Notas iniciais
Oi gente!
Finalmente o final, não é? Que emoção.
Espero que gostem!

5 anos depois.

-Obrigada, mas estamos visando outro tipo de currículo- Annabeth assentiu, pensando muito mais a frente que mais uma carta de negação numa empresa de Arquitetura, ela estava pensando em o que iria fazer daqui a um mês, sem dinheiro e sem comida. Voltar para a casa do pai estava fora de cogitação.

Saiu andando pelas ruas de NY, comendo um donut e pensando que deveria ter engordado uns 5 quilos em poucas semanas. Atravessou a rua movimentada e saiu correndo para pegar um metrô, iria chover.

Annabeth andava na chuva até sua casa na Upper East Side. Tinha perdido o metrô, e estava desempregada. Tinha acabado de se formar e aparentemente nenhuma empresa dava uma chance para uma garota nova e recém-formada, queriam um currículo de um veterano. Algo que Annabeth nunca iria conseguir ser se não lhe desse uma chance.

Abriu a porta do que ela chamava de lar. Era um pequeno apartamento com um quarto, uma cozinha, uma pequena sala e banheiro. Sentou-se no seu pequeno sofá pensando nas coisas que iria fazer amanhã, acordaria cedo e iria mais uma vez em busca de emprego.

Obviamente as coisas estavam mais difíceis do que ela sonhava, já tinha alguns dias que procurava alguma vaguinha de auxiliar ou até mesmo secretária de Arquitetura e não conseguia nada. Mesmo assim sua lista ainda era longa, e tinha ido para as melhores empresas primeiro. Como se fosse fácil assim chegar num posto de sucesso.

Mesmo assim ela era uma pessoa positiva, ou tentava ser, agora morava sozinha e era independente, beirava seus 22 anos e tinha amigos para sair para beber. Amigos mortais que não lhe davam mais problemas do que uma ânsia de vômito.

Decidiu não pensar muito no mundo grego, tinha alguns anos que havia esquecido que o acampamento e meio-sangues existiam. Desde que fora para a faculdade, na realidade. Agora ela era uma meio-sangue aposentada, tentando viver sua vida normalmente longe de monstros e tudo mais.

Saiu do banheiro apenas com uma blusa e calcinha, seus cabelos loiros estavam bagunçados e ela tomava uma xícara fervente de café enquanto relaxava pelas primeiras horas do dia. Ligou a televisão onde passava o jornal, bebericou o café enquanto ouvia algo sobre o tempo.

-Droga — Ela disse soprando o café que tinha queimado sua língua.

“E pelo jeito o mar e o céu estão mais revoltados que o normal no Oeste dos EUA” – Annabeth olhou para a televisão, ignorando o café queimando suas mãos. “Pelo que parece às coisas não estão parando por aí, de acordo com nossas pesquisas o nível do mar só vem aumentando em toda costa dos EUA. Tempestades já catastróficas se formaram no todo estado da Califórnia. Temos que imaginar o pior”.

Annabeth pensou por um momento, suas duas mãos reclamando de queimaduras, mar revoltado, tempestades. Ela conhecia aquilo bem demais. Logo depois ignorou seus pensamentos, nada tinha a ver com aquilo mais.

Então bem em frente a sua TV um brilho dourado apareceu, ela fechou os olhos e quando voltou com o olhar sabia que tinha tudo a ver com a meteorologia da terça feira.

Alguns meses antes disto...

Os pés afundados na areia, o vento diferente e o ar mais renovado, era daquilo que Aghata e Dylan precisavam naquele exato momento. Tinham que comemorar num lugar diferente daquela vez, até porque cinco anos de namoro é uma data especial.

E agora estavam em outro país, outra cultura, o mar da Espanha era muito mais bonito do que eles poderiam imaginar.

-Nós temos que ir – Dylan disse olhando com um sorriso de lado para Aghata. Esta que tinha mudado bastante, agora poucas era suas feições de filha de Ares. As características de Filha de Afrodite se revelaram absurdamente assim que ela se aposentou como meio-sangue. Suas feições agora eram mais dóceis assim como sua voz, seu cabelo havia dado cachos nas pontas e finalmente suas curvas haviam aparecido. Ela era uma cópia idêntica da mãe.

Aghata deu a mão para Dylan e assim os dois andaram por toda a Barcelona, das ruelas sinuosas a enfim chegar a uma grande avenida, onde passava carros de todos os lados e pessoas também.

Até agora tudo estava sendo perfeito. Viagem, relaxamento, como um aniversário de namoro deveria ser. Por mais que eles se sentissem daquela maneira há já alguns meses, desde que conseguiram finalmente sua estabilidade financeira e harmonia como um casal.

Agora tudo estava perfeito.

Ou quase tudo, já que Dylan não conseguia ler uma placa daquelas em espanhol, na realidade as únicas coisas que ele conseguia ler a sua volta não tinham o menor sentido, queria ir numa pizzaria com Aghata, mas não fazia ideia onde ficava.

Aghata percebeu que ele não estava um tanto confuso, seu cenho franzido e sua boca formando um leve bico de irritação.

-Eu não entendo... Disseram-me que a pizzaria era por aqui- Ele disse baixo e indignado, agora tudo definitivamente não estava saindo perfeito. Aghata escondeu o riso enquanto cutucava seu ombro. – O que foi Aghata?

Ela apontou para a direita de onde eles andavam. Uma rua sinuosa e escura, com apenas uma placa com luz amarela e letras vermelhas, eles não sabiam nada de espanhol, mas pizzaria era universal, na placa estava escrito “pizza” alguma coisa que eles não entendiam. A expressão de Dylan relaxou, mas Aghata ainda segurava levemente o riso.

-Vamos- Ele disse pegando em sua mão novamente e a levando para a direita, Aghata riu. – E para de rir da minha cara!

Ela riu ainda mais, até que automaticamente sua expressão ficou séria sem nem entender porque, virou-se para trás e quando seu olhar foi para frente sua pressão caiu de uma forma doida, e ela apagou.

Quando acordou novamente sentia uma luz forte e prateada contra seus olhos, obrigando-a se acordar, com uma pequena dor de cabeça e quando seus olhos se abriram e ela levantou de uma só vez logo se sentou novamente, de tontura.

Ela focou o olhar e viu que não estava em qualquer lugar da Barcelona, nem da Espanha, nem da Europa. E sim num lugar cheio de tronos de vários metros de altura, e várias pessoas de vários metros de altura.

Reconheceu então que estava no lugar que morou por 15 anos. O Olimpo. E ali, na frente dela estavam Afrodite e Zeus. Ela não pensava em muita coisa, só sabia que todos olhavam para ela e a mesma não fazia nem ideia de onde estava Dylan.

Dylan.Dylan.Dylan. Era a única coisa que ela pensava. Não o via em lugar algum, e outra vez ficou tonta.

-Oi Filha- Afrodite disse com certa doçura na voz, fazendo Aghata acordar. Ela sentia os olhares dos dois deuses fortes em seu corpo, não sabia exatamente o que fazer.

-Onde está Dylan? – Foi a única coisa que ela perguntou antes de olhar para os lados, nada do loiro. Afrodite bateu palminhas fazendo com que Zeus a olhasse com repreensão. Ela deu de ombros.

-Queridinha, olhe para trás- Ela disse. Aghata assim fez e quando olhou a porta de 7 metros da Sala Dos Deuses foi escancarada, revelando um Dylan tonto e descabelado, ele parecia desesperado.

-Aghata!- Exclamou ele saindo correndo ao lado da morena, sentando-se na sua frente e a abraçando com força, fazendo-a perder o ar. Afrodite batia palmas enquanto ria de felicidade, ela adorava casais bonitos e meio-sangues. Eram hiper-raros.

Zeus pigarreou fazendo os dois se separarem bruscamente, nem mesmo a cena dos dois tinha retirado sua expressão séria e preocupada. Dylan se levantou e ajudou Aghata a se levantar, então agora ele não parecia mais preocupado com Aghata-e sim indignado, os Deuses o retirou de seu precioso descanso.

-O que querem conosco? – Ele perguntou, em alto e bom som. – Somos meio-sangues aposentados. — O que ele queria dizer é: Não ajudamos, nem vamos ajudar o Olimpo agora.

Zeus olhou para ele como se lesse sua mente, de forma que a coragem se esvaiu completamente de seu corpo.

-Não foi por inutilidade que estão aqui- Zeus disse apenas- Afrodite, eu terei que sair agora, conte-lhes a história que eu voltarei rápido.

Ele saiu, sussurrando um “Maldito seja Hefesto e Ares” então virou pó dourado. Afrodite expirou com certo alivio e então olhou para os dois meio-sangues a sua frente. Mas surpreendentemente sua expressão estava séria, e seus olhos dividiam a atenção entre Aghata e Dylan.

-Eu sei que vocês devem estar com raiva por terem interrompido a viagem romântica de vocês –Ela começou –Eu também fiquei com raiva. Entretanto eu tenho um motivo... Vários motivos por ter feito isto.

-Por favor, comece- Aghata disse. Agora se dando conta de que estava perdendo mesmo suas férias. Afrodite retomou:

-Como vocês bem sabem, o exercito de Deuses Menores foi extinto graças a guerra alguns anos atrás. Nós, Deuses, estamos preocupados com o fato de que a maioria dos Deuses ainda não se reconstituiu por completo, sua alma está em todos os lugares, mas o corpo e poder ainda estão no mundo inferior.

-Por isto o Olimpo está vazio- Dylan afirmou, Afrodite assentiu, abaixando o tronco para perto dos meio-sangues, parecendo que iria fazer uma confissão – ou a pior das fofocas.

-O Olimpo agora está constituído apenas pelos Deuses Olimpianos e 10 Deuses Menores. – Seu corpo se estremeceu por completo- Nunca estivemos tão fracos, e por mais que tenhamos matado a maioria dos Deuses Menores sabemos reconhecer que precisamos deles para os momentos difíceis.

-Momentos difíceis? – Perguntou Aghata, retorica. – Não foram eles que trouxeram os momentos difíceis? – Afrodite riu tensa.

-Aquela guerra não foi nada comparada as outras guerras que já passaram, e que podem vir. – O silêncio se estalou por todo o recinto por certo tempo, até que a própria Afrodite o retirou- Mas o que você fala não deixa de ser verdade, precisamos de pessoas confiáveis do nosso lado, confiáveis e fortes.

-O que você está querendo dizer, Afrodite? – Indagou Dylan, impaciente- Como eu disse antes, somos aposentados, não lutamos há anos e nem pretendemos ir para o Acampamento Meio-Sangue novamente e...

-Não seja precipitado, Dylan- Afrodite o cortou com certa ignorância, sua voz era amedrontadora- Nós não estamos pedindo a ajuda a vocês, não como meio-sangues. O que eu quero dizer é que Zeus está preocupado, algumas coisas preocupantes estão se remexendo no fundo do tártaro. Precisamos da ajuda da maioria das pessoas possíveis. Na realidade, estamos recrutando novos Deuses Menores, pessoas que já são fortes, e que já sabemos ser confiáveis. E as únicas pessoas que sabemos ser confiáveis foram aquelas que já estavam do nosso lado uma vez na vida, e poderosos... Bem... – Ela parou por um momento – Apenas Deuses que antes foram meio-sangues são o suficiente.

A expressão de Dylan ficou séria, assim como a de Aghata. E naquela mesma hora Zeus apareceu, sua expressão era tensa. Ele sabia o que tinha se passado por ali.

-Precisamos de Deuses Menores a mais –Ele disse- Vocês estão num dos únicos a se encaixarem nesta lista.

Aghata olhava para o chão, pensativa, sua expressão era vazia e sem sentimentos. Diferente da de Dylan, que parecia cheia de ódio.

-Vocês estão nos recrutando a mudar de vida? — Ele perguntou- Eu fiquei tempo o suficiente com Percy para saber que ser Deus não é uma coisa tão boa. Nunca envelhecer, ver as pessoas morrer. Eu não sei se quero isto.

Zeus o olhou como se o petrificasse, e mais uma vez toda a coragem de Dylan se esvaiu de seu corpo. Ele olhou naqueles olhos azuis elétricos, e então não parecia mais estar ali no Olimpo, parecia que tinha caído num profundo sono.

Ele via várias cenas, várias cenas com ele... Eram momentos de sua vida. Viagens e felicidade com Aghata, depois algumas brigas... Mais brigas... Seus 35 anos. Um divorcio. Morando sozinho. Bebidas, drogas, péssimo fisicamente. Olhos fundos, rosto magro e doentio, mãos trêmulas. Um apartamento no brooklyn. Uma corda. Um laço. Um suicídio.

Dylan voltou com a consciência no Olimpo. Estava tonto e com a respiração pesada, Aghata passou o braço por suas costas, olhando-o com certo pavor.

-Tudo bem?- Ela perguntou ainda assustada. Ele assentiu, processando tudo aquilo em sua cabeça. Sua vida dali a 5 anos iria ser totalmente horrível e insignificante.

Afrodite não olhava com as melhores das expressões para Zeus. Que continuava impassível.

-Vocês tem que aceitar- Zeus disse indagativo. Aghata olhou para Dylan como se falasse que tudo estava em suas mãos, o loiro voltou ao normal com as costas eretas, pensou por um pequeno momento e por fim disse:

-Eu aceito.

Zeus sorriu satisfeito, assim como Afrodite. Aghata parecia atônita por um pequeno momento, mas depois voltou ao normal. Tinha um sorriso de lado. Zeus iria fazer o processo de eles virarem Deuses quando Dylan parou com a mão por um momento.

-Antes disto tudo, eu tenho que perguntar. Com quem lutaremos quando virarmos Deuses? – Por um momento os Zeus e Afrodite ficaram calados, se entreolhando num acordo silencioso. Até que o próprio Zeus disse:

-Vocês vão lutar com a Terra.

Voltando a entediante terça feira de Annabeth Chase...

Annabeth estava atônita. Não era possível que tinha visto o que tinha visto. Em dourado, pó. Desde quando Aghata e Dylan eram Deuses?

-Oi Annie- Aghata disse se sentando no sofá ao seu lado, assim como Dylan. Não parecia que os dois haviam feito nada demais, nem mesmo que não conversavam com Annabeth havia já alguns anos. Annabeth não sabia por que aqueles dois estavam tão sorridentes ao seu lado.

-Vocês são... São Deuses!- Foi a única coisa que Annabeth conseguiu dizer antes de olhar alternadamente para Aghata a sua direita e Dylan a sua esquerda. – Deuses!

Aghata revirou os olhos. Como se aquilo não fosse nada demais, Annabeth se levantou de súbito, olhando para aqueles dois ainda atônita.

-Puff- Disse Dylan- Deuses! Nem é grande coisa, e nem é isto que importa, estamos aqui para saber de você. Como está? Já é uma Arquiteta de sucesso?

Annabeth revirou os olhos em sua mente, já estava aturada daquela pergunta. Não tinha conseguido um emprego, esta era a verdade. Mas ela sentia que aqueles dois já sabiam disto.

-Porque vocês são Deuses? – Ela perguntou. Sua voz agora com mais pavor do que surpresa. Ela tinha saído completamente do mundo grego! Ou era isto que ela pensava.

-Nossa Annie. Não é um assunto legal, estamos aqui para saber de você! Morando sozinha... Que responsa!- Disse Aghata. Annabeth parecia que ia ter um AVC. Levantou-se de súbito, olhando para aqueles dois com mais pavor do que antes.

-Sempre tem um motivo!- Ela disse apontando para os dois. Sem nem se lembrar de que estava apenas de blusa e calcinha- Sempre. Porque Deuses iriam vir me procurar? Eu agora sou praticamente uma mera mortal! E ah! Eu vi o jornal... vi o jornal, vi sim, ok?

-Que bom que é uma garota informada — Disse Dylan sorridente. Annabeth queria dar um tiro na testa do loiro e depois na própria testa.

-Não é isso seu mongol!- Exclamou ela- O que eu quero dizer é que eu vi tempestade, nível do mar. Poseidon e Zeus estão brigando! E eu não tenho nada com isto. Nada!

Aghata e Dylan se entreolharam, se esqueceram de que Annabeth era uma garota esperta, captava as coisas rápido demais.

-Precisamos de você no Olimpo- Os dois disseram em uníssono. Annabeth deu uma risada.

-Eu sabia! – Ela disse batendo palmas- Sabia mesmo! Mas saibam vocês que não vou para o Olimpo! Não vou! Quem que estes Deuses acham que é? Chegam ao seu apartamento e tem mandam ir para o Olimpo? – Seu tom de voz era indignado, enquanto ela andava de um lado para o outro. Dylan e Aghata a acompanhavam com o olhar, atônitos. – Vocês estão de brincadeira com a minha cara, não é? Eu tenho coisas para fazer, uma vida para criar. Não preciso de vocês, definitivamente.

Agora Dylan parecia com raiva, mais raiva do que tudo.

-Annabeth, isto não é uma questão de escolha- Ele disse –Os Deuses precisam de você, e você precisa ir para o Olimpo. Sua presença lá é vital.

-Não acho não – Ela disse cruzando os braços, fazendo um bico na boca. – Eu quero que vocês saiam do meu apartamento, agora vocês são deles. Dois Deuses! –Ela riu sarcástica – Quem diria que se venderiam deste modo! Eu quero que vocês vão embora daqui, e só voltem quando quiserem que eu não vá mais para o Olimpo nem para nenhum outro lugar a não ser o meu apartamento!

Annabeth respirou fundo, descontando sua raiva do mundo nos dois Deuses a sua frente. Aghata e Dylan se levantaram. Agora sérios e misteriosos.

-Não estamos te dando escolha. Queremos você amanhã de manhã no Central Park. Ou então a única viagem que você vai fazer é daqui até o mundo inferior. Desculpa Annie.

Annabeth ia responder Aghata quando os dois Deuses se dissiparam em luz dourada novamente. Ela rangeu os dentes de raiva, batendo o pé no sofá e depois urgindo de dor. Olhou para o chão, sua caneca estava quebrada e seu café esparramado no chão. E ela não tinha dinheiro para comprar uma caneca tão bonita mais.

Annabeth pensava que a sociedade tinha uma sorte muito grande por ela não ter uma arma, enquanto andava pelo Central Park naquela manhã sonolenta de quarta feira.

Ela não fazia nem ideia porque estava ali, que morresse também, a única coisa que ela queria era ser Arquiteta e talvez no Mundo Inferior precisassem dela lá para fazer projetos contra congestionamento.

Sua vida iria ser tão mais fácil se fosse assim. Mas não, estava ali parada, olhando para Aghata e Dylan de mãos dadas vindo em sua direção. Balançou a cabeça em negação, queria saber o que tinha feito de tão errado numa vida passada para ter tanto azar de ser útil novamente para os Deuses.

-Bom dia, Annabeth – Dylan disse cruzando os braços- Espero que a noite tenha lhe ajudado a pensar melhor.

-Não mesmo. – Ela respondeu. — O que vocês querem comigo, hein?

-Vamos andar! –Aghata exclamou ficando do lado esquerdo de Annabeth, e Dylan do direito. Eles começaram a caminhar pelo Central Park – Você se lembra da última guerra, certo?

Annabeth assentiu. Agora prestando atenção em quanto Aghata estava mais bonita, e como Dylan parecia um homem feito e maravilhoso. Estavam mais velhos e parecia um casal harmonioso.

-Você se lembra do que disse na hora que estava na Sala dos Deuses, não é?

-Sim. –Annabeth respondeu-Eu disse que eles tinham que ajudar pelos Deuses que estavam ao lado deles... Talvez para uma futura guerra.

-Aquilo foi de vital importância- Respondeu Dylan – O que você disse... Foi o que fez todos nós vivermos naquele dia.

-Eu não entendo! Minha mãe me disse a mesma coisa naquele mesmo dia alguns instantes depois. Porque seria de vital importância? –Ela parou por um momento- Eu já pensei muito no que aconteceu naquele dia. E cheguei à conclusão do que o que eu disse foi tão fundamental porque não falei uma suposição, e sim uma verdade.

Dylan sorriu, assentindo com a cabeça e lembrando-se por completo que Annabeth era a mulher mais inteligente que ele já tinha conhecido na vida.

-Exatamente. E é esta a verdade que vivemos agora- Ele respondeu, a sobrancelha loira de Annabeth se arqueou e sua expressão ficou séria.

-Como assim?

-É isto que te queremos responder-Aghata disse — Mas para isso você precisa ir para o Olimpo. O que eu te digo é o seguinte, Annabeth: Vá para lá. Veja com seus próprios olhos o que está acontecendo e depois se quiser viver sua vida normalmente, viva. O que eu peço é que dê uma chance para o que estamos falando, precisamos mesmo de você, novamente.

Annabeth mordeu o lábio inferior e ficou pensando por um momento, enquanto andava pelo Central Park. Todos estavam em silêncio.

-Eu vou – Ela disse, então não demorou muita coisa para que Dylan e Aghata a pegassem pelo pulso, Annabeth fechou os olhos e quando os abriu de novo estava no Olimpo, em frente ao elevador. Ficou surpresa em vê-lo de uma forma tão diferente.

-Está vazio, porque está vazio? –Ela perguntou enquanto Aghata e Dylan a levavam para frente, mas precisamente para o centro do Olimpo.

-É o que vamos lhe falar agora- Aghata disse- Quando foi a guerra contra os Deuses Menores, bem... Acabamos deixando eles punidos por tempo demais no mundo inferior. Vários ainda estão lá.

-E porque isto não é bom? – Annabeth perguntou. Dylan se precipitou em falar:

-Porque agora precisamos de várias pessoas ao nosso lado, Annabeth, mais uma guerra está por vir. E é por isto que Poseidon e Zeus estão brigando, cada um quer dar um rumo à guerra. Você está aqui porque precisamos que você seja mais uma vez a mediadora, que faça igual fez anos atrás. Que todos fiquem enfim em paz.

-Não sei se posso fazer isto, lutar uma guerra. Estou velha demais para isto.

Dylan riu, enquanto acenava para uma ninfa.

-Vocês viraram Deuses porque eles não têm mais ninguém no Olimpo. Estão precisando de novas pessoas.

-Você é muito inteligente, Annabeth –Aghata disse- E está correta. Mas agora precisamos que você vá para a Sala dos Deuses.

-Sério? Por quê?- Ela perguntou surpresa. Achava que só conversaria com Aghata e Dylan e pronto.

-Você vai ver-Dylan disse, então abriu a porta da Sala dos Deuses, sala esta que surpreendentemente estava cheíssima. Doze Deuses Olimpianos sentados em seus tronos. Estavam calados naquele momento, mas Annabeth sentia que não estavam assim alguns instantes atrás.

-Filha – Atena disse com um sorriso de lado – Que bom que chegou.

Annabeth não respondeu, odiava o olhar de várias pessoas com 5 metros de altura penetrantes nela. Umedeceu os lábios com a língua enquanto continuava com sua pose habitual.

-Nós já adiantamos quase tudo para ela – Disse Dylan, olhava significativamente para Atena. Então saiu da Sala, assim como Aghata. Deixando Annabeth ainda mais nervosa.

-O que está acontecendo? –A loira perguntou enfim. Todos os Deuses ficaram calados.

-Uma nova guerra, Annabeth – Disse Atena-Coisas estranhas estão criando força no fundo do tártaro, e irão se emergir daqui a alguns tempos. Como você viu estamos com novos Deuses... E agora chegamos à parte que queríamos. Você.

-Eu? – Annabeth perguntou, rindo pelo nariz – Eu não tenho nada de interesse de vocês.

-Tem, sim – Atena disse- Temos uma missão para você. Queremos que recrute o máximo possível de meio-sangues, que use sua inteligência e mediação para fazer com que todos os semideuses se juntem, sem traições.

-Eu tenho uma vida –Annabeth respondeu –Não posso largar tudo e fazer isto, nem se quisesse.

-Aí está à questão –Atena disse- Você vai largar sua vida sim, tudo e nos ajudar.

-Não vou não – Annabeth disse com o tom com raiva.

-Vai sim –Respondeu Atena- Vai porque queremos que você vire uma Deusa, a Deusa da Arquitetura.

Annabeth ficou atônita, de uma forma que parecia que ela tinha morrido. Seu mundo parecia estar sem chão de tão surpresa que estava, por muito tempo queria que lhe fizessem este pedido, mas agora ela não tinha certeza se queria mesmo aquilo. A única coisa que queria era pensar, no seu apartamento feio na Upper.

-Foi por isto que todos vocês me ouviram e me ajudou na guerra! –Ela exclamou-Porque o que eu disse era mesmo verdade, vocês tinham que guardar os Deuses confiáveis porque já sabiam naquela época que algo iria chegar! Algo muito pior que aquilo! –Ela estava quase chorando – Porque não fizeram isto antes? Porque não me fizeram este pedido 5 anos atrás?

-Não grite Chase!- Foi à única coisa que Poseidon pronunciou naquela reunião.

-Annabeth, isto era impossível –Afrodite disse — Recrutar Deuses Menores na época em que lutássemos contra ele! Todos achariam que estaríamos dando um tiro no pé, e que uma guerra estaria por vir não seria mais um segredo, todos saberiam desde lá que o Olimpo estaria em guerra. Isto é uma coisa que ninguém quer. Você sabe disto.

Ananbeth não queria pensar em mais nada, não sabia mais do que queria, mas depois pensou na sua caneca, sua caneca de café quebrada no chão em frente sua sala, e que não tinha dinheiro para comprar uma nova para tomar café hoje à tarde, pensou em mais um funcionário dando-lhe recusa numa empresa de Arquitetura, e o que seria da sua vida dali para frente. Pensou então em ser a Deusa da Arquitetura, e sair recrutando meio-sangues por todo o país. E então acabou clareando a cabeça: Aquela era seu carimbo de aceita, era o dia em que alguém precisava novamente dela. Sabia o que iria fazer.

-Eu aceito – Ela disse com o peito estufado. Nem mesmo sabia o que lhe tinha ali para frente. Só sabia que queria ser útil. Atena sorriu e olhou para Zeus, este que fez assentiu com a cabeça então concentrou todo o seu poder em Annabeth.

O corpo da loira havia queimado por inteiro, fazendo-a agachar no chão da Sala. Ela urrou de dor e depois ficou um tempo apenas respirando fundo. Todo seu corpo parecia queimando por dentro, e por fora parecia que lhe davam leves choques, mas ela sentia que tinha algum poder muito grande na mão.

Ela abriu a palma e então uma chama cinza saiu dela, ela fechou novamente e fechou também os olhos. Sentia-se ótima... Ótima e forte. Levantou-se e olhou para os Deuses a sua frente, Atena lhe deu um sorriso, depois arregalou os olhos e disse:

-Vale lembrar que você não vai fazer está missão sozinha! – Disse Atena com um sorriso pela primeira vez malicioso – Só tinha uma pessoa que poderia ajudar nesta missão de recrutar meio-sangues. Obviamente, o especialista nele.

Annabeth franziu o cenho enquanto olhava para trás, queria morrer, dar um tiro na própria testa, cavar um buraco no chão e arrancar o piso transparente da Sala dos Deuses. Queria sair voando dali para a China.

Odiava o sorriso de satisfação de Percy Jackson.

-Olá- Ele disse enquanto andava até o lado de Annabeth. Cabelos negros cortados, barba rala, sorriso satisfeito. Aparência de 25 anos. Annabeth definitivamente queria se matar.

Ela não sabia exatamente o que tinha feito a seguir, uma hora estava no mesmo recinto que ele, outra hora falou um “com licença” e simplesmente saiu correndo dali. Agora estava atônita enquanto corria pelas ruas sinuosas do Olimpo. Parou numa rua sem saída. Sentada ofegante enquanto colocava as duas mãos na testa.

Nem tudo podia ser perfeito, e aquele era seu companheiro.

Ouviu passos e olhou para frente, Percy não tinha a melhor das expressões e tinha os braços cruzados.

-Você não me deu oi – Ele disse falsamente indignado. Uma chama de raiva cresceu por Annabeth, uma chama que só ele conseguia acender. Ela se levantou e andou em sua direção.

-Você não me deu tchau- Ela respondeu – Porque eu te daria oi?

-Isso não importa mais –Ele disse colocando as mãos no bolso- Eu não me despedi porque sabia que seria pior para nós dois e... Deuses! Porque estamos falando disto?

-Não sei- Ela respondeu- Não sei nem o que eu estou fazendo falando com você.

-Voltamos do zero agora? – Ele perguntou – Com você me odiando e desprezando? – Ela passou por entre ele, batendo seu ombro com o dele.

-Exatamente – Ela respondeu ignorando o choque que seu ombro sentiu. Percy franziu o cenho pegando no pulso de Annabeth, trazendo-a para perto de seu corpo.

-Nada disto importa mais, Annabeth – Ele respondeu. Seus olhos verdes olhando no cinza com uma intensidade maravilhosa – Não importa o que aconteceu ou o que vai acontecer. Eu disse que erámos como imãs... Não importa o que aconteça por todos estes éons. Nós sempre vamos voltar um para o outro.

-Isto é o que você pensa- Ela urrou.

-Então tenta sair de perto de mim –Ele respondeu –Sai! Agora você é uma Deusa forte, você pode.

Annabeth sorriu de lado, então o empurrou forte até a parede de tijolos no fundo. Os olhos verdes de Percy se arregalaram enquanto ele sentia as costas doerem. Ficou ele mais surpreso quando Annabeth ficou bem na sua frente, seu hálito de menta contra seu pescoço. Ele inverteu as posições a pressionando com força contra parede, ouvindo-a gemer de dor. Não se importava mais, agora ela era uma Deusa, tinha que aguentar. As duas mãos gélidas de Annabeth passaram por seu pescoço, beijando-o com avidez distinta, ela tinha saudades daquilo, muitas saudades. Passou as pernas na cintura dele, enquanto o beijava com mais avidez ainda, ele apertou sua cintura forte e assim ficaram por muito tempo. Até que os dois não aguentavam mais, mesmo sendo Deuses.

Ele encostou a testa na dela enquanto a mesma colocava os pés no chão, seus corpos estavam colados um no outro e Annabeth olhou para o verde mar, aquilo era o que ela queria ver... Para sempre. Ficou séria enquanto fechava os olhos e respirava fundo.

-E o romance de verão? – Perguntou ela enfim.

-Não importa- Percy respondeu.

-E os Deuses?

-Não importa.

-E a guerra?

-Não importa.

-E nós dois?

-Não... – Percy parou bruscamente, e sorriu ao ver Annabeth sorrir também. – Está é a única coisa que importa.

Notas finais
E aí? Gostaram do fim?E nada de segunda temporada, o mistério rondará o fim dessa história. kkk
Nem sei o que dizer, como agradecer vários leitores por aí. Esta fic foi realmente um sucesso, um sucesso maior do que eu mesma imaginava que fosse. E eu agradeço de coração todos que acompanharam a fic, eu sempre falo isto no fim das minhas fics, mas é sempre verdade. Eu amo escrever, e escrever para pessoas que gostam, acompanham ferreamente como vocês é realmente um prazer. É uma benção vocês curtirem o meu hobbie, juro.
Muito obrigada a todos novamente! Nos vemos por aí.
Tchau.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!