Essa È A Minha Vida!
5 Pesadelo,Medo e Família ...
Já passava das nove da noite,quando minha tia ligou dizendo que era pra Júlia ir para casa.
–Quer ir para o shopping amanhã?-perguntou no portão.
–Você sabe que eu não gosto de sair em dia de semana-respondi, mas a verdade é que eu não eu tava com a minima vontade de sair.
–Ah vamos por favor, já faz maior tempão que a gente não sai-disse fazendo cara de cachorro que caiu da mudança.
–Se eu for você vai parar de me encher o saco?!-perguntei. Desde que eramos pequenas era assim, eu acaba sempre fazendo as vontades dela. Eu acho que por ela ser a caçula e também minha única prima, ficava quais impossível dizer não.
–Eu vou, eu prometo!-respondeu. Mesmo eu sabendo que essa promessa talvez nunca fosse cumprida.
–Tá legal! Boa Noite-disse.
–Amanhã eu te ligo para a gente acertar que hora nós vamos.Tchau-ela disse.
–Okay!-respondi fechando o portão e entrando dentro de casa.
Minha mãe estava na cozinha terminando de fazer um bolo que ela teria que entregar pela manhã.
–Amanhã eu a Ju vamos para o shopping!-falei sentando numa cadeira de frente para ela. Sua expressão antes calma concentrada ficou séria.
–Sabe que eu não gosto quando vocês duas saem sozinhas-respondeu largando o saco de confeiteiro. Desde que eu me entendo por gente era assim, minha mãe, meus avós todos tinham essa proteção excessiva comigo, dá pra acreditar que só a alguns meses atrás eles deixaram eu sair sozinha (Sozinha não, com a Júlia, mas tá valendo né?!),antes eu só podia sair acompanhada por algum adulto,quando várias outras garotas estão saindo por aí e fazendo que só Deus na causa,e eu sei que eu não sou elas (Graças aos Deuses!), mas eu só queria que eles percebessem que eu não sou feita de vidro!
–Quer ir com a gente então?! Eu com certeza vou precisar de ajuda para aturar a Júlia por uma tarde inteira-respondi rindo.
–Eu não sei se vou poder ir,mas até eu te dou resposta,tá bom?-disse com um meio sorriso.
–Isso quer quiser que a senhora vai deixar a gente sair?-perguntei curiosa.
–Talvez-respondeu e eu bufei, eu detestava quando ela respondia com "talvez",era só dizer "sim" ou "não".
–Agora vai dormir, que você tem aula amanhã-respondeu me dando um beijo na testa.
–Infelizmente-resmunguei. -Boa noite mãe!-disse e lhe dei um beijo na bochecha.
Fui para o banheiro escovar oa dentes, vesti minha blusa de manga preta que tinha uma coruja (E só pra vocês saberem: Eu Adoro Corujas!) e um shortinho cinza e me joguei na cama.
Ainda nem eram dez horas e eu já estava na cama, se fosse em dias normais eu pegaria meu notebook e ficaria navegando pela internet mas o mesmo estava no concerto e talvez só iria voltar depois de amanhã.
Bocejei e apaguei a luz do abajur, e parece que eu dormir já que alguns minutos depois eu não estava mas no meu quarto e muito menos na minha cama:
Eu estava em uma sala cheia de pessoas que eu nunca havia visto antes. E eu tentava falar com elas, chamar sua atenção mas pareciam que nem me notavam ali,como se eu estivesse invisível. E aquele me desesperou pois comecei a gritar na esperança de que alguém me notasse, mas acabou tendo o efeito contrário pois elas começaram a sair:
–Ei! Pra aonde vocês tão indo?-perguntei sem ao menos ganhar uma resposta.
Uma a uma eu vi aquelas pessoas indo embora e me deixando ali,sozinha ...
–Por favor não vão embora! Voltem, não me deixem aqui!-eu implorava para o nada.
Eu não sabia dizer se haviam se passado apenas alguns minutos, ou se haviam passado horas,eu só sei que eu continuei ali,sentada naquele chão frio e sozinha naquela sala.
Eu escutava as outras pessoas do outro lado da porta e por mais que eu gritasse ninguém me escutava,ninguém vinha me salvar.
Eu despertei assustada com o que sonhei,meu coração parecia que iria saltar pela boca e eu tive respirar fundo algumas vezes poia estava a ponto de sufocar.
Após alguns minutos eu voltei ao normal,pelo menos metade de mim. Eu não sabia porque havia sonhado com aquilo novamente. Esse era um dos meus medos mais profundos, ninguém sabia sobre ele.
Eu não sei dizer quando começou os pesadelos ou quando passei a sentir esse medo de ficar sozinha, de ser abandonada. Pode até parecer para muita gente mas pra é uma coisa muito séria.
Dizer que eu não sei exatamente quando esse medo começou, eu estaria mentindo, é claro que eu sei. Ele começou exatamente no dia em que eu nasci, não,não você não leu errado, foi exatamente nesse dia que tudo começou, no dia em que eu fui abandonada pela pessoa que deveria me amar, que deveria cuidar de mim: Meu pai.
E mesmo tendo me dado um sobrenome e uma pensão todo, ele não me deu o essencial que foi a sua presença. Doí, doí bastante pensar que talvez ele nunca tenha me amado, nunca tenha se importado comigo no final das contas. Nunca tendo vindo, nunca me ligado no meu aniversário, nunca tendo estado presente em nenhum dias dos pais (talvez seja por isso que eu odeie tanto esse dia).
Por isso eu sempre digo que pai é quem cria, e mesmo tendo a presença de meu de sangue eu sempre pude contar com meu pai de coração (Meu Avô), o homem que me criou e amou exatamente do jeitinho que eu sou, o homem que eu sei que posso sempre contar mesmo não horas ruins,o homem que é tudo na minha vida e sempre ele talvez eu não seria nada. E eu tenho muito orgulho de ser neta dele!
Me levanto da cama e vou até a penteadeira aonde eu coloquei uma fofo que tiramos no ano novo em que todo a família está na foto. Sorrio ao lembrar desse dia,mesmo as coisas não tendo saído como eu imaginava, acabou que no final deu tudo certo.
E mesmo com todos os meus medos e paranoias é sempre bom saber e lembrar que mesmo se as coisas não estiverem dando certo e se o mundo talvez esteja caindo sobre a sua cabeça é sempre bom saber que tem gente que sempre vai estar aí pra você: Sua Família.
E a minha eu não troco por nada!
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