Espírito selvagem
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Por favor, se for deixar um comentário, que seja construtivo.
Resoluta como um lobo selvagem, Lilly Asbour vivia à sua própria maneira. Quanto a família, determinou por si que era preferível se afastar e experienciar a solidão e independência. Em relação ao amor, tratava-o com indiferença. Não o rejeitava, mas não o priorizava. Trabalhava freneticamente, porém com paixão e demasiada satisfação. Era alérgica a adaptações e dificilmente fugia da rotina. Oras, se algo a agradava, porque raios mudar? Fazê-lo era injustificável e irracional. Tal, raciocínio simples e prático, já estava nela engessado, e o réu – irremediável teimosia — a impedia de ser flexível em relação a tal. Mais um dia se passara e Lilly dirigia de volta ao lar, o cansaço a impedia de dar muita atenção ao que fazia. No caminho, parou, como o usual, no Caccoa’s Café, para tomar um expresso forte. O caminho para casa era longo. — Boa noite, Felix – Disse ao garçom, um velho amigo, em tom ameno e com um largo sorriso, enquanto acomodava-se em uma mesa qualquer. — Boa noite, querida! O de sempre, ou vai experimentar algo novo hoje? – Ele indagou e deu uma piscadela. — Você me conhece! – Ela disse, enlargando o sorriso. — Certo. Aguardando a bebida chegar, piscou duas ou três vezes, sem saber quanto tempo isso durou. -Posso me sentar? – Uma voz masculina repentinamente indagou, fazendo-a saltar da cadeira de susto. – Oh! Me desculpe, te assustei? Ela olhou para a figura em sua frente. A visão embaçada impediu por alguns segundos que ela identificasse o sujeito, porém a mente cansada respondeu por ela. — Não, tudo bem. Fique à vontade. Quando a visão clareou, notou em sua frente que a figura anteriormente desconhecida era de um homem de mais ou menos da idade dela. Inexplicavelmente charmoso, admitiu ela, apesar da aparência comum. — Você parece cansada. – O jovem disse, em tom preocupado. — Não, não, eu estou bem. – Ela o olhou com um largo sorriso. — Você sempre sorri quando quer disfarçar seus problemas? – Ele ousadamente a acusou. Ela permaneceu em silêncio, tornando a atmosfera desconfortável. Por mais incoveniente que tenha sido tal comentário e saindo da boca de um estranho, tamanha era a verdade naquelas palavras. — Me desculpe, foi um comentário infeliz. Vamos recomeçar do jeito certo. Meu nome é Derick Storm, prazer. — Lilly Asbour. — Bem, você deve estar se perguntando o porquê de eu ter vindo a incomodar. A verdade é que é a primeira vez que venho neste café.... — Ele voluntariamente começou a se explicar. Ela, na verdade, não estava se perguntando coisa nenhuma, mas resolveu dar uma chance ao rapaz – Bem, te notei sentada aqui e achei estranho tão tarde da noite uma jovem como você estar aqui. Ela franziu uma sombracelha. — Uma jovem como eu? – Ela indagou em tom defensivo e irônico. — Bem, querendo ou não, você é uma moça, então... Ela o olhou com as sombracelhas levantadas e um sorriso maroto. Cliché demais, ela pensou. — ...Bem, isso é o que eu diria se você fosse uma daquelas que cai em uma cantada cliclé dessas. Mas parece que não é. – Ele confessou, um tanto encabulado. — É. Na mosca. – Ela disse com certa frieza. — Certo, a verdade é que me interessei por você. Trabalho aqui perto e sempre vejo seu carro parado aqui nesse café. Fiquei curioso, e como não sou muito do tipo perseguidor, preferi vir direto na fonte perguntar. Felix chegou neste momento com o expresso. Ao ver o homem ao lado dela, a olhou com olhar de indagação. Ela deu de ombros. Em resposta, ele piscou e a lançou um sorriso traquinas e saiu. -Caramba. Uma pessoa não pode visitar todos os dias a mesma cafeteria sem ser questionada? – Ela disse, um tanto agressiva. — Direto ao ponto, hem? Você parece um pouco estressada. — Que tal parar de cuidar da vida alheia? – Ela o olhou com raiva. — Desculpe, desculpe! – Ele a olhou um tanto intimidado. Ela massageou as têmporas e suspirou. Tomou um golé do café quente, que desceu ardendo a garganta. — Não, desculpa eu pelo meu mal comportamento. Devo estar muito cansada, mesmo. O trabalho está me matando. — Com o que trabalha? Se não for um problema dizer. — Publicidade. É complicado, sabe. É corrido, mas é uma profissão muito interessante.... Deixa eu explicar mais ou menos como funciona. – Ela começou seu discurso, e assim o seguiu, dizendo os prós e contras da profissão que tanto amava, animadíssima. Durante boa parte da noite, a conversa fluiu. E como fluiu, fazendo-a esquecer do dia segunte. Isso a fez lembrar que há um bom tempo ela não se divertia, e notou que sentia falta de momentos como aquele... Assim os dias seguiram, e desta forma Derick tornou-se parte da rotina dela. Aos poucos ele a cativou, e tornaram-se, em poucos meses, amantes. Rápida decisão, porém correta, aos olhos dela. A primeira noite de ambos fora deliciosa. Primeiramente, se deleitaram em uma bela refeição, e então passaram horas conversando. O jovem Derick era divertido e a fazia rir. A fazia rir de verdade. E foi o que a fez se apaixonar por ele. Apaixonou-se incodicionamente, como uma moça tola que não era. Paixão. Algo que ela pouco conhecia, pouco havia explorado, porém podia jurar por sua própria carne e ossos que estava sentindo. E tal sentimento trouxe consigo a pulsação acelerada e intensa sensação de quentura que já lhe percorria as veias, mergulhada em uma dominação repentina de volúpia. Tal sentimento era nitidamente recíproco e, assim, o desejo os levou a uma dança, uma dança irremediavelmente íntima e prazerosa. Ela se entregou por completo, e a noite tornou-se única. Ao som de um êxtase profundo, ela desmoronou. Descansou satisfeita, e foi apenas voltar a si no dia segunte. Lilly acordou ao som dos pássaros cantarolando e a brisa soprando. Estava completamente nua, é claro. Mas e daí, ela pensou. Aquilo estava certo, muito certo. Soltou um suspiro mimoso, abriu os olhos vagarosamente e... estranhou. De repente sentiu falta de um calor, um calor específicamente humano. Virou para o lado. Não achou Derick ali ao lado dela, e estava mais do que certa de que o que acontecera na noite anterior não tinha sido um sonho. A princípio, relevou a situação. Deu de ombros, se trocou, e foi para o trabalho. Não importa, ela pensou. Ele devia estar atrasado para o trabalho. Oras, o imprevisto não a impediria de sentir-se nas nuvens, afinal, havia presenciado o paraíso há pouco. Ela tinha sorte. Apaixonou-se por um belo rapaz, um tanto irritante, às vezes... Em contraposição, era tão divertido quanto enérgico e, admitiu, demasiadamente sedutor. Sorriu sozinha. Decidiu esperar para vê-lo no Caccoa’s Café e não importuná-lo antes disso. A ânsia a dominou ao chegar no Caccoa’s. Sentou e esperou. Olhou para os lados, levemente ofegante. Apertou as mãos e massageou os dedos. Esperou. Esperou. Esperou. Esperou. Fechou os olhos. — Lilly, querida? – Disse uma voz masculina. Abriu os olhos. Piscou. Forçou a vista. — Derick? – Indagou, com voz amena, desfarçando ansiedade. — Não, é o Felix! Quem é Derick, afinal? Ela o olhou em silêncio. Ficou confusa. — Derick, o rapaz com o qual estou saindo? Você nos serve aqui todos os dias, lembra? Piscou pra mim quando viu ele pela primeira vez, o aprovando. — Querida, você sempre vêm sozinha.... Deve estar cansada, afinal, estava cochilando. Porque não termina seu café e vai pra casa? O olhou. Piscou. Pensou. — Eu não estou maluca, Felix. Eu levei ele pra minha casa ontem. Não me diga que estou cansada. – Falou, em tom elevado e confuso. — Calma, querida.... – Ele pousou a mão no ombro dela, a confortando – Deve ter sido um sonho. Ela se levantou bruscamente. — Não me diga para ficar calma – Vociferou, agressiva. – E não foi um sonho. – Saiu apressada. Entrou no carro e acelerou, um tanto irritada. Descontou a cólera no acelerador, chegando em casa muito antes do que o usual. — Porra! – Ela chutou a parede do quarto. Algo estava errado. Ela não era maluca. Ela se apaixonou, e aquilo foi real. Continuava apaixonada, tinha certeza disso. De repente, sentiu tontura. Cambaleou, para lá, para cá, para lá, para cá. Caiu. Quando finalmente acordou, sentiu-se estranha. Sentiu que havia perdido até uma porção de energia que não tinha. O enjôo, constante e incômodo, dominou-a. Respirou fundo, esfregou o rosto, levantou devagar, despiu-se, e foi até o banheiro. Permitiu que a a água percoresse todo o corpo dela, expulsando o mal estar que há pouco a dominava. Se arrumou para trabalhar, ainda tentando entender o que havia acontecido com ela. Havia, mesmo, perdido a sanidade? Seja qual for a resposta para a pergunta, começou o dia já o odiando profundamente. A dúvida não fazia parte de sua rotina. E ela sabia que algo havia mudado, mais ainda não sabia o que era.
Notas finais
Devo continuar?
Senti vontade de escrever essa história, e foi no que deu.
Tem muito pela frente, ainda... :D
Sou movida a comentários, então: Critique, elogie, fale mal; faça o que quiser, mas diga o que pensa. Por favor.
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