Esperança X Vingança
3 Capítulo Três- Por que eu?
Notas iniciais
Seguimos George até um galpão atrás do muro que cercava onde costumávamos treinar. George acendeu as luzes que iluminaram veículos diferenciados e ao mesmo tempo sofisticados. Os nossos olhos brilharam ao ver aquilo.
– Meus filhos estão de volta a casa de vocês achamos que merecem um presentinho. – Clarice mostrou a chaves. – são de vocês.
Meio que sem entender olhamos para as chaves até Tom agarrar uma chave e segui para um conversível branco no final do galpão. Parecia que cada um já sabia qual era de qual, peguei a chave da moto que estava próxima. Minha cara o vermelho reluzente dela.
– Isso é um incentivo. Vocês agem hoje a noite.
– Como? – retrucou Alice. – não.
– sim.
Abri o tampo da moto e encontrei uma COLT 1911 e uma 12 bem encaixadas abaixo do coro do assento, sorri e tirei a 1911 colocando no cos da calça cobrindo com a jaqueta. George sorriu e abriu um compartimento do carro de Miller tirando cartuchos de munição e me entregando.
– Acho que vai ser mais útil na sua mão.
George nos mostrou para onde ir e onde esperar tudo acontecer. Alice ficaria em um café até as 2h da noite e nos estrategicamente posicionados para a captura de um dos capachos que estariam atrás dela que era o meu principal objetivo.
A 1h eu estava estacionada na avenida principal da praia, desci da moto e entrei no café que Alice estaria em alguns momentos, sentei num reservado e pedi um café preto que chegou minutos depois junto com Alice que sentou algumas mesas a minha frente. Um pouco insegura no seu jeito de andar, talvez um problema para toda a ação.
Fingi ler um folheto que estava em cima da mesa quando ouvi a porta bater, infelizmente a porta contraria. Não virei a cabeça para olhar, mas me assustei quando um homem com uma blusa de flanela se sentou a minha frente, sorrindo e mascando um chiclete.
– Não ache que somos burro. Levante e ande contra a porta. – disse ainda sorrindo.
– do que está falando?
– Faça o que eu estou mandando se não quiser sua amiga morta agora.
– que amiga? – a indiferença na minha voz fez ele rir.
– a loirinha que você está protegendo.
– acho que você está louco. – ri um pouco para disfarçar e continuei a ler o folheto até ele agarrar meu braço.
– está vendo ali fora? – ele apontou para vários carros pretos estacionados na calçada. – não tem como escapar. Levanta.
Levantei e virei de costas andando devagar até a porta onde ele pegou meu braço e guiou até o lado de fora do estabelecimento. Olhei para dentro e Alice me olhava apavorada, apenas virei para rua fiz o que o homem mandava.
– pegue sua moto e siga o primeiro carro estarei bem atrás de você. Não faça nada imprudente e todos ficaram bem.
Assenti e coloquei o capacete, montei na moto. Um plano estava se formando na minha cabeça, eu estava na moto e eles no carro, o meu medo era o que eles poderiam fazer com Alice ou com os outros. Olhei para a praia e longe avistei Tom, com medo que o percebessem foquei nos carros.
Dei partida na moto e segui o carro da frente, eram quatro carros, apenas dois me guiavam. Tinham ficado com Alice, eu não podia deixar isso assim, era minha chance dei meia volta nos carros e acelerei muito, até estar de volta ao café, eles haviam pegado Alice e estavam colocando ela no carro. Joguei a moto longe e peguei a arma no cós da minha calça. Os carros que me acompanhavam chegaram até nós. Assim que colocaram Alice no carro empurrei o homem que a colocara que tentou lutar comigo, mas fracassou porque dei um chute no meio das suas pernas.
Assumi a direção do carro, com um dos homens no banco do passageiro tentando me parar. Com uma mão no volante outra na arma ameacei atirar. Alice gritou.
– Alice faz alguma coisa– gritei tentando tomar a direção do carro.
Alice ficou paralisada e eu acertei a arma na parte de trás do pescoço do homem o fazendo desmaiar. Abri o vidro traseiro e mirei nos pneus dos carros a minha frente, mas eles atiraram contra o carro, que por sorte era blindado.
– Alice, me ajuda! – gritei.
Ela pegou o celular e ligou para alguém chorando.
– Tom, me ajude. – ela chorava.
– Tom os pare e eu cuido do resto. – gritei
Enquanto atiravam contra o carro tentando acertar o pneu eu abri o vidro e coloquei a arma novamente para fora, perdendo um pouco o controle do carro quando uma bala atingiu o retrovisor. O carro de Michel apareceu na esquina e começou a atirar contra os outros carros, sem muito sucesso.
Em uma curva uma bala me atingiu e eu agonizei de dor soltando o volante. Alice gritou no banco de trás.
– Cala a boca e me ajuda.
Os carros pretos foram parando seguidos dos sons dos tiros, Michel tinha conseguido atingir os pneus. Mas eles continuaram atrás do carro tentando atingir o nosso pneu. Com muita dor consegui acelerar em linha reta até o final da rua da praia onde não aguentei mais de dor e parei.
Olhei para trás e somente um carro vinha em nossa direção sorte ser Dave. Ele me ajudou a sair do carro, coloquei a mão em minha barriga para tentar parar a dor.
– aí – reclamei.
– acho que você já perdeu muito sangue, eles estão atrás de nós não podemos continuar com você assim.
– Não, vocês não podem desistir por minha causa.
– Nos perdemos no momento em que ele abordou você ao invés de Alice.
Tom parou o conversível branco bruscamente na frente do carro preto que havia roubado e saltou correndo em minha direção.
– Tudo bem, Dave os planos mudaram, vocês tentam para-los eu levo os três para o local combinado encontro vocês lá.
– precisa de ajuda.
Eles colocaram rapidamente o homem no porta-malas e me fizeram ficar quieta no banco de trás enquanto Alice ia ao lado de Tom no banco do passageiro. Eu tentava estancar o sangue com a minha mão, mas parecia que cada vez a bala que estava um pouco a baixo cravava ainda mais. A dor oscilava tanto que comecei a soar frio, gritei algumas vezes quando era insuportável.
Em alguns momentos senti o carro se movimentando mais rápido, ouvi tiros atrás de tiros, Alice chorava novamente e pequenos flashes de alucinações passando por minha visão. Acho que estávamos sendo perseguidos.
Tom xingava enquanto pisava no acelerador. O carro passou reto pelo lugar que havíamos marcado de parar, talvez Tom tivesse outro plano. Lembrei-me dos estoques de armas que todos os veículos possuíam, e tateei a porta atrás de um, encontrei um simples revolver mais que poderia ajudar. Abri um pouco o vidro quando consegui me sentar então com o revolver para fora foquei os pneus do carro.
– Wendy não! Eles vão acerta-la. – Tom gritou.
Tossi um pouco então dei o primeiro tiro, errei. Eles atiraram de volta e Tom desviou o carro. Tossi mais uma vez, sangue dessa vez e mais um tiro que foi em cheio do para brisa do carro fazendo o carro perder o controle e bater em uma arvore.
Minha tosse só piorava, sangue e mais sangue saiam de mim. Eu tentava ao máximo permanecer lucida para não ser um problema maior. O carro parou e reconheci o lugar em que eu cresci, Tom desceu do carro abriu a porta traseira e tentou me ajudar a sair. Alice apenas olhava sem se mexer ou fazer nada para ajudar.
Ele me ergueu em seus braços sem nenhuma dificuldade e correu para o local do refeitório que parecia diferente naquele momento talvez mais escuro. Frank o nosso treinador de tiro e também enfermeiro indicou uma mesa onde costumávamos almoçar ao invés de tratar feridos. Com cuidado Tom me colocou na mesa.
– conseguimos um dos homens ele está no porta-malas.
Lembro de ter ouvido chamarem o Sr. Foster um zelador e depois a dor me consumiu. Enquanto eu soava frio e gritava Frank sem dó procurava a bala com uma pinça que talvez servisse para outros tipos de serviço.
Em algum momento senti alguém apertar a minha mão, então finalmente senti como se pudesse descansar, alguém em quem eu confiava apertava minha mão em um gesto de que tudo ficaria bem. Então consegui dormir.
Quando acordei estava em uma das camas do antigo quarto onde eu dormia todas as noites. Tom estava com a cabeça abaixada num sono lento e profundo enquanto segurava minha mão. Tentei me mexer e todo o meu corpo gemeu em alerta de que algo estava errado.
Lembrei da noite anterior, do tiro, das perseguições e mais precisamente da dor. Tom acordou e apertou minha mão.
– o que aconteceu?
– você levou um tiro.
– não me diga. Falo em relação aos outros.
– não pense nisso agora.
– ou é nisso ou na dor. Por favor, me diga.
– Dave matou dois deles. Ele está arrasado, os noticiários não falaram nada, mas estão atrás de nós, mas precisamente de você. Estamos tentando descobrir por que.
– pensei que estivessem atrás de Alice.
– eles estão, mas ela não tem tanta importância como você. Isso foi tudo que conseguimos tirar do homem que você conseguiu imobilizar.
– onde ele está?
– no galpão.
– quero vê-lo.
Tentei me levantas, mas a dor horrível tomou conta to meu corpo.
– Não! Hoje não, volte a dormir.
– Já dormi o suficiente.
Ele passou a mão por meu cabelo até ajeitar um mexa atrás da orelha.
– Wendy não seja teimosa, ele não vai sair de Lá.
Subitamente comecei a chorar o que era raro. Ele secou minhas lágrimas e passou a mão por meus cabelos.
– Eu fracassei. Eu fracassei Tom. Desculpa!
– Ei! – ele sentou na cama com cuidado. – não diga isso. Foi incrível como você lutou até o final, você não desistiu em nenhum segundo. Isso é admirável! Não diga que fracassou, Wendy Parker não fracassa.
Encostei minha cabeça em seu ombro e chorei até cair no sono novamente. Dessa vez não consegui dormir tão levemente alguma coisa me perturbava. Acordei e já era manhã, não sei de que dia o quarto para três pessoas estava vazio se não fosse por mim. Me apoiei nas mãos sentindo muita dor ainda, mas consegui me arrastar até a beirada da cama e aos poucos estava de pé com a mão no curativo na minha barriga.
Encontrei minhas roupas lavadas sobre outra cama, olhei para mim apenas nas roupas intimas e fiquei constrangida quando lembrei da presença de Tom algum tempo depois. Com dificuldade vesti minhas roupas até mesmo o pequeno canivete no cano da bota. Soltei meu cabelo que parecia bem cuidado olhando no espelho então segurando nas paredes consegui descer as estreitas escadas em que já havia caído muitas vezes.
– Meu Deus! Will! – gritou Michel passando meu braço ligeiramente por seu pescoço.
– estou bem! Me leve até o galpão.
– Não! Irei te levar de volta ao quarto.
– ficar deitada está me deixando deprimida. Me leve até o balanço então.
Ele passou a mão por minha cintura e me ajudou a caminhas até o balanço.
– a quantos dias estou assim?
– já faz três dias.
– o que descobriram?
– nada que você já não saiba.
– preciso falar com aquele homem.
– Não hoje. – disse Frank. – Você está de recuperação. Michel como pode trazer ela pra cá, não tem juízo? Me ajude a leva-la lá para cima.
Enquanto caminhava pelo gramado uma tontura tomou conta do meu corpo e eu perdi os sentidos apenas vendo o negro e caindo nos braços de alguém.
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