Notas iniciais
Desculpem-me a demora, eu tava realmente ocupada, mas aqui está(mais tarde do que eu jamais postei, mas enfim). Espero que gostem.

Antes do capítulo, quero agradecer pelos comentários, pelas favoritações e, claro, a todos os leitores pela atenção ;)

–Você, Bruno Menezes, aceita Maria de Fátima dos Prazeres como sua legitima esposa, prometendo amá-la e respeitá-la na saúde e na doença até que a morte os separe?

Dinho e Lia ainda se olhavam tão fixamente que se perdiam em seu próprio mundo, como se fosse deles o casamento, como se fosse para Dinho a pergunta do padre. “Sim.”. Todos os dias “sim”. Um ano se passara e Lia era a única que lhe importava, a única com quem subiria em um altar, como Fatinha e Bruno estavam fazendo. Era sua âncora, seu porto seguro, sua bússola. Vê-la no altar, linda, como sempre, mirando-o de volta, à voz do padre com seus pronunciamentos era um sonho. Estar ali, de frente para sua marrentinha, ao som daquelas palavras, talvez fosse o mais perto que chegaria de um casamento com a mulher de sua vida, com a garota de seus sonhos. Na saúde, na doença, na alegria, na tristeza, até depois da morte se tal realidade existisse. E, se não existisse, em sonhos. Sonharia sua marrentinha cada dia, cada noite, viraria sonâmbulo, dormiria pelo resto de sua vida, mas não podia perdê-la novamente. Queria tanto que ela lhe escutasse, que lhe entendesse, que sentisse o mesmo...

Era estranho... Lia Martins não costumava se emocionar com casamentos, jamais fora uma romântica, mas, por alguma razão, se é que qualquer sentimento seu relacionado a ele fizesse sentido, o olhar fixo de Adriano e o “aceito” escutado (provavelmente proferido por Bruno, o noivo) umedeceram seus olhos. Uma lágrima. O que estava acontecendo? Perdia-se nos olhos castanho-esverdeados de seu ex, tentando entender. Dinho parecia implorar por uma segunda chance com seu olhar de arrependimento e... amor. Por que a fitava daquela forma? Era difícil ignorar Adriano a encarando como se fosse a única que importasse, o centro de seu universo. Tinha que repetir para si, inúmeras vezes, que, se fosse verdade, o garoto jamais teria se deixado perdê-la daquela maneira. Se era a única que importava, o que ele fazia com Valentina um ano antes? Por que mentiu? E então o arrependimento no olhar de Adriano voltava a incomodá-la e, com o amor em seus olhos refletido, a roqueira se lembrou de todas as vezes em que encarou o mesmo castanho-esverdeado apaixonado. Todos os momentos juntos, as dificuldades que enfrentaram, as juras de amor eterno, a falta que ele fazia...

Estava com Vitor, era uma nova Lia. Havia superado. O motoqueiro era o namorado ideal, gostava muito dele e queria que desse certo. Era a sua nova chance. Vencidos Sal e os bandidos, as coisas pareciam finalmente começar a dar certo. Até ver Dinho... Estava incompleta, estava vazia de vida e não sentia. Apenas percebeu o que lhe faltava quando reencontrou. As feridas deixadas pela partida de seu ex haviam sido anestesiadas, mas, apenas ao vê-lo, percebeu que ainda estavam lá. A dor havia a deixado dormente e só agora voltava a sentir. A dor, a decepção, a mágoa... o amor. Odiava-se por constatar que ainda o amava. Todo esse tempo achando que o havia esquecido, estava se enganando. Não sabia o que fazer. Amava Dinho, mas não podia confiar no garoto novamente. Iria traí-la, fazê-la sofrer. Vitor, por sua vez, era respeitoso, correto, leal... Não podia perder a relação estável que havia conquistado para a montanha-russa emocional que era seu romance com Adriano.

–Sim.

Ouviu Fatinha pronunciar. Queria ter sua coragem, queria poder se arriscar, entregar-se ao que sentia por Dinho sem olhar para trás, mas não era tão fácil. Invejou os noivos, sabia que dificilmente subiria ao altar com o amor de sua vida. Lia Martins não se emocionava em casamentos, nem era romântica, mas Adriano nunca falhava em fazê-la se contradizer. Tudo o que queria era poder aceitá-lo de volta sem medo, vencendo orgulho, vencendo a dor, mas não podia. O que sentia era tão forte que sequer poderia imaginar ter seu coração destruído, esmigalhado novamente daquele jeito. Não podia. Uma lágrima selou seu pensamento.

Os noivos trocaram alianças e se beijaram, sob aplausos e gritos dos convidados. Adriano olhou nos olhos de Lia uma última vez, deixando uma lágrima escapar. A roqueira o encarava com tanta dor... Jamais o perdoaria. Era um tolo por acreditar que, implorando-lhe silenciosamente, a teria de volta; que havia visto, momentaneamente, a garota mirá-lo com saudade, com amor. Lia o odiava e com razão. A dor em seu rosto era demais para ele. Talvez voltar tivesse sido a pior escolha. Desviou a atenção de sua ex, tentando esconder a própria dor ao vê-la daquela maneira e viu a alegria estampada no rosto de sua melhor amiga. Continuaria por ela, por vê-la feliz. Torcera tanto para vê-la daquele jeito... Havia perdido todas as suas chances com Lia, mas Fatinha ainda tinha a vida que sonhou pela frente. Torceria para que sua amiga vivesse com Bruno tudo o que ele jamais viveria com Lia. Sorriu para a funkeira, tentando disfarçar as lágrimas para não estragar o dia de sua periguete favorita.

Maria de Fátima não podia estar mais feliz: estava vivendo seu sonho! Maria de Fátima dos Prazeres Menezes... Mal podia acreditar. Os gritos e os aplausos condiziam com sua alegria, com os gritos e pulos e voltas que sua cabeça dava, não cabia em si. Virou para seu lado esquerdo, sorrindo para Adriano, e percebeu o olhar distante, ainda que demonstrando felicidade pelo casamento, do melhor amigo. Voltou-se para seu lado direito e viu o motivo da vaga tristeza que vira nos olhos do amigo: Lia. Percebia que Dinho estava feliz por ela, mas que não continha a comoção de estar tão perto e tão longe de sua marrentinha. Encarou seu moreno e lhe informou discretamente.

–A gente precisa conversar rapidinho.

Bruno estranhou.

–Está tudo perfeito, amor, relaxa, eu só preciso da sua ajuda pra uma última coisinha.

Puxou o marido (marido... marido... podia repetir para o resto da vida aquela palavra) pela mão e se encaminharam para a saída da igreja. Entraram na limousine, ainda ouvindo os gritos e a celebração de seus amigos por verem Fatinha e Bruno finalmente casados. Era o momento perfeito, o melhor dia de suas vidas, só faltava um último detalhe.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Provavelmente o próximo capítulo não demore tanto quanto esse ;)