Essa Estranha Atração

12 Esse estranho segredo


Notas iniciais
Olá, leitores,Sion postando!
Novo capítulo dessa historinha complicada, mas superdivertida de escrever. Fico feliz que vcs também estejam gostado.
Gostaria de agradecer especialmente a Hatake Sayuri, Su Cabral, PollyWeasley e
Hapyfee pelas carinhosíssimas recomendações. Vocês fizeram a mim e a Bia muito felizes com suas palavras. Thanks, thanks, thanks!!
Agradeço a todos que de alguma forma expressam seu carinho seja com reviews, mps, pensamentos positivos tudo!
Não betada, qualquer erro, por favor, relevem, ou mandem por MP que consertamos.
Beijos a todos e boa leitura!

Esse estranho segredo

Capítulo 11

Shaka chegou atrasado ao trabalho e levou uma bronca, mas não se preocupou com isso. Seus pensamentos estavam em Ikki e na curiosidade rascante que sentia a respeito do rapaz do pronto-socorro.

Quem seria ele e por que Ikki ficara tão abalado ao encontrá-lo? Seria um ex-namorado? Não. O moreno nunca havia se envolvido com homens até ele, sabia disso, então...?

A mente de Shaka revirava-se tentando achar uma resposta. Não tinha visto o rapaz muito bem, então mal conseguia se lembrar de alguns detalhes sobre ele, somente que ele usava jaleco e tinha os cabelos castanhos.

Ao ligar o computador, a primeira coisa que fez foi conectar o MSN, mesmo sem muita esperança de que Fênix fosse aparecer. Não, o moreno não era louco de tentar digitar com a mão toda costurada, não mesmo!

Ainda assim, a esperança de obter alguma informação fazia com que seus olhos passassem o tempo inteiro pelo ícone do web Messenger.

Depois que Shaka saiu, Ikki ficou um tempo deitado na cama. Pegou na gaveta ao lado, um antigo álbum de fotografias e começou a folhear, mirando saudoso, às fotos da infância. A vontade de chorar retornou e ele não permitiu que ela o vencesse. Foi à cozinha, pegou uma maçã a mordendo e seguiu para a mesa do computador, conectando a internet.

Manusear o mouse era desconfortável, mas ele tinha coisas a fazer, não ficaria bancando o inválido. Além do mais, passar o dia sem fazer nada não o ajudaria muito a esquecer os problemas.

Shaka quase pulou na cadeira quando leu: Fênix acaba de entrar. O que esse doido estava fazendo?! Praguejou e imediatamente começou a digitar sua reclamação ao namorado irresponsável, parando ao se lembrar que não poderia brigar com ele, afinal, Virgo não sabia que Ikki estava com a mão detonada e cheia de remendos. Inspirou profundamente e apagou tudo o que havia escrito substituindo pelo velho Oi.

Ikki viu o cumprimento do amigo e sorriu, digitando também um “oi”. Estava meio sem cabeça para conversar, mas não faria uma desfeita a Virgo, mesmo porque, era cada vez mais raro ter tempo para conversar com ele.

Virgo diz: Como você está, meu amigo?

"Se ele disser que está bem, eu coloco um ponto final nessa brincadeira!", pensou Shaka aborrecido.

Ikki deixou uma risada sarcástica e alta escapar, assustando até a si mesmo. Aquele era sempre o seu jeito de evitar se desesperar e também de esconder os sentimentos, inclusive para ele próprio.

Fênix diz: FER-RA-DO...

Shaka apoiou a cabeça em uma das mãos e encarou a resposta por alguns segundos. Pelo menos ele não estava mentindo. "Ao contrário de mim", o loiro pensou desgostoso enquanto começava a digitar sua resposta.

Virgo diz: Eu nem me lembro quando foi a última vez que você me disse que estava bem. Problemas com o namorado novamente?

Fênix diz: Estamos sempre as turras, mas não é isso.

Virgo diz: Então o que é?

Fênix diz: Hoje eu vi meu irmão...

Ikki suspirou, engolindo o gosto amargo da angústia que se fez presente em sua garganta e continuou a digitar, mesmo sentindo os pontos de sua mão repuxarem um pouco.

Fênix diz: Não que as coisas estejam bem entre eu e o meu namorado, vivemos brigando, nunca nos entendemos, mas... Bem, quando não estamos trocando farpas é muito bom estar com ele.

Shaka arregalou os olhos com a primeira parte da resposta. Então aquele rapaz era o irmão do namorado?! Lembrava-se que Ikki fugiu rapidamente do assunto quando tentou saber o motivo de ele ter ficado tão pálido depois de vê-lo. Como pôde não pensar nisso? Mas... Ah!, por que ele não podia ser sincero pessoalmente como era virtualmente? Irritou-se Shaka. Mas ao continuar a leitura sentiu o coração acelerar: Ikki achava bom estar com ele!.

"Por que você não fala nada disso pessoalmente, por que não fala isso pra mim, Ikki?", mordeu levemente o lábio inferior forçando-se a voltar ao tema inicial. Ver o irmão havia abalado o moreno e ele precisava saber o motivo.

Virgo diz: E por que ver o seu irmão não foi bom? Você nunca falou muito sobre ele... Só disse que vocês estão sem se falar faz algum tempo.

Ikki mordeu o lábio inferior. Por que não foi bom rever Shun? Simplesmente porque o irmão não conseguia perdoá-lo por tudo que ele fez, por tudo que disse e, quando se arrependeu de verdade de tudo que tinha feito já era tarde demais. Shun disse que não queria vê-lo nunca mais, que era para ele sumir,e foi exatamente o que ele fez, sumiu da vida do irmão, deixou que ele o esquecesse e fosse feliz.

Fênix diz: Nossa separação foi muito traumática, isso chega a ser irônico em minha atual situação...

Engoliu em seco sentindo o remorso o corroer novamente e não conseguindo terminar a frase.

Fênix diz: Desculpe, não consigo falar sobre isso...

Shaka não sabia o que dizer. Queria estar com o namorado, abraçá-lo e ajudá-lo a sarar aquela ferida, mas Ikki era fechado demais e jamais diria nada. O que ele poderia fazer? Parecia que estavam a quilômetros de distância!

Começou a digitar com cuidado, pensando bem em como tentaria fazê-lo desabafar.

Virgo diz: Eu entendo que não queira falar, mas às vezes é bom extravasar um pouco. Te ajuda até a pensar em como vocês chegaram a tal situação. Só me responda se você quiser... Há quanto tempo vocês não se falam?

Fênix diz: Há quatro anos. Virgo, acredite, eu fui o grande filho da puta da história, só isso basta para que compreenda porque meu irmão me odeia hoje. Eu era a única família dele, a única pessoa que ele tinha e eu... Eu o rejeitei.

O moreno sentiu um nó na garganta ao digitar aquilo e finalmente uma lágrima desceu por seu rosto, mas claro que ele a afastou rápido, assim como fez com as todas, durante toda sua vida. Lembrar daquele passado não era nada confortável, era dolorido, uma dor que ele tinha guardado só pra si durante muitos anos e que agora o machucava ainda com mais força. Sentia como se houve lançado um boomerang que voltava e acertava seu peito com toda fúria. A sensação de fracasso, de perda, remorso, compreensão tardia do que aconteceu, maturidade para entender, somando-se ao fato do capricho do destino de fazê-lo se ver tão igual ao irmão, alguém que ele julgava tão diferente de si, fazia com que as lágrimas, lágrimas que jamais se permitiu, caíssem. Mas quando percebeu que estava-se deixando vencer, resolveu recuperar seu autocontrole antes que desabasse de vez.

Fênix diz: Desculpe, eu preciso sair...

Virgo diz: Espera! Por favor, não sai assim. Não vou insistir no assunto se está te fazendo mal.

Shaka digitou de uma forma desesperada, não querendo que o namorado saísse daquela forma. Conseguia imaginar o que Ikki estava sentindo. Sua vontade era de largar tudo e ir atrás dele, mas tinha que manter a farsa... Tinha mesmo? Por que Ikki não contava nada aquilo? Por que ele se fechava naquela concha? Ele não confiava nele ou era vergonha de demonstrar sua dor?

O empresário tentou controlar as lágrimas, mas não conseguia, era como se elas tivessem vida própria. Agradecia estar sozinho para que ninguém presenciasse aquela cena ridícula, um homem do tamanho dele, chorando daquele jeito. Mas não podia sair simplesmente, sabia que Virgo percebia seu estado, de forma estranha ele percebia. Ergueu-se e foi até o banheiro lavando o rosto, mesmo que as lágrimas insistissem em cair, depois voltou para o mesmo lugar, aparentemente, recuperando seu autocontrole.

Fênix diz: Obrigado, não se preocupe, não é sua culpa, a culpa é apenas minha mesmo. Eu só não consigo falar nisso, okay? Desculpa se fui grosseiro...

Shaka suspirou aliviado. Ainda queria saber o que havia acontecido, é claro, mas não insistiria. O pior seria fingir-se de inocente no assunto quando encontrasse o moreno àquela noite.

Virgo diz: Tudo bem. Eu não deveria ter insistido mesmo. Desculpe.

O loiro resolveu mudar o rumo da conversa. Perguntou sobre o projeto de reciclagem que ele queria implantar na boate e assim eles seguiram conversando sobre coisas mais leves e nada íntimas. Não perguntaria mais nada naquele dia, daria tempo para que Ikki assimilasse aquele encontro. Mas quando ele quisesse falar, estaria pronto para arrancar toda a verdade do moreno.

Ikki passou mais algumas horas conversando com Virgo e depois alegando que tinha algo para fazer se despediu do amigo. Estava cansado de ficar em casa, por isso ligou para um amigo dos velhos tempos que há muito não via e marcou de tomar uma cerveja com ele em um bar. Acabou almoçando com esse amigo e passou a tarde com ele. Foi bom rever Kanon e relembrar a época de faculdade e tudo mais. O grego agora era um renomado arquiteto e também não tinha muito tempo, mas a intimidade – no que ambos se permitiam – continuava a mesma sempre que se encontravam. Bem, perdeu as contas da cerveja, mas estava razoavelmente sóbrio quando saiu do bar. Kanon sugeriu que fossem a uma boate, mas Ikki estava cansado de boates, já bastava a santuário. Decidiu que não trabalharia naquela noite e aproveitaram então para conhecer todos os bares — que ainda não conheciam — de Atenas.

Shaka trabalhou no automático o dia inteiro. Não conseguia parar de pensar no que Ikki havia dito. Ele havia rejeitado o irmão! Por que ele teria feito isso com a sua única família? O loiro pensava, pensava, pensava, mas não conseguia imaginar o que poderia ter acontecido. Ele era órfão e sempre sonhou em ter pelo menos um irmão ou irmã. Não conseguia imaginar o que levaria o namorado a brigar com alguém tão importante.

Quando seu expediente terminou, foi correndo para casa com a intenção de encontrar Ikki, mas ao chegar encontrou o apartamento do vizinho fechado.

— Para onde aquele doido foi com a mão daquele jeito? — murmurou preocupado.

Sem alternativa, foi para o próprio apartamento. Ligou no celular de Ikki duas vezes, mas caiu na caixa postal. Então só havia uma coisa a fazer: esperar. Tinha esperança de que o moreno não faria nenhuma estripulia — como tirar o sutiã de uma periguete — com a mão daquele jeito. Shaka não queria confessar, mas estava se roendo de ciúmes com aquela demora e com aquele maldito celular que só caía na caixa postal, mas controlou-se, parou de ligar e tentou vê algo na TV, enquanto olhava o relógio o tempo todo.

Quando Ikki chegou, já passava das oito da noite. Antes de seguir para casa, passara num restaurante e havia comprado o jantar. Comida árabe. Esperava que Shaka gostasse. Sabia que estava um pouco tarde e que talvez o loiro já tivesse jantado. Nesse caso, jogaria a comida fora, não tinha apetite para comer sozinho àquela noite. entrou em casa e depois de deixar os pacotes foi direto para o banheiro. Tomou um banho demorado, tentando tomar cuidado para não molhar a maldita mão que latejava dolorosamente. Provavelmente, o loiro brigaria se soubesse das estripulias que fez, mas não havia como ele saber. Depois de seco, vestiu-se num short leve e uma camiseta branca e, armado de pacotes de comida árabe, foi para o apartamento da frente, batendo na porta.

Shaka estava distraído, brincando com Jack. Era uma forma de não ficar pensando bobagens.

— Pega a bola, Jack — ele dizia ao cachorrinho que o fitava sem parecer entender muito bem o que o dono queria. O loiro girou os olhos aborrecido. — Se você não quer ir atrás da bola, imagina como vai ser quando eu tentar te ensinar a rolar falou irritado, não propriamente com o pobre filhote, e nesse momento ouviu a campainha.

Ansioso, foi atender, mas fechou a cara ao ver o namorado, não demonstrando seu alívio — claro!

— Onde raios você estava? — perguntou estreitando os olhos.

Ikki não deu trela a irritação do loiro, sorriu de canto, entrando no apartamento e brincando com Jack que, todo feliz, pulava em suas pernas.

— Você nem me pediu em casamento ainda e já quer me controlar... — falou descontraído, tentando não demonstrar seu real estado de espírito. Não queria preocupar Shaka, já tinham problemas demais entre eles, e só queria paz naquela noite, tanto que nem tentaria nada mais “íntimo” para não correr o risco de ver o namorado tendo uma crise.

— Você não deveria estar fazendo estripulias com a mão desse jeito! — Shaka ralhou, mas logo suspirou e foi até o moreno, o abraçando por trás. Deu um beijo no ombro dele enquanto pegava a sacola que ele trazia. — Ah, você adivinhou que eu estou com fome. Eu nem jantei ainda de tão preocupado que estava! — fez drama.

Ikki sorriu e suspirou, relaxando os ombros. Gostava de estar perto do loiro, mesmo com todos os problemas, se sentia em paz ao lado dele e era dessa paz que precisava.

— Eu não quis preocupá-lo. Estava entediado e sair pra beber com um amigo, não fiz nenhuma estripulia. Espero que goste de comida árabe — falou segurando a mão dele e soltando aos poucos, enquanto o loiro se afastava para verificar o conteúdo das sacolas.

— Sei. Até parece que ficar andando por aí com essa mão desse jeito não é estripulia! — Shaka o puxou até a mesa e o fez se sentar. — Não vai mais fazer nenhum esforço! Acho bom ficar quietinho a partir de agora. Ele começou a tirar os pacotes e colocá-los sobre a mesa. — Nunca provei comida árabe, pelo menos o cheiro está bom...

Aquela conversa decididamente não era a que queria ter, mas para manter a identidade de Virgo em segredo teria que continuar daquele jeito. Tentava se convencer que mantinha aquele segredo por Ikki, mas sua consciência estava longe de sentir-se em paz.

— Posso ao menos perguntar que amigo é esse que te levou pra beber? — indagou sondando. Na verdade, queria saber se era mesmo um amigo com “O” e não com “A”, o que estaria mais para amizade colorida, como falaria o povo dos anos 70.

Ikki relaxou na cadeira e cruzou as mãos atrás da cabeça ou cruzaria se o maldito ferimento não fisgasse e ele, com uma careta, não tivesse que voltar a posição de apenas se recostar com a mão apoiada na perna.

— É um amigo da época de faculdade, ele é arquiteto. — falou sem estar muito disposto a traçar o perfil psicológico de Kanon para o namorado. Estava cansado e tentava não se lembrar de Shun, somente por isso saiu com o amigo, precisava manter a mente ocupada. — Trouxe comida porque não sabia se você gostaria de comer fora, eu geralmente não gosto.

— Depois do nosso primeiro e último programa, acho que é melhor continuarmos em casa mesmo — Shaka encolheu levemente os ombros. — Pelo menos até eu conseguir parar de ver sujeira em tudo.

Ikki o encarou curioso.

— E você pretende fazer algo quanto a isso? Desculpe, loiro, mas até agora você agiu como se isso fosse algo totalmente normal.

— Eu não sei... — Shaka murmurou encarando os pacotes que ainda permaneciam fechados. — Mas depois de ontem... Eu conclui que preciso de ajuda. Já é alguma coisa, não é? — perguntou esperançoso — Só que, como eu te disse, não confio nos médicos. Preciso de uma boa recomendação.

Ikki sorriu e chamou o loiro com o indicador. Shaka se aproximou, sentando-se ao seu lado.

— Estou feliz que pense assim, eu vou ajudá-lo a achar um bom profissional, agora me diz o motivo de você ter tanta desconfiança dos médicos?

— Por que... — Shaka pendeu levemente a cabeça para o lado — Eu comecei com essa mania quando era criança ainda, e um dos monges dizia que ia me levar ao médico e que ele me internaria e que... que eu nunca mais sairia do hospício...

Ikki franziu o cenho. Como um adulto poderia dizer algo tão cruel para uma criança? Puxou Shaka para si, com a mão sã, e o abraçou forte, beijando seus lábios com carinho. Estava definitivamente perdido pela boca macia de Shaka, por sua língua cálida, seu hálito doce. Quando imaginaria que Ikki Amamiya estaria daquela forma por um homem? Era tão surreal e, talvez por isso, tão... Prazeroso, perfeito, e envolvente. Sentia tanta vontade de fazer amor com ele, e essa ansiedade, esse “frio na barriga”, que o fazia se comparar a um adolescente, tornava tudo ainda mais excitante.

— Eu o quero tanto... loiro... — murmurou de forma quase imperceptível, beijando os cabelos do namorado carinhosamente.

Shaka fechou os olhos e entregou-se completamente ao sétimo céu. Sim, porque se sentia lá quando Ikki tomava sua boca daquela forma. Imaginava como seria quando finalmente fossem até o final. Por isso, ele precisava se convencer que sua mania estava extrapolando os limites. Ikki merecia que ele lutasse para vencer aquilo.

— Eu também quero... — sussurrou de uma forma tímida. — Eu vou tentar, Ikki, juro que vou. Eu não quero te perder por causa dessa mania.

— Hey... — Ikki segurou-lhe o rosto e olhou dentro dos seus olhos — Você não vai me perder, ouviu bem? Não seja bobo...

Shaka mordeu o lábio inferior e fez um leve aceno afirmativo. A imagem das mulheres praticamente se atirando em cima do namorado não lhe saía da mente, e ele sabia que quanto mais demorasse a corresponder a tudo que Ikki desejava, mais fácil seria de ele cair nos braços de uma daquelas garotas.

— Vou pegar os talheres — disse se afastando para que o moreno não lhe percebesse a insegurança, mas a mente continuava com todos esses questionamentos que o levavam a uma angústia profunda. — Fique quieto aí! — ralhou ao ouvir o som da cadeira arrastando indicando que ele iria segui-lo.

Ikki riu, Shaka era mesmo impossível, mandão, autoritário e... estranho!

— Você tem certeza que além das “manias” não é bipolar também? — Riu gostosamente enquanto observava o namorado ir para a cozinha.

— Se eu for, você está fer-ra-do — brincou sem se dar conta que disse o mesmo que Fênix lhe disse pela manhã.

Ikki franziu o cenho. Ele tinha a mania de usar aquela expressão “Ferrado”, mas nunca ouvira Shaka pronunciá-la e achou estranho, mas resolveu não dar muita importância, ficou no mesmo lugar, enquanto o namorado ia e voltava da cozinha com pratos e talheres.

Eles começaram a refeição conversando amenidades. O clima se descontraindo naturalmente.

— Hum, isso aqui é bom — Shaka disse após a primeira garfada. — Sabe, nós poderíamos fazer uma viagem juntos depois que eu começar a cuidar da minha mania — comentou ao lembrar de uma conversa com Fênix na qual ele dissera que estava cansado da rotina. — Que lugar você tem vontade de conhecer?

Ikki mastigou a porção que tinha na boca e ficou um pouco pensativo.

— As montanhas do Himalaia. — Disparou, rindo depois da cara de espanto de Shaka — O que foi? Eu já conheço muitos lugares, loiro, mas se você sugerir um passeio romântico, eu também aceito — piscou. Na verdade não estava muito bom para conversar naquela noite, melhor, não era muito bom em diálogos... “só com o Virgo”, pensou e logo expulsou esses pensamentos. Era o que faltava!, ficar dividido entre os dois, isso chegava a ser ridículo! Gostava de Shaka, gostava de conversar e estar com ele, mas ainda faltava a intimidade que tinha com o amigo virtual.

— Romântico! — Shaka sorriu enquanto balançava a cabeça. — Só se fosse uma viagem de lua de mel — brincou. O loiro percebia que Ikki não conversava com ele, como conversava com Virgo. Sentia que o namorado não tinha confiança nele ainda e até entendia. O problema era que não sabia o que fazer para que Ikki confiasse nele e lhe desse uma forma de ajudá-lo. Deixou um suspiro desanimado escapar dos seus lábios involuntariamente e voltou a se concentrar na comida.

Ikki viu que o namorado ficou um pouco decepcionado com sua resposta evasiva, então resolveu conversar sobre o assunto.

— Na verdade, um amigo até me recomendou isso, ele trabalha em uma agência de viagens, talvez ele pudesse fazer alguma sugestão de roteiro pra gente, não sei, ele parece ser muito bom no que faz, aliás, ele parece ser bom em tudo o que faz! — respondeu distraído, pensando em como seria bom conhecer Virgo, talvez ele o ajudasse naquela confusão toda em que estava envolvido, quer dizer o ajudasse mais.

Shaka arregalou os olhos e largou os talheres com força sobre a mesa. Como assim Virgo era bom em tudo? E Shaka não era? Quem Ikki pensava que...

— Vá viajar com ele, então — disse entre os dentes. Oh, por Buda! Estava mesmo com ciúme de si mesmo?

Ikki entreabriu os lábios se dando conta do que havia falado. No lugar de Shaka também não gostaria daquela frase, mas não a pronunciou com as intenções que o namorado estava pensando. Corou e abandonou os talheres também, passando a mão por cima da mesa e tocando a do namorado.

— Não foi isso que eu quis dizer, não precisa ficar com ciúmes dele, na verdade, eu e esse amigo nem nos conhecemos, foi uma bobagem o que disse, é que ele é agente de turismo sabe... Além do mais, você sabe que é o único homem... Bem, você sabe...

E desde quando eu fico me justificando? Ah , Ikki Amamiya, tem alguma coisa errada contigo! Alem da visita da fada arco-íris o que mais te aconteceu? Lobotomia?

— Termine o jantar e vá dormir, Ikki. Você precisa descansar — Shaka disse seco. Sabia que não tinha qualquer razão para estar com raiva, mas por que Ikki conseguia enxergar só as qualidades de Virgo? Sentir ciúme era irracional; sentir ciúme de si mesmo era o cúmulo da doença!

"Eu vou acabar enlouquecendo de verdade!", pensou exasperado com os próprios sentimentos.

— Tudo bem — concordou. Também não ficaria ali tentando explicar até aquele teimoso entender. Ah, por que as coisas com Shaka eram tão difíceis? Com Virgo... Nem começa com essa comparação idiota! Falou pra si mesmo e balançou a cabeça instintivamente como se assim pudesse espantar os pensamentos.

Shaka recolheu os talheres e pratos sujos assim que terminaram e rumou em direção à cozinha sem nada dizer. "Ikki gosta mais do Virgo!", pensava irritado. Lembrou-se da conversa em que Fênix praticamente se declarou a ele, tendo vontade de bater a cabeça na parede de tanta raiva.

"Eu sou só um substituto! Substituto de mim mesmo!". Dramatizava o indiano.

Terminou de lavar a louça e voltou à sala, largando-se no sofá. Pegou o controle e ficou passando pelos canais na tentativa de encontrar algo que o distraísse daqueles pensamentos sem sentido. Ikki permanecia sentado no mesmo lugar, mas ele não queria lhe dar atenção, estava mais que irritado, estava... Puto da vida!

Depois que Shaka retirou a louça, Ikki observou seus passos irritados até que ele se sentou no sofá ligando a TV e o ignorando completamente. Pensou em simplesmente ir embora, dando vazão ao seu orgulho, mas não o fez. Ao contrário, sentou-se pesadamente ao lado do loiro e ficou calado por um tempo antes de encará-lo.

— Eu entendo que sinta ciúmes, mas eu não tenho nada com esse amigo. Ele é homem, eu nunca me envolvi com nenhum homem antes, se lembra disso?

— É, mas do jeito que você falou, pareceu que você preferia estar com ele — Shaka disse sem tirar os olhos da televisão. — Já que ele é tão bom em tudo... Deve ser uma máquina na cama! Igualzinho a você.

"Que porcaria é essa que eu tô falando. Virgo e eu somos a mesma pessoa! O elogio foi para mim!", tentava se convencer angustiado.

— Olha — ele disse antes que Ikki tentasse retrucar e começassem mais uma daquelas discussões sem sentido. — Não tem como eu ficar feliz com o que você disse. Eu nunca fui ciumento e nem inseguro, mas você me deixa assim e eu não tenho culpa disso também.

— Shaka, caramba, cara!, conversar com você é difícil! — explodiu Ikki — Eu não sei como agir, tudo que digo parece ofendê-lo. Eu já reconheci que me expressei mal o que deseja mais que eu faça? Quer que eu vá embora?, tudo bem, eu vou! Boa noite! – Ergueu-se irritado e marchou em direção a porta. Depois de tudo que lhe acontecera durante aquele dia, não tinha cabeça para mais uma das discussões sem fim com o loiro.

— Quero que me beije! — Shaka demandou angustiado. Não deveria dizer aquilo em um tom tão arrogante, mas quando estava com raiva não conseguia controlar a língua. — Quero me beije e demonstre com as suas ações o quanto você gosta de estar comigo! Só isso! Quero que mostre que é comigo que você quer ficar!

A voz do indiano fez o moreno interromper a trajetória. Virou-se e o encarou por um tempo. Era visível a angústia que dominava o escritor. O medo e a insegurança brilhavam em seus olhos.

Aproximou-se dele rapidamente e o puxou pela nuca, beijando-o de forma abrasadora, enquanto a outra mão o puxava pra si pela cintura, colando seus corpos. A língua de Ikki saqueava a boca úmida e estreita do loiro quase lhe tirando o ar.

“Wow, por que eu fui pedir isso?”, Shaka pensou enquanto espalmava as mãos no peito do namorado, mas não iria afastá-lo. Foi ele que pediu por aquilo, não foi? Pois agora que arcasse com as conseqüências. Recebeu a língua ávida em sua boca sem hesitar, tentando corresponder a altura. O empurrou e caiu deitado em cima dele no sofá, esfregando o seu corpo lentamente no corpo forte do moreno, já sentindo as primeiras reações que aquela proximidade provocava.

Ikki gemeu dentro do beijo e deslizou as mãos por baixo da camisa que o loiro vestia, massageando a pele macia da sua cintura e subindo por seu tórax até alcançar os mamilos que foram massageados em movimentos circulares, cansou-se da barreira das roupas e livrou o indiano da camisa, subindo os dedos por seu pescoço para segurar-lhe o rosto e aprofundar o beijo até o impossível.

O mais velho interrompeu o beijo, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos.

"Não pense, Shaka, não pense! Só faça!", murmurava mentalmente, desesperado, enquanto deslizava as mãos pelo corpo do namorado e, com uma coragem que ele não soube de onde tirou, parava a mão esquerda em cima da ereção que já despontava entre as pernas do mais novo. Começou a massageá-la por cima do fino short que ele usava. Não pararia até que Ikki gozasse. Sabia que não era a mesma coisa que sentir o contato direto na pele nua, mas esperava dar algum prazer ao namorado com aquilo, algo que recompensasse todo o carinho e paciência que o moreno estava tendo consigo.

Ikki gemeu e jogou a cabeça para trás, deliciado pelo contato da mão do loiro em seu sexo que já estava bastante sensível e duro. O short era fino e o atrito com o tecido não incomodava, ao contrário, estimulava. Tomou os lábios de Shaka novamente, cego de desejo, mas sendo paciente para não tomá-lo, livrá-lo das roupas e possuí-lo como queria. Deixaria que ele mandasse na situação naquele momento, precisava saber até onde ele iria, se bem que... se ele desistisse agora, Ikki achava que teria um colapso nervoso.

Shaka sentia o corpo tremer, em parte pela reação do namorado aos seus toques, em parte porque já estava chegando ao seu limite também. Respirou fundo e continuou a estimulação, decidido a não surtar.

“Aii, está ficando molhado... sujo... Não, não, esqueça isso, esqueça!” .

— Ikki — Shaka sussurrou sentido o inicio da angústia que o fazia entrar em crise —Eu não vou parar... Até você sentir muito prazer... eu... eu quero te dar muito prazer... — Cerrou os olhos, tentando fugir da sensação de pânico que o tomava. Seu estômago se contorcia com ânsia de vômito e seu corpo inteiro tremia de medo e repulsa. As lágrimas afloraram e ele apertava mais os olhos para evitar que elas saíssem e estragassem tudo. Ele sentia a umidade em sua mão e o desespero crescia proporcionalmente em seu peito.

Ikki estava perdido na sensação gostosa do toque do namorado, tão perdido de desejo e prazer que demorou até entender o que estava acontecendo. Ao perceber o estado de Shaka, foi como se ele recebesse um balde de água fria na cabeça. O moreno abriu os olhos e em um movimento rápido afastou a mão do namorado, o segurando pelos ombros e o afastando de si. Sentou-se no sofá e logo estava de pé, caminhando em direção a porta em silêncio, mais do que nunca puto da vida. Na verdade estava fugindo, estava fugindo porque não queria brigar com o loiro, não era culpa dele, mas PORRA também não era sua! E era ele que estava ali, com um enorme, duro e latejante problema entre as pernas que Shaka não poderia resolver!

O que Shaka estava pensando? Que sexo era aquilo? Uma espécie de troca e recompensa? Merda! Estava muito excitado, mas não permitiria que aquilo acontecesse, não daquela forma, por obrigação e a troco de tanto sofrimento.

— O que...? — Shaka murmurou confuso, sem entender o que havia feito de errado. Estava se esforçando tanto para que Ikki gostasse! — Por que...? Ikki, volta aqui! — gritou completamente confuso, sentindo o coração aos pulos.

Ikki se voltou. Excitado e frustrado como estava seu humor ficava péssimo e a pouca paciência ia para o espaço.

— Não preciso do seu sacrifício, Shaka, obrigado, mas não quero que se esforce. O que fiz ontem foi por que quis e não uma troca. Quero dizer, é claro que quero transar com você, mas não quero que se force a nada entendeu? Quando você quiser de verdade e puder!, a gente transa!

— Mas... eu... Não é uma obrigação! Eu quero! — Shaka exclamou alterado. Também estava excitado, e por mais que estivesse em pânico por causa da sua mania, queria dar prazer a Ikki porque o amava e não porque se sentisse em dívida com ele. — Ikki, isso é uma demonstração dos meus sentimentos... Eu nunca fui tão longe com ninguém, nunca conseguir ir, nem queria me forçar a ir. Você é uma pessoa que precisa muito mais de ações do que de palavras. Eu só queria que você sentisse o quanto eu estou apaixonado por você. Tão apaixonado que estou lutando com todas as minhas forças para ignorar a minha man... Minha doença...

Ikki entreabriu os lábios e seus olhos marejaram com aquela declaração. Shaka finalmente admitiu que aquilo fosse uma doença. Deuses! Como foi insensível! Mais uma vez foi insensível em não perceber que ele estava fazendo tudo que podia para se superar e lhe agradar. Sim, estava excitado, frustrado, mas não podia esquecer daquilo, esquecer que, antes de tudo, o loiro estava pensando nele.

A voz de Shun e as acusações do passado ecoaram em sua mente fazendo uma pontada de dor ir a sua nuca como se fosse um dedo acusador enfiado na ferida mais profunda que carregava.

“Você é mau, egoísta e insensível! Você não me ama, se me amasse iria querer minha felicidade. Você só consegue pensar em você mesmo e nos seus sentimentos!”

“Ikki, não me abandona, eu preciso de você...”

Deu um passo em direção ao namorado e cerrou os olhos com força por alguns segundos tentando controlar a dor que o cortava, depois os abriu e caminhou a passos mais rápidos até o loiro e o abraçou.

— Me desculpe... — balbuciou e mais uma vez se lembrou de que quando se arrependeu de tudo que dissera a Shun já era tarde demais. Não queria que fosse novamente tarde demais! Não!, não com Shaka, deuses!, não podia perdê-lo.

As lágrimas desceram por seu rosto sem que ele pudesse evitar, e o jovem empresário tentou escondê-las no ombro do loiro enquanto o abraçava o mais forte que podia, como se assim, pudesse mantê-lo em sua vida.

— Ikki...? — Shaka se assustou com a reação do moreno. Jamais imaginou que ele fosse baixar a guardar daquela forma e se permitir chorar na sua frente. Sem saber direito o que fazer, ele o acolheu nos braços, fazendo um carinho leve na nuca dele. — Está tudo bem.

O moreno ficou quieto, não respondia, estava envergonhado. Aquele dia foi estranhamente tormentoso e ele só tinha vontade de sumir da face da terra. Era mesmo um ogro, estava sempre pronto para ferir as pessoas que mais amava.

— Eu te amo... — murmurou, enquanto tentava se afastar dos braços de Shaka e enxugava o rosto rápido, sem olhar para ele. Era orgulhoso demais e, para ele, chorar era a máxima demonstração de fraqueza. — Eu preciso dormir agora, nos falamos amanhã, loiro...

O moreno beijou-lhe a testa e rapidamente saiu do apartamento do indiano. Estava envergonhado demais para encarar o namorado, queria apenas desaparecer.

Shaka não conseguiu esboçar reação. Ficou lá, completamente travado, com o coração acelerado e as pernas trêmulas. — era uma sorte estar sentado senão teria ido de encontro ao chão — Ikki havia dito que...? Mas ele não fizera toda aquela confusão antes pelo que o loiro dissera no momento da bebedeira?

— Que confuso! — murmurou enquanto se deitava no sofá e abraçava as próprias pernas. Lentamente um sorriso foi surgindo em seus lábios. Ikki o amava! Mesmo com todos os seus o problemas, manias, doença, surtos de ciúme e bipolaridade, o moreno o amava!

Ikki entrou em seu apartamento e caiu na cama, pensativo. Havia tomado uma decisão: precisava desesperadamente achar alguém que ajudasse Shaka a sair daquela situação, e precisava finalmente dar uma solução naquela situação mal resolvida entre ele e Shun.

Continua...

Notas finais
Gente que situação viu?! Eu morro de pena dos dois. Mas tomara que agora, com o Ikki decidido a procurar o Shun as coisas andem!
Convido os leitores fantasmas a aparecer, mesmo que de forma espectral XD! Bia e eu estamos precisando de afagos hehehehe, então novos reviews e recomendações são sempre bem vindos, claro!, para quem achar que a fic merece mesmo!
CahFencz, Agathachan, Su Cabral, Sarah, ddkcarolina, Pandora Hiei, Hanajima, PollyWeasley, Álefe, Matheus_Uchiha, Hatake Sayuri, Lord Bol, Alone Chan,
KitsuneKiki, Kao.
A TODOS VOCÊS UM SUPERIMENSO E CARINHOSO BEIJO NOSSO!
POSTADO EM 03/08/2012