Capitulo 4

Afastado do pequeno centro da cidade encontrava-se uma fábrica de cerveja desativada, pelo aspecto do local há décadas que aquilo não via uma reforma. Francis estacionou seu carro e conferiu o endereço, realmente batia com a descrição, embora ele estivesse intrigado com o que poderia se passar ali, refletiu sobre a ideia de prosseguir.

Segurou o celular soltando um leve suspiro, quase beirando a desistência.

“ Meu nome é Francis Gordon, sou jornalista investigativo e recebi uma mensagem estranha. Resolvi checar sem nem mesmo consultar a polícia local, na verdade eu nunca consulto. Estou na estrada ao sul de Almas no Km 13, ainda faz parte da cidade mesmo estando afastado. Caso aconteça algo comigo esta noite saberão onde encontrar meu corpo, ou ao menos saberão por onde começar. ”

Se dirigiu a entrada ajeitando a gola de seu casaco, esfregou as mãos e notou o ar gelado que projetava no ar proveniente de sua respiração. Três batidas na pesada porta de ferro reverberaram por todo o interior do recinto, mas o barulho se misturou ao vento e dissipou-se sem anunciar qualquer anfitrião.

Francis esfregou mais uma vez as mãos olhando para os lados na esperança de que alguém respondesse as batidas, contornou o local e percebeu que havia um estacionamento bloqueado por um portão gradeado. Pesadas correntes conectavam-se com um cadeado largo e enferrujado, mesmo assim seria imprudente invadir. O som de algo sendo destravado chamou sua atenção e ele voltou para a entrada, reparou que a porta se encontrava semiaberta.

Empurrou com cuidado e a porta gemeu deixando claro que suas dobradiças já não eram mais as mesmas, Francis estudou rapidamente o cenário e notou que não era um espaço muito grande. O galpão era composto por três grandes toneis de ferro e duas esteiras, nas laterais salas levantadas com drywall encontravam-se vazias. Um segundo andar mantinha uma sala maior separada, certamente deveria ser o local do chefe.

Se aproximou com cautela das salas e verificou que realmente estavam vazias, placas de poeira cobriam o chão criando uma espécie de tapete. Francis subiu e o que encontrou criou mais perguntas em sua mente, a sua frente estava uma gaiola com um coelho felpudo tão branco quanto a neve, em cima da estrutura de ferro repousava um bilhete com um símbolo queimado representando o Ás do baralho. Uma cadeira velha de madeira com acento acolchoado mantinha uma faca fincada expondo parte da espuma amarelada de seu interior.

Francis franziu o cenho aproximando-se do bilhete, estudou-o por breves segundos e rompeu o lacre feito de vela. Dentro, pequenas palavras socaram o seu ventre.

“ Se quiser que os tremores parem deve aprender a silenciar. ”

“Ass: Às”

Francis entendeu o recado, a compreensão da mensagem estava tão clara quanto as aguas de uma ilha tropical, o que a princípio lhe causou estranheza. Será mesmo que deveria entender tal significado de uma maneira tão rápida e tão fria? Sua obsessão estava cegando-o? Já não sabia mais dizer. Suas mãos começaram a doer, a tremedeira se instalou em uma escala de intensidade antes nunca sentida, Francis apertou os olhos e retirando a faca do acento deixou seu corpo cair pesado, seu rosto transfigurava-se exteriorizando a dor que o acompanhava.

O coelho fitou seus olhos e por um momento pareceu sentir a tenção do ambiente que lhe cercava, ficou inquieto buscando a saída que não havia. Francis hipnotizado pela lamina reluzente do metal frio e cortante caminhou até a pequena criatura, mas estacou centímetros antes. O suor brotava-lhe da face as mancheias, o coração acelerado requisitava que a ação fosse completada, mas sua mente travava uma batalha sem respostas. A mão ergueu-se acima do corpo frágil do ser e precisou da ajuda da outra para manter a firmeza, o sangue respingou muito antes do golpe ter acertado, não sentiu o peso da morte, quando deu por si estava com a faca enterrada no corpo alvo maculado pelo sangue escarlate, a tremedeira passou e com ela o último suspiro da criatura.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.