Espiral
15 Spa? Eu Posso Me Acostumar Com Isso...
Notas iniciais
E desculpem pela demora'
SPA? Eu Posso Me Acostumar Com Isso...
— Vai querer banho de lama senhora? – Perguntou a atendente do balcão a mim. Abri um sorriso e olhei no seu crachá o seu nome.
— Se você puder... Eu adoraria. – Falei de forma singela, eu não era muito educada, mas eu precisava ser cativante coisa que eu teria que aprender, e que melhor canto para treinar do que em um spa?
— Claro. – Falou me entregando um papel assinado, eu fui em direção ao banho de lama e fiquei a tarde inteira no lugar. Eu não queria ter medo, e como estava sozinha em uma das câmaras de banho, eu ficaria sozinha o suficiente para pensar no que faria.
Pensei em meus irmãos, em como eles pareciam crianças normais, pensei em todas as coisas que não aconteceram. Em todos os momentos em que eles mentiram por conveniência. Quando meus irmãos pareceram tatuados perto da barriga, eles tinham a mesma coisa uma lua minguante. Eu não entendia, mas eles simplesmente riam. E diziam que a lua era uma grande mãe que sempre nos protegeria.
Eu queria não imagina-los se tornando monstros, mas eu não conseguia, imaginava-os como o garoto que me salvou. De aparência aterrorizante, mas de coração puro e bom, diferente dos vampiros que tinham a aparência bela, e que o coração era sujo, na verdade imundo.
Pessoas bonitas tinham a capacidade de nos fazer presas por seus encantos. As vezes por magica ou por pura crueldade, pessoas que tinha o espirito ruim tinha a beleza como o seu ponto forte. O corpo devia mostrar o nosso estado interior, se fosse assim muitas pessoas consideradas feias seriam lindas, e pessoas consideradas lindas seriam feias.
— Posso ficar aqui com você? – Falou uma garota de voz doce, que eu reconheci como do Pernambuco. Ela tinha a pele morena, os olhos castanhos grandes e a boca rosada. Seus cabelos eram cacheados e ela tinha um jeito afro de colocar com o cabelo que a deixava exótica.
— Sem problema. – Falei quando ela entrou calmamente na banheira. Entrando dentro ela desatou a conversar.
— Eu fiz o mesmo pedido a varias garotas e elas se recusaram acredita? Esse spa está quase uma guerra de modelos. Todas falam com você sorrindo, mas você percebe que elas querem ver você levar um tom forte e acabar com a sua cara no chão. – Falou fazendo uma careta ela devia ter uns dezoito anos, não me preocuparia em falar com ela por horas bobagens.
— Então acho que devemos ter cuidado com os nossos rostos. – Falei entrando na brincadeira. Ela gargalhou, ela era aquele tipo de garota linda, que ainda por cima era divertida, aquela que faria você se jogar do penhasco para agradar.
— Prazer... Sou Monicque Avelar. Tenho 19 anos e sou de Pernambuco. – Falou estendendo a mão, aquele tipo de apresentação era um tipo de zombaria com o Cruore.
— Prazer, sou Suzan Carter, 16 anos, Ceara.
— As garotas do Ceara estão bem na delas. Eu não vi nenhuma falando alto, ou sei lá, brincando. – Comentou com tom de pergunta. Ela queria saber o que estava acontecendo com as meninas da nossa cidade. E como sempre um rostinho bonito, e um sorriso cativante.
— Não sei... Não estou prestando atenção nas outras garotas. – Falei mudando de assunto. Garotas fofoqueiras eram excluídas do projeto. Eles estariam nos observando agora? Eles sempre colocavam câmeras em algum dos lugares para filmarem as conversas que tivemos e o modo que reagimos.
— Você devia prestar mais atenção... Até parece que não quer ganhar. – Falou voltando a pegar mais lama e colocar por sobre o corpo. Eu não me importava muito, mas eu teria que passar para a próxima fase, isso me colocaria dentro do castelo em que eles ficariam por muito tempo.
Fiquei muito tempo sem falar, ela continuava tagarelando sobre roupas, sobre o modo de andar das baianas, sobre o cabelo das paulistas, sobre a altura da voz das cariocas. Eu viajavam sem prestar atenção no que ela estava fazendo. Ou falando. Tudo o que eu queria era um momento a sós, eu não deveria tê-la deixado entrar, afinal eu não teria sido a primeira.
Ela era legal, mas ela cansava as demais pessoas a sua volta com sua perfeição, e por alguns segundos pensei, ela é bonita demais, legal demais, está me tratando bem demais, e por mais que ninguém devesse ser descortês, nenhuma pessoa era amiga de outra nesse tipo de coisa.
Eu pensava na minha bolsa perto da cama no quarto que era apenas meu. O melhor do spa, era que ninguém ficava no mesmo quarto que você, e não tinha que ficar nos mesmos lugares que outras pessoas. O único problema é que não tinha como não estar no lugar em que elas estavam. As candidatas mais chamativas, sempre andavam com um grupo de amigas, perfeições que ninguém teria coragem de chegar perto.
Olhando-as, eu saberia facilmente decifrar que cidade, pelo modo que mexe no cabelo e dá um sorriso. Sempre mudando de formas para nunca parecerem entediantes, elas tinham o dom de prender qualquer pobre rapaz. Escutando as conversas eu temeria qualquer uma delas.
Forjadas para a perfeição, isso era uma certeza que eu tinha, lindas, e pelo modo que conversavam e dirigiam outras pessoas a fazerem o que queria, inteligentes e manipuladoras, porque não usariam isso para conseguir estar entre as finalistas? Essa habilidade, logo seria notada pela vampirona Aurora Êdor.
Tomara que eu não fosse muito notada. Eu não queria estar na lista negras daquelas garotas. Meu corpo estava tristemente apaixonado pelo prazer de não fazer nada e passar o dia tendo cuidados. Ninguém poderia negar, era incrível estar no spa, principalmente quando não se precisa pagar nada por isso.
Estudando o lugar, encontrei uma sala onde eu poderia facilmente ser esquecida. Ela tinha o chão de madeira o teto baixo, e almofadas por todo o lugar. Eu não queria fazer aquelas dietas que nos eram impostas, eu preferia ficar escondida pensando no que aconteceria se eu não conseguisse fazer o que deveria.
Decidi treinar o que eu tinha que fazer, eu colocaria as câmeras no spa, assim eu não precisaria ter tanto medo. Sai da sala indo pegar no meu quarto a minha pulseirinha vermelha, preta e azul. Eu nunca deveria tirar a preta, afinal eles sempre precisariam saber onde estou.
Isso seria um presente para os meus irmãos, todas as garotas mais lindas da cidade, poderiam ser vistas fazendo o que quisesse depois de apenas dois cliques. Cheguei perto de um homem ele devia ter por volta de quarenta e cinco anos, eu abri um pequeno sorriso e falei de forma doce e entristecida.
— Eu posso mexer no computador? – Ele me olhou e falou de forma calma, como se nem se importasse.
— Não é permitido que eu deixe nenhuma das garotas do mestiço mexer em computadores. – Falou olhando para mim. Meus olhos tremeram deixando se encher de agua, eu tinha que manipula-lo, eu não poderia deixar isso me empatar.
— Eu quero me despedir do meu irmão. Eu só tenho ele, meus pais morreram em um acidente de carro, eu só tenho ele. Por favor. – Uma lagrima desceu pelo meu olho, ele olhou para os lados e disse de forma complacente.
— Olha eu preciso pegar mais café, não faça nada de errado. – Ele se levantou e foi buscar café, quando olhei para a mesa notei que já tinha um copo cheio de café. Obrigado senhor. Falei virando e entrando no computador, abri o programa instalando no computador.
Precisava instalar o programa por completa, enquanto fazia isso abri o programa que estava no pen drive para falar com os meus irmãos. Olhando de um lado e de outro para o instalador, apareceu um tipo de msn muito antigo que ficou com um pequeno ponto verde, coloquei nele.
Estou testando os programas, vocês acabaram de ganhar de presente, as câmeras do spa onde estamos. Curtam a vontade.
Logo em seguida, estava terminando o instalador, ele ficou invisível, e eu recebi a mensagem em resposta.
Recebendo todas as imagens de segurança do spa, foi muito bom você ter testado o programa, esperamos que você consiga do castelo. Jack.
Aquela mensagem foi como um abraço forte, eu tinha que sair do lugar tirei o pen drive que instalava o visualizador, e depois eu tirava o msn dos lycans, eu sai da cadeira, quando o senhor estava chegando, olhei para ele e abriu um sorriso.
— Obrigado! – Falei saindo do lugar, eles teriam todas as câmeras de segurança, estavam olhando para nós agora. O senhor concordou com a cabeça e depois de alguns minutos eu tinha chegado no quarto, os quartos eram os únicos sem câmeras, mas eu não duvidava que aurora tivesse mandado instalar.
E por alguns segundos eu me arrepende de ter dado as câmeras do lugar onde estávamos, eles tinham que me deixar pelo menos trocar de roupa, meus irmãos não deixariam ninguém ficar me olhando trocar de roupa.
Divagando sobre como deveria ser e como é me peguei imaginando uma vida sem vampiros ou lobisomens, sem nunca haver essa luta, sem nunca precisar ser entregue ao Cruore, ou ter medo de virar vinho para os vampiros. Acho que sem ter medo ou preocupação com o futuro.
Eu queria que o único problema fosse que faculdade fazer, quem namorar, para onde sair com os amigos, sem me preocupar com a minha vida. Todos sabiam que olhar o passado, respondia as questões do futuro. Eu precisava entender que mesmo silenciosamente, eu participava de uma guerra, que precisava de espiões, e eu teria que ser isso.
Eles realizaram o meu sonho. Eu me lembro de falar que construiriam um lugar que abrigasse os Lycans, que os treinassem, que os deixassem mais forte, que ajudassem com a sua transformação, fazendo tudo parecer mais fácil. Que todas as cidades do Brasil teriam, que nos conseguiríamos fazer com que todos os lycans que ainda existissem lutassem.
Que eu lutaria pelo garoto que me salvou, que eu encontraria alguém em transformasse em Lycan para que juntos pudéssemos lutar contra todos eles. Eu seria uma lycan e protegeria todos os fracos e oprimidos. Não podem me culpar eu era uma criança e acreditava que heróis existissem.
Essa questão me fez pensar no que tinha acontecido a Maximiliano, ele tinha simplesmente desaparecido e ninguém amis ouviu. Será que ele foi morto. Mas se o mataram é obvio que eles quisessem expor seu corpo morto. Eu não acho que ele estivesse morto. Hoje em dia ele pode até estar morto, mas não seria possível que ele simplesmente quisesse desaparecer.
Ele devia ter um bom motivo para fugir, um que eu nunca poderia entender. Ele simplesmente deixou todos os amigos para trás o deixando para morrer. A tia Carol diz que ele foi um gênio, e que um grande filosofo e líder, mas ela também não mostrou uma das suas hipóteses sobre ele.
Todos os pontos só me lembravam vagamente das decisões, das lagrimas que derramaram por mim. Tudo para me proteger. Será que poderia realmente ser nós contra o mundo? Será que eu conseguiria vencer contra o mundo? Olhei para a janela avistando o sol as nuvens se formando varias imagens, um sentimento frio se apossou de mim.
Eu não tinha ninguém por mim. Eu estava sozinha naquele lugar. Sem amigas e sem nenhuma outra coisa. Por mais que minha família me amasse eles estavam longe demais. Aquele lugar não me deixava mais nova, e sim mais desumana. Mais parecida com eles.
Peguei meu mp3 e fiquei ouvindo musica. Algumas musicas calmas demais, quase tristes. Até que se iniciou uma musica antiga, muito antiga que falava sobre o mundo ser tomado por monstro.
Não me importava com muitas coisas. Mas estar sozinha, em lugar onde provavelmente eu me transformasse, ou fosse morta, não era uma boa ideia. Pensando nisso, imaginei como seria se eu tivesse aceitado o pedido de Ivan. Hoje eu não estaria aqui, estaria provavelmente na minha lua de mel, e por mais que Ivan fosse lindo eu não conseguia imaginar a cena.
Eu não me sentia completa perto dele. Eu não saberia identificar amor de gostar, e isso eu nunca me perdoaria. Isso não teria haver com a felicidade dele, e sim com a minha, que nunca seria plenamente feliz com ele.
Os dias logo após foram com um único intuito, deixar as moças lindas e cada vez mais parecidas umas com as outras. O que era difícil para pessoas normais como eu.
Notas finais
Eu só vou saber se vocês comentarem, então não se esqueçam de mim...
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