Espiões Season One
3 Capítulo 2
Ela saiu com ele em direção às escadas, ainda puxando Yoochun pela orelha sem perceber que eram seguidos. Quando chegaram lá, ela olhou em volta, mas não viu ninguém, então tirou do seu bolso o mesmo relatório que havia mostrado a Yunho.
- Aqui, olha isso – Ela lhe entregou o relatório, ele ainda estava incrédulo. Ela começou a falar sobre as mais infinitas hipóteses sobre o que poderia ter acontecido com Jo para ela estar desesperada daquele jeito. Mesmo olhando para aquele pedaço de papel continuava sem acreditar muito
- Ela nos traiu, ela é uma inimiga, você precisa de mais provas do que aquilo que Yunho nos mostrou?! – Ele então amassou aquele papel e iria jogar fora, mas fora impedido por Daiana
- Se você não quer acreditar nela, azar o seu, eu acredito, Yunho acredita. Nós iremos fazer o possível para trazê-la em segurança, isso inclui você, me entendeu?! – Daiana estava quase gritando com Yoochun, ele conseguia ver o desespero nos olhos dela. Ele também queria acreditar no que Jo dizia, mas aquilo era muito para sua cabeça.
- Eu posso ajudar – Falou Changmin enquanto se aproximava dos dois – Desculpe escutar sua conversa – Ele estendeu a mão para Daiana – Me empreste seu telefone – Ela olhou para ele sem entender e o entregou, sabia que poderia confiar nele, afinal, era de confiança de Yunho, um dos poucos em que ela sabia que poderia confiar ali dentro – Os telefones internos tem chips de gravação, eles gravam tudo, vamos até minha sala
Eles seguiram Changmin em direção ao CPD, aquilo era novo para os dois, eles nunca ficaram sabendo sobre isto. Chegando ao destino Changmin começou a digitar algumas coisas em seu terminou e conseguiu acesso a conversa que Daiana tivera com Jo, gravou ela em um pendrive e logo após a apagou do sistema – Nós não queremos que nenhum enxerido saiba sobre a esposa do senhor Jung.
Ele passou a conversa, através do pen, para outro terminal e começou a analisar o som. Ele mexia, muito sabiamente, enquanto mordiscava uma rosquinha recheada que havia ao lado do teclado
- Aqui – disse ele com a boca cheia, dando pequenos socos no peito, pois havia se engasgado, Yoochun foi ajudá-lo e fazendo-o derrubar seu chocolate quente.
- Ei, concentração – Disse Daiana secando o chocolate com os guardanapos de papel que haviam ao lado – Changmin, por favor, o que você achou?
- Hm, hm – murmurava ainda com a boca cheia – Er... Ela estava em uma das avenidas principais, nossa sorte, ela ligou de um telefone PDA, podemos localizá-la
- O que tu ta fazendo que ainda não localizou, peste? – Dizia ela batendo nas costas dele, fazendo cuspir novamente a comida, ele a olhou com uma cara zangada – Desculpe, senhor Shim, por que ainda não a localizou?
- Simples, ela está com o telefone desligado – Daiana desabou em uma cadeira que havia perto dela – Mas não se preocupe, logo a localizaremos, assim que ela ligar o telefone – Disse ele voltando a comer
- Jo, amiga, por favor liga seu telefone – Disse Daiana juntando as mãos em sinal de reza
- Você ta tentando telepatia? – Brincava Yoochun, mas parou assim que ela virou-se para ele e mostrava que não estava de muitos amigos – Ok, parei... Vou indo nessa... Preciso buscar minha irmã no aeroporto, ela vai ficar aqui por esse mês...
- Ok, sei, irmã – Disse Daiana brincando
- Ah, você pode me dar uma carona? Minha casa é perto do aeroporto e meu carro está na oficina – Changmin só faltava abanar o rabinho que não tinha, enquanto pedia a Yoochun
- Sem problemas – Disse ele fazendo um sinal de ‘Ok’, com a mão, para Changmin – Só vai ter que pagar a gasolina
- Sempre abusando, né, Yoochun – Disse Daiana, dando um tapinha nas costas dele – Vou indo também, Yunho me acordou e estou ainda cansada, vou voltar para minha cama
- Quer companhia? – Disse Yoochun, com sua cara de conquistador barato
- Não precisa se preocupar, minha companhia está me esperando, vá buscar sua irmã, ok? – Disse ela dando as costas para ele, quando chegou na porta virou-se – Changmin, se tiver qualquer novidade, me beep, por favor
- Ok, eu irei monitorar remotamente nosso servidor – Ele mostrou seu PDA para ela e guardou em seu bolso da calça, logo após sair do CPD ela deu uma olhada em volta, ainda continuava a bagunça, pessoas passando de um lado para o outro, com caixas e mais caixas, papeis e mais papeis. Ela olhou em direção a sala do diretor, mas ele não estava mais lá “Onde será que ele foi? Tomará que ele não esteja em problemas e muito menos faça nada precipitado”
Pensava enquanto se dirigia a saída.
Quando chegou à sala de espera, notou algo estranho, o guarda não estava ali “Onde será que o North foi?” ela olhou em volta e viu um rosto conhecido
- Olá, viu o North? – Perguntou ela ao rapaz que estava antes conversando com Yunho
- Ele seguiu para um interrogatório, todos estão passando por isso
- Mas ele é um simples guarda, até eles são suspeitos?! – Disse ela levantando a sobrancelha
- Todos, ninguém nunca é o que parece ser, isso eu aprendi nos meus anos na investigação interna
- Húúú... Ok... Então até mais tarde, provavelmente logo devam me chamar também – Disse ela fazendo sinal de sair
- Espere, seu nome...- Ele segurou ela pelo braço, ela sentia ternura nos olhos dele, não era frio como os outros da parte de investigação interna “Será que ele usa esse olhar para conquistar todas e conseguir a informação necessária?”
- Daiana e você? – Ela tirou delicadamente a mão dele de seu braço
- Junsu... Tome – Ele então lhe entregou um guarda-chuva – Está chovendo lá fora, tome cuidado para não se gripar – Disse dando um sorriso meio torto
- Hm, quer que eu fique bem para passar pela investigação? Não se preocupe... Uma gripe nunca me impediu de trabalhar – Disse ela negando o guarda chuvas, ela apertou o mecanismo de segurança na mesa do guarda e a porta se abriu, ela viu aquela chuva fina que caia e saiu andando a passos largos em direção a seu carro, o rapaz apenas ficou olhando para ela.
- Ela não me reconheceu mesmo – Disse ele suspirando e pegando uma fixa de arquivo que estava na mesa do guarda – você cresceu Dai – Disse ainda em meio aos suspiros.
Daiana ao chegar a seu carro, olhou para a porta de segurança ainda aberta e viu o semblante daquele rapaz, na porta, parecendo indeciso se saia ou ficava ali. Ela abriu seu carro e entrou, tirou seu casaco, e começou a sacudir seus cabelos, ligou o som e saiu, tocava uma balada, após manobrar ia em direção a saída, no limite máximo de velocidade dentro do estacionamento, 20kph, ela estava passando em frente a porta principal, quando alguém bateu em seu vidro, ela não o tinha percebido se aproximar pois estava distraída com a música, quando viu era o rapaz, ela abriu a porta e ele entrou
- O que seria agora? Já vão me chamar para o interrogatório? – Disse ela meio mal humorada, ele não disse nada e apenas a beijou, ela ficou atônita com aquele beijo.
- Lembre-se de mim, ok? – Disse ele saindo do carro – Eu vou voltar ao trabalho, mas espero uma resposta sua assim que voltar.
- Ei? – Ela estava confusa, ficou olhando enquanto ele entrava e a porta se fechava atrás dele, ele virou antes daquela porta fechar-se completamente e lhe mostrou um sorriso
- Será que ele é louco? – Ela então mexeu o pescoço fazendo-o estalar
Fechou os vidros e continuou a dirigir indo para casa. Ao chegar, ela fora recebida por seu gato. – Yuki, como você está baby da mami? – Disse ela pegando o gato no colo e levando-o para a cozinha – Desculpe a mamãe teve que sair, mas aqui está o papa – conversava com o gato enquanto abria um enlatado e servia no prato para ele comer, ela ficou olhando para o gato, após sentou-se, escorou o cotovelo na mesa e sua mão no rosto, somente a imagem daquele rapaz vinha a sua mente – ele deve ser louco, neh Yuki... mas por que será que ele fez isso? Lembrar do quê?!
Em meio a seus pensamentos acabou cochilando ali mesmo
- Ei, você, parada ai mesmo! – Uma senhora gritava com uma garotinha esfarrapada que corria com um pedaço de pão nas mãos, ela acabara de roubar aquele pequeno pedaço de comida, que seria sua primeira refeição do dia, deveria passar das 15 horas, o sol já estava fraco. Enquanto ela corria pelos becos alguém lhe puxa
- Shiiii – Ele fez o sinal para ela ficar quieta, eles se encolheram e esconderam-se no meio das latas de lixo e aquela velha senhora passou por eles. Os dois começaram a rir, ela partiu o pão que segurava em dois e deu uma metade ao garoto
- Meu nome é Daiana e o seu? – Ela perguntava com a boca cheia
- Junsu, mas todos me chamam de Xiah – Disse ele sorrindo enquanto saciava sua fome – Prazer...
- Hmmmm... estou com fome ainda – disse ela após terminar seu pedaço de pão, ele então tira uma maça do seu bolso e lhe dá – Ela começa a comer rapidamente e ele fica rindo e observando
- Qual sua idade, Daiana? – Disse enquanto a segurava em seus braços
- Eu? Não me lembro, mas acho que tenho 13 e você Xiah?
- 14. Onde estão seus pais? Por que roubou o pão? Eles não lhe alimentam? – Disse ele preocupado e passando a mão no cabelo dela, estavam sebosos, parecia que ela não tomava banho há muito tempo
- Eu não tenho pais, moro na rua, então dependo só de mim para comer e você? – Ela deu uma fungada nele – Você não parece ser um garoto de rua, cheira tão bem, e está tão limpinho – Ele soltou um sorriso
- Eu fugi de casa – Ao escutar aquilo, afastou-se dele
- Por que fugiu? Eles te batiam? Morreram?
- Nem, eles querem que eu seja algo que não sou, querem sempre que fique estudando e estudando, não me deixam nem brincar com o resto das crianças na rua – Ela deu um soco nele e se levantou
- Você é idiota? Que motivo mais fútil para sair de casa... Se eu tivesse pais, não iria reclamar... Tem pessoas que não sabem viver – Disse ela colocando as mãos atrás do pescoço e começando a andar
- Ei, me espera aí – Disse ele indo atrás dela, ela virou-se e olhou para ele de cima a baixo
- Você não deve saber o que é passar necessidade, tem pais, volte para eles – Ela disse ignorando-o e seguindo, ele somente ficou olhando ela sumir no horizonte.
“De novo esse sonho?” Daiana acordava com seu gato a lambendo
- Ei, hoje não tem beijo – Ela disse afastando o bichano, e colocando a mão no pescoço, havia sido naquele dia que perdera sua gargantilha, a única lembrança que tinha de seus verdadeiros pais. Sua infância foi difícil, até os 14 anos, quando foi levada a um orfanato e pouco tempo depois adotada, aos 18 seus pais adotivos morreram num acidente de carro e foi Jo quem lhe salvou a vida, tirando-a do meio das ferragens antes que o carro explodisse.
“Amiga, eu vou te ajudar, não importa o que eu passe” Jo sempre esteve ao lado dela, nos últimos 5 anos. Levou ela para sua casa, sem nem ao menos conhecê-la. Yunho ao conhecer a garota, achou ela com o perfil perfeito de uma espião, sem família, amigos próximos, tinha força e garra, sabia se virar, como ela mesmo disse, recrutou-a para se tornar uma espião, e ela aceitou de imediato, não pode com os argumentos dele e a vida de espiã lhe parecia emocionante, além de trabalhar para seu pais e fazer algum bem, talvez se sentisse melhor salvando vidas alheias, talvez pudesse impedir que alguma garotinha tivesse seus pais assassinados de forma cruel como ela teve.
Ela foi até seu quarto, jogou-se em sua cama e se lembrou do nome — Xiah... Xiah... Como era mesmo o outro nome dele?! Afeee... por que eu não consigo me lembrar?! – Dizia enfiando a cara nos travesseiros e se sacudindo de um lado para outro da cama...- Aquele filhinho de papai, aposto que ele vendeu minha gargantilha, se é que ele era um filhinho de papai como ele havia dito.
Ela ficou se revirando na cama por mais um tempo e tentando lembrar do nome do garoto, sempre que tentava se lembrar do nome, lhe vinha a sua mente o rosto do homem que havia conhecido mais cedo.
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