Esposa de Mentirinha

7 You see her when you close your eyes


Notas iniciais
Demorei não? Desculpem prometer uma fanfic diária e acabar me atrapalhando. Prometo tentar voltar as atualizações regulares

POV Emma

Onde eu estava com a cabeça quando resolvi voltar a este inferno? Por que não pude deixar as coisas em paz? Talvez agora a culpa por ter sido injusta com Granny não estivesse me matando aos poucos, ela fora a única que me apoiara que nunca julgou meus atos. Ela me mostrara como seguir as minhas vontades sem me importar com o que a sociedade pensava. Ela era a senhora mais doce e ao mesmo tempo dura que tive o prazer de conhecer. Ela era minha segunda mãe e tinha descontado toda a culpa nela e agora era tarde demais para pedir desculpas.

Abri a torneira e deixei a água gelada correr por minhas mãos, as levando ao meu rosto e entrelaçando os dedos em minha nuca, tentando relaxar minha musculatura e esconder as lágrimas silenciosas que não paravam de cair quando me lembrava do passado, dos erros e dos acertos e de tudo que eles me levaram. Porem mesmo que ainda existisse um vazio sem explicações, saber que Regina esteve comigo todos os anos tirava o vazio da perda, de amigos parentes e de amores.

Regina era tudo aqui para mim e mais um pouco, ela era minha sanidade, a corda que me prendia a realidade, era a luz no fim do túnel e ninguém daquela cidade jamais poderia fazer algo sobre isto, nem os olhares desconfiados de minha mãe ou de toda aquela cidade religiosa e perfeitinha que no fim era só mais um lugar cheio de pecados atrás dos véus.

– Emma? – Ruby me tirou dos devaneios, ela sem dúvida fora uma parte importante para minha descoberta, ela era a garota sem medos de uma cidade cercada de opressores e por aquele fato eu a amava e sabia que não importasse o tempo que fiquei fora ela sempre estaria ali com seu abraço amigo, com suas palavras inteligentes. mesmo que para todos naquela cidade de ignorantes ela era só mais uma menina bonita e sem cérebro, o que nunca fora verdade.

– Olá. – Respondi olhando para o espelho procurando a silhueta de Ruby. Ela sempre fora linda e os anos só mostraram o quando ainda poderiam ser generosos a ela.

– Você está bem? – Sussurrou entrando timidamente, timidez que nunca fora seu forte. Lembrava-me que ela sempre falava o que pensava ia atrás do que queria e não se importava em ter vergonha. Seu lema era: Arrependa-se pelo que se fez, não pelo que deixou de fazer. – Está há muito tempo neste banheiro. – Sorri para a preocupação. Ruby, diferentemente de Regina, nunca soube o que era espaço pessoal, ela se intrometia sem se importar, Regina buscava o momento certo aonde sabia que poderia falar sem ferir.

– Sim, só um pouco chocada com tudo que aconteceu enquanto estive fora. – Me sentei sobre a pia, coisa que fazia muito quando vinha no Granny’s e fugia para conversar com Ruby a sós, sem minha mãe me falando como me comportar ou David olhando feio para qualquer garoto que colocava seus olhos muito tempo sobre mim.

– Desculpe por não sair por aí te procurando. – O arrependimento era grande quando minha ex-namorada-melhor-amiga falou, sabia que tinha feito a escolha solitária e que se procurasse Ruby ela iria comigo, porém eu não queria isto, queria a liberdade, a opção e conhecer o mundo. Porque por 18 anos só conheci Storybrooke, a cidade de três mil habitantes que se ocupavam mais com a vida um dos outros do que com as suas e eu estava farta daquilo.

– Ruby, não estou à procura de desculpas. Vim aqui para lembrar-me de uma infância maravilhosa, sei que cometi erros e que muitos também cometeram, então eu só procuro alívio. — Sorri doce para a mulher que agora estava a poucos centímetros de mim e dei um beijo em sua testa, saltado da pia e a abraçando.

– Mesmo assim, eu deveria ter ido com você, mesmo que estávamos brigadas, eu não deveria ter te abandonado. – Sussurrava Ruby em meus braços, me fazendo sentir culpada, mesmo que nem uma de nos tivesse culpa de nada.

– Ruby, querida, você não me abandonou. Eu apenas escolhi seguir sozinha, poderia muito bem vir até aqui e pedir para ir comigo e saberia que você não pensaria duas vezes mesmo se estivéssemos brigadas ou não. – Acariciei os cabelos dela me afastando um pouco. — Esta luta fora e é minha, eu precisava de meus próprios pés da minha própria coragem, porque eu não poderia pedir isto para ninguém, não naquele momento e muito menos agora. Porque você precisava estar aqui, compreende?Granny precisava de você, assim como meus pais, pois sei que você foi a responsável por eu estar aqui novamente e aprecio tudo que fez mesmo me falando que não fez. – Sussurrei tirando tudo de dentro de mim. Sabia que Ruby se culpava, por ter sido mandada para fora de casa, pela sua cena na janela do meu quarto se declarando e me pedindo perdão, entendia o quanto ela carregava e não queria deixar ela se frustrar mais, porque para mim não importava o quanto o passado tivesse feito, o futuro estava sendo exatamente o que precisava e bastava.

– Senti saudades. – Ruby enlaçou minha cintura e deitou sua cabeça em meus ombros. – Você fez falta. – Ri me afastando, me sentia mal com o contanto físico da morena, parecia que estava traindo Regina, mesmo que eu nunca tive ou fosse ter algo com minha melhor amiga estávamos tecnicamente “casadas” e se eu queria ter minha esposa por mais 5 dias precisava não abraçar muito as mulheres do meu passado.

– Também senti, loba. – Ri ao ver o sorriso de Ruby, por conta do apelido antigo que tinha dado a ela quando ela “caçava” todas as mulheres solteiras da escola como um lobo no cio, até se apaixonar por mim e dar sossego, o que fez Granny me agradecer todas as vezes que a morena passava as madrugadas de sexta em casa.

– Emma? – Regina me chamou ao entrar no banheiro, fechando a cara ao encarar Ruby e vindo até mim como um jato. – Você está bem? – Sussurrou, vendo as lágrimas que escorriam timidamente em meu rosto e laçou um olhar mortal a outra morena que ocupava o pequeno metro quadrado.

– Estou bem. – Sussurrei ,pegando sua mão e enlaçado nossos dedos. – Foram só lembranças boas. – Sorri ao ver o rosto de Regina suavizar, sabia que ela era difícil de acreditar em meias verdades e que logo teria que contar em detalhes o que ouve naquele banheiro, pois por mais doce que Regina seja, sua doçura só existia comigo e com Henry, porque fora disto, fosse quem fosse, suas verdades sairiam sem se importar com o que a pessoa sentia.

– Tudo bem então. – Falou Regina, porém seus olhos mostravam que não estava nada bem. – Henry e eu estávamos te esperando lá fora. – Apontou para a saída, porém quando pensei que ela iria embora suas mãos enlaçaram minha cintura e seus lábios grudaram os meus de forma gentil, me fazendo ficar sem ação por alguns segundos.

Notas finais
Novamente eu me arrisquei em primeira pessoa e espero que esteja ficado bom