É essa ânsia de mergulhar nos outros
como se mergulhasse no mar.
É esse medo de me perder,
me afogar em suas almas e afundar.
Mas cá estou eu,
já submersa em mim mesma,
apenas observando a movimentação do vento
sobre a minha própria superfície.
Não me importa o real,
o sólido não me interessa.
Nem o sentimento que paira no ar.
Sou um peixe de água doce, sem lágrimas.
Eu quero o que é eterno
e o que não tem consistência.
O que nem os anjos
nem os demônios sonharam ainda.
Sombra sem sorriso,
porque, embora seja bonito,
não é sincero.
Se for eterno.
Nado borboleta,
não sei nadar,
mas sei sobre o mergulho.
A ânsia de me libertar.
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