Esquizo

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Psicologia sempre é interessante. Aproveitei esse capítulo para falar um pouco mais sobre o T.P Esquizoide. Esse capítulo sairá curtinho, é mais pra vcs conhecerem a patologia, porque vai ser de vital importância para a fic que vcs a compreendam.

"Aquela ignorada sou eu, a egoísta sou eu" – Everyone Selfish, Megpoid GUMI.

Ela falava sério, Hyuuga Hinata, a bela esquizofrênica, falava com toda a seriedade que tinha. Naruto pensou por alguns instantes que talvez ela estivesse apenas fazendo uma brincadeira e quando Naruto aceitasse a proposta, ela riria e zombaria sobre como ele é idiota. Seria algo típico, até mesmo aceitável, mas algo em sua mente, uma parte de sua alma, dizia que ela realmente falava sério. Ela realmente queria sair com ele, ela realmente viu essa necessidade, mas era um fato que o desejo não era recíproco, pois por mais que ela fosse uma garota fatalmente linda, interessante e excepcional, Naruto odiava proximidade.

A definição mais clara para o Transtorno de Personalidade Esquizoide é a vontade de se isolar. Algumas pessoas gostam de ficar sozinhas, mas esquizoides quase sempre são completamente solitários, isso porque sentem angústia quando estão perto de outras pessoas ou de multidões (N/A: pois é, difícil alguém que não tem a patologia entender, mas é isso mesmo), a própria sensação de proximidade incomoda e destrói tais pessoas. Pra compensar a solidão, eles criam um rico e elaborado mundo interior, como no Autismo, mas com o diferencial de costumarem ter grande inteligência, embora QI baixo, isso porque o QI é uma soma de sub-QIs e o QI social de tais pessoas é muito baixo (N/A: fiz teste de QI com meu psicólogo e tirei 85 pontos, isso porque minha inteligência social é quase nula, se eu não fosse esquizoide, seria quase um retardo).

Um transtorno que torna a pessoa completamente desajustada, isso é fato. Como se não bastasse, Esquizoidismo é um transtorno cujo o próximo passo é a Esquizofrenia severa, então esquizoides têm tendência a alucinações e enganos mentais, assim como confusão psíquica. Naruto, aos treze anos, experimentava tudo isso. Supondo que ele saísse com Hinata, que ele fosse seu namorado por um dia, ele teria que não se sentir próximo dela, mas isso era tão difícil... pois ele sentia que viviam no mesmo planeta. Mas isso não deveria ser uma coisa boa?

Os dois viviam no mesmo mundo! Nas mesmas condições, quem sabe? Naruto nunca se sentiu tão próximo a alguém como se sentiu dela, mesmo a conhecendo por apenas um dia, mas tal proximidade não o incomodava. Ele realmente estava achando a Hyuuga fascinante, o que o preocupava. Por um momento, ele pensou se realmente tinha Transtorno de Personalidade Esquizoide, talvez o seu psicoterapeuta tenha errado quando o avaliou, talvez ele fosse apenas uma pessoa isolada e nada mais. Talvez o problema dele fosse outro, embora ele tivesse todas as principais características do TPE.

– Hinata, eu... — ele começou a dizer, não sabia por onde começar.

– Diga — ela falou, com um sorriso doce nos lábios. Completamente doce e angelical, esperando uma resposta.

– Isso é difícil para mim, se realmente formos — ele parou por um instante para se preparar pra dizer a palavra -... namorados — ele engoliu em seco — por um dia, você terá que ter paciência.

– Eu entendo — ela disse. — No hospital psiquiátrico que eu vivia, conheci um esquizoide que se tornou esquizofrênico. Ele se recusava a falar com qualquer pessoa que não fosse eu. Quem tem essa patologia é muito passivo e agressivo ao mesmo tempo — ela deu uma risadinha também meiga após dizer isso.

– Como assim? — ele perguntou.

– Passivos porque nunca querem fazer nada da vida e são desmotivados ao extremo. Agressivos porque vocês, ou pelo menos no caso do esquizoide que conheci, ficam pensando em como as pessoas não prestam e como todo o mundo tinha que morrer — ela dizia seriamente, como se explicasse a uma criança.

– O sinal já bateu, devemos ir — Naruto disse, começando a andar, em passos rápidos, mas sentiu seu braço ser agarrado. Ele olhou para trás e viu Hinata de olhos fechados, impaciente.

– Será que eu — ela começava a dizer -... vou ter que te dar outro beijo para te convencer? — ela então abriu os olhos, o encarando.

Naruto, pela a primeira vez, a encarou sem desviar o olhar. Ela era tão... familiar para ele. Uma ventania forte afetava o lugar, balançando os longos cabelos da Hyuuga, que o olhava seriamente, cogitando se realmente teria que beijá-lo de novo. Naruto poderia pensar sobre como ela era maluca e ao mesmo tempo inteligente, mas deixou isso de lado. Ele decidiu fazer algo que normalmente não faria, algo que abalaria sua estrutura, mas que ele realmente queria fazer. Sim, ele queria. Ele suspirou pesadamente e então voltou a prestar atenção nela.

– Você venceu, Hinata... vamos nos encontrar no sábado — ele disse, sem motivação alguma. O rosto da Hyuuga se iluminou, como se se enchesse de alegria, e ela fez a coisa mais inesperada que podia: se jogou em cima do loiro, o abraçando. Naruto sentia o calor da frágil Hyuuga, o corpo dela colado ao dele, mas não a abraçou de volta. Apenas ficou perplexo, sem saber como proceder.

– Obrigada, Naruto-kun! Você não vai se arrepender! — foi o que ela disse.

Notas finais
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