Essa Estranha Atração
8 Esse estranho amor
Notas iniciais
Primeiramente, gostaria de pedir perdão pelo atraso. Atraso do qual sou a única responsável. Segundo, gostaria de agradecer pelo carinho de vocês em mais essa aventura, tenham certeza que me fazem muito feliz com cada comentário, elogio, crítica, ameaça e qualquer tipo de manifestação XD!
Obrigada pela acolhida calorosa a Essa estranha atração, aos comentários sempre respeitosos e afetuosos.
Beijos a todos vocês e meu mais sincero VALEU!!!
Boa leitura.
Sion Neblina
Esse estranho amor
Capítulo 7
Ikki voltou ao seu apartamento e tomou um banho rápido, afinal já havia passado um pouco do meio-dia e era melhor que se apressassem se quisessem almoçar algo decente. Vestiu-se em uma calça jeans levemente justa e uma camisa social azul escura; sapatos pretos, e usou seu melhor perfume. Passou as mãos nos cabelos somente, o que sempre o deixava com um ar despojado que gostava. Pegou a carteira, a chave do carro e voltou ao apartamento de Shaka, tocando a campainha. Não era porque agora eram... Namorados! A palavra caiu como uma bomba em sua mente, fazendo-o arregalar os olhos, mas depois o empresário riu do próprio assombro e continuou tocando a campainha. Não era porque agora eram íntimos que entraria na casa do outro sem bater. Gostava da sua privacidade, do seu espaço e sabia que Shaka também era assim.
Obviamente o banho não foi rápido e quando o indiano percebeu, Ikki já tocava a campainha de modo bastante insistente.
O loiro enrolou uma toalha no quadril e foi atender enquanto secava os cabelos com outra.
— Desculpe. Ainda não estou pronto — disse ao abrir. — Só mais um minuto.
O minuto virou quase meia hora. O escritor estava ansioso e não conseguiu decidir o que vestir. Acabou optando por uma bata indiana branca e calça jeans clara; deixou os cabelos soltos, pois ainda estavam úmidos.
Antes de sair pegou o seu inseparável álcool em gel e as luvas.
— Pronto — anunciou. — Desculpa de novo. Eu estou um pouco ansioso — confessou sem nem saber por quê. Geralmente, apenas ergueria a cabeça e fingiria estar indiferente a tudo, mas não queria se esconder atrás de nenhuma máscara enquanto estivesse com o moreno.
Ikki já tinha andado de um lado a outro e estava com cara de poucos amigos quando Shaka chegou à sala. Pensou que namorando um homem pularia aquela parte, mas acabava de ver que era tudo igual. Entretanto, quando olhou para o indiano, achou-o tão perfeito que perdeu o ar e não conseguiu ralhar com ele; mas também não conseguiu elogiar, ainda não estava muito à vontade com aquela nova posição de... namorado de outro homem! Contentou-se em sorrir e puxar o loiro pelo ombro para que saíssem.
— Você fica, Jack! — Falou ao cãozinho todo animado que tentava segui-los. Pegaram o elevador para o estacionamento. — Podemos ir em meu carro? — Indagou, talvez Shaka quisesse ir no carro dele, não sabia como as coisas funcionavam.
— Não tem problema. Eu não gosto muito de dirigir, na verdade — Shaka balançou levemente os ombros enquanto ocupava o lugar do passageiro. Pensou na quantidade de encontros que aquele carro testemunhou e sentiu um pouco de ciúme. Certo, muito ciúme. Mas achou melhor não comentar o fato, com certeza o moreno se irritaria. Antes de colocar o cinto, passou um pouco do álcool em gel na parte de ferro para desinfectar o local. — Já decidiu onde vamos almoçar? Eu sou vegetariano então nada de rodízios nem coisa do tipo — acrescentou bem humorado.
Ikki olhou pelo canto do olho enquanto o loiro passava álcool no cinto de segurança, mas, mesmo espantado, não comentou. Achou aquilo muito estranho, mas tentou ter boa vontade e esquecer. Riu sem graça com o comentário de Shaka, tentando parecer natural, mas o tal álcool em gel dentro do bolso o intimidava; será que estava apaixonado por um louco de pedra? — Em churrascarias têm buffets de saladas se você não sabe, não deve saber, nunca pisou em uma, não é? — riu tentando descontrair, mas o álcool em gel...
— Nunca fui de sair muito — o escritor encolheu os ombros enquanto via a paisagem mudar pela janela à medida que Ikki acelerava. — Não sou uma pessoa interessante, Ikki. Nem sei o que você viu em mim! Eu fui criado por monges, sabe? Não conheci meus pais. Acho que por isso as crianças implicavam comigo, sempre fui... Diferente — murmurou, mas logo forçou-se a sorrir. — Não, eu não quero falar sobre isso hoje; nada de assuntos tristes.
Ikki sorriu de lado e afagou a perna do loiro com uma das mãos enquanto a outra permanecia ao volante. — Você é muito mais interessante do que pensa. A maioria das pessoas é apenas comum, você é... diferente e isso é... Especial — falou sincero. — Quantas pessoas, conhece que foram criadas por monges? — sorriu com carinho para ele, o olhando rapidamente e voltando a encarar a estrada.
Shaka olhou para a mão que subia pela sua perna e sorriu um tanto sem jeito, mas gostando do carinho.
— Você sabe que não vai poder fazer isso em público, não sabe? A não ser que você queira chocar as pessoas — observou incomodado. — É uma das coisas ruins de estar envolvido com... outro cara.
Ikki fez um movimento de desdém com o ombro — Shaka, eu não dou satisfações da minha vida pra ninguém, então a não ser que você se incomode, eu não tenho nada a esconder. — Manobrou o carro entrando no estacionamento de um restaurante indiano que conhecia. Queria agradar o loiro.
— Não, eu não me incomodo — o escritor respondeu sincero e arregalou os olhos ao ver onde estavam parando. — Ikki, tudo aqui é... muito caro... — surpreendeu-se.
O moreno parou o carro e saiu indo por impulso natural abrir a porta de Shaka. Esperou que o loiro saísse para responder: — Não se preocupe com isso, certo? Eu posso pagar, fique tranqüilo. Beijou-o de leve nos lábios e segurou sua mão enquanto entregava a chave do carro a um manobrista. Sentiu os olhares desconfiados “pra cima” dos dois, mas enfrentou cada um, embora aquilo não estivesse sendo confortável. Inconscientemente, apertou forte a mão de Shaka, mas não retrocedeu. Ignorou os olhares, os risinhos, embora a raiva começasse a querer vencê-lo e dissesse que ele deveria dar uns bons “sacolejos” naqueles manobristas folgados.
Eles entraram no restaurante, o moreno escolheu a mesa e se adiantou com Shaka para ela sem soltar sua mão. Que se danasse! Era ele quem pagava suas contas, que não eram nada humildes, então não ficaria se escondendo e ponto final!
Shaka percebeu o desconforto de Ikki. Apertou a mão dele com mais força para dar-lhe apoio e segurança e o seguiu, deixando para falar algo somente quando já estavam sentados.
— Ikki, não precisamos tornar nosso relacionamento público. Eu sei que é difícil pra você — começou no momento que ocuparam a mesa perto da janela de onde conseguiam ter uma bela visão do mar. O lugar era belíssimo, mas possuía um custo bastante salgado para os padrões do indiano que, mesmo assim, não iria aceitar que Ikki arcasse com todas às despesas sozinho.
O moreno afagou-lhe a mão que estava pousada sobre a mesa. – Eu nunca me escondi de nada, loiro, não vou começar isso agora – falou de forma que desse o assunto por encerrado. – E então, gostou daqui? Achei parecido com você, é calmo, elegante e tem uma vista maravilhosa, não? – falou com carinho ainda afagando a mão dele.
Shaka corou com o elogio velado e estava tão perdido nos olhos de Ikki que nem percebeu os olhares reprovadores em direção dos dois.
— Você deve saber que lembra minha terra. Mesmo já morando na Grécia há alguns anos, continuo muito ligado à Índia.
— Que bom que gostou — falou de um jeito rouco e sensual, encarando os olhos do loiro. — Já valeu à pena ver seus olhos brilhando desse jeito. Acha que seria muito escandaloso se o beijasse aqui... agora?
Um arrepio percorreu o corpo do loiro que sorriu envergonhado. Apenas Ikki para arrancar aquele tipo de reação dele.
— Com certeza, mas eu não me importo nem um pouco — respondeu com um sorriso sem jeito.
Ikki falou apenas para provocar o todo certinho escritor, mas se surpreendeu com a resposta dele e não estava muito disposto a decepcioná-lo. Inclinou-se sobre a mesa, verificando a movimentação do restaurante. Claro que alguns olhares estavam sobre eles, mas se importou pouco. Mesmo corando, se inclinou e deu um suave beijo nos lábios do namorado. Mas o loiro percebeu que o moreno não estava muito à vontade com aquilo, ainda assim não permitiu que ele se afastasse, mostraria a ele o que era um beijo de verdade. Com tais ousados pensamentos, o puxou pela gola da camisa, entretanto, um pigarrear discreto fez com que se afastassem antes que o beijo acontecesse de fato. Chegou a pensar que fosse alguém do restaurante reclamando da "pouca vergonha", mas o loiro sorriu ao ver que era o dono da editora.
— Olá, Sr. Anish — Shion disse em um tom suave.
— Senhor Gyatso! É um prazer encontrá-lo — o loiro pegou as luvas que estavam no bolso interno das vestes e as calçou rapidamente para cumprimentá-lo. — Ikki, este é o dono da editora que publicou os meus livros, Shion Gyatso. Senhor Gyatso, este é... — olhou para o vizinho sem saber ao certo como apresentá-lo — meu namorado — disse por fim, sem muita convicção.
Ikki levou um susto quando Shaka se afastou rapidamente, falando com o homem que parou ao lado deles. Mas ficou ainda mais pasmado quando ele calçou rapidamente as luvas antes de apertar a mão do desconhecido. Será que aquele cara tinha alguma doença contagiosa ou...?
As lembranças da cena do carro ocuparam sua mente. Será que estava apaixonado por alguém completamente louco? Não dizia nada, sua mente estava ocupada demais pensando nessas coisas, enquanto Shaka falava com o rapaz. Ouviu a palavra “namorado” e logo depois uma mão estendida que aceitou se erguendo por educação, mas não escutando nada do que eles falavam. Seu cérebro processava os acontecimentos numa velocidade incrível e incontrolável.
— Aiolia me ligou bem cedo. Parecia nervoso e disse que não trabalhará mais com você — Shion disse visivelmente aborrecido com o assunto.
— Ah, eu peço desculpas por isso. Nós tivemos um desentendimento... Mas eu vou falar com ele.
— Acho difícil ele voltar atrás. Você conhece o Aiolia. Amanhã vá até a editora, teremos que escolher um substituto.
— Sim senhor — Shaka murmurou desanimado.
Despediram-se. Shaka mordeu o lábio inferior, inconformado com a situação, mas não se arrastaria para que Aiolia continuasse trabalhando com ele.
O garçom apareceu naquele momento e ofereceu os cardápios. Shaka escolheu um Phirni que era uma combinação de arroz cozido em leite, cardamono e nozes com Makkai Palak, uma combinação delicada de milho e purê de espinafre, cozida com especiarias moídas.
— Você quer que eu te ajude a escolher? — perguntou ao moreno que ficou subitamente quieto demais.
Ikki negou com a cabeça e fez seu pedido ao garçom, escolheu um Nurani Kabab, cubos de frango desossados, marinados com queijo especial e temperos, também phirni e Aloo Moomphali Chaat, batata cozida com amendoim e especiarias. Ficou em silêncio quando o garçom se afastou e bebeu um pouco d’água perdido em seus próprios pensamentos. Estava realmente preocupado com Shaka, só que tinha receio de tocar naquele assunto. Depois de tantas ofensas trocadas, tinha medo de falar algo que o magoasse e não ajudasse.
— Você está quieto demais — o loiro comentou tentando manter um tom casual enquanto pegava o garfo e começava a esterilizá-lo com o álcool em gel. — Não era para eu tê-lo apresentado como meu namorado?
Ikki arregalou os olhos quando viu o namorado esterilizando os talheres. Deuses! Dali a pouco ele começaria a checar os copos e o guardanapo! Engoliu em seco e demorou a entender a pergunta dele.
— Não, não é isso, eu... eu só... eu só acho... — engoliu novamente, atento aos movimentos do escritor que continuava limpando os talheres, o que impedia uma resposta lúcida ao que ele perguntava — Eu não me importo que você me apresente... Eu não... Shaka, quer parar com isso! – pediu nervoso, finalmente vencido e dando vazão ao que o estava incomodando.
— Parar o quê? — o indiano perguntou confuso. Começava a achar que Ikki estava arrependido de ter saído com ele. — Tudo bem, eu não o apresento mais como meu namorado! — tornou magoado. — Acho que me precipitei — largou o talher e cruzou os braços sobre o peito numa posição de defesa.
Ikki mirou o rosto aborrecido dele um tanto pasmado. — Eu não estava falando disso! Não me importa que você me apresente assim, acha que se me importasse teria beijado você aqui dentro?
— Então por que ficou tão estranho depois que eu o apresentei ao meu chefe? — Shaka retrucou tentando não aumentar o tom de voz.
Ikki mordeu o lábio inferior tentando controlar ao máximo o tom de voz e falar de forma mais doce e contida que podia; doce até demais, tão doce que saiu até meio falsa, afinal, ele não era tão meigo assim:
— Amor, você já percebeu quantas... Vezes... você... limpou... esses... talheres com... álcool?
Shaka franziu a testa e olhou para os talheres como se só naquele momento reparasse neles.
— Estavam sujos — volveu com simplicidade.
— Não, Shaka, não estavam sujos e você sabe. Esse é um dos restaurantes mais conceituados da cidade — disse com cuidado, não queria estragar o almoço e à tarde de cinema planejada e sentia que o indiano podia reagir muito mal a uma palavra mais áspera, então preferiu mudar de assunto. — Vamos esquecer isso, certo? Vamos comer antes que esfrie, lembre-se que ainda vamos ao cinema e temos que voltar a tempo de alimentar nosso filho — riu pra descontrair.
— Aquele monstrinho com quatro patas — Shaka forçou-se a entrar na brincadeira, mas sentia que havia algo a mais ali e Ikki não queria falar. Ele decidiu não insistir para não quebrar o clima.
— Sim, aquele monstrinho de quatro patas que eu quase perdi na chuva, mas... se não fosse por eles, não estaríamos juntos agora, não é? – tocou a mão dele e sorriu carinhoso — Vamos comer, enquanto isso vai pensando no filme que você quer ver.
Shaka balançou a cabeça em concordância e começou a comer em silêncio, olhando de Ikki para o mar enquanto conversavam sobre os filmes que estavam em cartaz. Quando terminaram e o moreno pediu a conta, ele pegou a carteira disposto rachar as despesas, mas o empresário segurou-lhe a mão, impedindo-o de abri-la.
— Ei, eu pago dessa vez, certo? Não precisa se preocupar, você paga a próxima — falou para não irritá-lo, mas imaginava que a situação financeira do loiro não fosse tão tranqüila quanto a sua e não estava muito disposto a deixá-lo pagar nada, mesmo que ele insistisse e surtasse.
— Ikki... — o escritor tencionou protestar, mas parou diante do olhar de “não adianta insistir” que o namorado lançava. — Eu pago o cinema, então — propôs.
Ikki bufou e revirou os olhos, mas fingiu que aceitou. — Okay — disse enquanto recebia a conta da mão do garçom e lhe entregava o cartão de crédito.
Demorou menos de cinco minutos para que pagassem e saíssem em direção ao estacionamento. Chegaram ao cinema, que não ficava muito longe, em questão de minutos. A fila não estava tão longa e o moreno pediu a Shaka que comprasse pipoca enquanto esperava sua volta, mas quando o loiro retornou, ele já havia comprado os bilhetes e sorria os balançando.
— Hum..., você demorou e eu tive que comprar. Escolhi uma comédia, mas se você não gostar podemos trocar — falou descontraído.
— Por que eu tenho a nítida impressão de que não foi isso? — Shaka pegou um punhado de pipoca e colocou na boca do namorado, que assustou-se com o gesto. O loiro riu um pouco. — Você tem que parar de querer pagar tudo. Eu vou ficar me sentindo mal desse jeito.
Ikki riu enquanto mastigava a pipoca para poder falar — Já disse que você paga a próxima — piscou e enlaçou os ombros de Shaka o puxando para que entrassem no cinema.
O filme era uma comédia bobinha e a cara de Shaka não deixava dúvida de que ele não estava achando nada engraçado, mas não queria ser desagradável. Ikki também não era muito fã de comédias, como não era fã de romances também; preferia filmes de ação ou mais voltados para o drama, mas como a maioria das pessoas gostava de comédia, ele arriscou e errou feio!
— Você quer sair? Fazer outra coisa? — insistiu sem jeito, sussurrando dentro do cinema. — Admito que o filme é horrível, fiz uma péssima escolha.
Shaka estava quase dormindo. Aquele filme não era muito interessante, mas não queria parecer chato pedindo para ir embora, então quando Ikki perguntou se ele queria fazer outra coisa, sorriu e deu um leve selinho nos lábios dele.
— Parece que você leu os meus pensamentos — sussurrou em um tom divertido. — Vamos voltar pra casa — pediu. — Estou cansado. Passei a noite em claro, lembra? Pelo menos parece que valeu à pena, já que você está ótimo.
Ikki entreabriu os lábios. Realmente havia se esquecido daquele detalhe, Shaka passou a noite em claro cuidando dele, deveria estar exausto.
— Ah, loiro, desculpe, você deve estar exausto e eu fazendo planos de esticar a noite — beijou-o novamente nos lábios, vários beijinhos que se seguiam. O cinema estava relativamente vazio e eles, sentados nas últimas cadeiras; não incomodaria ninguém namorar um pouquinho ali. Segurou-lhe o queixo e aprofundou o beijo, invadindo a boca pequena com a língua sem nenhum pudor, pressionando as costas do escritor contra a poltrona de modo que ele não conseguisse fugir.
Shaka suspirou enquanto entreabria os lábios para receber a língua ávida e ousada do namorado. As línguas dançavam de uma forma urgente, e mesmo com o potente ar condicionado do cinema praticamente em cima dos dois, o loiro começou a sentir muito calor.
— Eu nunca imaginei que um dia pudéssemos estar assim — confessou enquanto abraçava o moreno com força. — Tenho medo de acordar e descobrir que foi tudo um sonho.
Ikki abriu os olhos, mas continuou beijando o namorado; rosto, pescoço, brincando de mordiscar sua orelha. — Você não vai acordar, loiro... — segurou a mão dele e, ousadamente, a deslizou por seu peito, adentrando a camisa pela fresta que alguns botões abertos deixam — Vê o quanto sou real? — tinha vontade de colocar a mão dele em outro lugar, mas não iria com tanta sede ao pote, iria devagar como Shaka pediu.
— Bem real — riu baixinho o mais velho, fascinado por poder tocar sem qualquer restrição naqueles músculos firmes e quentes, surpreso também. — Vamos. Daqui a pouco vão reclamar do barulho que estamos fazendo — sussurrou. Antes de se levantar, ofereceu os lábios para um novo beijo. Ikki o beijou rápido, mas, nem por isso com menos avidez, e se ergueu passando entre os bancos e saindo do cinema com o namorado.
Seguiram para casa conversando tranquilamente, sentia que Shaka estava realmente cansado e pensou que o melhor mesmo seria colocá-lo na cama sem segundas intenções, lembrava-se: “Ikki, vai devagar”.
Chegaram ao prédio e entraram abraçados no elevador o que quase fez o porteiro, acostumado a separar as brigas, cair da cadeira da recepção. Ambos riram muito com isso, falando animadamente que no dia seguinte seriam o comentário do edifício.
A porta do elevador se abriu e eles andaram ainda abraçados pelo corredor, parando ao ouvir batidas insistentes numa porta, que era... A do apartamento do moreno.
Uma garota bonita parecia muito ansiosa para falar com ele, e quando o viu logo se precipitou em sua direção, ignorando Shaka e começando a falar sem parar que estava preocupada porque o celular do moreno só dava caixa de mensagem.
— Por onde você andou, Ikki? Tem noção de como eu fiquei preocupada? Você disse que ligaria e não ligou e isso já tem muito tempo! — falava irritada — Qual o seu problema, você só queria me levar pra cama? Você é desse tipo?
Ikki estava mudo, aturdido demais para dizer qualquer coisa, mirou Shaka que somente estreitava os olhos em direção à garota.
"Isso não vai acabar nunca. Sempre vai ter uma garota batendo nessa porta!", pensava o loiro exasperado, enquanto fuzilava a garota com o olhar. Mas logo se afastou, indo em direção ao próprio apartamento.
Não era culpa dela, no fim das contas. Era culpa daquele sem vergonha que ficava levando as mulheres para a cama, fazendo promessas e as dispensando sem dó nem piedade depois!
Foi recebido por um animado Jack, mas estava tão furioso que nem ao menos ligou muito para os saltinhos satisfeitos do cachorro.
— Eu sou idiota! — exclamou irritado. Queria bater a cabeça na parede para se punir por ser tão ingênuo. Teria que aguentar aquela fila de mulheres desfilando diante do moreno até quando? Pelo resto da vida?
Ikki viu o loiro passar por ele e entrar no apartamento batendo a porta. Mirou a garota que continuava pedindo satisfações como se fosse sua mulher.
— Olha, Amanda...
— Amélia! — berrou ela.
— Certo, Amélia, eu estive doente e não pude ligar, mas agora estou bem e preciso resolver as coisas com o MEU NAMORADO que, por acaso, acabou de entrar nesse apartamento, okay?
— Namorado?! — A menina exclamou ficando branca como cera, e Ikki balançou a cabeça com um sorriso irônico. Sabia que aquela era a informação que precisava para que Amélia ou Amanda nunca mais batesse à sua porta, então nem se preocupou com a sua “reputação de macho alfa”.
— Ah... tá... então... me liga... quando puder — gaguejou a pobre Amélia totalmente confusa e atordoada com aquela informação. Ou ele estava mentido, ou... ou nem queria pensar na outra possibilidade! Depois dessa tratou de sair voando dali.
Ikki respirou aliviado e caminhou em direção ao apartamento vizinho abrindo a porta e sendo recepcionado por Jack. Pela cara de Shaka, ele o colocaria para correr sem nenhuma cerimônia. — Loiro, isso... Okay, é culpa minha, mas não vai acontecer mais, certo? — começou querendo encerrar logo aquele assunto, não queria outra briga.
O indiano lançou seu olhar mais gelado em direção dele. — Pensei que fosse convidar a fulaninha para uma festinha a três — volveu em tom ácido, carregado de ciúme.
— Que parte do isso não vai mais acontecer você não entendeu? — falou Ikki irritado — Eu não posso simplesmente riscar meu passado, Shaka, sinto muito, sei que é chato pacas, mas não há nada que eu possa fazer a não ser solicitar na portaria que não as deixem entrar, apesar de já ter feito isso várias vezes e nada!
— Não voltará a acontecer? Com seu histórico? Todo dia vai ter pelo menos umas duas batendo aí! — o loiro explodiu em um tom magoado. — E se você não conseguir resistir? A carne é fraca! — acabou deixando escapar seu grande temor, escapar toda a insegurança que sentia em relação ao moreno.
Ikki se aproximou dele exasperado — Mas que merda! Você vai ficar sofrendo agora com o que ainda nem aconteceu? Eu estou aqui, Shaka, e no momento a única pessoa que me interessa é você, droga! Por que é difícil acreditar nisso? Você não me conhece tanto assim pra ficar me julgando! Está sendo tão preconceituoso quanto sempre me acusou de ser!
— O que eu sei é que você não está satisfeito por gostar de um homem! — confessou perturbado. Queria se manter firme, mas bastava que o moreno se aproximasse um pouco para que seus pensamentos se embaralhassem. — Eu quero confiar! Mas... E se você mudar de idéia...? Eu não vou suportar se você... ficar com outra pessoa...
Ikki se adiantou e o segurou pelos cotovelos — Eu não quero outra pessoa, eu só quero você, loiro... — falou e tomou-lhe os lábios em um beijo ardente, sensual, lutando contra a resistência inicial de Shaka, o puxando pra si, colando seu corpo ao dele, enfiando as mãos por baixo da bata fina que ele vestia, esquecendo completamente o “ir devagar”. Queria mostrar ao namorado o quanto estava satisfeito por gostar dele e o quanto o queria. Deslizou as mãos por seu corpo, enquanto Shaka ainda protestava, tocando-lhe os mamilos que endureceram de imediato; ouviu-o gemer dentro do beijo e libertou sua boca para explorar o pescoço branco, marcando-o com lambidas e chupadas que logo deixariam à pele clara roxa, sem que pudesse controlar.
Shaka espalmou as mãos no peito de Ikki para empurrá-lo, mas não conseguia resistir; o moreno vencia-o completamente quando o beijava daquele jeito tão apaixonado. Acabou se entregando às carícias dos lábios quentes, enquanto cravava as unhas na pele do peito definido, ainda por cima da camisa, cerrando os olhos, friccionando-os com mais força que o necessário, gemendo de uma forma despudorada. Com certeza se tornava outra pessoa quando estava nos braços do moreno e tinha medo disso, do quanto Ikki conseguia transformá-lo.
Não soube como chegaram ao quarto. Quando deu por si já estava caindo na cama, com o namorado por cima, arrancando com pressa as suas roupas. Shaka não conseguia pensar e permitiu que Ikki continuasse fazendo o que bem quisesse.
O moreno livrou-o da bata, tirando-a por cima da sua cabeça, depois arrancou a própria camisa com pressa, voltando a se deitar sobre ele, encaixando uma das pernas entre as coxas do namorado, fazendo uma suave pressão contra seu sexo, enquanto descia os beijos por seu pescoço e peito, tocando a pele clara e macia; parando para admirar o corpo bonito e bem proporcionado dele. Desceu os lábios, beijando de leve os mamilos alternadamente, enquanto olhava o rosto ruborizado do escritor que estava de olhos fechados, mordendo os lábios.
O contato do dorso nu junto ao seu era maravilhoso, Shaka arqueava o corpo tentando sentir mais, entretanto, Ikki parecia querer torturá-lo e se afastava não permitindo um contato completo. O loiro gemeu baixinho ao sentir as ereções roçarem e tentou pedir mais, porém da sua boca não saiu som algum — pelo menos não algo que fosse nítido o suficiente para o moreno entender. — Shaka quis tocá-lo para arrancar reações semelhantes do namorado, mas uma força invisível parecia prender os seus braços juntos ao corpo, e ele permanecia completamente passivo e entregue às caricias de Ikki.
O mais jovem deslizou uma das mãos pela coxa do loiro, por cima da calça, fazendo um leve carinho. Estava um pouco tenso, afinal nunca estivera com um homem antes, mas pensava que não deveria ser assim tão diferente no final. Desabotoou a calça dele e escorregou a mão por sua coxa agora nua, evitando lugares mais... íntimos. Queria alguma reação de Shaka, reação que não vinha; o loiro continuava estático, com a respiração alterada e gemendo baixo somente, e isso já começava a deixá-lo confuso e apreensivo.
— Shaka... — chamou com carinho — Você não quer? — perguntou subindo para beijá-lo de leve nos lábios.
O indiano abriu os olhos e encarou o namorado piscando os cílios negros com força. Seu olhar parou numa gota de suor sobre a testa de Ikki, fazendo, como se estivesse em câmera lenta, o percurso imaginário que ela faria até pingar em sua pele. Imediatamente a esses pensamentos, entrou em um vórtice, a imagem dos dois nus naquela cama se amando o atingiu em cheio e com ela veio o cheiro do suor, a sensação dos corpos pegajosos se tocando, o sêmen que ficaria em sua pele, dentro de si; a saliva em seu corpo que os beijos dele estavam deixando... Sentiu o pânico invadi-lo e com ele veio à falta de ar e o desespero.
— Não! Saí de cima de mim! Não me toca! — gritou e empurrou o moreno que pulou de cima de si. O loiro assim que se viu livre correu para o banheiro e trancou a porta, duas vezes, como sempre, e então, ainda com a calça se jogou embaixo do chuveiro para que a água tirasse o suor e a saliva de Ikki da sua pele.
Quando o pânico começou a se abrandar, desligou a água e se sentou no chão, abraçando os próprios joelhos. Aquilo não daria certo. Ele jamais conseguiria fazer sexo com alguém, nem mesmo com Ikki, nem mesmo com ele!
"Sujo, você vai ficar muito sujo e não vai ter banho que resolva isso! O cheiro dele vai ficar para sempre em você... Você nunca mais será limpo novamente!", uma voz maligna gritava de forma frenética em sua mente e ria dele. Ria como riram os garotos quando o jogaram naquela podridão do passado.
Shaka tapou os ouvidos como se pudesse fugir daquelas vozes, mas não conseguia, elas estavam dentro de sua mente.
Demorou um tempo até Ikki se dar conta do que tinha acontecido. Tudo foi tão rápido que ele ficou meio atordoado enquanto escutava a porta do banheiro ser fechada. Sentou-se na cama, confuso, as imagens do estranho comportamento do namorado invadindo sua mente: as luvas, o álcool, o pânico de Jack, a cena do chuveiro... Deuses! Ele era... totalmente pirado mesmo!
Ergueu-se, pensando no que fazer, se simplesmente ia embora ou se ficava, correndo o risco de... Deuses, nem sabia o que pensar! Estava muito confuso. Além disso, seu corpo pulsava excitado e servia só para desnorteá-lo ainda mais.
Demorou um pouco para tomar uma decisão, mas quando ela veio, o moreno estava mais sereno e analisava a situação de maneira fria, ou ao menos tentava. Caminhou até o banheiro e bateu na porta devagar.
— Shaka, abre... — não foi um pedido, foi uma exigência séria, mas sem nenhum resquício de irritação — Se você não sair daí, eu vou embora e não volto mais.
O escritor, ao escutar aquilo, sentiu os olhos marejarem. Ergueu-se e abriu a porta devagar. Pela brechinha entreaberta, encarou o namorado que parecia preocupado e frustrado; Ikki o mirava terrivelmente sério.
A lembrança do castigo imposto pelos monges quando ele chegou coberto de esterco voltou com força a sua mente. Eles o olharam com aquela mesma expressão e o deixaram sujo, trancado em um quarto escuro por mais de uma hora para que ele aprendesse a brincar como um menino normal.
— Não fica com raiva — sussurrou temeroso, como o garoto do passado fizera. — Eu não consigo, Ikki. me perdoa.
O moreno entreabriu os lábios surpreso. Nunca vira aquela expressão nele. Era a expressão de um menino assustado e não do homem arrogante e nariz em pé que sempre o desafiou. Empurrou a porta do banheiro e o puxou para fora, para seus braços. Abraçou-o com força, beijando seus cabelos molhados.
— Está tudo bem — disse, mas sabia que não estava nada bem, aquilo o assustava de verdade agora. Deuses! Onde é que ele tinha ido se meter? Como poderia lidar com algo assim?
Levou o loiro para a cama, fazendo com que ele se sentasse, sentando em seguida ao seu lado. Ficaram alguns minutos em silêncio, um silêncio tenso, até que resolveu ele mesmo começar a conversa.
— Shaka, a gente tem que conversar sobre isso...
— Eu queria... eu queria sim, Ikki, mas... Eu não consigo... Vou... vou ficar sujo... — encolheu-se na cama com uma expressão repugnada, os olhos perdidos, começando a balançar o corpo. — Eu não sei por quê... Simplesmente não consigo... vou ficar suado, grudento, cheirando a... Não, eu não posso! Não consigo! — murmurou desesperado. — Você vai me deixar, não vai? Sempre me deixam... — a voz perdeu a força como se fosse consumida por uma grande dor.
O moreno olhava os movimentos quase convulsos do loiro e não sabia o que pensar, Mas claro que não iria deixá-lo! Nunca. Ele geralmente não deixava transparecer, mas tinha um profundo instinto protetor e mesmo que não o amasse, nunca deixaria qualquer pessoa sozinha em uma situação como aquela e...
Ele o amava!
Amor! A palavra ecoou em seus ouvidos. Será que desde o principio não foi isso? Amor; e por isso, lutava para fingir que o odiava, que o desprezava? Não seria por sempre ter notado mais do que deveria aqueles olhos lindos? Não seria esse o motivo para repeli-lo, exatamente por, mesmo sendo tão lindo, ele ser um homem? Deuses! O ódio é o caminho mais próximo para o amor, mas, muitas vezes ele é um disfarce que nos cega de forma catastrófica.
Encarou Shaka que continuava com os olhos fixos nele. Nunca o achou tão bonito como naquele momento, tão vulnerável, sem a máscara de auto-suficiência que tão bem exibia.
— Não, claro que não vou deixá-lo — disse e o abraçou com força. — Eu não sou os outros, Shaka, e nunca mais me compare com eles — beijou-lhe os cabelos com carinho. — Vai ficar tudo bem, loiro — engoliu em seco a própria angústia.
— Desculpa, desculpa — Shaka repetia baixinho enquanto correspondia ao abraço. As lágrimas começaram a despencar livremente pelo seu rosto, e ele chorou como não fazia há muito tempo, ainda murmurando pedidos de desculpas ao namorado. Realmente queria se entregar a Ikki, mergulhar de cabeça naquele turbilhão de sentimentos e sensações, confiar, ser dele, mas não conseguia. Ele chorou até adormecer nos braços do moreno.
Ikki deixou que ele chorasse. Nunca achou que Shaka fosse chorar daquele jeito algum dia na vida. Quando ele adormeceu, percebeu que o choro convulsivo o deixou suado e que com certeza ele estaria completamente congestionado quando acordasse e desesperado por um banho. Ficaria por perto.
Livrou-se dos sapatos e das meias, já estava mesmo sem camisa e se deitou ao lado dele, o aconchegando em seus braços e afagando-lhe os cabelos. Sua mente tentava achar uma solução para aquele problema. Era obvio que o loiro precisava de ajuda, ajuda profissional e rápido.
Continua...
Notas finais
Nina Michaelis, Juliabelas, Sandrini, KitsuneKiki, marciabs, Su Cabral, ddkcarolina, Belle Princesse, guima, Pandora Hiei, Sarah, Hanajima, Alexia-Black, Camila Visconti, Medéia, Agathachan, Mary57, Lord Bol, Álefe.
PS. E SE ALGUM DE VOCÊS ACHAR QUE A HISTÓRIA MERECE, RECOMENDEM! ISSO DEIXARÁ AS AUTORAS MUITO FELIZES XD!
BEIJOS DA SION E ATÉ A PRÓXIMA!!!
SION NEBLINA
POSTADO EM 05/03/2012
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