados da família, com certeza – Então, aqui estava eu, tranquila, linda e maravilhosa, quando pensei que poderia chamar meu divo e levemente irritadiço irmão para jantar.

— O que você quer Eleanor? Fala logo. – por que todos pensam que quando eu sou carinhosa estou querendo alguma coisa?

— Irmão! Como assim? Eu estou muito magoada viu? Não posso querer um tempo com o sangue do meu sangue? Carne da minha carne? Com quem eu dividi minha infância? – na minha voz um choramingo.

— E por falar em drama... – depois de um suspiro: — Estou a caminho.

— Okay! Te amo maninho!

— Sei...

E assim foi. Eu fiz seu prato favorito e o recebi com muito amor e carinho. E depois do jantar, quando estávamos lavando e secando as louças eu joguei:

— Por que você deixou isso acontecer? – eu realmente queria saber. Eles se gostavam desde antes do namoro dela com aquele babaca.

Eu senti a tensão dele.

— Deixei o que Eleanor? – ele se fez de desentendido, mas ainda assim ouvi o aviso no seu tom de voz.

— Era para ser o casamente de vocês e ao invés disso ela vai casar com aquele tapado.

Ele virou pra mim com frustração estampada no rosto.

— E o que você quer que eu faça, Len? – ele jogou as mãos para o alto em sinal de exasperação.

Acho que ele desistiu de negar os sentimentos.

— O que eu queria que você tivesse feito! Você deveria ter investido nela há muito tempo atrás! – eu também estava frustrada! Se ele tivesse sido mais corajoso eu estaria ajudando a planejar o casamento deles.

— Agora é tarde demais. – ele virou e continuou lavando as louças.

Resposta errada irmãozinho.

Eu larguei o pano no balcão e puxei o braço dele. Nossa! Quando meu maninho ficou musculoso? Que nojo!

— Tarde demais uma ova! Você ainda pode conseguir a princesa, querido! É só saber como. – depois de uma boa olhada nele eu disse – Até ficou mais gostoso, Cris tem um fraco por homens musculosos. E também por homens inteligentes, espertos, com senso de humor, que tenha inicial "D" no nome e... Nossa! Ela tem uma queda por você sua anta!

Enquanto uma expressão perplexa passou pelo rosto do meu irmão eu pensei nas palavras "gostoso" e "irmão" que saíram da minha boca na mesma frase.

— Eu tenho que escovar os dentes!

— De onde você tirou isso?! – ele realmente parecia surpreso.

Esbocei uma expressão sarcástica. Eu estava pensando em tirar inteligente da lista de características que fiz dele.

— E eu sei lá! Só sei que percebi quando você salvou ela daquele encontro ridículo que ela teve com o Ricardo! E ajudou muito você ter melhorado seu estilo. – meu irmão tinha uma queda pelo visual gótico na adolescência.

Depois daquele episódio ela passou uma semana suspirando audivelmente pelo meu irmão, foi ai que eu percebi os sentimentos da minha querida amiga, e quase me dei um tapa por não ter me dado conta disso antes. Depois de tanto insistir no assunto ela parou de suspirar audivelmente, agora fazia isso secretamente, eu sabia disso porque flagrava ela várias vezes encarando uma foto do mesmo na minha casa com essa expressão encantada no rosto.

Meu irmão estava pensando. Vários sentimentos no olhar, passando como um filme. Descrença, confusão, alegria, e por último, resignação e novamente descrença.

— Esquece essa história, Abobrinha. Ela fez a escolha dela. Se ela quisesse alguma coisa comigo não teria aceitado o pedido.

Ele deixou o último prato lavado sobre o balcão e saiu do meu apartamento.

Só ouvi falar dele três semanas depois. Quando o mesmo me ligou.

— O que é? – e aqui estava o amor fraternal. E eu estava zangada com ele também, por ser um fracote.

— Eu topo. – ele joga, como se eu fosse entender alguma coisa.

— Topa o que? Ligou pra mim por engano, acho que você queria falar com seu amigo gay. – por falar nisso eu nunca mais tinha visto o Fabinho...

— Eu topo acabar com o casamento, sua anta!

E foi nessa hora que eu tropecei em uma pedra, em plena calçada. Que ótimo! Era só o que me faltava.

Eu acho que meu grito alertou meu irmão.

— O que foi que aconteceu?

— "Tinha uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho tinha uma pedra." – estava citando Drummond e me preparando para levantar quando vi uma mão estendida para mim.

Sem pensar muito eu peguei e o dono me puxou com força até bater em um peitoral duro e sem querer derrubei o celular no chão. Uma ponta de irritação passou por mim quando me abaixei pra pega-lo. Quando me virei para agradecer, mesmo que a contragosto (o cara era um bruto) eu dei de cara com a última pessoa que eu queria ver na minha vida. E apenas para constar, eu não estava sendo dramática.

— Olha só quem eu encontrei por aqui. – um sorriso lento começou a se insinuar nos lábios vermelhos.

— Micael. – o primo da minha amiga e infelizmente meu par no casamento.

"Ter que aturar esse fardo..." – pensei.

E aqui estava o garoto que me humilhou no Ensino Médio. Nós ficamos muito próximos na escola, e eu realmente comecei a gostar dele, e até pensei que ele também. Mas quando um amigo seu perguntou pra ele se estava interessado mesmo em mim a resposta foi a seguinte:

— Não. Eu só estava entediado e ela parecia estar desesperada por minha atenção, então resolvi fazer uma caridade. Gordinhas não são meu tipo.

E foi isso. Ele não sabia que eu estava ouvindo, mas o fiz ficar ciente algum tempinho depois, quando ele encontrou os pneus da sua moto furados e um simpático bilhete meu. Ainda hoje eu guardo rancor, o que é impressionante porque eu nunca fui rancorosa, e nem impulsiva, como no dia em que eu dei um jeito de pôr pó de mico na sua roupa, ou furei os pneus da sua moto, ou o fiz ficar de suspensão quando ele "torceu" meu braço (eu realmente torci, e ele estava lá, uma coisa leva a outra e foi isso).

Talvez eu seja um pouco vingativa quando se trata do bonitão aqui. Mas agora eu sou uma mulher madura que sabe medir suas palavras e ações. E isso já tinha acontecido há muito tempo, coisa de criança.

Isso não queria dizer que eu deveria gostar dele.

Fiquei tão distraída que me esqueci do meu irmão no celular.

— Dan? – chamei.

— Estou chegando ai, Abobrinha. Com Cristina. Estamos saindo da floricultura. – ele tinha aquele tom de voz, de quando está envergonhado.

Isso pegou minha atenção.

— E vocês apenas escolheram flores? – eu estava sendo maliciosa agora, sabia que não tinha acontecido nada, ao menos físico, nenhum dos dois faria isso, sabiam que seria um falta de respeito para com o babacão, mesmo que ele não merecesse. Ainda assim não custa nada provocar.

— Sim. Claro. – ele tem aquele tom de voz defensivo, de quando eu tentava culpa-lo por alguma coisa que eu havia feito e ele estivesse se explicando para a nossa mãe.

— E onde está ela?

— No banheiro.

— Okay então. Se você diz. Apenas venha logo. Alerta de babaca piscando. – eu disse com um suspiro.

— Micael está ai? – ele sabia da história inteira, porque eu contei. Micael só não chegou amassado no outro dia porque eu não deixei. Ele poderia querer se vingar depois.

Ignorei a voz que disse que era porque eu não queria nenhum dos dois machucados.

— Infelizmente.

— Já chego! – e desligou.

Depois de soltar um suspiro eu viro e encaro os profundos olhos negros.

— Vamos terminar logo com isso. – eu disse antes de entrar na loja.

Sim, eu estava aqui pra encontrar o babaca e sua prima, mas a questão é que a segunda ainda não estava aqui.

Bem, tanto faz, quanto antes terminarmos, melhor.

— Claro, bombom. – ele veio atrás.

A questão é que Cristina insistiu para que os seus padrinhos viessem para escolher o bolo com ela. Como se eu tivesse tempo e principalmente paciência para ficar escolhendo bolo para um casamento que nem vai acontecer.

Não se depender de mim. E do meu irmão.

Quando cheguei já tínhamos alguém esperando por nós, uma loira deslumbrante vestida em uma saia lápis e uma blusa de alcinha verde de cetim, que ela fez questão de abaixar quando viu o imbecil do meu lado.

— Boa tarde. – pelo tom de voz eu acho que ela tentou fazer parecer sexy, o que em minha opinião ficou parecendo uma galinha sendo morta.

Eu posso ter exagerado um pouco, mas foi quase isso.

E parece que Micael compartilha da mesma opinião já que apenas sorriu educadamente para a moça e respondeu da mesma forma seu cumprimento.

A questão é que o sorriso educado desse babaca é altamente maravilhoso e cafajeste, então a garota quase tropeçou quando virou e disse para seguirmos, o que fizemos depois de uma troca de olhares, atrás do seu quadril exageradamente "rebolativo". Eu não tirava sua razão. Para quem não conhecia Micael suas qualidades exteriores poderia superar as interiores. Com aqueles olhos castanhos e intensos, o corpo bem definido (posso assegurar isso já que encontrei ele em um clube um dia desses), esse cabelo liso e curto que traz um vontade de acariciar, tudo isso influencia. Ainda bem que eu nunca fui tão fraca... Apenas uma vez ou duas eu me peguei pensando nele, mas apenas isso.

A loira nos levou até uma pequena sala com uma mesa com diversos pratos e dentro destes pequenos pedaços de bolo e alguns docinhos. Algumas taças com água ao redor e um vaso com flores no centro. A sala não era muito grande, além de ser totalmente branca, desde os móveis até as paredes e cortinas que cobriam uma grande janela de vidro. O único toque de cor era o que a rosas vermelhas davam.

— Vocês podem sentar, eu vou chamar madame Cressilda. – depois de um olhar sensual para o panaca ela sai. Preciso dizer que foi rebolando?

Eu sigo o conselho da mal amada e escolho o lugar que fica de frente para o jardim exposto pela janela, se for para aturar essa criatura ao menos que seja com uma imagem legal.

Meu companheiro decide mesmo me atazanar e senta ao meu lado. Logo pega um pedacinho de bolo e leva aos meus lábios.

— Vamos. Abra a boca para o aviãozinho passar. – quando eu não faço isso ele move o doce nos meus lábios.

Eu me afasto e dou um tapa no braço dele.

— Eu vou dar um aviãozinho na sua cara se você não parar com isso! – sibilo irritada.

— Qual o problema? Você está muito magra, precisa se alimentar. – ele parece estar se divertindo com minha reação.

— Ah é? Engraçado. Não faz muito tempo que você disse que eu estava gordinha. Mudou de ideia tão rápido? – o cara era um pé no saco mesmo.

Ele revira os olhos. E quando volta a me olhar parece estar irritado.

— Isso faz dez anos Lea! E eu já pedi desculpas milhares de vezes! Eu falei aquilo porque era um imbecil sem opinião própria! – diz exasperado.

— Não importa. E você acha mesmo que vou acreditar nesse conto da carochinha? – eu pego outro bolinho e o levo a boca, percebendo seus olhos seguindo o movimento.

Sim. Ele me pediu desculpas. Na verdade logo depois da moto ralada com o bilhetinho, mas eu não sou estúpida e mandei ele se ferrar. Mesmo que ele tenha realmente parecido sincero e tenha realmente tocado meu coração, como é tocado toda vez que ele fala comigo (não fale isso para ninguém porque irei negar até a morte). Porém comigo é assim: Errou uma vez, errou sempre.

— Eu já pedi uma chance de me redimir milhares de vezes e você sempre...

— Não aceito mesmo! Tenho cara de babaca que acredita em canalhas como você? – reviro os olhos – Ninguém merece...

Ele está prestes a retrucar quando uma dupla esbaforida entra na salinha. Uma Cris irritada senta ao lado do seu parceiro no "crime"

— O que aconteceu? Brigou com o Daniel? Está com uma cara... – e claro que essa pergunta tinha que vir do espertão do meu lado.

— Por que você acha que eu briguei? Eu tenho cara de quem brigou? O que tem com a minha cara? Eu nasci com essa! – então ela pega um biscoito e enfia na boca.

Quando Micael abre a boca para falar novamente eu o chuto por debaixo da mesa.

— Ai!

Cristina levanta de supetão.

— Eu preciso ir ao banheiro. – diz olhando pra mim fixamente.

Quando alguns segundos passam e eu estou a ponto de perguntar se ela desistiu, a mesma me levanta e arrasta porta afora.

— Você é lerda viu? Caramba!

Ela só para quando estamos dentro do único banheiro que encontramos. Bem adorável na verdade com aquele porcelanato creme e o minúsculo jardim feito especialmente para o lugar.

Minha amiga anda de um lado para o outro, bastante inquieta. Eu apenas espero pacientemente. Sei muito bem o que ela está pensando.

— Eu estou organizando esse casamento com muito prazer sabe? – ela para na minha frente – Mas às vezes me pego pensando se estou fazendo a coisa certa. Eu quero sim casar. Minha família está muito feliz e está tudo indo muito bem, mas...

— Sua família está feliz? E onde você fica nisso? Você não tem que estar feliz também?! – eu estava cansada disso, parece que minha amiga não tinha vontade própria – O casamento com certeza está certo, o que não está certo é o noivo! Quantas vezes eu te disse que aquele troço não valia nada hein? Milhares! Incontáveis vezes! Mas você nunca me deu atenção preferindo aceitar as desculpas da sua família para as presepadas dele! Que não foram poucas!

Ela pareceu surpresa com minha explosão. Eu realmente estava cansada e zangada. Ela ignora todos os meus conselhos e agora vem com esse papo pra cima de mim? Sabendo da minha opinião? O que ela queria que eu fizesse? Que dissesse que tudo ia ficar bem?

— O Dio não é tão ruim assim! Ele apenas é um pouco difícil sabe? – ela parte em defesa do seu amado noivo – E minha família só quer o melhor para mim!

— "Não é tão ruim assim?" É desse jeito que você quer descrever o futuro pai dos seus filhos para eles? Vejo amor transbordando de cada palavra! Fiquei tocada, querida!

Sua face fica vermelha de raiva.

— E o que você quer que eu faça? – joga as mãos pro alto antes de me encarar ironicamente – Ah! Já sei! Correr para os braços do seu irmão!

Estou a ponto de destacar que ela sempre amou os braços do meu irmão quando vejo sua postura cair e uma expressão abatida tomar conta do seu rosto.

— Ele já tentou tá? Logo depois do meu começo de namoro com o Dionísio. Eu gostava dele sim, mas eu estava cega sabe? O Dio era aquele cara cheio de marra com jeito de bad boy e eu fiquei enfeitiçada. Fora que o Dani nunca tinha dado muita atenção a mim, então eu pensei: "Por que logo agora?" E agora lá vem esse babaca de novo e eu não sei o que eu faço tá? Tô confusa! Me processa, querida! – então ela cruza os braços e me olha desafiante, como se estivesse esperando algo de mim.

Eu fico confusa.

— O que? – eu pergunto.

Ela me olha que se estivesse diante de uma demente.

— Ah! Sobre isso? Okay. – eu solto um longo suspiro – Eu acho que você deveria dar um pé na bunda do Dionísio desde que ele ficou com a Sara naquela festa e depois veio com a desculpa bosta de que estava bêbado e pensou que fosse você.

— Ele realmente pensou que eu acreditei...

— Então pra mim não importa se você fica sozinha ou com meu irmão tá? Só quero que esse panaca fique longe de você. Eu sei que é difícil quando nos acomodamos, sei o quanto é difícil mudar, não importa se é sobre seu trabalho, sobre seu jeito de ser, sobre relacionamento ou até mesmo sobre o apartamento que você não aguenta mais, mas é tão cômodo ficar ali... Olha Cris, na minha maravilhosa opinião ninguém merece só o agradável ou o cômodo, principalmente você, você merece desafios e obstáculos, porque se você analisar bem são eles que temperam a vida. Imagine o quão monótono o mundo seria se tudo fosse fácil. Então sim, sua vida com o Dio seria muito agradável, mesmo que não tenha esse amor e essa paixão, mas eu acho que você não aguentaria isso por muito tempo.

Ela fica me encarando por alguns segundos antes de sorrir e me abraçar.

— Você está certa. – ela suspira.

— Principalmente com esse fogo no rabo que você tem né amiga? É muita paixão para te aguentar. – eu brinco.

Ela me solta e me dá um tapa ainda sorrindo.

— Cala boca sua ridícula. A única safada que eu vejo aqui é você querida. – então vira para o espelho para arrumar o cabelo – Sério, você realmente está certa. Onde eu estava com a cabeça quando aceitei casar com aquele traste? Nossa! Tudo bem que ele é gostoso, mas nem tanto né? O Henry Cavill é muito mais.

— Pois é. Mas não olha para meu marido. – eu reviro os olhos – Vamos. Você tem um noivo babaca para chutar.

— Você também deveria dar uma chance pro Mic. Ele é meio tapado as vezes, mas eu acho que isso não é problema para você. – ela diz enquanto saímos do banheiro.

— Não gosto dele. Ele me chamou de gordinha no Ensino Médio. – destaco.

— Fala sério né Lea? Isso é bobagem e já faz anos. Você tem é medo do que ele te faz sentir.

— Ridículo. – digo.

— Irônico você falar para eu me entregar ao amor se você é tão fechada para ele né? Não é a toa que você nunca teve um relacionamento sério.

— Não tive bons exemplos quando se trata desse assunto. Minha mãe e minhas tias são todas divorciadas. Olha ai para onde o amor levou elas. Tia Débora tem a casa cheia de gatos. – e eu sinto muito, mas não sou tão fã de gatos.

— Você só não acredita que isso vai acontecer com você. Esse amor das novelas e dos livros.

Estamos saindo da loja quando lembro de Dani e Micael.

— E os rapazes? – eu pergunto ainda caminhando.

— Deixa eles lá. Vai ser divertido quando eles vierem nos dar bronca.

Eu a deixo no seu carro com o conselho de dar ao menos um tapa no babacão, e logo após vou para o meu.

Enquanto dirijo penso no que minha amiga disse. Talvez eu realmente seja uma medrosa. Talvez eu deva dar uma chance ao romance.

Mas isso é história para outra hora. No momento estou pensando no que vou fazer para o jantar.

Notas finais
Se vc leu e é uma pessoa que pode digitar, não custa nada deixar um comentário né? Bem rapidinho. Se quiser deixar uma declaração, fica a vontade também.