Esquizo
3 Capítulo 3
Notas iniciais
"Eu não estou bem, eu não estou bem! Bem, eu não estou bem, eu não estou bem nem fodendo!"
Hinata riu. Uma risada seca e maléfica, que não combinava com seu rosto angelical e com seus ótimos traços, leves e que pareciam até ser macios. Ela tornava Naruto ansioso, tão indecifrável, mas ao mesmo tempo tão próxima... era como se ambos vivessem no mesmo lugar e viessem dele. Estavam tão próximos e tão distantes, que isso fazia Naruto não se sentir bem. Ele se lembrava da música de uma banda norte-americana quando estava perto dela. Aquele par de olhos perolados o fitavam, depois da curta risada, parecia que ela esperava alguma reação dele, que ele dissesse ou fizesse algo, que ele ao menos fosse fiel a si mesmo. Um desejo inútil, ele não diria nada, então ela sorriu.
– Ora, e o que faz você querer me ajudar? — ela pergunta num tom irônico, olhando para Naruto como se ele fosse um enigma. — Eu sou só a maluquinha da classe — essa última parte foi dita de uma forma quase erótica. Se Naruto não tivesse libido baixa, teria uma ereção.
Ele respirou profundamente, se preparando para realmente dizer algo. E ele realmente disse, seria um pecado não fazê-lo, não? Aquela garota atiçava tanto a sua curiosidade, ela era tão atípica, que ele sentiu que sua missão de vida era falar com ela e esse pensamento era torturante, ele não queria se imaginar interagindo com alguém de fora do Mundo dos Sonhos Eternos. Mas mesmo assim, ele a respondeu, era a sua responsabilidade, não?
– Bem, agora você compartilha esse título de maluca comigo — ele disse, com uma enorme força de vontade. Era difícil e estressante para ele falar com a maioria das pessoas, e o fato de Hinata ser uma garota tão interessante não ajudava.
Ela ergueu uma sobrancelha.
– E-escute — ele gaguejou, mas ainda manteve sua voz num tom sério e frio em seguida -, ninguém aqui gosta de mim e eu não gosto de você, então...
– Então...?
– Então apenas aceite esse bentõ! — essa última parte foi dita como se aceitar a oferta fosse algo irrecusável.
Hinata suspirou pesadamente. Naruto foi capaz de ouvir o ar passar pelo o corpo dela, entrar e sair ritmicamente. Ele inevitavelmente sorriu, as atitudes dela eram completamente interessantes, até mesmo o ato de respirar. Ela então estendeu as duas mãos em direção a Naruto, e ele quase deu alguns passos para trás, mas não o fez. Ele permaneceu corajosamente ali, com todos olhando para os dois, até que as os braços de Hinata estavam completamente alongados.
– Vou aceitar a sua petição, me dê o bentõ — ela disse com um sorriso brincalhão. Naruto, levemente hipnotizado, levemente encantado e enlaçado, entrega o bentõ. Sempre levemente, nessa linha que o separava do médio e do profundo. — Em troca, quero que me faça um favor.
E então ela assumiu uma feição séria e autoritária — era surpreendente essa habilidade da mesma de mudar de feição tão rapidamente quanto inalava e exalava ar.
– Que favor? — Naruto perguntou.
– Saia comigo.
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