Notas iniciais
desculpa pela demora.
bjs

Capítulo XLV

“De volta para casa.”


POV Nico

Judeth estava me olhando e antes de fechar os olhos, levei meu olhar aos seus lábios, e ela sussurrou:

-Eu amo você.

A última coisa que eu ouvi foi o Piiiiiiiii do aparelho ...

-Parada cardíaca! – Blair gritou desesperada.

-Senhor, por favor, se retire! – um enfermeiro disse e me encaminhou para fora.

Jude ... morta?!

Não, eu não conseguia senti-la morta!

Estava do lado de fora, onde nossos amigos se encontravam. Ares estava andando de um lado para outro. O vidro estava tapado por uma cortina. Clarisse chorava abraçada com Cris. Luh pegou no braço do deus da guerra e eles caminharam pelo corredor que dava para algum lugar.

Sentei-me numa poltrona branca que estava vazia. Pensamentos turbulentos viam a tona em minha cabeça. Ninguém dava notícias. Ninguém saia de lá. Coloquei minhas mãos em meu rosto e abaixei minha cabeça deixando algumas lágrimas caírem.

-Nico, você já viu o Ed e a Julliet? – Clarisse perguntou-me.

Julliet seria sua afilhada.

-Não depois que sai de lá.

-Eu fui ao berçário rapidamente. Juh é linda!

-Não fale dela. Por culpa dela, a Jude pode estar morta! – disse com o tom raivoso.

-A culpa não é da criança. – Alice disse.

Antes de responder, a porta abriu e Apolo saiu da sala com uma cara não tão boa.

-Jude continua desacordada, mas esta viva.

-Qual o estado dela?! – perguntei.

-Grave, ela perdeu muito sangue e estava fraca. – ele disse com os olhos todos vermelhos.

Estava triste, explosivo, dolorido.

Saí caminhando pelos corredores vazios. Passei por diversas alas do hospital até que cheguei ao berçário. Fui até ao vidro onde dava para ver os bebês. De cara, na primeira fileira, vi Ed dormindo. Ele estava enrolado numa manta azul e tinha um gorro branco em sua cabeça. Sorri.

A porta de trás abriu vi Ares e Luh dentro do berçário procurando meus filhos. Com a ajude de Blair, Ares pegou Julliet no colo. Ela estava com os olhos fechados, mas acordada. Usava um gorro lilás e manta roxa. Sua mão pequena agarrou o dedo do deus da guerra selvagem.

Julliet aconchegou-se nos braços do deus da guerra e abriu seus olhinhos azuis devagar. Ela começou a chorar. Eu entrei em desespero e saí correndo para dentro do berçário. Blair riu assim como Luh. Ares me olhou e entregou-me minha filha. Aninhei Julliet e ela foi parando de chorar aos poucos. Olhou-me e sorriu pela primeira vez.

-Desculpa por ter ficado com raiva de você. – disse baixinho para ela que apertou meu dedo e riu.

Fiquei mais um tempo com ela no colo até que a “mini Jude” resolveu dormir. Coloquei-a de volta ao ‘berço’ com delicadeza. Saímos por berçário e ficamos vendo-os pelo lado de fora.

-Sinto muito. – Ares disse se referindo a Jude.

Meu mundo paralisou.

-Ela vai ficar bem. Ela tem que ficar bem. – disse com a voz fraca.

Ares não disse nada. Ele abriu a boca diversas vezes, mas ficou em silêncio. O deus da guerra selvagem me abraçou pela primeira e acho que última vez. No início eu fiquei chocado, mas entendi que ele estava sofrendo igual a mim. Separamo-nos e voltamos nosso olhar para as crianças como se nada tivesse acontecido.

(...)

Já estava de noite. Apolo levou-me até ao quarto onde Jude permanecia desacordada. Estávamos ficando mais preocupados! Ares levou Luh para casa após ela apagar no sofá do hospital. Alguns dos nossos amigos tiveram que voltar para casa. Muitos semideuses atraem muitos monstros.

Cheguei ao quarto onde estava minha esposa com Clarisse e Cris. Ela estava com o cabelo solto e descuidado. Seu corpo estava totalmente pálido, mas eu sabia que ela não estava morta. Sentei-me na poltrona cinza e segurei sua mão fria. Clarisse abraçou Cris com os olhos cheios de lágrimas.

-Clarisse, vai para casa! Eu fico aqui. – disse a ela.

-Tem certeza? – ela perguntou e eu assenti com a cabeça. – Vou pedir para meu pai ou Apolo, trazer algumas roupas e essas coisas. Tchau Nico. – ela disse, deu um beijo na testa de Jude e foi embora com o namorado.

Fiquei lá, sozinho, fitando meu Anjo. Depositei um beijo em seus lábios e apaguei ali mesmo. Sonhei com meu pai. Na verdade, foi uma mensagem. Estávamos no mundo inferior, no seu palácio. Hades levantou-se do seu trono e caminhou até mim. Meu pai deu-me um abraço e disse as seguintes palavras: “-Ela esta quase morrendo.”

Acordei em um pulo com o barulho dos aparelhos da filha de Ares. Os enfermeiros invadiram o quarto. Jude estava tendo outra parada cardíaca. Graças aos deuses, os filhos de Apolo conseguiram salvá-la. Eu senti a morte aqui dentro por alguns segundos, que foram os piores segundos da minha vida!

Após os enfermeiros saírem, caminhei até ela e a abracei. Deixei lágrimas caírem pelo seu rosto. Selei nossos lábios e acariciei seu rosto.

Por favor, não me deixa! Não nos deixe! – pedi.

Luh chegou por volta do meio-dia com uma mala para mim. Aproveitou e foi paparicar meus filhos no berçário. Clarisse apareceu logo depois. Aproveitei para tomar banho, almoçar e ir ver meus filhos. Os dois estavam acordados e com fome. Deram leite de outra mãe para eles. Peguei os dois no colo, um em cada braço, e os aninhei.

-A mãe de vocês vai esta aqui logo! – disse e eles fecharam os olhos dormindo.

A tarde, Apolo e Blair apareceram para falar conosco. Todos estavam aqui no quarto. Eles estavam nervosos e preocupados.

-O sangramento voltou. Precisamos de uma doação. – Blair disse.

-Jude tem o sangue O negativo.– Apolo falou.

-Meu tipo de sangue é esse. – Clarisse disse sorrindo.

Ares não podia doar por conta de ser deus, Luh não tinha esse tipo de sangue, nem os outros. Apolo disse que eu estava fraco e blah blah blah. Clarisse foi com eles fazer uns exames e tirar sangue.

Quando era de noite, a doação já tinha sido feita. O sangramento tinha parado, mas Jude continuava estável. Depositei um beijo em sua testa e fui para o berçário. Nossos amigos já tinham ido.

Dei sorte mais uma vez e peguei os dois acordados. Uma enfermeira tentava acalmá-los sem sucesso. Entrei na enfermaria, lavei as mãos e peguei meus filhos. Na hora, Julliet e Ed pararam de chorar dando paz à enfermeira.

Os dois estavam mais calminhos. Olhavam-me atentamente. As mãos dos dois se esticaram e depois abaixaram. Julliet coçou o olho minutos depois e se aninhou em mim. Ed já queria dormir também. Coloquei os dois nos berços após eles dormirem tranquilamente. Fiquei os observando e imaginei Jude com eles. Sorri fraco.

-Nico, a Jude acordou. – Blair falou ofegante.

Sai correndo até ao quarto onde vi Apolo tapando minha vista de Jude. Ele virou-se me vendo e chegou para o lado. Jude sorriu a me ver e eu saí andando para abraçá-la.

-Nunca mais me de um susto desse. – disse e a beijei.

-Quero ver Julliet e Eddie. – ela pediu e eu olhei para Apolo.

O deus saiu do quarto enquanto eu fiquei a abraçando. Jude beijou-me rapidamente e ficamos conversando um pouco.

A porta abriu e vimos Blair com dois berços de hospital. Em um tinha Ed dormindo e em outro nossa pequena Julliet. Judeth sorriu. Peguei devagar Ed e coloquei em seu braço direito. Depois foi a vez de Julliet. Minha esposa sorriu mais do que nunca com os olhos cheios de lágrimas.

-Achei que nunca mais iria vê-los. – ela disse olhando para nós. –Amo vocês.

Peguei meu iphone e tirei foto deles juntos. Jude fechou a cara depois e nossos filhos se aconchegaram nela. Sorrimos.

Dois dias depois ...

Jude recebeu alta do hospital e nós estávamos no carro indo de volta para casa. Ela estava no banco de trás com os bebês enquanto eu dirigia. Chegamos em casa. Ajudei-a a sair do porsche e peguei Ed no colo. Peguei a chave atentamente e abri a porta.

Tinham vários brinquedos, balões e o caralho a 4 na sala principal.As ninfas estavam arrumando e uma delas veio nos recepcionar. Levamos os bebês até o quarto deles, ligamos a babá eletrônica e fomos descansar um pouco.

Dois anos depois ...

Julliet caminhava pela casa que nem uma doida. Não parava por um minuto. Ed estava brincando com a espada (lógico que era de mentira). Jude escrevia em seu diário – ela nunca me deixou lê-lo. – e eu fazia a comida. Do nada surgiu uma mensagem de Iris na nossa sala. Só tinha o áudio.

Ares e Luana convidam Jude, Nico e pequenininhos para a sua união. Estejam as 19 horas no Olimpo daqui a duas semanas. Será um prazer recebê-los e terem vocês nesse dia tão especial.

Com amor,

Ares e Luana.