Esperar-te-ei
1 Capítulo 1, Esperança
Notas iniciais
Na época, ele era só um menino, não tão diferente, nem mau ou bom. Seu olhar sempre distante e impaciente aos olhos dos colegas distantes. Emett saberia responder aos outros se esta não fosse uma questão sigilosa e, uma vez que se guardaste um segredo, tampouco poderia contá-lo aos estranhos curiosos. Seu amigo lhe confiou a vida ao contar-lhe do desaparecimento de seu irmão com tantos detalhes, além de também deixar evidente seu desejo de buscar quem o pegara, sendo que já soubeste quem fora, só lhe faltava morrer.
O jovem amigo não se deixava enganar pela maldade nos olhos claros do outro, pois já o conhecia há muitos anos para deixar-se magoar apenas por ele querer proteger teu único irmão e guardião. Podia ter um coração valente e bom, porém a vermelhidão que lhe percorre não seria apenas do sangue rubro, mas também, do amor inocente que se escondia por trás do sorriso quase inerte. Desde o saber sobre a paixão secreta dos dois irmãos, tem andado estranho e aparentava receio ou angústia à visão dos alunos.
Por todas as tardes, deitaste no gramado do velho jardim, sentia as folhas caindo e percorrendo por teu rosto ingênuo. Sem notar, lagrimas começaram a marcá-lo mesmo com seu sorriso maravilhoso rasgando o rosto e machucando os molares. Sentia falta daqueles dias. . . Não acreditava estar perdendo seu tempo sozinho quando poderia estar com Johan, o abraçando e flertando sem perceber. O coração doía só de pensar que o perderia por seu irmão mais velho, mais bonito, mais sábio. Teu sorriso fora se desmanchando amargamente e lentamente, o angustiando ainda mais.
Uma voz aproximava e não pôde esconder. Limpou o rosto se sentando nas folhas avermelhadas com um belo sorriso coloquial, saudando aquele por qual chorava.
– O que faz aqui? – Perguntou entre risos, juntando-se a Emett com um cruzar de pernas e braços.
– Apenas contemplando. – Riu sem jeito e observou o céu. Seu degradê era simplesmente insaciável ao olhar, eternamente bonito, romântico e que logo iria se desfazer para o sol poder morrer.
– É mesmo bonito, não? – Por um singelo momento se esquecera do real motivo que estava ali com seu melhor amigo. – Tudo bem, já chega. Vim para pedir-te uma ajuda com minha busca, sei quem foi e podes fazer um grande milagre por mim. – Sorriu caloroso e Emett derreteu-se como um froyo iogurt após muito tempo fora do freezer, cedendo ao amigo.
. . .
A noite correu-se fria e amedrontadora. O menino mal pudera dormir direito apenas pela proposta estar remoendo sua cabeça a noite inteira, logo se renovaria o sol e ao final do dia, cometeria o maior pecado de sua vida. As lágrimas lhe escapavam em um pedido mudo de licença, acabando por perceber que teria de fugir para proteger a mente frágil de seu querido amigo.
Correu e correu por toda a madrugada com uma grande mochila nas costas sem olhar para trás. O vento de liberdade pareceu tocar-te como o algodão de algumas de suas roupas tecidas por sua mãe. Quando pensou não haver mais com o que se preocupar, um grande cavalo descontrolado o atropelou sem mistério ou esperar seu último alarmar antes de se tornar a perda de suas pessoas queridas.
No hospital, a dor corrompia a todos os presentes que o amavam, pois se impregnava de forma tão sigilosa que os deleitava e viciava, tornando-se forte o bastante para que não percebessem o mais importante: ele ainda vivia com ajuda dos aparelhos, apenas o corresponder que lhe adocicaria naquele momento tão difícil.
No mesmo instante que Johan chorava ao lado do quase irmão, alguém muito especial para este retornou do oeste magicamente por um acaso. Fora ele quem estaria montando o cavalo que acertara Emett em um breve piscar, mas que, milagrosamente, não o matou por pouco. Era seu pai, que mudou-se para o velho Oeste há anos em busca de um sonho, deixando sua esposa e filho amado, porém que jamais foram esquecidos. Era terrível ver seu menino daquele modo. . . Seu coração estava frágil, os ossos de suas pernas dilacerados e seu tórax maculado. O pescoço completamente quebrado, o que o tornou tetraplégico.
Os médicos explicaram como mortos que o procedimento até o menor poder sair seria lento e preocupante já que a maioria dos ossos do rapaz estavam naquele estado apavorante. O garoto ficaria em coma por pelo menos sete meses e quase não havia esperança.
Johan sentia-se culpado e duas dores foram se cicatrizando em seu peito ao perceber o que estava havendo. Ele havia enlouquecido. Nunca houve um irmão e Emett sabia disso, apenas não queria ferir os sentimentos do amigo, o que o fez pensar que, quando finalmente estava tomando juízo, sua mente lhe criou um falso acontecimento que fora o súbito desaparecimento deste, onde vira um ser iluminado, e ao mesmo tempo entre as sombras, sumir janela à fora do quarto do irmão. Era Emett na verdade, querendo desfazer-se do transe de Johan, para tê-lo enfim. Entretanto, quando viu que algo não estava certo e seu amigo ia lhe contar toda a vez como mataria o sequestrador, temia o pior para tua pessoa e ingenuidade, que seria envolvida pela morte após cumprir a proposta dada pelo teu amado, assim fugindo.
Demoraria alguns dias até Johan processar tudo e perceber que seu amor não estava nem um pouco longe de si, muito pelo contrário. Talvez a imagem de um irmão tenha se formado por realmente ter perdido um há alguns meses, por uma doença rara que deixara tua pele inteiramente em carne viva, o que o machucou tanto que acabou morrendo enfim. Só por recordar já lhe apertava. Como podia ter se esquecido de algo tão marcante assim que acontecera com alguém muito especial? Já sem forças com tantas coisas a resolver, sentou-se ao pé do mais velho, deitando a seu lado com cautela e segurando sua mão fortemente enquanto as lágrimas rolavam livres por teu rosto agora sóbrio. Todos presentes já dormiam tranquilos um pouco antes de deitar-se com o moreno. Modestamente, o sussurrou Não te preocupas que nunca estará sozinho dependendo de mim. Agora que sei o que passava, amo-te ainda mais e, sempre o protegerei. Beijou-te ternamente, receando que sempre o ajudaria e esperaria dali por diante.
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