Passado-se a primeira semana de aula eu logo percebi que se eu não estudasse bastante pra Matemática eu iria acabar ficando em recuperação (e isso é uma coisa que ninguém quer, né?!)
Nesse exato momento eu estou na aula de Artes cuja professora mais parece a madrasta da Cinderela. A professora Leiá (também conhecida como Bruxa Má), é a nossa professora de artes e o pesadelo n°1 de todos os alunos,não apenas porque ela passa mais tarefas do que podemos aguentar e sim pelo seu mau humor cotidiano. Ela não metia medo só nos alunos mas também nos professores, tanto que a professora de informática Cleide mas parecia um ratinho covarde quando ela estava por perto (como ela está agora nesse exato momento).
A sala estava em completo silêncio, era hora da chamada. E Leiá estava dividindo os grupos para ir pra informática. Nós eramos divididos por ordem alfabética (o que era um saco,já que eu nunca ficava no mesmo grupo que Cristina.)

–Leonardo-chamou ela,mas ele estava "ocupado" demais para notar já que estava conversando com seu colega de trás. Precisou Victor seu outro amigo cutucar ele para ele enfim perceber que a professora estava falando o nome dele.

–Tô aqui fessora-respondeu ele. Ele era o garoto mas zueiro da classe (e bonitinho também, admito!) e toda confusão que acontecia na escola pode ter certeza que ele está envolvido.

–É pra falar presente e não "Tô aqui,fessora!"-falou tentando imitar a voz dele mas falhando completamente.

–Presente,professora-respondeu.

–Viu não é bem melhor assim?! Bom,do número 1 ao número 19 podem ir para a aula de informática-disse com os olhos fixos na lista de chamada.

Fiz uma careta descontente para Cris quando a mesma se levantou. O resto da turma também começou a se levantar para ir para a sala de informática que ficava no primeiro andar.

–Vão demorar muito para ir, eu ainda quero ir pra casa hoje-respondeu bufando. Eu não disse que ela era um poço de educação!

Após metade dos alunos descerem a sala ficou meio vazia e vários alunos que estavam nas carteiras da frente pularam para as de trás, menos eu e Ana Júlia (a garota mas inteligente da sala e x9 também mas isso ficou no passado,palavras dela.) Um pequeno resumo sobre o porque ela era chamada de x9 por todos nessa escola é que ela tinha a estranha mania de dizer para o diretor tudo que a nossa sala aprontava,mas após a nossa sala realmente se ferrar e ficar sem poder lanchar na quadra,Ana Júlia nunca mas abriu a bendita boca para falar mal de ninguém.

Simplesmente porque Bianca a garota que mandava e desmandava nisso tudo (e que já foi embora daqui. Graças a Deus!),pediu com jeitinho para ela parar com isso,e também ameçou pegar ela na saída (o que dava medo vindo da Bianca.)

Agora vamos voltar para a aula...

–Quem de vocês já ouviram falar do pintor Salvador Dalí?-perguntou.

–Foi esse que pintou a Monalisa?!-perguntou Lucas,o garoto mais lerdo e mais burro da sala.

–Não idiota,quem pintou a Mosalisa foi o Da Vinci-respondeu super educada como sempre Millena (a garota que ocupou o cargo da Bianca).

–Como eu já percebi que vocês não sabem quem é, irei fazer uma pequena introdução sobre quem foi Salvador Dalí-disse e começou a explicar quem foi esse tal de Dalí.

Tomara que esse treco não caía no teste,porque eu não tô com a minima vontade de prestar atenção (eu e o resto da sala também!)

Após terminar a explicação e passar uma pequena tarefa para casa, a professora nos liberou para a aula de informática assim que o primeiro grupo voltou. E como não tinha matéria nenhuma para passar pra gente Cleide nos liberou para jogar no computador, o qual eu passei a aula toda tentando não matar o pobre coitado do Mario.

O sinal da saída tocou (LIBERDADE! LIBERDADE!) e todos (enclusive eu) fomos correndo para a sala pegar nossas coisas e irmos finalmente embora dali. Encontrei com Cristina no portão da escola que se encontrava cheio de alunos, pais e garotos e garotas de outras escolas também.

–Ainda não entendo porque ter dever de Artes. Nós deveriamos estar pintando e desenhando e não escrevendo-reclamou Cris.

–Eu também não entendo pra quê tudo isso! Mas vindo da bruxa má o melhor é fazer esse exercício e não reclama-respondi. Até porque a última coisa que a gente queria era entrar para a lista negra da professora.

Como a escola não ficava tão longe assim das nossas casas a gente ia andando mesmo. Quando estavámos passando na frente da paderia sinto alguém enfiar a mão dentro do bolso da minha calça onde está meu celular, dou um pulo pelo susto e dou um tapa no ser infeliz que começar a rir.

–Tá querendo me matar de susto é?!-pergunto colocando a mão no coração pra Júlia minha prima.

–Não, eu tava apenas querendo pegar o seu celular emprestado-respondeu rindo. Revirei os olhos.

–Palhaça!-disse.

Júlia é a minha prima caçula,temos um ano de diferença. Ela também estuda no Dom Ferrão,só que no primeiro andar, e além de ser doidinha e super esquentada também é super gente boa e mesmo discutindo sempre sei que sempre posso contar com ela.

–Saíram mas cedo hoje?! Eu não vi vocês-comentou.

–É que a gente não fica batendo papo na porta da escola-respondeu Cristina, no qual a Júlia em um ato super maduro respondeu lhe mostrando a língua. As duas viviam se implicando e era até engraçado por mas que irritava as vezes.

–Só porque eu tenho amigos e você não cara pálida,não significa que precisa implicar comigo-respondeu sarcástica.

–Ei,será que vocês duas podem parar com isso?-perguntei já ficando irritada. Que implicância mas besta!

–Claro-responderam as duas.

Paramos em frente da Cris e nos despedimos.

–Tchau Isa-disse abrindo o portão.

–Tchau Cris-respondi.

–Tchau pra você também,Cristina-disse Júlia e foi completamente ignorada.

–Você não cansa de implicar né?-perguntei.

–Não mesmo-respondeu rindo e eu ri junto.

Júlia morava a duas quadras da minha casa,mas todas as terças ela ficava lá em casa já que minha tia tinha que trabalhar e não havia ninguém para ficar com ela,o que Júlia protestava completamente dizendo que já era grandinha o bastante para ficar sozinha. Grande em altura até que podia ser,maa em mentalidade (é melhor deixar quieto).

Antes mesmo de abrir o portão fomos recebidas por latidos eufóricos de Snoop o nosso cãozinho,que havíamos adotado já iria fazer seis meses. Ele era um lindo viralata marrom,bastante brincalhão e que adorava pular encima das pessoas.

–Oie meu amor,como é que você tá em?-disse fazendo carinho no mesmo e falando com aquela voz tosca que a gente usa para falar com crianças e animais.

Snoop brincava com Júlia enquanto eu entrava na sala e me jogava no sofá (com mochila e tudo). Minha mãe não estava em casa,ela estava no curso de bolos e doces junto com a amiga dela. Ela fazia e vendia bolos para fora,é uma confeitaria incrível (e não falo isso apenas por ser filha dela).

–Cadê minha tia?-perguntou Ju jogando a mochila no chão.

–Ela foi para o curso,esqueceu!-respondi indo até a cozinha.

–Ah é,tinha me esquecido! Mas e agora o que a gente vai fazer?!-perguntou abrindo a geladeira e pegando uma garrafa d'água.

–Sei lá! Cê quer almoçar? Eu acho que minha mãe deve ter deixado alguma coisa pra gente-disse.

–Tô sem fome-respondeu dando de ombros.

–Okay,vou tomar banho então-disse entrando no quarto pegando a toalha e indo para o banheiro.

Após eu acabar de tomar banho, eu e Júlia fizemos pipoca (e tentamos fazer brigadeiro),pegamos alguns dvs e fomos para a sala. E passamos a tarde inteira assistindo filmes e comendo besteiras ...