Esquecer você

14 Parte II - Revelações


Notas iniciais
Estou de volta! o/ Vamos ver como Sherlock descobriu que Molly estava viva? :D

Alguns dias antes Sherlock corria pelo St. Barts.

Mycroft raramente trabalhava em campo, mas com tudo que tinha acontecido ele não pode só ficar em seu escritório dando ordens e verificando documentos. E agora, na operação final, quando eles finalmente descobriram quem estava infiltrado, permitindo a entrada de terroristas e saída de informações, Mycroft fora atingido por um disparo.

Sherlock só soubera alguns minutos antes e tudo que fez foi correr até o St. Barts. Precisava ver seu irmão. Tivera informações de que havia sido grave e que ele passara por uma cirurgia. Não poderia imaginar perder mais uma pessoa que amava.

Eu usei a palavra “amor” para me referir a Mycroft?

Não deu ouvidos aos enfermeiros que o tentaram barrar. Ninguém o impediria de chegar ao quarto de Mycroft.

Quando por fim adentrou ao quarto, viu seu irmão dormindo na cama com vários aparelhos ligados a ele. Ele parecia pálido, talvez pelo sangue perdido. Isso preocupou Sherlock. Havia um médico no quarto e ele garantiu que Mycroft ficaria bem e que agora ele só estava dormindo. Mas Sherlock estava nervoso da mesma forma.

Sentou-se numa cadeira próxima a cama de Mycroft. O medo de perdê-lo corria por suas veias. Sentia-se assim com todos desde que Molly havia morrido. Mesmo não querendo, foi inevitável começar a lembrar de quando recebera a notícia de que ela fora morta. Mycroft tinha ligado para ele avisando. O comunicado tinha vindo da embaixada americana.

Sherlock negou-se a acreditar no que diziam. Seu cérebro ficou em estado de estupor. A única coisa que pensava era que Molly não podia estar morta. Mesmo com os protestos de John e Mycroft, ele partiu para Nova Iorque. Passou dias investigando e não chegou a lugar algum. Quando caiu em si que Molly tinha morrido, que ele a tinha perdido para sempre, sentiu que seu mundo acabava. Logo veio a vontade de se vingar de quem quer que tenha feito aquilo a ela. Então, voltou para Londres e se despediu da melhor forma que encontrou. Com a ânsia de vingança correndo por seu sangue, conseguira voltar a ter o sucesso de sempre em seu trabalho. Não fora ao funeral de Molly, a melhor coisa que faria por ela seria acabar com o terror que estava ocorrendo na Inglaterra e outros países. Terror que tinha causado sua morte.

E agora eles tinham conseguido. Tinham desmembrado toda uma rede terrorista e vários foram mortos. Sherlock finalmente vingava a morte de Molly. Mas isso não o satisfazia. Continuava se sentindo infeliz e vazio, como se tivesse recebido a notícia naquele instante.

– Nós conseguimos, Mycroft. Essa guerra não vai mais acontecer. Mas não pense, nem por um segundo que agora que acabou você pode partir também. – Sherlock começava a falar com o irmão. De repente tudo que estava entalado há tanto tempo em sua garganta começou a sair de uma única vez.

– Apesar das nossas diferenças eu não conseguiria lidar com sua perda também. Claro que por um lado seria um alívio, mas quem mais seria tão petulante quanto você? – Ele sorriu para um Mycroft desacordado. – Quem mais perderia nos nossos jogos de dedução?

Sherlock respirou profundamente antes de continuar. Precisava dizer aquilo, mesmo que não fosse ouvido.

– Você estava errado, Mycroft. Sobre não se envolver. Eu espero que você acorde e experimente isso. Deveria experimentar ao menos uma vez permitir que seu coração não viva em seu corpo. – Sentia sua respiração acelerar conforme as palavras saiam com facilidade. — Há um preço sim. Um preço maior do que paguei com Red Beard. Mas nunca antes tinha me sentido tão completo. Eu me senti vivo. – Falou a última frase devagar, como se pela primeira vez tivesse entendido o real sentido delas. Sentiu alívio ao dizer o que tinha escondido por tanto tempo de si mesmo.

O que deu em mim para desabafar com Mycroft? Deus abençoe a inconsciência.

A ideia de que estava fazendo papel de bobo não o impediu de continuar:

– Eu sinto falta dela, Mycroft. Sinto falta de Molly Hooper todos os dias, em todos os segundos. Às vezes sonho com ela e se eu pudesse não acordaria nunca mais. Não falei a ninguém, mas quando sofri o atentado que me deu essa cicatriz – Sherlock leva a mão ao rosto – eu pensei, nos momentos em que travava uma briga para me manter consciente, que tinha visto os olhos dela me olhando com uma expressão desesperada. Eu tive esperança de que quando acordasse, ela estaria lá.

Sherlock faz uma longa pausa. Seus olhos perderam o foco. Ele lembrara-se de Molly, de como ele fora inútil para salvá-la. De como, de repente, se viu sem ela para sempre.

– Se você pudesse me ver agora, iria me achar a pessoa mais idiota que já pisou na Terra. – Ele suspira. – Eu faria tudo diferente se pudesse voltar no tempo. Você acredita nisso? Tudo que eu mais desejo ainda hoje é poder voltar no tempo e ter uma nova chance. Eu nunca a deixaria partir. E sou capaz de dizer que eu deixaria meu trabalho por ela, Mycroft. Você imaginou que um dia me veria dizendo isso? Não, eu sei... Nem eu...

– Depois que estive com ela, nunca mais meu trabalho me completou. De repente, era como se houvesse um vazio que nunca mais fosse ser preenchido. Eu devia ter ido atrás dela e não fui. Estive errado. O tempo todo. E sabe o mais incrível? Eu ainda a amo. Mesmo depois de todo esse tempo, depois de tudo que passamos, eu ainda penso naquelas férias. E tudo que eu ainda quero é voltar pros braços dela.

– Ceús, por que estou dizendo tudo isso? – Ele esconde o rosto nas mãos. Sente que irá desabar a qualquer momento, então essa é a hora de ir embora. – Fique bem, Mycroft. Não parta para uma melhor. Sinceramente, eu não sei se suportaria. – Sua voz falhou na última frase. Então se levantou e partiu.

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Mycroft abriu os olhos assim que Sherlock saiu do quarto. Tinha pedido para o médico dizer que estava desacordado, uma pequena pegadinha. Ele abriria os olhos no meio da visita do seu irmãozinho. Mas então, quando Sherlock começou o desabafo, ele não teve coragem de se mostrar acordado e assumir que tinha ouvido tudo. Seria extremamente constrangedor.

Estava pensativo. Cogitava a hipótese de que estivesse errado esse tempo todo. O quanto ele sacrificou Sherlock para ter o que queria? Teria valido a pena? Será que não teria atingido o mesmo objetivo se ao invés de matar Molly, tivesse trazido ela à vida de Sherlock?

Pensando em todas as hipóteses e na dor que causou ao seu irmão, Mycroft chamou o médico e exigiu um celular. Enviou uma mensagem e fez uma ligação.

“Acabou. Deixe a casa. Você não precisa mais vigia-la.”

– Anthea, anote o que vou dizer. Insira junto com os outros dados e deixe no 221B.

Sentiu que agora talvez estivesse fazendo a coisa certa.

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Sherlock chegou em casa sentindo-se exausto. Depois que saiu do hospital deu uma longa caminhada por Londres. Queria fazer com que o tempo passasse, então passou a tarde na casa de John e Mary. A companhia deles era sempre agradável.

A verdade é que não queria encarar a solidão de seu próprio apartamento. Ao entrar na sala, demorou para que ele percebesse a caixa de cor negra que o esperava em cima da mesa.

A primeira coisa que viu ao abrir foi um pequeno bilhete que estava sobre uma grande pasta.

“Querido irmão, espero que um dia você consiga me perdoar e entenda minhas razões. MH.”

De repente Sherlock sentiu um frio intenso. O que quer que estivesse dentro daquela pasta, era sério. Não era do feitio de Mycroft pedir perdão.

Ao abrir a pasta, a primeira coisa que viu foi uma foto de Molly. Isso fez com que o ar de seus pulmões sumisse. O que isso significava? Uma pegadinha de Mycroft?

Jogou-se na sua poltrona, com a pasta na mão. Olhando com calma a foto de Molly. Tinha sido tirada sem que ela visse, em um cenário que ele não reconheceu. Ela não sorria. Estava diferente do que ele se lembrava. Parecia serena, porém tinha um semblante triste. Uma praia aparecia ao fundo. Mas não era a mesma praia que eles passaram as férias. Algumas marcas de expressão apareciam em seus olhos. Molly estava mais velha?

A última vez que a viu ela não estava daquela forma. Seus cabelos eram mais curtos. Mas os cabelos podiam ser mudados a todo instante. Não era só isso. Sherlock levantou-se e começou revirar seus arquivos. Tinha as últimas fotos de Molly que foram tiradas em uma confraternização do laboratório em Nova Iorque. Selecionou uma que ela aparecia em um ângulo parecido com o da foto que agora estava em suas mãos. Como Molly poderia parecer mais velha? Seu coração acelerou.

Abriu a pasta novamente. Várias fotos de Molly estavam dentro dela. Parecendo ser em datas e locais diferentes, tiradas sem que ela percebesse. Olhou todas com um desespero crescente. Então, chegou a um documento que fez com que tudo que acreditava desabasse. Ali, diante de seus olhos, o documento descrevia todos os termos de um acordo. Entre Mycroft e Molly.

Sherlock sentiu seu corpo caindo novamente na poltrona. De repente era como se flutuasse. Não acreditava no que seus olhos liam. Não podia ser verdade. Todo esse tempo ele havia sido enganado?

Molly estava viva. Viva.

Sentiu que a raiva começava a dominá-lo. Agora desejava que Mycroft morresse naquele hospital. Como seu irmão podia ter feito isso com ele?

Seus últimos dois anos foram uma mentira.

Pensou em Molly. Em seu riso fácil. Como ela poderia ter feito isso com ele?

Como você pode cobrá-la, Sherlock? Você a abandonou.

Lágrimas que ele não sabia se eram de tristeza, emoção ou raiva brotaram em seus olhos. Em meio aos papéis da pasta, encontrou um envelope. Ao abri-lo, o primeiro papel que tirou era outro bilhete de Mycroft.

Desde quando meu irmão é dado a bilhetinhos?

“Sherlock, caso você esteja vendo isso é porque eu percebi que cometi um erro. Não desconte sua raiva na pobre Molly Hooper. Eu não deixei alternativa. E não pense que você é inocente. Meu maior argumento foi o fato de você tê-la deixado. Se aceita um conselho meu, procure-a. MH.”

Dentro do envelope Sherlock encontrou um cartão que, aparentemente, lhe concederia uma passagem na primeira classe. E também havia um cheque preenchido por Molly em nome de Mycroft. Um valor que fez Sherlock ficar surpreso. O último papel era uma pequena anotação, em uma letra que Sherlock reconheceu como sendo de Mycroft. Anotado no papel estava o endereço de Molly.

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Já fazia mais de trinta minutos que Sherlock estava sentado na mesma posição em sua poltrona, pensando. Segurava a primeira foto de Molly que tinha visto na pasta. A raiva e indignação que tinha sentindo começavam a abrandar. Agora começava a sentir vergonha. Se Mycroft decidira contar tudo isso a ele agora, então ele tinha ouvido tudo o que Sherlock disse no hospital.

Maldito! Por que eu não fui filho único?

Tentando não se concentrar no ódio que sentia por Mycroft, começou a ler mais da expressão de Molly na foto. Agora conseguia perceber melhor a tristeza que ela carregava. Mesmo nas fotos em que aparecia sorrindo, era um sorriso que não alcançava os olhos. Tão diferente da Molly que ele tinha conhecido. E mesmo assim ainda tão bela.

Sentia-se pior por tê-la deixado. Começou a ter uma ideia do sofrimento que tudo causou a ela. De repente percebeu que não era ele a maior vítima dessa história. Era Molly. Desde o início tudo que tinham feito com ela era trazer sofrimento. Até a vida ela tinha perdido. Molly, que nunca seria egoísta para pensar somente em si, tinha aberto mão de tudo. Ao contrário dele, que nunca pensou em ninguém.

Apesar de não gostar da ideia de tudo estar vindo de Mycroft, Sherlock teve que acatar o seu conselho. Precisava ouvir a versão de Molly. Precisava colocar um fim nessa dor que vinha crescendo como uma bola de neve.

Depois que ouvisse o que Molly tinha a dizer, pensaria de que maneira torturaria e mataria Mycroft.

Levantou-se num pulo e começou a organizar suas coisas. Partiria para o Brasil.

Notas finais
Sherlock está definitivamente de volta! Espero que gostem e deixem review para me fazer feliz!