Espiões Season One
8 Capítulo 7
Capitulo Sete
Um dos homens foi até as escadas e viu o movimento estranho “Por que ela está correndo? Será?”
- Ei, ela ta fugindo – Ele gritou para os outros, se apoiando no corrimão, enquanto via Yasha saltava os degraus
“Droga, por que eles tinham que vir atrás?! Eles poderiam ter sobreviver se tivessem me deixado ir numa boa” Ela saltou mais alguns degraus e jogou-se contra uma parede, puxou uma pistola que estava presa na sua calça, escondida atrás da blusa e mirou para cima, em menos de 5 segundos, ela apontou e disparou. “Acertei, vocês deveram ter me deixado ir em paz” Voltou a correr os degraus e viu um vulto caindo entre o vão que havia na escadaria. Ela deu um último salto, e chegou ao térreo “Esqueci das chaves” pensou enquanto olhava para o corpo destroçado poucos metros ao lado, foi até ele e o virou, sua caixa craniana estava aberta, o sangue estava por todos os lados, ela cutucou um pouco o blazer e achou o que queria, as chaves para o carro. Olhou para cima e viu que estavam descendo, escutou alguns tiros ricochetando nas paredes e no chão, olhou para o lado e viu a placa verde, luminosa [k4;mm3;l6;k6;], “saída, perfeito”. Saindo do prédio sentiu o sol forte e a brisa gelada, o vento estava forte, mas aumentava a sensação térmica de frio, típico do outono Russo, sol forte e ar gelado. “O carro” Ela olhava em volta no estacionamento, procurando pelo carro no qual havia chegado “Ali”, ela correu até a pickup preta. Enquanto tentava dar a partida, o desespero começou a tomar conta, “Ótima hora para essa bugiganga não pegar... Por que essa porcaria não quer funcionar?” Ela dava alguns socos no volante com a mão esquerda e com a direita continuava a girar a chave a ignição, “Vamos, vamos”. Um tiro atravessou seu vidro “Desgraçado, atirando em uma dama!” Ela abriu um pouco a porta, e pela pequena fresta posicionou a pistola para fora e olhando pelo espelho lateral mirou e em seguida atirou, o corpo sem vida do que lhe incomodava foi ao chão, havia acertado entre os olhos. “Bom menos dois” Ela girou novamente a chave e o carro, agora, dava a partida, “Finalmente” Ela seguiu, em poucos minutos já estava há 80kph, escutava as balas batendo contra a lataria do carro, era tão alto quanto o barulho do motor cada vez que ela trocava as marchas. Os tiros estavam cada vez mais próximos dela, o vidro traseiro despedaçou-se, ela então abaixou a cabeça, ficando com a cabeça fora de mira para eles, mas ao virar uma esquina e tirou um hidrante do lugar “Hm, água faz bem”, viu pelo retrovisor o hidrante que havia saltado bater no capo do carro inimigo que estava lhe perseguindo. “Mapa, preciso de um” Ela pensava enquanto abria o porta-luvas, ao invés de mapa ela achou algo mais interessante, viu algumas credenciais com fotos dos homens que a acompanhavam “Droga, policiais corruptos, era tudo que eu precisava” e fotos de seu alvo,
- Yunho – Falou enquanto discava o número de seu chefe
- Yasha? Tudo bem? Aconteceu alguma coisa? – Yunho percebeu a preocupação na voz de Yasha
- Nada bem, matei dois policiais e a foto de Jo está no porta-luvas junto com as credenciais deles – Ela olhava com o canto de olho para as coisas que ela havia posto no banco de carona
- Droga, chamar a atenção da policia russa era o que menos precisamos nesse momento. Para onde você está indo? – Ele passava a mão na testa e ia em direção ao cabelo, sacudindo-o, a preocupação o fazia suar frio
- Para a estação de trem, eles disseram que meu alvo estaria embarcando em 1 hora para Kiev. – Ela parou, não queria falar desnecessariamente quem era seu alvo, apesar de sentir que Yunho já deveria saber
- Yasha, deve haver mais deles lá. Vou mandar um agente lhe ajudar, ele me deve uma, seu codinome é Hyunnie.
- Que codinome fofo – Ela disse em meio aos risos – Mas ele é seguro?
- Não precisa se preocupar com ele... Ele é um amigo... Pode confiar nele, eu confio... Somente, tome cuidado – Yunho falava preocupado
- Sim, sim eu já sei... Não precisa se preocupar, levarei a Jo sã e salva de volta para você
- Obrigada, estou te devendo mais uma – Ele suspirava ao lembrar ‘quantas’ já devia para a garota
- Ei, qualquer dia vou cobrar, você está me devendo várias, ein!!! – Disse ela rindo
- Cobre tudo, assim que tivermos resolvido isto, terei prazer em pagar minhas dividas – Ele soltava novamente um suspiro
- Hm, menino safadenho, vou lá, tenho companhia, mande seu amigo me ligar quando ele estiver na estação de trem central, esse era o lugar que deveria ir.
- Ok, cuid...- Ela desligou antes dele terminar, algo preocupou Yunho, ele escutou barulho de sirenes ao fundo
“Odeio Policiais corruptos” Pensava enquanto desviava de um carro e outro que havia na avenida, sem tirar os olhos do retrovisor e ver os carros de policia que a seguiam. Ela viu a entrada para a estação de trem, uma entrada subterrânea, pequena, “Será?” Ela pensou enquanto tentava medir a entrada “Vamos lá”, ela deu algumas buzinadas para as pessoas que caminhavam pela calçada saírem de sua frente, tocou o carro por cima da calçada e trancou a entrada “Calculei mal”, pensou ao ver-se presa, sua porta não abria e não tinha espaço para sair pelo vidro, o carro havia ficado totalmente preso na entrada, ninguém consegueria chegar por aquela entrada.
“Cadê você?”, ela olhou para o banco de trás, procurando sua pequena mochila, “Aqui”, ela pegou sua arma, que estava no banco do passageiro e atirou contra o vidro da frente do carro, tomando cuidado para não acertar nenhum pedestre que ainda estava ali, olhando atônitos para o carro trancando a única saída deles dali, chutou um pouco os cacos de vidro que ainda estavam ali, para não se cortar ao sair e pulou pelo capo, correu um pouco, se misturando entre a multidão, avistou de longe alguns seguranças da estação, falando em seus walktalk e correndo em direção a saída que estava trancada. Ela passou calmamente por eles e seguiu para os guichês comprar sua passagem
- Moça venha conosco – Disse um homem em inglês, com um sotaque russo puxando Yasha pelo braço.
- Ei, eu estou indo encontrar minha irmã, não tenho tempo agora, moço – Retrucou ela, tentando parecer o mais perdida possível em meio aquela zona que estava se formando
- Por favor, sem confusão – Disse ele puxando-a novamente pelo braço, ele não estava fardado, então seria mais fácil se ela chamasse atenção
- Socorro, socorro, este homem está querendo me estuprar – Gritava ela, fora a primeira coisa em que pensou e como estupro era um crime gravíssimo, o guarda que havia passado por ela estava vindo ao seu encontro, ele se viu encurralado “Quero ver você sair dessa”, “Droga, quero me ver sair dessa também”, ela se aproveitou enquanto algumas ‘boas pessoas’ a estavam ajudando e batendo no rapaz, ela conseguiu se soltar e fugiu no meio da multidão, antes que o segurança chegasse, pegou suas passagens e correu para as plataformas
“Rapido Jo, rápido Hyunnie, onde vocês estão?” Ela olhava em volta, ansiosa, quando ele começa a vibrar “Ótimo, bem a tempo”
- Flor de Liz? – Escutou uma voz afinada do outro lado
- Está feia a coisa, sem tempo, vamos, onde está?! – Dizia enquanto espichava o pescoço e olhava em volta
- Bem atrás de você – Disso o rapaz de cabelo castanho claro, enquanto guardava seu telefone na jaqueta – Não se vire, vamos para a esquerda, acho que vi sua amiga.
- Ok. — Ela o seguiu de perto, ficou o olhando enquanto caminhavam “Parece tão jovem e já é um agente secreto fora do país, você deve ser bom”
Quando estavam se aproximando da plataforma para Kiev, ele parou de repente, virou-se para ela, segurando sua mão, encostou ela em uma parede qualquer, posicionou seu boné, cobrindo a face dos dois e a beijou, ficaram um tempo naquele beijo
- Eles já passaram – Ele falou ao soltá-la, fazendo sinal com a cabeça para os homens que passaram pelos dois – São policiais corruptos, como os que você matou
- Ah? Mas ein? São é? – Ela estava atônita com o beijo que ganhara, já havia beijado muitos homens em missão, mas aquele beijo havia sido diferente, mexera com ela – São é? – Ela repetiu as mesmas coisas – Você... – Ela percebeu ao olhar o rosto daquele homem, era o mesmo que ela havia se livrado, o mesmo que tinha tentado puxar seu braço mais cedo
— Você é uma agente infiltrada? Assim? – Disse ele desprezando-a
- Ah? O que você quer dizer com essa cara? Eu sou a número um em tiro ao alvo, tenho diversas medalhas e estou infiltrada a... Ei, você está me ouvindo? – gritou ela com Hyunnie, que já estava a uns 10 passos à sua frente
- Você chamou atenção, sua cabeçuda e ainda tem coragem de ficar se vangloriando?! – Ela percebeu a besteira que havia feito e saiu correndo, segurando a mão dele, ela percebeu um trem partindo e o empurrou para dentro e subiu logo em seguida
- Agora como espera achar sua amiga? – Disse ele, enquanto a abraçava pela cintura para não cair do trem em movimento
- Yasha? – Jo apareceu ao lado dos dois
- Não precisamos achá-la, nós já achamos – Ela soltou-se dele e deu um abraço em Jo – Amiga, há quanto tempo, o que você andou aprontando? – Jo e Yasha seguiram para o os seus acentos, enquanto Hyunnie ria “Ela é realmente impressionando, será que ela calculou tudo ou foi um acidente?” ele havia ficado admirado por Yasha, além de ser tão nova, ela era inteligente, impetuosa, intensa e ainda tinha um charme que chamava a atenção dele.
O telefone de Yasha começou a tocar e ao ver o número e saber de quem se tratava deu para Jo atender
- Yasha – Yunho a chamou do outro lado da linha
- Não, Amor, é a Jo – Yunho ficou sem palavras ao ouvir a voz de sua amada – Por favor, me escute
- Você está perdoada – Ele falou sem deixar ela falar – Não precisa dizer mais nada, não quero saber, meu amor por você é maior que tudo. Só quero saber de você e nossa filha em segurança, somente isto
- Amor, Nathy foi sequestrada – Ela fez uma pausa – Eu pensei que conseguiria resolver tudo sozinha, mas não consegui, foi mais forte do que eu! Depois que eu descobri que Daiana, Yoochun e principalmente, você, corriam perigo eu quis avisá-los, mas então eles levaram nossa baby, me desculpe, eu fui fraca, não pude defender o que era mais preciso para nós – Jo se segurava para não desabar em lágrimas novamente
- Tudo bem amor, nós vamos conseguir ela de volta, mas eu quero você em segurança, vindo para casa, entendeu? – Disse ele com uma voz firme
- Desculpe Yunho, mas eu não voltarei enquanto Nathy não estiver a salvo nos meus braços – Retrucou ela, com sua posição, ela queria sua filha de volta, tudo que ela mais queria naquele momento era Nathy
- Amor, eu não quero te perder, por favor, venha para cá, eu te darei proteção. Farei todo o possível para te manter em segurança e para salvar nossa filha. – Yunho implorava, tentando achar o bom senso de Jo, mas o que ele não sabia era que o bom senso dela já havia terminado no primeiro momento que ela se viu na Rússia
- Jung, sem mais, por favor, eu não irei discutir sobre isso com você, eu te amo, ok? Nada irá mudar isso, nunca!
- Sim, nosso amor é imutável, mas eu te quero em segurança – Jo cansou de discutir aquilo com Yunho, sabia que ele iria continuar insistindo que ela voltasse e ficasse ao lado dele, segura, mas não havia como ela não aceitar, não queria deixar seu bebê abandonada, se sentia mal em pensar que sua filha estaria desprotegida enquanto iria ficar em segurança.
- Chefe, ela não quer mais falar contigo e disse que não adianta que não irá voltar. – Yasha falou com Yunho ao receber o telefone das mãos de Jo
- Ok, Yasha, conto então com você e com Hyunnie para manter-la segura. Irei mandar mais dois agentes para encontrar vocês em Kiev. Seus codinomes são Hero e Ryu. Agora passe o telefone para Hyunnie
- Ok... – Ela estendeu o telefone para Hyunnie – Ele quer falar com você
- Comigo? – Perguntou com o dedo indicador direcionado ao seu peito. Yasha confirmar com a cabeça, ele pegou o telefone – Hyun falando, em que posso servi-lo hoje, Monsieur? – Disse ele tentando descontrair o clima, fazendo Yasha e Jo sorrirem “Missão cumprida, eu consegui ver o sorriso dela” pensava ele olhando para Yasha – Fala chefe
- Eu quero que você proteja Jo a qualquer custo e tente convencê-la a voltar para casa, por favor, conto com você, ok?!
- Hai Chefe
- E pare de me chamar de chefe, já basta a Daiana e o Yoochun. Em quanto tempo vocês devem chegar a Kiev?
- Em umas três ou quatro horas, o trem está em ritmo reduzido, pois tem neve nos trilhos.
- Ok, quando chegarem lá, me liguem e me deem o endereço de onde irão ficar, irei repassar aos dois agentes.
- Certo, chefe – Hyun colocou a mão na boca, mas não teve nem tempo de pedir desculpas, pois Yunho já havia desligado
Hyunnie virou-se para Yasha e lhe deu um sorriso, enquanto lhe entregava o telefone, ela quase desmaiou ao ver aquele belo sorriso. Para que ele não percebesse, puxou o cachecol, que tinha colocado, acima do nariz e fixou seus olhos nos campos cobertos pela neve.
Não muito longe dali, uma garota conversava com alguém pelo telefone
- ‘Sim, elas estão no trem. Estão com um agente americano. Pelo que Jessica entendeu seu codinome é “Hyunnie”’
- ‘Ok. O chefe não quer que mate elas ainda, deixem eles chegarem ao seu destino, primeiro. Assim que eu tiver mais ordens irei repassar. Mas esse ‘Hyunnie’ é bonito?’
- ‘Para com isso, Tae, ele vai ser morto, o que te importa se é bonito?!’
- ‘Ué, para saber se vale a pena que ir até ai, acabar com ele pessoalmente, caso vocês não deem conta, Tiffy’
- ‘Nos daremos conta, e eu finalmente conseguirei acabar com aquela Yasha’
- ‘Quanta raiva em seu coração’
- ‘Não é você que está caolha... Ela irá me pagar pelo que me fez’
- ‘Ok, ok, então mate ela devagar’
- ‘É exatamente isso que irei fazer. Jessica chegou, vou indo, vamos ficar de olho neles’ – Tiffany fechou o laptop
- E então, Jessica, o que eles estão fazendo? – Perguntou Tiffany enquanto levantava-se
- Comendo e esperando chegar a Kiev. Parece que vão encontrar com dois agentes lá. Como será que andam os experimentos da Paula na pirralha?
- Parece que deram todos certos. Quero ver a cara do Sr. Jung quando ver a ‘filhinha’ dele e receber o corpo da mulher embalsamado.... Ainda estou pensando na tortura que irei fazer com aquela Yasha, maldita – Tiffany falava enquanto ria alto
- Aquela cientista Paula, me dá arrepios – Jessica esfregava as mãos nos braços cruzados
- Nem me fale – Retrucou Tiffany
- Irei tirar um cochilo, quando chegarmos você me acorda – Jessica pegou um cobertor no armário aéreo e se tapou
- Eu sempre fico de vigia, que droga... – Tiffany se atirou no banco do trem, cruzando os braços – Quer saber, vou comer alguma coisa – Tiffany saiu da cabine e foi para o vagão restaurante, mas parou e ficou olhando para o rapaz que estava saindo de uma cabine, poucos metros à frente “Hmmm... Esse aí nem valia a pena matar... Tenho mais vontade é de usá-lo. Acho que vou brincar com a comida, a Jessica tá dormindo mesmo”. Tiffany foi em direção a ele e lhe deu um sorriso, ele retornou, tentando ser educado e dando passagem a ela, o corredor das cabines era um pouco mais estreito que os outros.
- Você é daqui? – Perguntou Tiffany parando em frente a ele, fingindo interesse
- Não, sou um turista, estou indo para a casa de uns amigos e você?! – Hyunnie tentava ser educado
- Também, você tem olhos lindos, alguém já lhe disse isso? – Ela se aproximou, deixando seus lábios próximos, ela ficou na ponta dos dedos, fitando o olhar dele.
- Sim, obrigado – Respondeu meio constrangido “E você tem um tapa-olho ridículo... Será que é caolha ou é uma nova moda?!” pensou ele, segurando-se para não rir
- E essa sua boca é tão sexy – Tiffany tentava se afastar mais dos lábios dele, aproximando de um beijo
- Hm, obrigado – Ele tentou se afastar, mas era impossível, a maçaneta da porta atrás dele estava machucando suas costas, mas mesmo assim ele afastava-se ao máximo, enquanto ela continuava sua aproximação “Que mal-hálito”
- Ei, Hyunnie, cuidado – Disse Yasha enquanto dava uma rasteira em Tiffany
- Ei, calma, Yasha, não precisa ficar com ciúmes, gatinha – Falou ele indo na direção de Yasha para tentar segurá-la
- Quem disse que estou com ciúmes? – Ela retrucou vermelha, já em posição de ataque, pronta para receber um retorno de Tiffany
- Ah, a vadia saiu da cabine, que pena – Tiffany se levantou em um impulso, e já atacando Yasha com um chute alto, na altura do peito, seguido de um segundo chute giratório. Yasha magnificamente se esquivou do Keri e defendeu com sua mão esquerda o ashiro. Yasha então apoio seu peso no pé esquerdo e puxou a perna de Tiffany enquanto girava seu corpo, ainda puxando-a e dando um chute, acertando com o seu calcanhar e continuou pressionando-o contra o rosto de Tiffany. Tiffany cuspiu sangue e tentou empurrar a perna de Yasha, sem sucesso, com o braço que estava para cima, ela acertou uma cotovelada no joelho de Yasha, ela acabou não resistindo e soltou, uma brecha suficiente para Tiffany conseguir retomar o controle sobre sua perna esquerda e tentar um golpe com a palma da mão aberta no abdômen de Yasha, mas fora surpreendida por uma joelhada, que a fez recuar alguns passos
- Ei, calma Yasha... Por que tudo isso? – Perguntou Hyunnie assustado com a ferocidade da garota
- Você é um traidor, Hyunnie? – Retrucou Yasha enquanto se defendia de um soco, seguido de um chute, que Tiffany tentava dar no desespero de saber que estava perdendo a luta.
— N-não, claro que não, se acalme – Respondeu Hyunnie, gaguejando, ainda impressionando com todas as sequências de socos e chutes que as duas retribuíam entre si.
- Ela é inimiga, seu boco! – Gritou Yasha enquanto limpava o sangue que escorria de sua boca. Hyunnie arregalou os olhos com a nova informação, tentando absorvê-la “Então estão nos seguindo” pensava ele calmamente, tentando achar uma solução
- Não a mate, vamos pegar dela informações – Hyunnie falou ao ver a força que Yasha proferia os golpes contra Tiffany.
Tiffany caiu novamente para trás, com um soco que levara no boca, ela cuspiu para o lado e viu um dente que caira
- Meu implante? Ahhhh... Você sabe quando custa um desses, maldita? – Gritava Tiffany indo em direção a Yasha, ao se aproximar sacou uma faca
- Sempre com golpes baixos – Jo saiu da cabine e bateu com um vaso de flores na cabeça de Tiffany, fazendo-a desmaiar
- Ei, eu podia me defender sozinha – Yasha fez-se de zangada
- Claro, claro, eu sei, mas se você continuasse você iria matá-ela – Disse Jo, puxando Tiffany pelos braços para dentro da cabine
- Ei, você está bem? – Hyunnie estava face a face com Yasha, ele havia se metido na frente dela quando viu o que Tiffany tinha sacado de sua bota, ele aproximou-se dela
- Claro que sim, por quê? – Yasha respondeu enquanto engolia à seco
- Que bom – Respondeu ele caindo nos braços dela – Ei, sai fora – Disse ela tentando empurrá-lo e sentiu algo preso no braço dele, ela arrancou e percebeu que ele havia usado seu corpo de escudo para ela
- Jo, me ajuda aqui, ele parece pequeno, mas pesa muito – Jo foi até Yasha e a ajudou a levar Hyunnie para dentro e o colocava no sofá
- Agora precisamos saber se ela estava sozinha – Jo foi amarrar Tiffany
- Nunca estão sozinhas, elas sempre andam em duplas ou mais, o que precisamos saber é se tinha mais de duas com ela e onde estão agora – Respondeu Yasha enquanto fazia curativo no braço de Hyunnie – Desse tamanho e desmaia somente com um corte superficial de uma faquinha vagabunda? Você me decepcionou garanhão – Exclamou Yasha enquanto passava a mão na testa de Hyunnie e afastando um pouco a franja – Mas obrigada
- De nada – Ele disse antes de puxa, dando um beijo nela
- Ei, querem que eu saia daqui com a vadia para vocês ficarem a vontade? – Brincou Jo. Yasha ficou corada e soltou-se de Hyunnie, ele somente ficava admirando a garota, os olhos dele estavam fixos nela, ele não conseguia parar de olhá-la
- Ei, da para parar de ficar me olhando?! – Reclamou Yasha, totalmente ruborizada
- Não consigo – Respondeu colocando a mão ensangüentada na bochecha dela – é mais forte do que eu – Disse ele com um leve sorriso na face
- Se você não parar...
- Se eu não parar você vai fazer o que? – Perguntou ele, interrompendo-a. Ela respondeu de uma forma inesperada, que agradou, muito, aos dois e fazendo Jo ficar com ciúmes “Que saudades do meu Yun”, ela continuou a amarrar Tiffany enquanto Yasha e Hyunnie estavam aos beijos.
- Ei, vocês dois, ela está acordando – Jo chamava a atenção dos dois – Onde está minha filha?! – Perguntou Jo enquanto puxava a cabeça de Tiffany para trás, pelos cabelos, mas recebeu uma resposta desagradável, Tiffany cuspiu em direção a Jo e ela apenas desviou – Que menina nojenta e mal criada! – Ela deu um murro na cara de Tiffany
- Você ainda não viu nada – Disse Yasha enquanto levantava do lado de Hyunnie e ia em direção as duas – Mas eu faço ela falar, já fiz outras vezes, não é Tiffy?! – Disse em meio a uma risada maléfica e pegando a faca que Tiffany havia usado antes em Hyunnie – Essa faca é bem pontuda – Ela passava o dedo de leve na lamina, chegando até a ponta – Mas a que usamos da outra vez era muito menos, não?! Doeu mais daquela vez, não foi? – Disse enquanto abria o olho de Tiffany e aproximava a faca, Tiffany ficou apavorada e tentava desviar – Ei, cuidado, se você continuar se mexendo assim, eu vou acabar arrancando seu olho fora, antes mesmo de me divertir. Você não quer ficar cega de vez, né? – Até Jo ficou com medo do sadismo de Yasha, ela via prazer no olhar de Yasha
- Ei, amiga, cuidado, precisamos dela viva e que fale...
- Não se preocupe, não vou deixá-la sem língua, ainda, afinal, precisamos que a cobra fale – Yasha pegou de sua mala uma meia e enfiou na boca de Tiffany – Não precisa se preocupar, Yunho me treinou muito bem – Ela se virou e foi em direção a Hyunnie, Jo respirou aliviada “Acho que baixou a luz nesse ser das trevas” esses eram os pensamentos de Jo antes de ver Yasha se virar e cravar, com muita força, a faca na mão de Tiffany.
Tiffany mordia com força aquele pedaço de pano que tinha sua boca, até Hyunnie ficou assustado
- Por que vocês estão assim? Até parecem que nunca passaram por uma sessão de tortura – Realmente Yasha estava certa, aquilo era normal no meio em que eles viviam
- Passamos Yasha, mas você parece sedenta por sangue – Disse Jo afastando Yasha de Tiffany que havia desmaiado – Amiga, pelo que você passou enquanto estava fora ein?! – Disse Jo enquanto abraçava Yasha, um abraço, um carinho, coisas que ela não tinha há muito tempo, lágrimas rolaram de seus olhos quando num flash ela se lembrou de alguns momentos de sua infância, lutando para sobreviver e salvar sua irmã menor. Mas os flashbacks de sua infância sempre paravam em frente a uma porta de mármore, de pés descalços e carregando sua irmã, sem vida, em suas costas
- Para Jo – Afeto eram a pior tortura para Yasha, principalmente um abraço materno, coisas das quais ela fora privada desde nova
- Ei... Ela desmaiou e agora? – Hyunnie apontou para Tiffany que estava inconsciente
- Já, já eu acordo ela – Disse Yasha, voltando sua atenção para Tiffany, puxando-a pelos cabelos
- Não, chega, deixa que eu faço isso, cuide do Hyunnie, troque as bandagens dele – Disse Jo, apontando para as bandagens encharcadas de sangue
- Ok, você quem sabe, mas, se precisar de ajuda me chame – Yasha ajudou Hyunnie a se levantar e foram em direção ao banheiro do vagão
Assim que os viu sair, Jo foi em direção a sua mala e tirou uma pequena bolsa. Abrindo a bolsa, podia-se ver muitas agulhas, de vários tamanhos.
- Ei, Tiffany, eu sei que você não está desmaiada, eu te conheço, você é pior que cobra venenosa – Falou Jo, sentando-se no banco da cabine, enquanto ajeitava as agulhas menores. Tiffany levantou a cabeça e cuspiu para o lado a meia completamente ensangüentada.
- Você tem certeza que irá fazer isso comigo? Você não ama mesmo sua filha! – Ao escutar aquilo Jo se levantou e acertou um soco na cara de Tiffany, ela cuspiu dois dentes – Você nunca mais a vera – Gritou enquanto cuspia mais um pouco de sangue. Jo sacudia a mão, sentia um pouco de dor
- Nossa, o que você colocou no rosto, aço? Não é a toa que te chamem de Miss Plástica – Disse enquanto pegava as menores agulhas, que já havia separado – Essa está boa, não está muito afiada, irá doer. – Ela alfinetou de leve seu próprio dedo, para sentir a agulha e mostrar que não estava brincando — Irá falar ou quer começar?
- Nunca direi, não sou uma traidora como você – Jo tapou a boca dela novamente com a meia
- Não é bom se você gritar e chamar a atenção – Ela deu um sorriso e posicionou a ponta da agulha abaixo da unha do dedo indicador de Tiffany e começou a empurrar devagar, a garota tremia de dor. Quando terminou de empurrar a agulha, o sangue do dedo de Tiffany escorria através dela e pingava no carpete daquele trem. Ela tirou a meia que estava na boca de Tiffany e por causa da força que ela havia usado para morder a meia, um dente saiu junto com o pano – Então, pronta para falar? Ainda nós restam 3 horas de viagem, aproximadamente, 19 agulhas para seus dedos. Além, claro, das agulhas para ouvidos, nariz, as juntas... Não se preocupe, as duas agulhas para olhos irei guardar para o final, quer dizer, vamos usar somente uma, neh! E quero você enxergando muito bem, até ver seu corpinho totalmente destruído – Jo foi até a porta da cabine e a trancou, não queria que Yasha e Hyunnie vissem a cena – Será que é por isso que me chamam de rainha das agulhas?! – Disse colocando a mão no queixo e indo em direção as agulhas que havia espalhadas no sofá – Então, agora vamos às juntas?! Ou continuamos com os dedos? – Ela se pôs pensativa, pegou uma agulha de deveria medir 20 centímetros e a posicionou na parte lateral do joelho de Tiffany, começando a cravá-la devagar – Pronta para falar? – Perguntou ao tirar a agulha, Tiffany apenas fechou os olhos e levantou a cabeça – Você quem sabe! – Jo enfiou novamente o pano na boca de Tiffany, ela começou a cravar devagar novamente a agulha – Sabe, passar a agulha através das juntas é algo difícil, exige muito tempo de prática, mas, você vai descobrir como é fácil, comigo, hoje – Ela levantou o pé de Tiffany, deixando sua perna reta, continuou enfiando a agulha, depois baixou novamente o pé, empurrou mais um pouco, até ela sair do outro lado – Viu, fácil e a dor, é algo horrível né?! Sabe como eu aprendi – Jo então levantou sua saia, revelando uma pequena cicatriz no joelho – Eu passei por toda a sessão de tortura, e você não tem ideia, foi muito pior do que eu estou fazendo com você. Sabe por quê? – Ela foi até o banco, pegou outra agulha – Por que a pessoa que fez isso comigo, ela gostava de ver os outros sofrer, algo que Yasha está aprendendo, algo que eu irei afastar dela, o máximo possível. Aquela criança não merece ter o prazer de torturar – Num movimento rápido Jo gravou aquela agulha no dedão de Tiffany e quebrou a unha – Nossa, desculpe, quebrei sua unha... Mas pode deixar que eu ajeito – Então ela pegou a unha que estava empinada, ao meio, na vertical e puxou para cima, retirando aquela unha do dedo de Tiffany – Sabe outra coisa que aprendi nos anos que tive do meu treinamento? Arrancar a unha, dói muito mais do que enfiar a agulha... Por isso eu gosto de combinar os dois... Ahhh... Me diga, por favor que você irá falar... Por que se não falar, eu terei que arrancar suas unhas em pedaços menores – Disse ela cravando outra agulha e arrancando agora apenas uma lasca da unha.
Tiffany jogou o pano longe, enquanto Jo ia pegar mais uma agulha – Por favor, para, você sabe que eles não me deixarão viva seu eu falar – Ela tentava implorar – Você acha que o que você está fazendo comigo irá mudar o fato que sua filha está nas mãos de Paula?! Ela não terá piedade por ser uma criança
- Não e eu também não terei piedade de você – Jo calmamente pegou outra agulha, tirou o sapato dela e cravou a agulha de baixo para cima. Tiffany deu um grito de dor – Eu disse para você não gritar – Deu um soco em Tiffany que a fez desmaiar – Droga, chamou muita atenção, sua idiota – Disse Jo ao escutar algumas batidas na porta, ela pegou um lençol que havia sobre os bancos e jogou sobre Tiffany, escondendo-a e tapando o sangue. Ela abriu a porta
- Yasha... – Jo suspirou aliviada ao ver que era sua amiga
- Eu... Então, o grito veio daqui? Está maior zona no trem por causa disso – Disse Yasha ao entrar na cabine
- Onde está o Hyunnie? – Perguntou olhando para o corredor, antes de fechar a porta
- Fico no vagão onde eu vi a Jessica, ela está no vagão da frente, mas não me viu, parece que estava procurando a Tiffy – Yasha disse enquanto tirava o lençol que cobria Tiffany – Amiga tu me tirou daqui para não deixar brincar
- Yasha, compostura, eu já lhe disse, você não deve se envolver com isso
- Por que não?
- Você é uma criança ainda, não deveria nem estar nesse meio
- Ah Jô , por favor, não me venha com essa – Novamente as batidas na porta, agora tirando as duas da discussão – Jô, vai atender, eu cuido dela
- Sim – Perguntou Jo colocando a cabeça para fora da porta – Em que posso ajudá-lo? – Perguntou ao ver que era o segurança do trem
- Desculpe, mas algumas pessoas ouviram gritos vindos daqui – No momento em que Yasha soltava as cordas de Tiffany da cadeira, para levá-la para o armário, ela desperta e ataca Yasha, apertando o pescoço dela. Yasha tenta empurrar Tiffany contra a parede, e consegue bater com sua cabeça. Yasha rapidamente puxa a língua de Tiffany para fora e empurra seu maxilar para cima, trancando a língua dela, impedindo que Tiffany gritasse para pedir ajuda. Conforme Yasha empurrava com mais força a língua dela caiu no chão, o sangue começou a jorrar por todo o lugar “Droga” pensou ao ver que estava coberta com o sangue da outra “Vou pegar alguma doença com isso” Yasha rapidamente abriu a janela e colocou a cabeça de Tiffany para fora, mas algo inesperado, a cabeça dela foi arrancada ao entrarem em um túnel, Yasha, então jogou o corpo sem vida para fora do trem. Passou uma toalha no rosto e amarrou em seus cabelos, jogou lençóis por todo o chão e tapando todos os lugares onde havia sangue, abriu uma garrafinha de água mineral e jogou na toalha, ensopando-a, jogou alguns produtos com cheiro de hortelã sobre a toalha e sobre os cabelos e foi até a porta
- Algum problema, senhor? – Disse ela aparecendo ao lado de Jo. Jo somente tapou o nariz, o cheiro de hortelã estava insuportável – Desculpe, o senhor está aqui por causa do grito? Fui eu, minha amiga pintou meus cabelos de vermelho e usou um produto de marca inferior, então eles estão fedorentos e vermelhos, não é muito agradável. Meu namorado irá brigar comigo – Disse Yasha, dando um tapa no ombro de Jo – Tem algo mais em que possa lhe ajudar?
- Não, tudo bem, se foi somente isto – Disse o guarda tentando olhar para dentro da cabine, sobre o ombro de Yasha
- Claro que sim – Disse Jo dando um tapa no pescoço de Yasha – Essa besta gritou ao sentir o cheiro, e ver que um pouco do cabelo dela havia caído, aprendi agora a nunca mais usar nada de baixa qualidade
- Tudo bem, então – Disse ele, saindo e indo acalmar alguns passageiros que estavam em alvoroço. Elas fecharam a porta e Jo deu um tapa na face de Yasha
- Agora como vamos descobrir onde está minha filha? – Disse Jo furiosa ao perceber que o corpo de Tiffany não estava mais dentro daquele cômodo
- Calma, ainda temos a Jessica, o Hyunnie está de olho nela – Novamente batidas apressadas na porta tiraram as duas de sua conversa
- Meninas o que aconteceu aqui? – Disse Hyunnie ao ver o estado de Yasha e a cabine
- Nada demais – disse Yasha passando um pouco mais de água sobre seus cabelos – Só espero que aquela vadia não tenha me passado nenhuma doença – Ela passava água pelos braços e esfregava com a toalha, tentando se livrar do sangue
- Temos um problema, Jessica sumiu – Falou ele tampando o nariz
- Como? – Falaram Jo e Yasha
- Eu estava de olho no quarto dela, mas, tive problemas fisiológicos, quando voltei, vi o quarto aberto e ela não estava lá, mas havia sangue
- De quem? O corpo dela... – Jo parecia confusa, assustada
- Não sei dizer, peguei uma amostra, e roubei uma escova de cabelo...
- Vamos precisar de teste de DNA – Disseram novamente Jo e Yasha se jogando no sofá
- Vamos ligar para o Sr. Jung, ver se ele consegue um jeito, temos menos de 2 horas para ter um resultado. Yasha pega seu telefone e entrega a Jo
- Você é a esposa dele, dá um jeito – Ela deu um sorrisinho – Eu vou no banheiro, terminar de me lavar, e tomar um banho, tirar o sangue daquela coisa ruim de mim.
- Eu te acompanho, não temos certeza que ela foi realmente eliminada e se foi, temos mais companhia nesse trem – Disse ele pegando uma arma – Jo, pega – Ele entregou a arma a Jo – Se necessitar, atire entre os olhos
- Vá ensinar o padre a rezar missa – Disse ela em meio aos risos
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