Espiral de Fogo
1 Introdução
Essa não é uma história que você já tenha ouvido. Não começa com era uma vez... e sequer tem um final feliz e, talvez, tenha realmente acontecido.
Inicia-se com uma centelha, assim como todo incêndio. A centelha mais ardente do que qualquer outra, uma centelha que os homens aprenderam a chamar de amor. Ninguém nunca soube direito o que era esse tal amor afinal de contas, mas todos sempre souberam que era perigoso brincar com ele. O amor une o que não deve ser unido, unifica pólos opostos e leva as pessoas a fazerem coisas inimagináveis, gerando consequências nem sempre tão boas.
Mas o amor não é o centro dessa história, o fogo é. Se você buscava um romance típico, água com açúcar, repleto de casais apaixonados correndo por campos floridos e sorrindo como bobos, perdeu seu valiosíssimo tempo ao acessar essa história. Torno a dizer que esse não é um conto de amor. Os personagens dessa narrativa que podem ser fictícios ou não se permitem amar em raros momentos e nem todos eles são românticos. Essa é uma história de sangue e fogo, o mesmo fogo que principiou tudo.
Em algum momento insignificante do tempo e do espaço, dois membros de províncias de poder distintas uniram-se e geraram o único poder em todo universo capaz de subjugá-los. Mas isso não importava diante do amor que os pais sentiam pelo seu filho, amor que os motivou a vencer quase todas as batalhas que ameaçam sua prole.Quase.Tombaram no último combate, diante de uma força que eles não podiam combater.
Os outros soberanos do universo, furiosos,atiraram o portador do dom maldito do céu, em direção a terra ocupada pelos homens para tão somente findar o tão perigoso poder que a infeliz criança possuía e arrasar juntamente com ela toda avidaque os deuses do Olimpo haviam se arrependido de ter criado.
A criança caiu no mar e a colisão foi tão intensa que fez as águas se lançarem sobre a terra e inundarem as civilizações ali estabelecidas. Porém os alvos da fúria divina eram mais resistentes do que o esperado. Um oráculo vivente na época conseguiu salvar a si e a sua família e o portador do dom maldito conseguiu resistir incólume ao desastre, conservado no interior um invólucro de rocha, que permitiria seu desenvolvimento.
Quando as águas baixaram, o maior dos deuses desceu a terra devastada e com o auxílio de seu irmão recolheu o inconveniente casulo e o escondeu nas profundezas do inferno, de onde jamais poderia ser resgatado.
Uma nova centelha então acendeu no coração dos flagelados, denominada ódio, o antônima ao amor, e tão poderosa quanto o dito cujo. Essa nova fagulha os motivou a prosseguir ao estágio seguinte dessa história.
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