Esquecer me lembra você
4 Desacolhedor
Notas iniciais
A casa é espaçosa e bem decorada, Laura me guia entre os cômodos enquanto me conta mais histórias do que vivemos ali.
–Você rolou da escada uma vez! –Ela diz rindo -Pensei que mamãe fosse pirar de preocupação. Mas você estava bem!
–Eu era bem estabanada pelo jeito. –Digo quando entramos na cozinha.
–Sim você sempre me proporcionava as melhores risadas com seus tombos. Que comer alguma coisa?
Confirmo com um aceno de cabeça, não estou realmente com fome, no entanto Laura parece estar. Ela abre a geladeira e examina por um tempo.
–Não tem nada de bom aqui. –Ela conclui triste. –Passei muito tempo no hospital ultimamente então não andei fazendo compras.
–E você foi obrigada a comer aquela comida horrível?
–É foi bem torturante mesmo. –Ela diz rindo enquanto verifica os armários. –Vou sair e comprar alguma coisa. Você fica bem sozinha?
–Sim, pode ir lá!
Assim que Laura sai subo mais uma vez as escadas. Encaro o corredor com suas quatro grandes portas de madeira rustica. Mas uma em especial me chama a atenção. É a primeira à direita, uma porta como as outras, o diferencial esta em um grande D pendurado na maçaneta por uma fita lilás. Abro a porta divagar e entro no quarto prendendo o folego.
Um quarto muito bonito e bem decorado, todo em tons pastéis. Com uma linda cama e seu dorsel bem no meio do quarto, coberta de lençóis e almofadas, com um criado mudo de cada lado e sobre eles um abajur fofo. Sento-me na cama, admirando tudo ao meu redor. A escrivaninha a minha direita bem embaixo de prateleiras abarrotadas de livros gastos. O sofá rosa com suas almofadas de flores e ursinhos de pelúcia. O tapete felpudo que provavelmente dá um trabalhão para limpar. A linda penteadeira perto da porta por onde entrei, cheia de perfumes, maquiagem e gavetas. As duas portas brancas como os outros moveis. Tudo é tão bonito, mas é tão estranho, sei que é o meu quanto, no entanto não me sinto confortável nele. Sinto que não é o meu lugar, como se não me pertencesse, não me aceitasse.
Tento me distrair abrindo as gavetas do criado mudo. Na primeira encontro apenas alguns papeis sem valor, uma caneta meio mastigada e um velho colar. Na segunda há apenas um livro pequeno com a capa desenhada a mão. Um lindo castelo rodeado por uma enorme floresta e em com uma impecável letra esta escrito meu nome “Dellyne”. Fico curiosa para saber o conteúdo do pequeno livro, mas ele esta trancado. Por quê? Guardo-o na gaveta onde encontrei e continuo minha exploração. Instigada vasculho o grande e velho baú em frente à cama. Acho alguns brinquedos antigos, vários embrulhos de presente fechados e um porta retrato vazio.
Ouço alguém chegar, Laura eu presumo. Coloco as coisas de volta no baú e saio do quarto. Encontro Laura ajeitando as coisas na cozinha, pegando alguns pratos, talheres e copos.
–Ficou bem sem mim? –Ela pergunta enquanto desembrulha o que comprou.
–Foram só alguns minutos Laura.
–Nunca se sabe! –Ela sorri.
E enquanto ela prepara um suco eu ponho a mesa. Eu realmente não respondi sua pergunta, mas sim. Eu senti falta dela, mesmo em apenas poucos minutos.
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