O vento sopra a face com sensação de liberdade, chegam as sombras roubando o doce azul... deixando as cinzas, o medo traz a dor e a dor traz o medo.
Dependentes um do outro.
Inseparaveis ate o fim
O casal de lagrimas, donos das feridas que sangram eternamente, sedentas de esperança... A Luz do espírito.
Refúgio da alma!
Guia da memória!
Descanso chamado morte? Ou será que pode-se viver na morte, sendo algo que permanece vivo?!

E eu morri da minha carne.

É uma característica do ser humano o paradoxo. O que acontece com os grupos, acontece com cada um de nós. Impulsivamente uma parte do nosso eu quebra o estado de realidade, rompe com o equilíbrio, e por não suportar a coisa boa, traz para cada um de nos uma cota de infelicidade, como se esta infelicidade, viesse restaurar a culpa e reparar o dano (de ser feliz)
E por isso que os laços se partem, os afetos se desfazem e o sonho acaba. Sempre acaba.

Entrei numa casa, mas ninguém me via, eu estava lá, mas estava invisível.

Na mesa ao lado, a tagarelice das meninas. Tumulto loquaz, orgia de gargalhadas. Alguém recobre um ombro; outra cruza as pernas, provocante. Ali, um arquear de sobrancelhas; aqui, uma língua umedece lábios. Num instante, vozes que segredam, viram vozerio. Na mesa ao lado, o futuro espera... Mães extremosas, esposas comportadas, amantes lascivas e completas virão a seu tempo. Na mesa ao lado, milagres se preparam, dores espreitam, gozos aguardam ocultos... Na mesa ao lado — ninguém vê — existe o caldeirão de bruxaria que transforma a menina em mulher.

Em qualquer outra mesa, um papel velho, amarelado, gasto, com cheiro de mofo misturado com os incensos. Aleister Crowley!

"...A caligrafia do Livro deve ser firme, clara e bela. Na fumaça do incenso é difícil ler os conjuros. E enquanto tenta ler as palavras por entre a fumaça, ele desaparecerá, e terás de escrever aquela terrível palavra: Fracasso.
Mas não existe nem uma só folha do livro na qual não apareça esta palavra; mas enquanto é seguida por uma nova afirmação, ainda nem tudo está perdido, já que desta maneira no Livro a palavra Fracasso perde toda a sua importância, da mesma maneira que a palavra Êxito não deve ser empregada jamais, porque esta é a última palavra que deve-se escrever no livro, e é seguida por um ponto.
Este ponto não se deve escrever em nenhum outro lugar do Livro; porque o escrever neste Livro segue eternamente; não há forma de encerrar este diário até que haja alcançado a meta. Que cada página deste Livro esteja repleta de música, porque é um Livro de Encantamentos!"

Admirável homem condenado ao Inferno.

Saí daquela casa, ambiente era pesado demais para um espírito tão novo quanto eu. Vaguei mundo a fora, vi tudo que a carne não pode ver, descobri as verdades e me foi desmentida todas as minhas convicções... Era tarde demais para eu viver de novo, mas não era tarde para aprender e eu aprendi...

É preciso preservar a beleza dos nossos corações, saber olhar com pureza de alma, respirar como se nascêssemos a cada instante, agir na calma e na serenidade, cultivar uma flor, mergulhar em águas limpas, ouvir uma melodia, agradecer a vida... Não deixar que o encanto se dissolva diante do mundo. Surfar nas ondas do infinito até que a eternidade e o amor nos involva e nos faça vibrar e sentir cada momento.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!