Essa Estranha Atração

13 Esse estranho retorno


Notas iniciais
Olá!
Bia postando :)
Demoramos pacas, eu sei. A vida anda meio corrida tanto para mim como para a Sion.
Esperamos que curtam o capítulo. Cheio de drama com uma pintada de pervice (sim, nós não resistimos...).
Beijos!
Bia.

Esse estranho retorno

Capítulo 12



No dia seguinte, logo cedo, Ikki saiu de casa em direção ao hospital onde sabia que o irmão trabalhava. Não tinha nenhuma informação do que ele fazia lá e nem em que área ele trabalhava, mas como Shun havia se mudado de Atenas anos atrás, ele não sabia onde o irmão mais novo morava, então aquela era sua única chance.


Também preferiu não pensar muito no assunto e seguir simplesmente seus instintos, já que se pensasse com clareza, acabaria desistindo da ideia.


O movimento no pronto-socorro era intenso, mas a recepcionista sorriu quando ele se aproximou do balcão tirando os óculos escuros e revelando os olhos azul-índigo amendoados que demonstravam sua ascendência oriental.


— Bom dia — ele sorriu seu mais charmoso sorriso. Ikki tinha noção do quão bonito era e sabia que seu raro sorriso, aliado a sua aparência geral, era capaz de impressionar qualquer mulher, quiçá seduzi-las perdidamente. Isso pareceu acontecer com a ruivinha de óculos grandes atrás do balcão que ficou pelo menos um minutos de boca aberta o mirando para depois corar e sorrir sem jeito.


— Bom dia, senhor!, em que posso ajudá-lo?


— Eu preciso de uma informação — continuou Ikki ainda sorrindo, coisa que não gostava muito de fazer. Geralmente seu semblante era sisudo. — Eu estou procurando por um rapaz que talvez trabalhe aqui, seu nome é Shun Amamiya...


— Ah, a gracinha do Shun! — a menina o interrompeu animada e um sorriso amarelo foi ao seu rosto. — Sim, ele trabalha aqui há um mês, mas isso você deve saber... — mais um risinho nervoso —, você é namorado dele?


Ah, então ele não faz questão de esconder sua estranha opção sexual? E por que você está achando estranha Ikki Amamiya se AGORA ela também é a sua?”, tais pensamentos passaram rápido pela mente do moreno, mas ele os afastou e umedeceu os lábios antes de falar:


— Sim, sou. — Mentiu. Achou que se dissesse que era irmão, Shun poderia não querer atendê-lo. — Onde posso encontrá-lo?


— Ele trabalha na ala de psiquiatria, mas acho melhor o senhor não ir até lá. Espere no consultório, eu vou mandar chamá-lo.


Ikki agradeceu, e a menina o guiou por um corredor, deixando-o num amplo consultório, onde havia duas mesas, uma central grande e outra menor no canto. Tudo era muito limpo e organizado, mas sem nenhum luxo. Ele se aproximou da pequena mesa e descobriu que era a mesa de Shun, ao ver um porta-retrato com uma foto dele abraçado a um rapaz ruivo. Ambos sorriam de forma displicente, numa pose muito natural, nem ao menos pareciam que estavam sendo fotografados.


Ikki engoliu em seco, recolocando o porta-retrato no lugar. Shun e o ruivo desconhecido pareciam acima de tudo felizes.


Aproximou-se da janela ampla de vidro e ficou mirando o movimento da rua, quando ouviu a porta se abrir.


— Mime, eu não esper... — a frase que Shun iniciou morreu em seus lábios e uma palidez assustadora tomou conta do seu rosto assim como os olhos se arregalaram.


Ikki sentiu um nó se formar em sua garganta e nada falou, apenas encarou o irmão de forma receosa e inquieta.


— O que você faz aqui? — a voz de Shun saiu entrecortada e tão magoada quanto da última vez que se falaram.


O nó em sua garganta continuou o impedindo de falar, mas ele se esforçou a engoli-lo e disse com uma voz extremamente rouca e falha:


— Eu precisava falar com você.


Shun o examinou por um tempo de forma um tanto irônica.


— Tudo que tínhamos a falar já foi falado. O que você quer agora? Por que mentiu dizendo que era meu namorado?, sente prazer em me espezinhar mais? — cuspiu o menor irritado.


Deuses, não permitam que eu chore, não permita...”, pedia o Amamiya mais novo mentalmente. Não queria ser novamente humilhado e ofendido pelo irmão. As palavras ditas no passado ainda estavam muito vivas e agora, vendo Ikki parado à sua frente, parecia que aquela ferida era novamente rasgada e exposta.


— Shun, não é nada disso, eu...


— E o que é então, depois de quatro anos? — o mais jovem interrompeu o mais velho novamente. — Sabe o que são quatro anos? Quatro anos sozinho? Quatro anos em que precisei de apoio e não encontrei? O que você quer agora? Por que não pega essa sua cara arrogante e desaparece da minha frente?!


Ikki arregalou os olhos, surpreso com toda aquela agressividade. Deuses! Como o irmão estava mudado. No passado, Shun era incapaz de lhe ergue a voz, agora estava completamente agressivo; já não havia a ternura nele, agora seu irmão era apenas um homem magoado e disposto a expulsa-lo dali.


— Eu... eu sinto muito... — ele gaguejou nervoso. — Eu não vim espezinhá-lo ou ofendê-lo, eu... Eu sinto muito por tudo que aconteceu no passado, da forma que eu agi...


— Sente? — Shun o encarou com amargura. — Depois de quatro anos, você vem me dizer que sente muito?


O mais velho respirou fundo. Não tinha argumentos, o irmão estava certo!, terrivelmente certo! O havia abandonado no momento em que mais precisava. O que queria agora? Que Shun o recebesse de braços abertos? Aquilo era ridículo.


— Eu sinto muito — disse baixo e dolorido —, sinto muito mesmo. — E caminhou para a porta. Mas, antes de sair, parou. Não podia retroceder, não podia deixar seu orgulho vencê-lo naquele momento, não podia, por Shaka !


Voltou-se e se aproximou do irmão o encarando nos olhos.


— Shun, eu sei que é difícil perdoar a forma que agir e tudo que eu disse, mas... Eu preciso da sua ajuda — fechou os olhos com força ao dizer aquilo e sentiu algo rasgar-lhe as entranhas; teve ânsia de vômito, de tão mal que se sentiu e seu corpo tremeu ao ter que engolir o próprio orgulho daquele jeito, mas ele permaneceu no mesmo lugar.


Shun entreabriu os lábios por três vezes e voltou a fechá-los.


— Minha ajuda? — balbuciou surpreso. Ikki só poderia ou está caçoando dele ou estar à beira da morte.


— Você só pode estar brincando! — riu incrédulo. — O que é? Está à beira da morte por acaso e quer se redimir dos erros do passado?


O rosto do mais velho não exibiu nenhuma expressão nesse momento e o mais jovem arregalou seus já grandes olhos.


— É isso? — ele indagou surpreso. — Você está com um câncer fatal, um tumor cerebral incurável? — ele perguntava de forma frenética e tornava a pergunta quase uma afirmação — Só pode ser isso... Só assim mesmo pra você vencer todo seu orgulho, arrogância e preconceitos...


— Shun, eu não estou morrendo — Ikki disse baixo. — A ajuda não seria pra mim.


O futuro psicólogo ficou olhando para o irmão como se ele fosse uma cobaia de laboratório que estivesse dissecando. Tentava analisar cada piscar dos cílios de Ikki.


— Então...?


— Há uma pessoa com um problema — o empresário disse com dificuldade, usando toda sua força para não sair dali imediatamente. Sentia-se um miserável, humilhado, naquele momento.


— Uma pessoa? — Shun deixou um sorriso de amargura e incredulidade passar por seus lábios. — Uma mulher? A Esmeralda?


— Não! Esmeralda e eu não estamos juntos desde aquela época, você sabe!


— Claro que sei! Ela era humana demais pra você, não Ikki?


O mais novo não cansava de provocar. Destilava toda sua mágoa com um veneno que ele não sabia o quanto era amargo para o mais velho.


— Sim, talvez fosse isso — tornou Ikki. — Talvez se eu disser que você tem razão em tudo, você possa me ouvir!


— E o que você quer? Diz de uma vez! — irritou-se o mais novo.


— Eu preciso que você me ajude com uma pessoa que... eu acho que sofre de transtorno obsessivo compulsivo, é isso — falou finalmente e colocou as mãos nos bolsos.


— Quem é?


— Isso não importa...


— Claro que importa! Pra você vir até mim, deve ser alguém muito importante! — disse Shun. — Mais importante que eu — pensou, lutando contra as lágrimas.


— É um amigo — Ikki murmurou entre dentes.


— Amigo? — Shun balançou a cabeça. — Vai embora, Ikki! Eu tenho mais o que fazer! — ele caminhou em direção à porta, mas o irmão rapidamente o deteve, segurando-lhe o braço.


— Espera, por favor!


O estudante de psicologia mirou os olhos do irmão e depois a mão que o segurava, o que fez Ikki o soltar lentamente.


— Por favor, Shun, essa pessoa precisa muito de ajuda e... Eu sei que você é o tipo de pessoa que ele confiaria...


— Ele? — Shun indagou libertando o braço com violência. — Afinal o que você quer dizer com tudo isso, Ikki?! Por que esse suspense todo? Quem é...?


— Meu namorado...


As palavras ecoaram no ar por um tempo. O rosto de Shun tornou-se ainda mais pálido, enquanto ele encarava o irmão, estupefato.


— Ele... ele sofre de TOC, eu tenho certeza, Shun — continuou a dizer, mirando o chão. — Eu sei que ele não vai aceitar ajuda de qualquer pessoa, por isso pensei em você e...


O mais novo abriu a porta e se deixou ficar ao lado dela. — Sai! Sai daqui agora! — ele disse com raiva.


O Amamiya mais velho o encarou incrédulo. — Shun...


— Depois de tanto tempo, você me procura para zombar de mim?! — perguntou tremendo de indignação e mágoa.


— Não...


— O que você é, um doente? Descobriu onde eu trabalho e agora virá sempre para me espezinhar?


— Shun, eu estou...


— Sai daqui ou eu vou chamar a segurança! — gritou o mais jovem com lágrimas nos olhos. — Some, Ikki!, não me procura nunca mais! Eu já tinha me recuperado de você, por que está fazendo isso comigo outra vez?


As lágrimas do mais novo caíam sem parar agora. Ele não mais conseguia contê-las. Ikki não sabia o que dizer e nem como agir, a angústia era grande demais, então ele apenas obedeceu ao irmão e, mais uma vez, deixou sua vida.


Shun fechou a porta e deixou-se escorregar por ela até o chão, chorando copiosamente. O passado voltando com força total aos seus pensamentos.



Fora um dia decisivo em sua vida, ele havia acabado de ser aceito em uma das melhores faculdades do país e estava feliz. Só não estava mais feliz porque ainda tinha que manter certos assuntos em segredo do seu irmão. Shun amava demais Ikki, o admirava muito. O mais velho era seu exemplo. Aos 20 anos, o irmão estava concluindo a faculdade de administração e já era disputado por algumas empresas. Mas o que ele queria era abrir seu próprio negócio, contando, para isso, com uma pequena herança (uma quantia muito baixa, mas que para eles fazia diferença) deixada por uns tios distantes que descobriram possuir depois de adultos. Para conseguir a tal herança, o irmão tivera que bancar uma viagem a Tóquio, terra de seu pai, mas voltou com o dinheiro e muitos planos que dividiu com Shun com entusiasmo.


Ikki ficara radiante quando soube que seu irmão fora aceito na faculdade e começara a fazer planos e contas; afinal, ele pretendia pagar-lhe os estudos. Comemoraram os bons dias numa pizzaria com amigos e a namorada do irmão na época, a bela Esmeralda. Ikki, Kanon, Saga dentre outros amigos mais próximos estavam juntos àquela noite, e todos notaram que, apesar da comemoração, o mais jovem dos Amamiya estava triste.


— Shun, o que você tem? — o irmão indagou quando eles já voltavam para casa. — Puxa, eu fiz tudo para agradá-lo hoje! Você poderia ao menos dar um sorriso. O que foi? Não está feliz em ter passado em psicologia?


— Não, Ikki, não é isso... é que... — mirou o rosto do irmão indeciso.


— O que é? Você sabe que pode confiar em mim, não sabe?


— Sei, Ikki, é que... Eu... eu não...


A mão carinhosa do irmão foi ao seu ombro.


— Hey, sou eu, esqueceu? Fala a verdade...


Shun o mirou nos olhos e o mais velho sorriu de leve, ele então o abraçou pela cintura.


— Obrigado pela noite, irmão! Não ligue para mim, é que... eu tenho medo de perdê-lo.


O Amamiya mais velho sentiu uma estranha angústia quando o irmão falou aquilo e o abraçou por um tempo, logo tratando de afastá-lo, afagando-lhe rudemente os cabelos fartos.


— Hey! Para com isso, estamos parecendo duas bichas! — riu sem jeito, mas o olhar que Shun lhe lançou fez seu sangue gelar nas veias.


Shun sentiu como se seu coração se partisse e lágrimas inundaram seus olhos que ele baixou para o chão.


— Ikki, eu tenho que te contar algo...


— Isso fica pra depois, está tarde! Amanhã conversamos! — cortou a conversa e arrastou o irmão para casa. Mas naquela noite a certeza de que “havia algo errado” com o garoto o tomou. Claro que não era tolo; sempre achou o irmão bonzinho demais, delicado demais, mas algo em sua mente tentava bloquear o óbvio. A confirmação só viria duas semanas depois quando, por um incidente, ele acabou acessando a caixa de e-mails de Shun. Havia um e-mail bastante revelador de um garoto.


“À noite passada foi maravilhosa...”


Assim começava o e-mail que fez seu mundo desabar. Durante toda à tarde, ele esperou por Shun para ter a maldita conversa. Pensava que iriam conversar e não terminar à noite aos berros como aconteceu. Não deveria ter bebido, mas bebeu. Somente uma ou duas cervejas fariam com que agüentasse aquela terrível revelação. Seu irmão era uma bicha, um veado, fresco, fruta! Todas essas coisas horrorosas que se chamavam anormais que desvirtuavam a natureza!


Já era tarde quando Shun chegou. Ele parecia feliz e tranqüilo depois do primeiro dia na faculdade. Na verdade, ele já estava decidido a se mudar par um dos dormitórios e criar um pouco de independência. Não sabia ele que aquela noite contribuiria muito para sua decisão.


— Olá, irmão! — disse animado e tentou beijar o rosto do Ikki, mas ele se esquivou. Shun franziu as sobrancelhas estranhando. Ikki era arredio com demonstração de afeto, mas nunca foi com ele. Agora, o irmão exibia um semblante perturbado e... enojado!


— Aconteceu alguma coisa? — tentou novamente confuso.


— Me diz você! Eu abri sua caixa de e-mail, você deixou aberta e eu... eu acessei sem querer... — falou trêmulo. — Desde quando você... desde quando você faz esse tipo de coisa, Shun?!


— Que tipo de coisa? — indagou lívido.


— Eu vi a mensagem de um cara, dizendo que a noite de ontem foi maravilhosa! Então, para de mentir, já chega! — berrou transtornado, vendo o irmão ficar pálido como um papel.


— Eu... eu ia contar... — ele murmurou.


— Ia contar? Então é verdade? Meu Deus! — Ikki estava transtornado e começava a andar de um lado a outro. — Como você pode... como pôde mentir pra mim? Me enganar e dizer essas coisas?!


— Irmão, eu...


— Não me chama de irmão! Eu não sou irmão de bicha! Não sou!


— Ikki, não faz isso comigo, não me diz essas coisas! — Shun chorou, sentindo o peito doer de dor. — Você é a única pessoa que tenho na vida, por favor, não me abandone!


— Eu não vou abandoná-lo se você tomar vergonha nessa sua cara e parar com essa pouca vergonha! — grunhiu o mais velho. — É uma fase, irmão, você... você é tão jovem!


— Não é uma fase, Ikki — balbuciou Shun ajeitando os cabelos atrás da orelha e soluçando. — Eu... eu sou assim, sempre fui assim... Desde o ginásio que... que namoro garotos...


Ikki o encarava trêmulo com os punhos cerrados e os olhos maiores que pires.


— Eu... eu sinto muito por decepcioná-lo, irmão... — murmurava o mais novo dolorido.


— Não me chama de irmão! Você... você... Não pode ser, Shun, não pode! — Ikki berrava totalmente fora de si.


— Mas eu sou! Sinto muito! — balbuciou Shun chorando — Eu escondi isso de você à vida inteira, porque não queria vê-lo assim...


— Deuses! Isso é um pesadelo! — dizia o moreno passando as mãos nos cabelos nervoso. Depois encarou o irmão. — Escuta bem: isso é uma fase e vai passar, entendeu? Você vai me dizer agora isso! Que você não é um veado!


Mas Shun, mesmo de aparência frágil, possuía uma alma forte e não retrocedeu e encarou o irmão:


— Eu sou! É isso que você quer ouvir? Sim, eu sou veado, gosto de homens e não posso mudar isso, desculpe! Não é uma escolha! É o que sou, Ikki!


Ele abraçou o próprio corpo chorando compulsivamente, ferido e magoado como nunca.


— Então você não é mais meu irmão! Eu não quero olhar nunca mais na tua cara... Isso, isso é nojento!


— Você quer dizer que... que tem... tem nojo de mim...? — soluçou Shun.


— Sim, tenho nojo! Nojo, Shun! Eu não o criei, fiz tantos sacrifícios para que agora você resolva dar o rabo por aí, como uma vadia!


— Não diz isso! — gritou Shun transtornado.


— Digo e digo mais! Se você insistir nesse estilo de vida, pode me esquecer, entendeu? A partir de hoje, eu morro pra você, Shun!


Ikki não ficou para ver a reação do irmão, saiu batendo a porta e foi para um bar onde tomou um homérico porre. Para falar mais claramente, ele bebeu por três dias seguidos e dormiu todos esses dias na casa de amigos. Não tinha coragem de voltar para casa e encarar Shun, não conseguia.


Foi Kanon quem o chamou à realidade, dizendo que ele estava perdendo o único laço familiar que possuía por puro preconceito; claro que não foi fácil convencer Ikki Amamiya, cabeça dura convicto, mas depois de uma semana, mais calmo, ele parou para pensar nas coisas horrorosas que dissera ao irmão. Aflito e arrependido, voltou para casa, mas não encontrou sinal de Shun, suas gavetas estavam vazias e não havia nada de uso pessoal em seu quarto. O mais velho entrou em desespero e partiu a procura do menor. Foi ao dormitório da faculdade, a casa de amigos e nada! Shun havia desaparecido.


Ficou completamente desesperado, mas só receberia notícias do irmão uma semana depois ao receber uma intimação judicial. Shun entrara na justiça para ter acesso a sua parte da herança que era controlada por Ikki. No dia da audiência, Shun mandou um representante. Ikki tentou encontra-lo algumas vezes, ligou para seu celular, mas Shun não atendeu. Quase um mês depois, receberia um e-mail dele dizendo:


Vi todas suas ligações, mas não quis atender. Não insista. Eu não vou mudar, não me transformarei em algo que não sou por sua causa. Viva sua vida, Ikki, como pedido por você, eu o esquecerei.

Depois daquilo, ele achou melhor mesmo esquecer o irmão e não voltou a procurá-lo. E quatro anos se passaram sem que tivesse notícias de Shun. Por mais que quisesse, nunca teve coragem de voltar a procurar o irmão.


Ikki dirigia rápido, enquanto todos os acontecimentos do passado povoavam sua mente. Enquanto isso, Shun deixava o hospital alegando um mal-estar e seguia para casa, onde se jogaria na cama e passaria sua pior tarde dos últimos quatro anos.


Ikki passou o resto do dia na boate, mas não tinha cabeça para trabalhar. A discussão com Shun, as palavras agressivas e magoadas do irmão retumbavam em sua mente como um tambor ruidoso e melancólico. Sabia, há muito tempo, que estragara tudo entre eles. Então o que pensou? Que Shun se apiedaria dela somente por causa de seus problemas com Shaka?


Viu o dia passar lentamente entre um e outro copo de uísque. Percebia de vez em quando o olhar preocupado de Shiryu quando ele entrava em sua sala e via os copos sobre a mesa.


— Ikki, está tudo bem? — o gerente perguntou.


— Não, Shiryu — ele respondeu se erguendo. — Assume a boate, eu vou pra casa, não legal.


— Tudo bem. Você acha que pode dirigir?


— Claro que posso! — exclamou como quem diz: você está brincando não é? Então o gerente achou melhor não contestá-lo. Pediu apenas que o chefe ligasse quando chegasse a casa, e Ikki concordou.


O empresário guiou da mesma forma agressiva de sempre pelo trânsito caótico de Atenas, chegando ao prédio e indo direto para o apartamento de Shaka. Estava com saudade dele, embora achasse que, naquela noite não seria boa companhia para ninguém.


Shaka estava com o rosto praticamente colado na tela do computador. Os olhos arregalados, os lábios entreabertos e a face totalmente rubra. Ele havia admitido que talvez sofresse de TOC, então o próximo passo era conhecer melhor a doença. Lá no fundo, já sabia que tinha algum problema, mas se recusava a admitir. Ikki o ajudou a abrir os olhos e enfrentar a realidade, então agora, queria ficar bem... Para ele.



Sabia que se entregar completamente ao moreno seria a melhor forma de agradecer e provar o quanto o amava. O problema era que nunca conseguiria fazer aquilo que as pessoas das figuras do kama sutra, livros do qual provinham as imagem que ele mirava agora, estavam fazendo.


O loiro engoliu em seco e aproximou-se ainda mais da tela fazendo com que seu nariz roçasse no monitor. Ele havia começado a ler sobre TOC e acabou indo parar em um site sobre Kama Sutra nem sabia o porquê.


Ele ia mudar de imagem, quando Ikki entrou no apartamento. Diabos! Esquecera a porta aberta! Atrapalhado e com medo que o moreno visse o que estava fazendo, puxou os fios do computador da tomada de uma vez, o desligando.


— Oi! — exclamou afobado se erguendo da cadeira com aquela cara de aprontei sim e quase fui pego!


Ikki achou a cara do indiano mais que estranha e se tivesse em melhores condições emocionais perceberia que ele deveria estar vendo algo “muito proibido” no computador quando ele entrou. Sorte de Shaka que ele não estava em seus melhores dias.


— Oi — respondeu dando um beijo suave o loiro — Como foi o dia? — perguntou somente de forma baixa e quebrada, sem sorrir ou olhar nos olhos do loiro, indo em seguida se sentar no sofá.


Shaka franziu a testa quando Ikki se afastou sem nem olhá-lo direito. Geralmente ele era bem observador e teria feito algum comentário sobre a sua afobação ao vê-lo.


— Foi tranquilo. Consegui terminar mais um capítulo do meu livro. Não vejo a hora de terminar! Parece um peso nas minhas costas, sabe? — comentou enquanto sentava ao lado dele. — E você? — fez um carinho leve na nuca do moreno — Parece meio chateado.


Ikki suspirou e arqueou levemente o pescoço no sofá, fechando os olhos ao sentir o carinho de Shaka em sua nuca. — Eu to legal, só cansado... — murmurou a mentira e esperava que Shaka a aceitasse e não fizesse muitas perguntas. — Que bom que conseguiu escrever, eu ainda não tive tempo de ler o que você me emprestou, mas prometo que farei — desviou estrategicamente o assunto.


Shaka percebeu que não era exatamente só cansaço, mas não insistiria. Sentia-se mal por não poder ajudá-lo, dizer algo que pudesse fazê-lo se sentir melhor, mas Ikki não cooperava, se fechando naquela concha impenetrável. Bem, quase impenetrável, já que Virgo conseguia arrancar algumas confissões ele. "Virgo sempre consegue!", seu lado ciumento irracional falando alto outra vez.


— Então... — Shaka disse lentamente, antes de morder o lábio com força, sem acreditar no que estava para dizer. Ikki era um homem que precisava de demonstrações de afeto por meio de ações e era isso que ele faria, pois, embora o moreno não quisesse demonstrar, o indiano sentia uma tristeza profunda e doía nele — Você quer tomar banho comigo? — perguntou em um tom rápido e quase inaudível. Não conseguiria por os ensinamentos de kama sutra em prática, mas poderia ao menos tentar relaxar o moreno.


— Hã? — Ikki abriu os olhos e encarou o loiro com as sobrancelhas franzidas sem entender. — Tomar banho com você? Por quê? — ele realmente não conseguia entender o que Shaka queria, afinal, o loiro nunca o convidara para um banho antes e sua cabeça estava cheia demais para captar as segundas intenções do namorado.


Shaka sentiu o rosto arder de vergonha e se recostou ao sofá, fazendo um leve bico de irritação. Será que teria que dizer com todas as palavras o que queria? Se fosse, seria bem difícil! Nem sabia como havia tido coragem de convidá-lo para o banho! Ikki tinha que complicar tudo!

— Eu... Eu só pensei que... Talvez... Você estivesse cansado e querendo um banho — tentou explicar, mas sua voz mais falhava do que saia. — Eu estive lendo sobre TOC — confessou — e... Pensei... Pensei que talvez na água... Embaixo do chuveiro... Eu... Eu não sinta asco. É isso... — disse enquanto deixava o cabelo cair sobre o rosto para não ver a expressão do namorado nem deixá-lo ver sua face da cor de um pimentão.


Ikki piscou confuso e surpreso. Não esperava por aquilo, mas também não parou para pensar direto, não era bem pensar o que precisava e o que Shaka queria. Puxou o loiro para si pela nuca e tomou-lhe a boca de forma aflita, mergulhando a língua com loucura a procura da dele, enquanto o puxava para que ambos ficassem de pé e sem parar de beijá-lo o empurrava em direção ao banheiro, livrando-se desajeitado de sapatos e meias.


Shaka se assustou com a impetuosidade de Ikki, mas tentou corresponder como pôde. Ele arfou ao sentir a água gelada cair sobre a sua cabeça ao praticamente se jogarem embaixo do chuveiro com roupa e tudo.


— Ikki... — gemeu o nome do namorado quando os lábios se desencontraram por um breve instante. O loiro observou as gotas de água deslizando pelo pescoço de Ikki e desaparecendo para dentro da roupa do moreno. O indiano mordeu levemente o lábio e com as mãos tremulas começou a desabotoar a camisa que o moreno usava. "Força, Shaka, você começou isso... Agora continue!", pensava.


Ikki sentiu os dedos vacilantes do loiro nos botões da sua camisa e tratou de livrá-lo da dele também. Deuses! Há tanto pedia por aquilo, queria aquilo, mas no fundo, ainda tinha suas dúvidas se eles conseguiriam mesmo. Voltou a beijar o indiano, retirando a camisa dele e deixando que o loiro o livrasse da sua. Começou a descer beijos e chupadas fortes pelo pescoço alvo, ouvindo-o gemer de prazer o que o deixava ainda mais excitado.


Shaka deslizou uma das mãos até a nuca de Ikki, apertando os fios negros com força, enquanto fechava os olhos. Jogou a cabeça para trás para dar mais acesso a língua e boca ousadas do namorado que marcavam o seu corpo. Era tão bom sentir seu corpo colado ao dele. Por que não podia sentir somente as sensações boas?


A outra mão do escritor deslizava suavemente pelo peito agora exposto do namorado. Ele abriu os olhos, curioso, ao tocar um dos mamilos rígidos de Ikki. Olhou para ele como que pedindo autorização e, pegando um dos seus muitos sabonetes aromáticos, começou a ensaboá-lo lentamente, detendo-se nos mamilos, passando a apertá-los com força. Queria lambê-los, mas não teve coragem; já estava indo bem longe com aqueles toques. Esperava que Ikki compreendesse que aquilo já era tudo que podia.


O moreno sufocou um gemido mordendo o lábio inferior e apoiou as costas na parede para que Shaka pudesse brincar mais confortavelmente com seu corpo. Gemeu quando ele o apertou com mais força entre os dedos e seu sexo pulsou dolorido dentro da calça jeans justa. Ele abriu os olhos e mirou o rosto afogueado do namorado. Sabia que se não fizesse, ele não faria, então, ele mesmo desabotoou a calça e a desceu por suas pernas, ficando apenas de cueca. — Não podemos tomar banho vestidos, loiro — falou, e sua voz saiu mais gutural do que ele imaginava, pela excitação que ficava evidente na enorme ereção comprimida dentro da boxer branca que ele vestia.


Shaka enrijeceu ao sentir o falo de Ikki roçando em sua coxa, mas não se afastou. —Sim... Eu... Sei — gaguejou, enquanto tentava desabotoar a própria calça, mas estava trêmulo e nervoso demais. — Ai, por que você faz com que eu me sinta um adolescente? — resmungou nervoso.


Ikki riu com o comentário e ajudou-o a soltar o botão da própria calça, continuando a beijá-lo no pescoço e ombros. — Você faz o mesmo comigo, loiro gostoso... — falou sacana no ouvido de Shaka, deixando seu hálito quente arrepiar-lhe a pele, ao mesmo tempo em que as mãos desciam à calça do indiano e se insinuavam numa suave carícia em suas nádegas firmes, os dedos brincando timidamente por dentro da cueca,


Fazendo círculos delicados na pele tenra.


Shaka gemeu mais alto do que queria ao sentir os dedos de Ikki insinuando-se dentro da sua roupa. Estava excitado, muito. Mas a ideia de aliviá-los ainda o deixava um pouco apavorado. Não sabia muito bem o que fazer, mas seguiria seus instintos. Ele engoliu a fobia como pode, fechou os olhos com força e puxou a cueca de Ikki para baixo. Em seguida, fez o mesmo com a própria cueca e estancou um pouco, sentindo o coração disparado no peito. Sem coragem para encarar o namorado, colou o corpo ao dele, deliciando-se com o toque dos corpos, dos sexos que pulsavam excitados. A água estava morna agora, e o cheiro do sabonete misturava-se ao odor de sexo, fazendo com que o loiro não se sentisse enjoado, apenas um pouco incomodado. Apertou forte os ombros do moreno, trêmulo e triste com a própria incapacidade.


— Eu não... Não consigo mais do que isso — sussurrou com medo que Ikki o rejeitasse. Segurou a mão do namorado e guiou-a até o limite onde seus sexos se tocavam, indicando que queria que ele os masturbasse juntos.


Ikki sentiu o corpo responder com ainda mais loucura ao contato e roçou-se descaradamente nele, enquanto continuava a lamber e chupar seu pescoço. Já esperava que o loiro não conseguisse ir até o final, mas estava gostoso daquela forma, e ele não queria parar. Simulou movimentos de vai e vem, segurando o loiro com força pelas nádegas e ouvindo-o gemer mais alto e estremecer, então, afastando-se um pouco, começou a masturbar os dois membros grandes e duros com uma das mãos, mas percebeu que não conseguiria dar conta, devido aos tamanhos volumes de forma adequada, então puxou a mão direita de Shaka a colocando sobre a sua. — Sente a água? — perguntou de forma entrecortada, de olhos fechados e lambendo os lábios. Não entendia como estava tão quente, sendo que estavam embaixo d’água — Não vai sujar... Faz... — era quase uma súplica entrecortada de desejo. Ikki pôs a mão de Shaka sobre seu sexo e moveu-se lentamente contra ela.


Shaka estremeceu ao sentir o pênis grande em sua mão. O membro pulsava com força, mas estava molhado e deslizava fácil por seus dedos, então o loiro não surtou com o toque.


Ele fechou os olhos, procurando a boca de Ikki para um beijo lascivo e cheio de paixão. Aos poucos, os toques foram se tornando mais ousados e quentes bem como o beijo que acompanhava o ritmo alucinado e viciante das estocadas que ambos davam no sexo do outro.


Shaka sentia o corpo febril. Nem parecia que a água estava ligada no modo “verão”.


— Ikki... — murmurou quando o beijo cessou. — Eu... — tentava sussurrar, mas sentia o corpo tremulo e os espasmos começaram a tomá-lo completamente. Ele acelerou ainda mais o ritmo, ondulando o corpo em direção da mão que o acariciava com tanta experiência — Te amo... — disse quase sem voz antes de jogar a cabeça para trás, sendo atingido pelo orgasmo, mordendo o lábio com tanta força para não gritar que sentiu o gosto metálico de sangue na boca e ainda assim deixou escapar um gemido longo e profundo.


Ikki grunhiu acelerando o ritmo das estocadas no falo do loiro e sentindo-o fazer o mesmo a si, até que ambos explodiram no orgasmo. — Eu também te amo! — o moreno gritou enquanto se derramava na mão do namorado que também se derramava na sua. Deixou-se escorar na parede, sentindo a água fria cair sobre o corpo, levando os vestígios de sêmen. Ficou assim por um tempo, esperando a respiração desacelerar e então puxou Shaka para si, beijando-lhe a boca com desejo e carinho, deixando novamente a água cair sobre os corpos dos dois, de forma a limpar qualquer sobra de sêmen e assim, impedir o loiro de entrar em crise, mas sem que necessariamente ele percebesse suas intenções. Beijava-o para distraí-lo, enquanto o levava para baixo da água e o deixava limpo.


Quando o beijo cessou, Shaka abraçou Ikki com força afundou o rosto na curva do pescoço dele. Sentia-se esgotado. Talvez fosse o estresse aliado ao enorme tesão que sentia pelo namorado e que, mesmo com toda aquela voragem que experimentaram, ainda não parecia de todo aliviado.


— Daqui a pouco estaremos enrugados — disse com a voz fraca, sorrindo ao perceber que Ikki continuava ensaboando as suas costas para deixá-lo bem limpinho. Shaka estremeceu quando sentiu a mão do moreno deslizando mais para baixo. — Ikki... — murmurou em tom de alerta, mas o moreno pareceu não ligar muito, e Shaka gemeu ao sentir os dedos do namorado em suas nádegas — Seu fogo não apaga não? — perguntou entre um gemido e outro.


— Só estou te dando banho, amor — o moreno fingiu inocência, descendo as mãos agora pelas pernas firmes do amado. Mas ele sabia que Shaka não iria além e por maior que fosse o desejo que ainda sentia, achou melhor parar por ali.


Abriu a porta do boxe e pegou uma toalha para si e um roupão para Shaka, desligando o chuveiro depois que já estavam livres da espuma. — Vamos sair, antes que fiquemos como duas uvas passas — sorriu para o namorado.


Shaka vestiu o roupão e ficou observando o namorado se secar. Deixaram o banheiro, e o dono da casa se sentou na cama um pouco incerto do que falar.


— Você não quer mesmo conversar sobre o que está te incomodando? Não sou idiota, Ikki, você não está bem. — disse um pouco hesitante.



O empresário deixou escapar um suspiro e sorriu de lado. — Não há nada. Só tive um dia difícil, só isso — aproximou-se de Shaka e beijou de leve seus lábios. — Já estou melhor, você me fez melhor, obrigado — beijou-o com todo seu carinho e então se afastou — Hum... Tem alguma roupa minha aqui? Acho que terei que voltar para meu apartamento de toalhas! — falou divertido mais uma vez desviando o foco das atenções para uma área segura.


Shaka não acreditou muito na desculpa, mas desistiu, sabia que não adiantava.


— Você que ouse passar naquele corredor com essa toalha... — ameaçou num tom enciumado. Ele viu o sorriso de Ikki se alargar ainda mais e acabou sorrindo também, feliz com aquela cumplicidade que os dois estavam estabelecendo. Talvez com isso Ikki começasse a confiar nele plenamente e contasse o que estava o incomodando.


— Okay, então eu passo sem ela!


O moreno deixou a toalha cair ao chão e desavergonhadamente caminhou para a sala, fingindo que sairia completamente nu, mas foi puxado pelo ombro por um divertido Shaka que o jogou contra a primeira parede que encontrou.


— Você não vai sair por aí se exibindo, entendeu? — falou tentando fingir irritação e lançando um olhar ao corpo perfeito do namorado e suspirando levemente, voltando a olhá-lo nos olhos. — Você tem que... entender que isso tudo aí, essa linda escultura que é seu corpinho foi tombada como patrimônio Shaka e não da humanidade; e eu não quero expô-la a mais ninguém.


Ikki deixou escapar o sorriso mais descarado do mundo.


— Nossa! Me senti o homem objeto agora...


— Bobo, vem, vem vestir alguma coisa, algo meu deve servir em você.


Ele seguiu Shaka para o quarto e vestiu uma calça de moletom o loiro, os dois se deitaram na cama e relaxaram abraçados, sendo tomados pela letargia pós-orgasmo.


O moreno suspirou, sentindo a angústia querendo voltar ao seu peito naquele momento de quietude.


Percebeu que a respiração de Shaka indicava que o indiano havia dormido, então ele suspirou pesadamente, pensando o que faria a partir dali. Tinha que conseguir alguém para ajudar o namorado, disso não desistiria.



Do lado oposto da cidade, Shun também estava deitado abraçado ao companheiro. Mime afagava levemente seus cabelos e ele não conseguia parar de pensar no seu estranho encontro com o irmão. O estranho retorno do seu passado.



Continua...


Notas finais
Obrigada hapyfee, Hatake Sayuri, Cahanibal, Belle Princesse, Hanajima, Pandora Hiei, ddkcarolina, Kao, KitsuneKiki, Matheus_Uchiha, PollyWeasley, Álefe, Agathachan, Julia Leão, Su Cabral, Sarah, Alone Chan, Thatta Chan, Lariissa e Daftookami pelos reviews :)