Notas iniciais
"Mas eu sou uma aberração, um esquisito Que diabos é que eu estou fazendo aqui Este não é meu lugar" (Creep . radiohead)

Meus olhos conseguiram se adequar a luz, depois de muito esforço. Eu estava na ala médica de Sant’s Style, na costa da cidade. Reconheci essa informação quando vi Amélia, a sub enfermeira do hospital. Usava um rabo de cavalo acima da cabeça, era loira e estava apertando os olhos para olhar para algo em sua mesa. Parecia preocupada e provavelmente exausta. Na quinta vez em que olhou em minha direção, percebeu que eu estava acordada e com um susto, pulou da cadeira.

Correu para fora da sala, em que na porta estava escrito algo que me preocupou: casos fatais. Amélia estava com um Doutor, quando chegou. Não soube se era cetisismo ou incrédualidade que eu via em seus olhos. Pelo o que ouvi no corredor, ele acreditava que eu nunca ia acordar.

Vindo em minha direção, Amélia puxou um banco e se sentou ao meu lado. Não falou comigo e buscava não olhar em meus olhos. Da ultima vez em que eu estava acordada, não havia falando, eu deveria dessa vez fazer um esforço. Porém, Amélia parecia com medo.

Eles falavam sobre como agirem após tirarem meu sangue. Não entendi o que resolveram, mas a agulha que foi enfiada em mim, parecia não estar estabilizada. O Doutor não me tocou, nem com a luva plastica. Ele também estava com medo, estava tremendo. Sinto meus olhos fechando e luto. Não quero voltar a dormir, os médicos dizeram que eu talvez não acordasse se eu dormisse.

Após uma longa luta com meu traviseiro, sem ao menos me mexer, desistir de tentar mudar de lugar. Até agora meu único movimento visivel foi levantar as costas do traviseiro e abrir os olhos. Foi então que eu ouvi uma voz. Incrivel, radiante e atraente voz. Seus sonhos podem se tornar realidade. A frase se repetiu até que um zumbido estridente e agudo soou em minha mente. Isabel, permanessa acordada. Han? Que? Quem é? Sou eu Isabel. Não fui só eu que prometi, você também... Você não pode deixar Nice, ela é sua responsabilidade.

– E eu não quebro uma promessa. – Meu sussurro foi o suficiente para me fazer ser ouvida.

Não sei se alguem chegou mesmo a me ouvir, só sei que em poucos minutos eu estava sentada em uma cadeira de metal dura e desconfortavel. Perguntas como “Você tem quantos anos? ”, “qual é o seu nome?”, “você sabe o qua aconteceu, srta. Kirst?” foram repetidas até eu perder o folego. Fiquei sentada por longas horas, até ver um rosto familiar passar pela porta.

Apesar de não ser quem eu esperava ser o primeiro a me visitar, Thales entrou no quarto e parou na frente da minha cadeira, seguido por Chris e Cloe. A pedido da minha tia, Thales me levantou da cadeira e me levou em seus braços pelo hospital. Após algumas reclamações que isso não pode ser feito com uma mileide, eu cheguei perto dos cavalos. Safira não estava entre eles. Não falei nada até chegarmos na terra dos nomades, a floresta. Chris tentou puxar assunto mas eu não consegui virar meu rosto em sua direção. A confiança em minha tia havia acabado desde seu sussurro em meu ouvido quando eu estava deitada na terra.

Os galopes do cavalo estavam arruindando meu autocontrole e me deixando enjoada. Antes mesmo de eu reagir, ou talvez por saber que eu não faria nada, Thales me colocou de frente para ele na sela do cavalo. Já que eu estava paralizada ,ou quase, quando me senti enjoada, me precionei ao seu corpo e deitei minha cabeça em seu peito. E de novo, tive que lutar para continuar lucida.

– Sinto muito – Murmurou ele, em meus ouvidos, me segurando protetoramente. – Não sei o que aconteceu, nem como, contudo, sinto que você não vai querer falar agora, Milih. Principalmente por ainda não nos conhecermos direito – Thales não tirou os olhos das árvores enquanto dizia baixo. – Seu pai vai querer falar com você.

– Você está viva. – Os olhos de Graph me dizeram o que eu já suspeitava. Eu havia dormido por muito tempo. – O doutor havia dito que... – Meu pai não conseguia terminar o raciocionio, seus olhos estavam vidrados em mim e bem vermelhos. – Estou feliz por não ter te perdido, Avalon – O velho pai estava ali agora. O preocupado, o agradavel e o presente pai, estava ali.

Toda via, eu não respondi nada a ele. Até que tia Cloe apareceu na tenda e com esforço me olhei para seus olhos. Havia muita luz atrás dela, provavelmente ainda estavamos a tarde. Apesar de sempre nublado, o tempo aqui não estava tão fresco como deveria.

– Me conte tudo. – Houve minutos disperdiçados enquanto o silencio aflorava. Foram minhas unicas palavras ao longo das horas que se passaram, contudo funcionou para que minha família prestasse atenção e fizesse o meu desejo se realizar.

– Eu não sei por onde começar, meu bem. – Tia Cloe tentou sorrir, mas algo em seus pensamentos não a deixava tão tranquila quanto ela tentava aparentar. – Não sei muito da história. Sou uma nova Head. Ou talvez, eu nunca seja uma verdadeira Head. Já que eu não sou nascida Head, nem tenho as habilidades que vocês possuem Sr. você poderia explicar para Avalon?

– Muito bem... – Sentado no tapete, estendido no chão, Graph olhou para o alto e depois remecheu a terra. Achei que ele pediria perdão, ou rezasse para o divino, mas não foi assim. – A história é longa, talvez queira se sentar. – Começou meu pai, aos poucos relaxando mais, como se fosse entrar em transe. E foi assim que eu descobri sobre o meu destino. — Foi antes deu nascer. Muito antes. Estou falando de séculos atrás. Houve um tempo em que ter tres nomes sussurrado era impossivel, porém aqui estamos. Sua mãe não pode levar a culpa do ocorrido. – Murmurou meu pai. – Ela não tinha comando em seus atos, foi o destino. A profecia diz assim:

Haverá uma menina de sangue novo,

aquela que terá o dom para nos salvar.

Ela falará com os animais,

e voltará com os espiritos.

Haverá uma resposta para tantos corvos,

Que será tatuada em baixo do seu olhar,

feita com feixes de luz e rituais

onde, o que faltava, estará transcrito.

Uma música será tocada em sua homenagem,

Será tão diferente das antigas sinfonias.

Feita de ricas magias celestiais.

Tudo será mais facil de imaginar

Uma verdade será dita na passagem.

Ela estará nas mais altas soberanias

Em marmores brancos, memoriais

onde terá uma mensagem subliminar.

Aquela que tem três desejos resurgirá,

E quando conhecer os três sabios quebrará o selo

Entenderá que caminhos prosseguir,

Que as respostas estarão por perto

Pelos três testes, a jovem passará

Haverá uma busca por apelo

E quando o anseio enfim sucumbir

O desejo final estará no deserto.

Meu pai não parecia certo de que devia me contar essa profecia, parecia que ia explodir de angustia a cada verso.

Notas finais
Logo vira o capitulo cinco!!! Leitores fantasmas comentem!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.