Notas iniciais
"Insanidade é para os insanos" - Senhor Óbvio. Eu não acho que minha mente é doentia. Talvez seja, talvez não seja. O único motivo das pessoas se darem tão mal nas minhas histórias, é que elas me refletem. Nenhum personagem dessa história foi atacado por um touro, ainda.

Paralisado.

Podia sentir meu coração bater cada vez mais forte.

Lembro-me de quando Alicia sumiu por um tempo, eu fiquei muito preocupado com ela, Lucas e Felipe me ajudaram a encontra-la, rastreamos o celular dela e descobrimos que estava em alguma praia, à surpresa que ela teve foi estranha, eu costumava fazer essas coisas, aprendíamos na internet, em sites codificados.

Mas agora ela estava amarrada a minha frente, “Feliz aniversário”, todos dizem para mim.

Por um segundo acho que é uma brincadeira, mas essa brincadeira estava demorando tempo demais para se revelar. Um minuto, dois minutos, três minutos. Sete minutos. Eu tentava entender, mas tudo indicava que meus amigos eram verdadeiros psicopatas. Dez minutos. Eu continuava observando ela incrédulo. Onze minutos. Melinda resolveu me fazer uma pergunta. Doze minutos. Eu desmaiei.

Eu acordo, mas não na vida real, eu acordo apenas de cueca no chão de uma casa, ela se move me deixando tonto.

Quando consigo me colocar em pé, caminho até a porta da sala, quando abro uma onda me acerta, fecho rapidamente, me soltaram em uma casa no meio do oceano.

– Ei Daniel. – Diz um urso de pelúcia andando em minha direção.

– Quem é você?

– Acho melhor você acordar, bateu a cabeça com muita força, têm de decidir o que vai fazer quando acordar...

– Qual o sentido de tudo isso?

– Seus amigos são insanos, você está tendo um sonho insano.

– Como acordo?

Ele mexeu atrás das orelhas, tirando um controle remoto com apenas um botão, apertou com força, o chão se abriu aos meus pés enquanto eu caia na água.

– Mas o que? – Disse com raiva, meu rosto estava molhado e Melinda segurava um copo da água.

– Você desmaiou, caiu duro no chão e ficou assim por uns cinco minutos.

Esse tempo foi suficiente para eu ter um sonho insano. Dezessete minutos. Ela ainda está amarrada.

– A surpresa não acaba por ai. – Disse Felipe colocando a mão em meu ombro.

– Vamos explicar o jogo. – Vitória disse.

– Eu explico, Melinda estava te distraindo enquanto eu e os outros estávamos sacaneando sua vida ao máximo...

– Vocês me odeiam? – Eu disse gritando e cuspindo.

– Não te odiamos, estamos fazendo isso porque te amamos, te daremos uma pista, você tem que descobrir o que é, essa pista leva a um lugar que sacaneamos em sua vida, você vai ter que concertar tudo, toda vez que achar terá uma nova pista, até chegar a final, tem uma semana pra fazer isso, começando de agora. Se não...

– Se não o que? – Eu estava me preparando pra desmaiar novamente.

– Se não eu explodo a cabeça dela, consiga antes do tempo. – Ela tirou uma arma da cintura. – Aqui não tem balas de festim, dessa vez são reais, não tente ir a policia ou contar pra alguém, você sabe que isso vai acabar mal.

– Por que estão fazendo isso?

– Você disse que queria um aniversário memorável, vamos... Vai ser divertido... Uma aventura!

– São exatamente 22:25 da noite, você têm até esse horário do próximo domingo pra arrumar as coisas... – Vitória disse sorrindo.

– Feliz aniversário! – Alguém repetiu.

Uma picada.

Olhei para baixo e Melinda estava segurando uma seringa.

Adormeci.

Escuridão.

Então eu acordei.

Estou deitado em um dos colchões do Pouso dos Pássaros, minhas costas estão doendo e um envelope foi deixado sobre meu peito, um relógio foi colocado em meu braço, é mais de meia noite. Meus amigos eram psicopatas com rostos de anjos.

Eu tinha que vencer o jogo, era isso ou Alicia morria, eu tinha medo de descobrir como eles sacanearam minha vida.

Me sentei, eu estava deserto, peguei um chocolate e dei uma mordida, eu sabia com as coisas que fazíamos que meus amigos eram loucos, mas tanto a ponto de fazer isso? Passei os dedos pelo envelope, abrindo devagar, eu aparentava calma enquanto meu interior explodia, o papel foi retirado com a ponta dos dedos, era um bilhete escrito:

“Onde aprendeste do que foi feito o planeta, sobre como é formado o corpo humano, o funcionamento de um coração, mas não o que fazer para parar de doer.”

Porcaria!

Eu sabia o que queria dizer...

Meu colégio...

Abri a porta da casa e corri, o colégio só começava a funcionar sete e meia da manhã, tinha que chegar lá e ver o que podia fazer antes. Eu corria, pisando na grama, em 15 minutos eu estava pisando em asfalto.

Onde aprendeste do que foi feito o planeta,

Merda, eu tinha que chegar lá.

Sobre como é formado o corpo humano,

Melinda era maluca, ela e os meus amigos.

O funcionamento de um coração,

O que ela disse para os outros?

Mas não o que fazer para ele parar de doer.

Merda, eu estava indo em direção ao colégio errado.

Cai na calçada ofegante, nunca tinha corrido tanto. Aquelas palavras começaram a fazer sentido em minha mente, uma memória veio rapidamente a minha cabeça.

“Aula chata”, Melinda estava dizendo se virando pra trás, quando estávamos no ensino fundamental e não no ensino médio.

“Concordo”

“Sabe, eles podem dizer do que é feito o planeta, como é formado o corpo humano e até sobre o coração, mas é quase impossível eles no ensinarem como amar ou como parar de amar”

Eu nem sabia como tinha conseguido lembrar daquilo.

Agora eu estava correndo pra minha antiga escola.

Me deparei com os muros, não pensei duas vezes antes de escalar, caindo do outro lado e sentindo dor, mas me levantei e notei um dos vidros quebrados. Tinham usado pra entrar pela cozinha, eu imitei eles, logo nos corredores fui vendo um rastro de destruição, mesas e cadeiras jogadas pra todo o lado, olhei para meu braço e estava escrito com caneta: “Arrume, consiga arrumar ou ela morre”, eles vieram até meu antigo colégio e destruíram tudo, se eu não arrumasse ia dar no jornal que algum vândalo destruiu tudo, assim Alicia morreria.

Caminhei até o fim do corredor, onde ficava a sala da diretora, lá estava o número de minha casa e meu nome, ainda dizia: Venham me pegar, nunca irão conseguir, porcos.

Eu tinha que pintar aquilo, mas não ia dar certo.

Tinha que concertar o vidro.

Tinha que arrumar o colégio inteiro.

Tinha que arrumar minha vida e salvar Alicia.

Merda, merda, merda.

Eu tinha pouco tempo, era verão mas empregadas sempre trabalhavam na segunda.

Segunda.

Aquela era madrugada de uma segunda.

Merda, merda, merda.

Ainda tinha de achar a segunda pista, eu tinha certeza que estava no meio da bagunça.

Merda, merda, merda.

Eu não podia parar de pensar no que fazer, quando eu arrastei a primeira cadeira, o que era o serviço de no mínimo sete pessoas durante um dia todo, eu teria que fazer de madrugada.

Eu ainda me preocupava com o que eles sacanearam do resto de minha vida.

Aquela era só a primeira etapa.

Notas finais
"Insanos são para a insanidade" - Senhor mais Óbvio ainda. Eu como sempre, vou continuar escrevendo... Postei enquanto eu ainda tinha ideias... Amanhã talvez eu acorde esgotado, sem nada para pensar, nem planejo estar aqui amanhã, domingo é meu aniversário, quinze anos, espero não encontrar a garota que eu gostei amarrada. Mas essa história não reflete na realidade. Tudo bem, eu não sei ao certo. Não vou dizer que sim. Não vou dizer que não. Só digo que tudo isso é ficção.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.