Essa Estranha Atração

26 Essa estranha revelação


Notas iniciais
Olá, leitores queridos, tudo bem? Mais um capítulo de EEA. Bem, depois daqui a fic caminha a passos largos para o fim. Beijos a todos que estão acompanhando, por favor, relevem os erros pelo texto, estava corrigindo duas da matina, aí já viram, né? Ah, a música do capítulo é “sames mistakes” e se encontra no link abaixo. Sei que algumas pessoas não gostam de música pelo texto, mas aqui eu não consegui me controlar (tradução do Terra, galera). Ouçam! Faz diferença, ao menos sempre faz para mim. http://www.youtube.com/watch?v=b3c32wBYdU0&feature=kp Boa leitura! Sion Neblina

Essa estranha revelação

Capítulo 25

Na manhã seguinte, como se acostumou a fazer, Ikki foi procurar por Shun e contar sobre a briga com Shaka. Coisa que o irmão achou infantil e sem sentido, mas aceitou que nos relacionamentos existiam coisas infantis e sem sentido.

Ele levou o irmão ao trabalho e conversaram muito sobre a vida e as relações. Shun começava a perceber que seu relacionamento já não o satisfazia, embora sempre tentasse ver o lado bom de tudo. Ele e Ikki eram um contraste interessante, isso porque o Amamiya mais novo sempre tentava ver o lado bom de tudo e o mais velho sempre via o lado ruim de tudo.

Ikki resolveu não importuná-lo, deixaria que seguisse o curso. Se fosse de Shun ficar com Mime, não adiantava dizer pra ele que estava errado. Precisava respeitar que seu irmãozinho era um adulto e que saberia como se portar.

Mas algumas semanas depois, o mais novo foi procurá-lo na boate, aos prantos, o assustando. Dizendo que havia saído com o tal Hyoga e que se sentia um traidor, embora eles só tivessem saído como amigos.

– Shun, se não aconteceu nada, qual o problema? – O mais velho perguntou, achando até divertido o desespero do mais novo.

– Ikki! Eu... Eu não deveria ter saído com ele! Se Mime descobrir? – Indagava o futuro psicólogo, desesperado.

– Você dirá que saiu com um amigo. Não foi exatamente isso? – Riu o empresário.

Shun mordeu os lábios, trêmulo.

– M-Mas é que... Eu gostei de sair com ele e... Eu quero vê-lo novamente.

O mais velho cruzou os braços sobre a mesa e encarou o rosto indeciso e levemente ruborizado do mais novo.

– Então por que não abre o jogo com o Mime?

– Porque eu não sei como fazer isso, Ikki. Estamos há tanto tempo juntos, e temos algo tão forte juntos...

– Mas não é amor, Shun. Chegou a hora de você aceitar isso. Você está assim porque está começando a gostar do tal Hyoga e não quer admitir que nunca amou Mime.

Shun se calou, pensativo. Ele ainda conversou com o irmão por algum tempo e depois foi embora.

Naquela mesma semana, Shun terminou a relação com Mime e voltou a sair com Hyoga.

Os dias foram passando, e Ikki realmente se esforçava para conter o ciúme que tinha toda vez que pensava em Mu transitando à vontade pelo apartamento do namorado. Entretanto, teve que se conformar com isso, porque Shaka não parecia disposto a expulsar, como ele queria, a lagartixa roxa do seu apartamento. Mas até então, cinco semanas após a briga na praia, tirando os telefonemas dos colegas que sondavam o que andava acontecendo em sua vida amorosa, tudo parecia bem. Mas claro que, segundo Ikki, Shaka não deixaria as coisas em paz por muito tempo e naquele exato momento, ele se arrumava para um maldito jantar que o loiro inventara de fazer para que ele e a maldita lagartixa se conhecessem melhor e, quem sabe – impossível! –, se tornassem amigos.

Ikki estava mais que mal-humorado enquanto terminava de abotoar a camisa e ajeitava os cabelos. Minutos depois, batia à porta do loiro com cara de poucos amigos. Deu-lhe um beijo suave e entrou no apartamento taciturno.

– Eu já estou aqui, a princesa vai demorar muito? – resmungou, procurando Mu com os olhos.

– Ikki, por favor, seja mais sociável! – Shaka pediu cansado, e logo em seguida ele mediu o namorado. – Você está bonito demais. Está tentando chamar mais atenção que o normal para me fazer ciúme? – perguntou desconfiado.

Ikki mirou o namorado atônito, não acreditava que Shaka houvesse chegado àquela conclusão. Olhou a roupa que vestia: calça social bege e uma camisa azul escura casual, nada demais. Ficou sem jeito, não sabia muito bem como aceitar elogios. Sim, sabia que era bonito, não era idiota, mas era estranho ouvir aquilo, daquele jeito, do loiro.

– Ciúmes? Aí, loiro, eu acho que você está ficando pior com esse novo tratamento! – disse ranzinza. – Só falta dizer que me arrumei para o seu amiguinho!

Shaka riu provocando.

– Por que não? Vai ver, existe muita tensão sexual entre vocês por isso tanta implicância.

– Estou pronto! – Mu anunciou, entrando na sala naquele momento impedindo que Ikki se pronunciasse. – Aonde vamos? Vou logo avisando que eu não como carne.

– Chato... – resmungou Ikki de forma que somente Shaka ouvisse. Colocou as mãos nos bolsos e se calou com sua pior cara.

– Não se preocupe, Mu. Ikki sabe que também sou vegano e com certeza vai escolher um restaurante com um cardápio bem variado – Shaka tranquilizou o editor, mas evitou sorrir ou esboçar qualquer reação. Não queria que Ikki dissesse que ele estava "flertando". Queria paz naquela noite e se isso significasse fazer algumas “concessões” ele faria. – Vamos, amor? – tocou levemente a mão do namorado, fazendo questão de frisar bem o carinho para que ele se sentisse seguro de que Mu tinha ciência do quanto o namoro deles era sério.

Ikki se adiantou e, segurando o braço de Shaka, saiu do apartamento na frente de Mu. Abriu a porta do carro para o namorado ao chegar ao estacionamento, e deixou que o tibetano se virasse sozinho. Shaka sempre ria com aquela mania dele de lhe tratar como “uma garota”, mas achava que era a força do hábito, então não reclamava.

Em alguns minutos, eles chegaram ao restaurante indiano, o mesmo que tinha levado Shaka na primeira vez que saíram. Não queria que aquele jantar fosse ali, naquele lugar especial para os dois, mas não conseguiu pensar em outro. Quando eles se sentaram à mesa, ficou em silêncio, escolhendo os pedidos e deixando que os outros dois fizessem o mesmo. Percebia que Shaka conversava demais com o editor, os dois praticamente concordavam em tudo e aquilo estava meio que o irritando, embora tentasse controlar o mau gênio.

Shaka tentava fazer com que Ikki participasse da conversa, mas ele parecia alheio e ficou boa parte do tempo encarando a janela. Quando os pratos e talheres foram colocados O loiro mais uma vez precisou se segurar para não começar a "esterilizar" tudo. Fechou os olhos e respirou fundo, tal como Camus dizia para ele fazer sempre que sentisse aquela repulsa incontrolável por algo.

Ele procurou pela mão de Ikki embaixo da mesa e a apertou buscando um pouco de confiança. Ao reabrir os olhos, se distraiu com a chegada de Shun ao restaurante, o estudante vinha acompanhado do, ao que parecia, novo namorado.

Ikki foi o primeiro a se ergueu para cumprimentar o irmão com um beijo e o rapaz com um aperto firme de mão. Shun cumprimentou Mu e o cunhado, apresentando Hyoga a eles. O Amamiya mais novo começou uma conversa agradável sobre a profissão do indiano. Todos conversavam enquanto comiam e bebiam, exceto Ikki. O moreno continuava introspectivo. E Mu, alheio a tensão, conversava de forma animada, vez por outra, tocando o ombro de Shaka. Distraído, não percebia o olhar do empresário toda vez que sua mão “esbarrava” no loiro.

Ikki já estava a ponto de explodir, mas tentava de tudo para se controlar para não criar uma cena. Ele estava tentando, ele queria passar uma imagem civilizada, mas estava sendo difícil com a mão de Mu o tempo inteiro sobre Shaka e, ao que parecia, o indiano não fazendo questão nenhuma de impedi-lo. Não soube por quanto tempo suportou aquilo, mas quando o tibetano sorriu e tocou o ombro do indiano pela milésima vez, achou que ele havia passado dos limites. Respirou fundo, terminou sua bebida e disse com a voz mais cáustica que achou, embora de forma baixa e suave:

– Escuta, Mu, se você tocar nele de novo, eu vou tratar para que não volte a tocar em mais nada, ouviu bem?

Inicialmente todos riram, achando que o moreno estava brincando, mas como ele não participou do riso geral, lentamente, o divertimento foi morrendo nos lábios de cada um dos presentes.

– Ikki... – Shaka murmurou em advertência. – Você me prometeu... – sussurrou, sentindo o rosto arder de vergonha. – Nós estamos conversando e nos divertindo. Tente ser um pouco menos ranzinza.

– Ranzinza? – repediu irônico e respirou fundo, pensando um pouco. – Okay. Eu vou dar uma volta. Volto pra pegar você, me liga quando terminar. – E ergueu-se, saindo.

Todos ficaram estáticos, pareciam nem respirar tamanha a tensão.

– Ah... me desculpem, eu vou atrás dele, já volto! – o loiro seguiu o namorado.

Mu engoliu em seco, sem jeito.

– Eu acho que devo me desculpar, não percebi o que fazia – disse com as faces vermelhas. Ele realmente não entendia tanto ciúme partindo do namorado do indiano. Era muito evidente que ele e Shaka fossem apenas amigos. Aquele ciúme todo era injustificado.

– Não se sinta mal, Mu – sorriu Shun de leve. – O Ikki é naturalmente ciumento, cedo ou tarde a implicância dele termina.

O tibetano sorriu. Enquanto isso, Shaka alcançava o moreno no estacionamento.

– Ikki, isso é totalmente desnecessário – ele disse calmo. – Você sabe que Mu é apenas meu amigo e aquele é o jeito dele. Está sendo ranzinza e possessivo.

O moreno parou e encarou o namorado.

– Não estou sendo ranzinza, Shaka, se não percebeu, a Lagartixa roxa não parava a porra dos dedos dele quietos! Eu assisti o tanto que pude, mas... bem, eu vou tentar não estragar a noite de vocês. Estou saindo. É só me ligar que eu venho buscá-lo depois, mas não exija que eu fique ou não sei o que faço! – Ikki estava com raiva e achava que aquela era a única saída para não fazer uma merda ainda maior como quebrar a cara de Mu.

Shaka observou o namorado sem conseguir esboçar reação alguma. Não sabia o que seria pior, Ikki ir embora daquele jeito ou acabar perdendo o controle. Percebeu que Shun se aproximava. Deuses, que situação constrangedora o moreno estava criando. A noite estava completamente estragada.

– Shaka, volta pro restaurante, deixe que eu converse com meu irmão – pediu Shun, afagando o ombro do cunhado e vendo o irmão respirar fundo e pôr as mãos no quadril, desviando o olhar do namorado.

Shaka apenas assentiu com a cabeça, e fez o que ele pediu. Não entendia por que Ikki tinha que fazer aquele tipo de coisa. Será que ele não percebia o quanto o magoava com aquelas atitudes? O quando fazia ruir toda a paz que estavam experimentando nos últimos tempos? Mas não disse nada, apenas seguiu de volta ao restaurante.

O Amamiya mais novo se aproximou do irmão e pôs a mão em seu ombro.

– Por que, Ikki? – ele perguntou. – Por que se sente tão ameaçado pelo Mu?

Ao ouvir a voz de Shun, o mais velho o encarou meio atônito, mas estava irritado demais para consegui raciocinar ou responder alguma coisa. Ele também queria ter aquela resposta, mas não tinha.

– Não sei, Shun. Talvez seja porque eles se entendem muito bem, combinam muito bem, diferente de mim que sou completamente diferente de Shaka.

– Não acho vocês tão diferentes assim – sorriu o mais novo. – Shaka não é esse anjo que aparenta. Olha, eu entendo o que você está sentindo, mas deixá-lo lá com cara de idiota não é a melhor saída, ele vai acabar magoado. Mais magoado.

– Sou o melhor nisso! qual a novidade?! – perguntou com uma risada sem humor. – Eu acho que simplesmente não sirvo para isso, Shun, por mais que eu tente...

– Isso o quê? Amar um homem? – indagou o menor um tanto triste.

– Não! – tratou de negar com veemência – Amar qualquer coisa! Qualquer ser vivo! Eu não sirvo para isso... Eu sei que ele se esforçou e se ele se esforçou por esse jantar de merda é porque... É porque esse Mu é importante para ele! E isso me deixa completamente louco! Eu não consigo lidar com isso, Shun, simplesmente não consigo!

Shun calou-se e se apoiou no carro com um suspiro.

– Olha, nada nessa vida é fácil. Mas eu sei o quanto você é capaz de amar, então nem vem com essa. Você está com medo, só isso. está inseguro sem motivo, porque Shaka te ama.Volta lá.

– Eu não posso voltar! – replicou o mais velho. – Você me conhece. Eu vou acabar socando aquele Mu e estragando definitivamente qualquer chance com o Shaka! É mesmo melhor que eu vá. Preciso esfriar a cabeça. E eu sei que ele me ama, o problema não é bem esse, Shun, sou eu!

– Tudo bem – Shun se deu por vencido. Insistir seria pior naquele momento –, mas fica frio mesmo. É melhor que vocês conversem amanhã então. – o mais jovem começou a caminhar de volta ao restaurante.

– Obrigado, Shun. – ele parou ao ouvir a voz do irmão, virou-se e sorriu, companheiro.

– Relaxa, está tudo bem. Eu vou dar um jeito nisso pra vocês!

Ikki assentiu com a cabeça, embora se sentisse cada vez mais frustrado. Shun voltou e encontrou as pessoas que deixou à mesa. Encarou Shaka e sorriu.

– Ele precisa ficar sozinho. – Explicou a ausência do irmão. – Shaka, eu conheço o meu irmão, ele está perturbado, mas ele entende que vocês são apenas amigos. Cedo ou tarde, ele se acostuma.

– Eu não duvido disso, Shun... É só que... Esquece, não vou ficar falando sobre os meus problemas amorosos – o indiano esboçou um sorriso.– Eu sinto muito estragar a noite, mas eu vou indo. Não precisa se preocupar, Shun, eu consigo um táxi. Aproveite a noite ao lado do Hyoga. – Acrescentou quando o cunhado fez o movimento de quem iria se levantar.– Você vai?– perguntou a Mu.

– Acho melhor não chegarmos juntos. Vai que ele ‘tá lá te esperando... – o tibetano respondeu após menear levemente a cabeça. – Eu vou andar um pouco pela praia, volto mais tarde.

– Certo. Até outra hora, rapazes – o loiro disse, fingindo estar bem.E foi para casa, sem muita esperança de que Ikki realmente ainda quisesse vê-lo naquela noite.

Ikki se jogou embaixo do chuveiro assim que chegou a casa e ficou pensando, pensando sem conseguir chegar a nenhuma saída. Era evidente que havia um entendimento perfeito entre Shaka e seu editor e talvez eles apenas não tivessem se dado conta disso, Shaka pelo menos não tivesse, mas era apenas questão de tempo. Tempo para ele notar que era realmente Mu que o completava e que ele, Ikki, não passava de um... – engoliu os pensamentos amargos e sentiu vontade de chorar, mas suprimiu as lágrimas, não adiantava. – Shaka descobriria que eles não tinham nada em comum e o trocaria com certeza. Até ele próprio tinha que admitir que, bem... o loiro e o tal Mu eram tão parecidos, tão calmos, educados, tranquilos e gostavam das mesmas coisas.

Saiu do banheiro e se vestiu num moletom. Foi até a geladeira e pegou um copo d’água e tomou um dos comprimidos que sempre tomava quando queria dormir, mas ele não parecia fazer efeito, então tomou o segundo e como o sono não chegava, resolveu ir para a internet. Conectou-se na esperança de encontrar Virgo, o que talvez aliviasse a noite ruim. Havia muito tempo que não falava com o amigo e da ultima vez que se falaram as coisas ficaram estranhas, mas com quem mais poderia falar naquele horário? Precisava encontrá-lo.

Tal como o loiro imaginou, a porta de Ikki estava fechada e ele não ousou bater lá para perguntar se poderia dormir com ele. Naquelas últimas semanas ele estava praticamente morando no apartamento do moreno, mas isso não se repetiria àquela noite. Tinha consciência de que Ikki precisava de um tempo, e eles conversariam no dia seguinte. Melhor esperar “a poeira baixar”.

Depois do banho, o loiro foi direto para a cama, mas ficou rolando sobre ela por mais de uma hora. Ouviu quando Mu chegou e se trancou no quarto de hóspedes. Ele desistiu de tentar dormir, levantou e ficou lendo no sofá, mas não conseguiu se concentrar na leitura então acabou indo para frente do computador. Ao entrar no bate-papo viu que Fênix estava on-line. Hesitou por alguns instantes. Shaka não sabia se estava preparado para "ouvi-lo" naquele momento. No entanto, sua curiosidade acabou sendo maior e ele digitou um tímido "oi".

Ikki suspirou quando viu o cumprimento do amigo e digitou rápido.

Fênix diz: Oi, embora eu não saiba o que dizer, é bom falar com você essa noite. Desculpe pela forma que eu saí naquele dia.

Virgo diz: Tudo bem, sei que falei mais do que deveria. E é sempre bom falar com você. Só não sei se serei uma boa companhia hoje. Estou com alguns problemas.

Fênix diz: Parece que temos certa sincronia em “momentos ruins”.

Digitou e mordeu os lábios, sentindo algo estranho. Agora que citara, realmente as coisas entre eles eram cheias de coincidências. Parecia que ele e Virgo sempre estavam passando pelos mesmos problemas.

Virgo diz: Parece sim. Posso ajudá-lo em algo?

Ikki engoliu em seco. Algo passou por sua cabeça, mas não podia ser. Ele tentava não ficar imaginando coisas, mas algumas coisas, pistas e conversas começaram a se movimentar eu sua mente.

Fênix diz: Virgo, qual o nome dele?

Ikki estava nervoso com aquilo, se fosse verdade, deuses, o que faria?

Shaka travou. Céus, será que ele estava desconfiado?

Virgo dia: Nome de quem?

Fênix diz: Do seu namorado.

Virgo diz: Por que quer saber disso?

Fênix diz: Só por curiosidade.

Virgo diz: Leon.

O moreno sorriu, estava imaginando coisas. Shaka respirou aliviado.

Fênix diz: Por que você acha que não seria uma boa companhia hoje? Você é sempre uma companhia maravilhosa. Eu é que fui um grosso da última vez.

Virgo diz: Não, eu admito que falei demais. Não tinha o direito de julgá-lo.

Fênix diz: Está tudo bem. Eu é que não estava bem naquele momento, como não estou hoje. Mas vim tentar falar com você. Você me faz bem... É uma sorte que esteja aqui.

O indiano torceu o nariz ao ler a mensagem. Por que Ikki nunca falava aquele tipo de coisa para si? Com ele só crise e ciúmes. As palavras que saíam da boca do namorado geralmente só machucavam... E com Virgo... Não era racional, mas naquele momento era dessa forma que ele se sentia: trocado por Virgo. Por si mesmo! O que era insano.

Decidiu que resolveria aquilo de uma vez por todas e que daria um fim a tudo se fosse possível. Mas primeiro precisava saber até onde iam os sentimentos de Ikki pelo amigo virtual. Estava se arriscando a “ouvir” o que não queria, mas era mais forte que ele.

Virgo diz: Desse jeito você me deixa sem jeito (risos). Ah, estou um pouco triste também. Precisando de um ombro amigo, talvez. Não tem dias que você se sente solitário? Estou assim hoje.

Ikki sorriu sincero, tinha sim vontade de abraçar o amigo e confortá-lo, mesmo porque também estava precisando de um ombro amigo, embora nunca fosse confessar isso para ninguém além de Virgo.

Fênix diz: Eu queria poder ser esse ombro. Também estou precisando muito de um... Você não sabe como... Estou me sentindo sozinho e um grande idiota.

Shaka precisou se segurar para não atravessar o corredor e abraçá-lo. Mas Ikki dizia que queria Virgo... Sim, ele queria Virgo, porque se o quisesse, era só atravessar o corredor. Aquilo feria, magoava muito. Por mais idiota que fosse.

Virgo diz: É uma pena que você esteja do outro lado da tela. Eu adoraria roubar o seu ombro um pouquinho.

Ikki suspirou novamente e apoiou a cabeça numa das mãos. Estava tão cansado, tão exausto e triste. Precisava tanto do apoio da única pessoa que o conhecia como ele realmente era.

Fênix diz: Eu quero encontrar você. Abraçar você. Eu não suporto mais essa distância, eu preciso tanto de você agora comigo. Um amigo de verdade, alguém que me entenda, que não me julgue um louco por minhas atitudes! Onde você está? Por que nunca nos encontramos?

Despejou tudo e apertou o enter antes que desistisse. Depois apoiou o rosto nas mãos, ruborizando e se achando estúpido e patético. Tratou de se retratar.

Fênix diz: Desculpe, acho que estou muito confuso e magoado e... estou descontando isso em você que não tem culpa da minha carência.

Os olhos do loiro se encheram de lágrimas. Ikki estava sofrendo, estava triste, arrasado pela incerteza do seu amor. Como ele podia não confiar em seus sentimentos? Como ele podia duvidar? Até entendia que no fundo, o moreno duvidava de si mesmo, mas era difícil concentrar-se nisso quando as emoções estavam todas expostas daquele jeito.

Virgo diz: O que está te magoando assim?

Fênix diz: Desculpe, eu não devia estar dizendo isso. É estúpido! Mas é que meu namorado... acho que ele gosta de outro cara e... Ah, esquece! Desculpe, acho que vou dormir, tomei dois comprimidos e mesmo assim não consigo, mas já não estou conseguindo pensar direito...

A mente do moreno estava realmente confusa pelos comprimidos que começavam a fazer efeito, mesmo que seu corpo não relaxasse para que dormisse.

Shaka friccionou os olhos com força. Por que Ikki tinha a ideia fixa de que ele estava interessado em Mu? Era ridículo! Ele e Mu jamais dariam certo.

Virgo diz: Parece que você fica imaginando coisas que não existem. E não tome tantos comprimidos. Não faz bem! Eu tenho certeza de que seu namorado te ama, ama muito.

Fênix diz: Desculpa, mas eu estou me lixando se faz bem ou não. Eu não consigo pensar em nada, eu só penso em dormir para que isso acabe. E não é coisa da minha cabeça, você não faz ideia de como eles... eles, meu namorado e o outro cara, como eles se entendem. Eu percebi hoje que nunca vamos nos entender assim, nunca teremos tanta afinidade...

Escrevia compulsivamente, derramando todos seus medos e sentia que isso ajudava a diminuir um pouco sua angústia, porque não suportava mais guardar tudo aquilo para si.

Shaka não queria mais “ouvir” aquilo. Por Buda! Ikki tinha uma visão totalmente equivocada dos seus sentimentos. Ele pensava que só por causa de uma afinidade iria trocá-lo por Mu daquela forma? E daí se não tinham tantas coisas em comum? Na verdade, ele adorava essa diferença. Sempre teriam pontos divergentes para defender. Qual a graça de uma relação que um diz uma coisa e outro “amém”?

Virgo diz: Sinceramente eu não sei o que te dizer. Se você está tão certo que ele não te ama, deveria deixá-lo livre para o outro cara.

Ikki sentiu o peito doer com aquela afirmação. Lágrimas foram aos seus olhos, e ele não pôde mais contê-las, deixou que caíssem. Estava mal demais para se fazer de durão.

Fênix diz: É isso que eu vou fazer... Ele já está bem o suficiente para viver uma relação legal, calma e não... Bem, como eu disse, não sou muito bom com as pessoas. Desculpa por encher seu saco, acho que vou dormir agora...

O loiro fechou os olhos com força, fazendo duas lágrimas descerem por seu rosto ao escutar aquilo. Ikki estava totalmente errado. Como ele podia pensar tanta bobagem? Eles se amavam, não podiam se separar por algo que não existia.

Resolveu que agora era tudo ou nada.

Virgo diz: Onde você está? Quero encontrá-lo agora.

Inicialmente Ikki não acreditou no que leu. Havia tanto tempo que conversavam e o outro nunca demonstrou vontade de conhecê-lo, o que havia acontecido?

Fênix diz: Agora?

Virgo diz: Sim, agora. Eu moro perto ao parque allegra, estarei te esperando.

Shaka disse e saiu do bate-papo. Sabia que o perderia para sempre. Sabia que Ikki não o perdoaria, mas aquilo precisava chegar ao fim.O indiano se ergueu da frente do computador e enxugou o rosto, caminhando para a porta. Era hora de acabar com último segredo que existia entre os dois.

Ikki ficou sentado na cama, pensando no que fazer e como agir. Parque allegra. Aquele parque ficava somente a algumas quadras dali. Era coincidência demais e aquilo lhe trazia um pressentimento ruim.

De toda forma, vestiu-se e saiu. Não pegou o carro porque o local era realmente muito próximo. Andou pelas ruas escuras, o coração batendo forte no peito. Seus passos, antes ligeiros, foram diminuindo o compasso ao perceber uma pessoa parada na pequena praça. A pessoa o encarou, mesmo que na escuridão eles não pudessem ver a expressão um do outro.

O moreno estava mais confuso que nunca. Não podia ser. Ele caminhou lentamente, sem piscar até estar a alguns passos do loiro. Shaka tinha os olhos molhados e carregava uma expressão de muito sofrimento.

– Você quer mesmo terminar comigo? Se você está cansado de mim, diga de uma vez! Pare de inventar desculpas para se livrar de mim. Eu não estou interessado no Mu! Mas acho que você se convenceu disso porque quer o Virgo! – acabou deixando escapar tudo o que o afligia, de forma atropelada, sem conseguir articular palavras direito. – Pois bem, Ikki! Você já tem o Virgo, eu sou o Virgo!

A declaração pairou no ar por um tempo e o silêncio da noite fez-se ainda mais concreto. Ikki piscou várias vezes sem entender nada do que o namorado dizia. Sua mente estava meio lenta com o efeito dos remédios, mas ele conseguiu entender a palavra Virgo repetida por Shaka.

Lentamente a realidade caiu sobre si como uma bigorna.

– Virgo? O que-... – seus olhos se arregalaram, e ele empalideceu mortalmente tentando acreditar que era mentira – Você... – não conseguia articular as frases, estava muito confuso.

– Sim, eu sou o Virgo – Shaka reafirmou. – Eu tentei te contar algumas vezes, mas tive medo da sua reação. Mas talvez tivesse sido melhor! Aí você teria se decepcionado antes ao saber que o cara que você idealizou tanto é o idiota cheio de manias que atende por Shaka! O idiota que mesmo te amando como um louco, por algum motivo, você não acredita!

Ikki empalideceu ainda mais se isso fosse possível. Sua garganta ficou seca e sua expressão transfigurada pela emoção. Raiva, decepção, desespero, tudo se unia dentro de si. Ele começou a rir, fazendo Shaka erguer uma sobrancelha. O moreno sentia-se a mais idiota das criaturas por ter sido enganado daqueles jeito, mas a única coisa que conseguia fazer era rir, rir entre algumas lágrimas que deixavam seus olhos.

– Você me enganou? Você me enganou esse tempo todo? – as lágrimas caíram sem que ele conseguisse mais conter, enquanto o riso parava gradativamente. – Você me fez de palhaço, Shaka? Me usou, usou a amizade que eu tinha por... pelo Virgo para... – crispou os punhos para conter a raiva que ameaçava tomá-lo de forma mais intensa. – Eu não acredito nisso... – Murmurou, voltando a rir e balançando a cabeça, incrédulo.

– Não, eu não menti. Omiti, talvez. Você não me contava nada! Que opção eu tinha? Sempre fui sincero e tentei te ajudar, mesmo com você dizendo o quanto Virgo é maravilhoso e perfeito! – Shaka disse em um tom enciumado, tentando não se abalar pelas lágrimas do moreno. Era a segunda vez que o via chorar e isso o deixava quase arrependido daquele encontro. – Eu omiti porque queria me aproximar de você para poder ajudá-lo.

Ikki estava atônito, entorpecido ainda por aquela descoberta. Todas as conversas que tivera com Virgo, quando se mostrara exatamente como era, toda sua fragilidade, todos seus medos, nada daquilo foi real, foram apenas mentiras de Shaka, mentiras para fazê-lo de idiota, para poder usar contra ele. Então ele sabia de tudo, sabia dos seus medos, ciúmes, insegurança e mesmo assim ele continuou da mesma forma, e mesmo assim ele o fez de idiota, por quê? Por que se sentia culpado em deixá-lo, achava que ele, Ikki, o havia ajudado a se livrar do TOC e não era justo abandoná-lo por Mu. Tudo começava a ficar muito claro agora. Talvez aqueles dois já estivessem juntos há muito tempo, e ele fosse apenas um mal necessário para o indiano.

Sentiu uma dor tão profunda no peito que esmurrou um poste, fazendo a estrutura de metal estremecer, machucando a própria mão. Agora tudo fazia sentido, o que ele dissera fazia sentido:

“Sinceramente eu não sei o que te dizer. Se você está tão certo que ele não te ama, deveria deixá-lo livre para o outro cara.”

Era isso, Shaka queria que ele terminasse, para que não se sentisse culpado depois.

– Sai de perto de mim... – murmurou com uma dor tão intensa que nem conseguia gritar, embora fosse essa sua vontade – Já me fez de palhaço o suficiente...

O primeiro impulso de Shaka foi de correr até o moreno para verificar o estrago que ele fez na própria mão, mas obrigou-se a manter-se afastado, depois de suas palavras.

– Isso não é verdade, Ikki! Por isso eu vim aqui, por isso eu quis dizer a verdade – tentou se explicar. Estranhava a voz baixa do namorado. Preferia que ele explodisse, aquela voz pausada e cheia de raiva significava que o estrago tinha sido grande demais.

– Depois de quanto tempo me enganando? Depois de quanto tempo me fazendo de idiota? – Riu, enquanto mais lágrimas desciam por seu rosto. – Como você sempre disse, eu nunca passei de um moleque imaturo pra você.

– Isso não é verdade. Eu só queria estar mais perto de você porque te amo – Shaka disse lentamente, voltando a se aproximar, fingindo não ter ouvido a ordem de expulsão. – Eu queria te ajudar, mas você nunca se abria comigo. Por exemplo, naquele dia em você viu o Shun, você se trancou numa concha a sete chaves e nada do que eu dizia ou fazia ajudava. Você só falava com o Virgo, só queria o Virgo... Você sempre amou Virgo que é uma "pessoa perfeita” que você idealizou. Essas suas crises de ciúme só eram um jeito de se livrar de mim para ter o caminho livre para o seu "amigo virtual" – acusou. Estava sendo acusado e isso era uma forma de defesa.

O olhar que o moreno lançou ao loiro foi de uma raiva tão visceral que ele não conseguia pronunciar. Aliás, tinha medo de falar, se falasse demais perderia a cabeça e tudo seria pior. Deixou-se cair no banco e escondeu o rosto por um tempo nos próprios braços.

O loiro pensou em se aproximar, mas ele o impediu.

– Afaste-se de mim, Shaka... eu já não tenho nenhuma satisfação a dar a um mentiroso como você! Corre para o seu amigo, aposto que a companhia dele é bem melhor que a minha, aliás, vocês se mostraram com tanta afinidade essa noite que me admira muito você aparecer aqui pra cobrar alguma coisa – sorriu com tanta amargura que foi difícil até para ele. – Volta pra ele, Shaka, está mais que óbvio que não damos certo.

Os olhos do loiro marejaram, e ele sufocou um soluço.

– Então tudo bem. Você conseguiu o que queria, Ikki! Mas além do Shaka, você também está perdendo o Virgo esta noite – ergueu a cabeça, sem conseguiu fingir estar bem com aquela decisão. Não conseguiu manter sua altivez dessa vez, não conseguiria enganar o moreno e nem a si mesmo. Estava em frangalhos e para não começar a chorar, simplesmente deu as costas ao outros.

– Eu estarei no mesmo lugar, Ikki. Quando se acalmar, pode me procurar para conversarmos.

O moreno ergueu a cabeça, o encarando com todo seu desprezo.

– Eu não vou procurá-lo. Acabou! Adeus, Shaka! Some da minha frente!

O loiro não suportou mais, saiu de perto dele a passos lentos. Sentindo-se completamente quebrado por dentro. A dor era tão intensa que ele arfava e isso fazia seu peito doer. Sabia que o perderia no momento em que dissesse a verdade, por isso protelara tanto. Era tão irônico que agora entendesse tudo que Ikki sentiu quando o deixou por causa da traição. Era tão irônico que sentisse exatamente a mesma dor.

As ruas noturnas desertas tornavam-se sombrias.

So while I'm turning in my sheets

And once again, I cannot sleep

Walk out the door and up the street

Look at the stars beneath my feet

Remember rights that I did wrong

So here I go

Então, passo o tempo me revirando nos lençóis

E mais uma vez, não consigo dormir

Saio pela porta e subo a rua

Olho as estrelas debaixo dos meus pés

Lembro de coisas certas que fiz erradas

Então, aqui vou eu

Ao entrar em casa, encostou-se à porta e escorregou lentamente até o chão. As lágrimas começaram a despencar de seus olhos sem que ele tivesse qualquer controle. Logo seu corpo começou a tremer por causa dos soluços.

– Shaka? – ele ouviu Mu o chamar em um tom preocupado, mas o loiro continuou chorando, massageando levemente o peito onde seu coração batia de forma dolorosa.

– Está... doendo tanto – o indiano sussurrou.

– O que aconteceu? Vocês brigaram outra vez?

– A...Acabou – Shaka balbuciou erguendo a cabeça para fitar o editor. Mu não soube o que dizer para acalmá-lo então apenas o abraçou, e Shaka, nervoso e agitado, nem lembrou-se da sua fobia. Apenas aceitou o abraço e chorou.

There is no place I cannot go

My mind is muddy but

My heart is heavy, does it show

I lose the track that loses me

So here I GO

Não há nenhum lugar aonde não possa ir

Minha mente está confusa,

Mas meu coração é forte. Consegue ver?

Perdi o rastro que me guiou, então assim continuo.

Então aqui vou eu

Durante um longo tempo o som dos passos de Shaka ecoaram na mente de Ikki, era tudo que ele conseguia perceber. Sua mente fugiu para algum outro lugar que ele não sabia onde, mas quando deu por si, achou-se sentando naquele banco, abraçado aos próprios joelhos, soluçando e com os olhos ardendo pelas lágrimas que não se lembrava de ter chorado.

Sua mente deve ter entrado em colapso e por isso ele “desligou”. Sentia-se tão fraco, tão sozinho, sozinho como nunca na vida. Começou a caminhar de volta...

And so I sent some men to fight,

And one came back at dead of night,

Said: Have you seen my enemy?

Said: He looked just like me"

So I set out to cut myself

And here I go

E então mandei alguns homens à luta

E um deles voltou na calada da noite

Eu disse: "Você viu meu inimigo?"

Ele disse: "Se parecia com você"

Então eu saí para cortar meus pulsos

E aqui vou eu

Shaka chorou no ombro de um solícito Mu, mas depois de um tempo, preferiu ficar só. Foi para o quarto e se jogou na cama. Sentia-se em pedaços, queria morrer, e tudo era sua culpa. Culpa unicamente sua.

I'm not calling for a second chance

I'm screaming at the top of my voice

Give me reason, but don't give me choice

Cause I'll just make the same mistake again

Não estou pedindo uma segunda chance,

Estou gritando com toda minha voz

Me dê razão, mas não me dê escolha,

Porque eu cometerei o mesmo erro outra vez

A distância do Parque allegro para seu apartamento nunca foi tão longa. Isso porque ele não tinha vontade de andar. Não tinha vontade de viver naquele momento...

And maybe someday we will meet

And maybe talk and not just speak

Don't buy the promises 'cause

There are no promises I keep

And my reflection troubles me

So here I go

E talvez um dia nós nos encontremos

E talvez possamos conversar e não apenas falar

Não acredite nas promessas, porque não há promessas que eu cumpra

e minha reflexão me incomoda

e aqui vou eu

Shaka não conseguia dormir. A culpa, a raiva, a sensação de que era culpado e ao mesmo tempo o sentimento de que Ikki não o amava, deixava-o tão triste e agitado que ele só sabia rolar na cama entregue as lágrimas. Todos os momentos, todos os sonhos, todos os planos...

Ikki bateu a porta do quarto e deixou-se cair na cama, entregando-se a um pranto sofrido.

So while I'm turning in my sheets

And once again, I cannot sleep

Walk out the door and up the street

Look at the stars

Look at the stars, falling down

And I wonder

Where, did I go wrong?

Então, passo o tempo me revirando em meus lençóis

E mais uma vez, eu não consigo dormir

Saio pela porta e subo a rua

Olho para as estrelas

Olhe para as estrelas, estão a cair

E eu me pergunto

Onde foi que eu errei?

I'm not calling for a second chance

I'm screaming at the top of my voice

Give me reason, but don't give me choice

Cause I'll just make the same mistake again

Não estou pedindo uma segunda chance,

Estou gritando com toda minha voz

Me dê razão, mas não me dê escolha,

Porque eu cometerei o mesmo erro outra vez

Continua...

Notas finais
Claro que para premiar todos os clichês da história, Shaka tinha que sofrer escorregando pela porta né? Kkkkkkkkkkkkk É gente, eles brigaram novamente, *foge das pedras*, mas não seria assim tão fácil o Ikki perdoar, né? Mas não se preocupem, o amor supera. Beijos a todos e até o próximo capítulo! Sion Neblina Postado em 22/02/2014