Caminhamos pela calçada perto da praia. Nunca andei tão perto assim de um garoto. Não sei porque estou nervosa. Afinal, Dona Susana é simpática , e fala bastante sobre ele . Mesmo assim, ela tem uma aura meio esquisita, já vi isto uma vez , a pessoa não é em si um humano, passa a mão pelos objetos e só uma pessoa consegue ver . Esquizofrenia. Nunca vi isso como um problema.

— Sua mãe... ela é... — digo , num tom meio esquisito.

— Como você vê minha mãe ? Ou melhor como consegue se comunicar com ela ?

Ele sabe que a mãe não existe ? Então, já é meio complicado .

— Me diga que estou dormindo , eu não aguento mais isso !! Eu estou ficando maluco , não é ? Você também não existe ??- ele grita , fico nervosa com tudo isso . Como eu posso explicar pra ele ?

— Castiel , por favor se acalma . Eu posso tentar falar com você .

— Nada disso ! Como posso saber que você existe ?

Relaxa, ele pode ser idiota, mas vai ser o seu único amigo humano. Movimento rapidamente meus dedos indicadores para a testa dele . Ele fica com uma expressão mais calma, mas ainda está confuso .

—Você não é louco. — coloco as mãos em sua nuca. — Você não está louco Castiel ! É a pessoa mais sã que eu já vi em toda minha vida ! Me escuta, olha pra mim !

Ele olha pra mim como um cachorrinho molhado, e um pouco envergonhado.

— Eu existo ! Posso ser uma pessoa extremamente chata as vezes , mas EU EXISTO !

— Como consegue falar com minha mãe ? Ela eu tenho certeza de que não existe, afinal ,ela passa pelas paredes .

— É algo mais do que complicado de explicar .

Abro minha mochila e pego o pote cheio de gengibre de dentro. Nem pergunto se ele quer, pego um gomo e enfio na boca dele. No começo ele faz uma careta , depois se acostumou com o gosto amargo .

— Algum problema ?

— Não, é que eu não ando com pessoas.

— Então, com quem você anda ?

— Com ninguém.

— Você fica muito em casa.

— Sim.

— Sua mãe...

— MORTA.

— Hã ?

— Morta. Está morta .

— Nossa. Eh, quer falar sobre isso ?

— NÃO !! — digo numa voz tão horripilante que até eu me assusto .

Ele congela e olha pra mim de boca aberta . Me sinto envergonhada. E com raiva. Uma garota fresca passa ao meu lado e me empurra . Vai ser ela mesmo ! Ela estava com uma blusa verde e uma saia de cintura alta rosa .

— Quer ver uma coisa legal ?

— Tudo bem !

O sol estava muito quente , nenhuma brisa fraca estava prevista pra hoje . Meu plano era perfeito !

— Então vem !

Estávamos a alguns centímetros de distância da garota , ela andava distraída, com aquele rebolado enjoado .

— Para. — digo. Forço uma pequena brisa para a saia da garota , a saia se dobra . Coloco as mãos à frente e me concentro . Uma brisa vira um vento que se contorce perto das pernas da garota . Isso ! A saia dela se levanta o bastante pra se ver ...

Rimos histericamente .

— O que vocês estão olhando ?

Um cara forte aparece ao lado da garota.

Começamos a correr e o homem atrás nos seguindo. Chegamos em casa antes de sermos pegos .

— Cara , isso foi muito louco !!! Como fez aquilo ?

— Eu deduzi que iria ventar um pouco .

— Nem vem com essa ! Eu sei que foi você . Foi muito massa ! Você viu quantos quarteirões nós dois andamos fugindo daquele cara ? Foi SHOW !!