Esperança X Vingança
6 Capítulo seis - Perto da Verdade
Notas iniciais
Alan
– Ela chega a algumas horas! – Avisou Ana passando pelo quarto com a porta entre aberta.
Assobiei vendo as belas pernas dela no mini vestido que ela usava. Chegando mais perto de mim com um sorriso safado, levantei a puxando pela cintura e jogando na minha cama, passei a mão por seu bumbum e segui por todo seu corpo. Ela mordeu o lábio inferior. Deitei ao seu lado beijando seu pescoço.
– Qual quarto ela vai ficar?
– 5b! – disse antes de gemer ao meu toque.
– Aqui não, lá!
– Seu pai não me informou. Por que está tão interessado? – ela se sentou na cama se livrando das minhas mãos.
– só estou com saudades do papai. Quero ir com vocês. – sussurrei em seu ouvido, mordendo em seguida.
– não tenho permissão. – respondeu fechando os olhos.
Desci uma das minhas mãos.
– quero fazer uma surpresinha.
– Não sei se devo. – Pressionei minha mão e ela gemeu.
– Ele vai ficar feliz...
Beijei seus lábios demostrando vontade, e ela apertou minha mão a tirando de cima dela.
– Tudo bem, preciso preparar a viagem. – com um sorrisinho malicioso ela ajeitou o vestido. – precisamos terminar isso.
Ela saiu rebolando, jogando um beijo para mim, sorri para ela.
– vadia. – sorri quando ela já havia saído.
Consegui o que eu queria, e nem precisei me esforçar. Peguei a mala pronta embaixo da cama, como sempre eu conseguia!
Um novo/velho desafio vinha por aí e esse eu não ia nem desistir, por nada nesse mundo qualquer coisa para conquistar meu novo desafio...
Lá pras 6h da manha, ouvi a campainha tocar. Havia começado, ela havia chegado! Wendy Parker.
Wendy
– Wendy? – Ana chamou meu nome. – precisamos ir. Já se sente melhor?
“Claro, as ultimas horas da minha vida foram tão normais que me sinto muito melhor só por que você perguntou” pensei a fuzilando com o olhar.
– sim, estou! – falei erguendo o olhar.
– pode ficar na janela se quiser, não quero que vomite em meus sapatos.
Havíamos parado a 20 min, eu odiava parecer frágil na frente das pessoas, e estava ali invalida, pálida e prestes a desmaiar.
– Wendy quanto tempo faz que você não come? – Ana perguntou.
– um dia e meio, por aí.
– nosso voô vai atrasar. – ela olhou o relógio.
– Se ela desmaiar talvez não viaje. – rebateu Alam com um sorrisinho.
– entrem no carro, agora! – Ela ordenou. – Alam vá na frente!
– Venha Wendy! – Alan me chamou. – Você precisa experimentar meus ovos com bacon.
Eu até podia negar, mas o sorriso dele e o tom de provocação e desafio me convenceram o segui caminhando atrás dele de volta para o palácio que estava a alguns metros. Ouvi Ana bufar, Alam começou a correr, virou de costas me convidando a correr, balancei a cabeça e o alcancei.
– como consegue correr com esse salto?
– fazem parte de mim. – disse irônica. – não sei se aguento correr até o palácio, e não sei se devo desobedecer Ana.
– aqui você quem manda! Não percebeu isso?
O carro preto nos seguiu até parar diante de nós.
– entrem no carro. Vai ser mais rápido assim.
Alan me olhou como se disse “eu disse”. Entrei no carro. Uma hora e meia depois eu havia comido os ovos com bacon que Alan preparara, e estava no carro, na janela. Quando chegamos no aeroporto quase deserto, minha cabeça estava um turbilhão não conseguia decifrar o que uma voz robótica dizia, enquanto minha cabeça estava uma bagunça.
Segui Ana o tempo inteiro, em questão de minutos estava sentada em uma poltrona de um jatinho voando para Augusta, capital do Estado. Senti um frio na barriga quando o avião levantou do chão, mas o que era aquilo quando você não sabia que rumo sua vida estava tomando.
Adormeci durante o voô cansada demais por toda essa correria fazia quase dois dias que eu não dormia. Quando acordei, Ana me sacudia de leve sussurrando que havia chegado. Cocei os olhos e olhei pela janela, já era de madrugada. Alan que assim como eu tinha dormido abriu um sorrisinho e cantarolou:
– Estou de volta...
Algo me dizia que ele não deveria estar ali. Ele pegou na minha mão antes de sairmos do avião e colocou entre seus braços.
– Me solta. – tentei me soltar, mas ele era forte. – posso quebrar seu braço.
– tenho certeza que não gostaria de fazer isso! Meu pai gostaria de me ter inteiro ainda quando me ver.
Senti aquilo como uma ameaça e tive certeza quando ele me olhou. Se eu não fizesse o que ele quisesse o pai dele poderia fazer algo contra mim ou contra alguém que eu gostava. Soltei o ar e andei ao lado dele. O aeroporto não era bem um aeroporto, era apenas uma pista de pouso. Então entendi tudo, aquela era a pista própria do palácio.
– o chão da pista não é muito nivelado! – explicou Alan.
Descemos as escadas e um carro nos encontrava a alguns metros do avião. Duvidava muito que precisasse estar apoiada em Alan, até tropeçar em uma das pedras e ele me segurar, olhei feio para ele que ficou rindo da minha cara.
O carro fez o contorno e voltou por uma estrada de terra, até virar asfalto e as maravilhas começavam a aparecer, uma campina com rosas, rosas brancas, vermelhas, tulipas brancas, peônias brancas e girassóis. Mas para frente só a grama, então o palácio. Digno de contos de fadas. Era realmente um palácio com torres.
– nossa! – exclamei sem querer.
– agora terá sua torre, Princesa! – disse Alan estendendo a mão para me ajudar a sair do carro.
– me trouxeram até aqui para me prender? Por que não me mataram antes de fazer essa viagem toda.
– Não teria graça. – ele disse rindo.
Um homem alto com os cabelos grisalhos, magro, de pele branca igual a minha, vestia um terno e segurava rosas na frente do terno enquanto esperava que caminhássemos. Ele olhou para Alan com um ar de desaprovação.
– Alan? – ele repreendeu ao chegarmos perto. Ao olhar para mim pigarreou e sorriu. – Senhorita Parker...
– Wendy. – o interrompi.
– Sou Mark Jeff.
– Sei quem você é! – ele sorriu e me entregou as flores. – Obrigada, mas por que estou aqui? O que vai acontecer com o orfanato?
– Calma! Resolveremos tudo isso mais outra hora...
– Mas e o orfanato? – o interrompi novamente o que fez Alan rir.
– permanecerá como você conhece. Mas depois conversaremos. – Ele sorriu e apontou para a porta de vidro – Vamos entrar. – O segui para dentro da casa onde uma mulher de cabelos cacheados loiros, de olhos verdes, vestindo saia até o joelho e uma blusa mais folgada estava esperando sorridente até ver Alan.
– Alan? – ela quase cuspiu o nome dele.
– Mamãe! Senti a sua falta. – ele disse sarcástico sorrindo para ela enquanto abria os braços envolvendo a mãe.
– O que você faz aqui? – perguntou.
– Martha deixe os assuntos familiares para depois. – Mark repreendeu a esposa.
– por que se ela também... – Alan começou, mas seu pai interrompeu.
– Martha mostre o quarto para Wendy.
Duas empregadas pouco mais velhas do que eu, me seguiram enquanto Martha pegava no meu braço livre estranhamente amigável.
– Como se sente?
– estou bem. – respondi.
– Descanse. Mas tarde de uma volta pela casa, só cuidado para não se perde. – ela deu uma risadinha. – a casa é um pouco grande. As empregadas estão a sua disposição.
– está bem.
Subimos as escadas que era em uma pedra branca, com corrimões de ouro, lembrei-me das escadas de latão do orfanato, injustiça era lei para aquele homem que eu acabara de cumprimentar. O chão do corredor que seguimos era da mesma pedra branca das escadas, parecia geladas. O som do salto da minha bota soou alto pela imensidão daquela mansão.
Ela parou diante de uma porta dupla depois de passarmos por varias idênticas, e me entregou uma chave, enfiei na porta e a abri. O quarto era maior que tudo, e era lindo, tentei me desencantar e voltei com as perguntas na minha cabeça. Até olhar para o canto do quarto e ver uma poltrona rosa com o meu nome bordado.
– o... o – arregalei os olhos e apontei. – como veio parar aqui? – consegui dizer.
Lembrei de quando eu tinha 5 anos de idade, e meu pai levou aquela poltrona que era muito grande para mim na época.
– achamos que você fosse gostar. – ela sorriu e seguiu para o corredor.
A porta se fechou quando as empregadas saíram, e eu cai sobre os joelhos chorando, eu estava na casa das pessoas que mataram meus pais, eu não sabia o que estava fazendo ali, não sabia o que queriam comigo.
Ouvi alguns ruídos do lado de fora, parecendo gritos. Então passos se aproximarão da porta até que ela rangeu e se abriu. Assustada olhei rápido e já fui me levantando em defesa. Mas quando vi o cabelo preto de Alan e recuei quase tropeçando na cama, ele estendeu a mão na frente do corpo.
– calma princesa. – chegou mais perto. – não vou machucar você.
– não mesmo. Não vou deixar, não chega perto de mim.
– Princesa! Não precisa sempre estar em modo de defesa. – Olhei para ele que estava com sorriso sincero. – Calma, não quero seu mal.
Ele olhou para o quarto e focou num canto, segui seu olhar e vi uma câmera. Estávamos sendo observados. Eles estavam vendo minha fraqueza e reação àquela lembrança. Alan apontou a porta com a cabeça. Eu já estava ferrada mesmo, o que adiantaria? Ele abriu a porta e a segurou com o braço para que eu passasse causando um contado de nossas peles. Evitei seu olhar, não só pelo fato de o meu estar cheio de lagrimas, mas aqueles olhos dele me incomodavam. Ele seguiu na minha frente pelo corredor, segui ele, passamos por portas espaçadas entre elas, subimos um lance de escadas, igual o que levava até o primeiro andar, no fim do corredor do segundo havia outro lance de escadas um pouco menor, e fizemos o mesmo caminho até uma porta no fim do corredor do terceiro andar, Alan a abriu, mostrando uma dispensa cheia de vassouras e produtos de limpeza, era um quartinho médio, cheio de produtos diretamente relacionados a manutenção.
Alan entrou no quartinho enquanto eu o seguia, tateando a parede, ele abriu uma porta que teria passado desapercebida se ele não tivesse focado em abri-la. Uma escada pequena estreita ficava bem atrás. O segui que tateou a parede acendendo luzes que fez as paredes brancas de iluminarem e uma entrada bem a cima. Ele correu pelos degraus a minha frente como se fosse encontrar algo que não via a séculos. Subi atrás dele que parou na entrada e olhou o lugar.
Um sótão espaçoso, com janelas pequeninhas com visão para a floresta. Uma mesinha cheia de papéis, uma cadeira embaixo dela. Uma cama de solteiro com lençóis brancos, encostada do lado esquerda, uma estante cheia de livros. Tudo na cor branca. Ele suspirou fundo e abriu os braços.
– Que saudades desse lugar. – ele se sentou na cama.
– É seu quarto?
– não. – ele riu. – Bom quando estou aqui passo a maior pa
parte do meu tempo aqui, então digamos que na pratica sim. Mas vou te emprestar esse lugar, aqui não tem câmeras, pode chorar, pode gritar, que ninguém vai te escutar. Pode planejar um plano de vingança...
– Por que estou aqui? – perguntei o interrompendo.
– Por que aqui é o seu lugar.
– Não, meu lugar é no orfanato ajudando aquelas crianças. – Apontei o dedo para ele. – Não aqui, brincando de ser rica.
– Wendy...
– me chame de Will. – Interrompi.
Ele sorriu e se levantou com as mãos no bolso da sua calça, chegando bem perto, não recuei para não parecer intimidada.
– Wendy! Aqui você é capaz de mudar as coisas! – Ele olhou ao nosso lado. – como se destrói algo indestrutível? Aqui dentro você é mais forte do que lá fora.
– Por que me trouxeram para cá?
Ele bufou e apontou para os papeis e para os livros.
– Aqueles papeis contam sua historia e de outras crianças, os livros a historia desse país. Essa é sua torre Princesa, faça suas descobertas. – ele chegou mais perto e antes que eu pudesse impedir me deu um beijo na bochecha. – Não demore muito tempo, logo minha mãe vai atrás de você.
Antes que ele pudesse sair peguei em seu braço.
– Eu não entendo...
Ele respirou fundo.
– Wendy, naqueles livros, tem tudo que você quer saber. Se quando você ler e mesmo assim não entender o porque, eu vou estar aqui pra tentar responder todas as suas perguntas. – ele apontou para estante, comece de cima para baixo.
Então ele saiu me deixando sozinha com aquelas informações. Minha vida já era uma loucura, mas agora estava num ápice extremo de loucura. Peguei o primeiro livro de baixo para cima, ele era grosso, e tinha como titulo “Antigo Regime”. Sentei no chão de carpete e abri o livro, folheando ele, e vi muitas fotos e artigos.
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