Esperança

1 Capítulo único


Notas iniciais
Esta história é atemporal, paralela a como os fatos realmente aconteceram.


_ Esperança

O tempo é o remédio para tudo_ Frase muito usada pela humanidade. Humanos. É tudo tão simples para eles: o tempo, a vida, o amor, o ódio, a morte. Possuem o privilégio de morrer se quiserem, e ainda esquecerem, querendo ou não.

Sessenta anos se passaram e eu, desprovido de qualquer humanidade, lembro de cada momento de minha existência: cada momento vazio antes dela, cada segundo maravilhoso com ela e cada milésimo de tortura sem ela. Sem ela. Essas palavras agora tinham outro sentido. Pois ainda que eu estivesse do outro lado do mundo eu sabia que ela estava segura e feliz com seu marido. Quem diria... Um lobo, descendente de Ephraim Black; sempre ao seu lado. Meu mundo era um pouco melhor sabendo que Bella existia, ainda que fosse uma eternidade de dor por sua ausência.

Se eu tivesse tido coragem de lhe implorar perdão por deixá-la, teria eu a salvo da crueldade dos anos? Despedido-me anos atrás, nas vezes em que de longe a vigiei, quando o tempo ainda não havia exercido grandes mudanças? Se minha família houvesse retornado míseros dois anos antes, eu a teria visto e sentido seu cheiro uma vez mais, ainda que jamais tenha esquecido um traço sequer de seu rosto, e seu aroma apelativo jamais tenha me deixado.

A dor de décadas isolado de minha família e de ser consumido pela falta dela não fora nada comparado a estar diante de seu túmulo. Túmulo este que tem como companhia outro, com as inscrições: ‘Jacob Black. Marido e pai amoroso. Grande Líder’. Segundo as datas morrera um ano antes da esposa, cuja à lápide levava a escritura: ‘Isabella Marrie Black. Bella mãe e esposa. Eternamente’.

Vinte e um, vinte e dois,vinte e três... Alguém se aproximava contando os próprios passos... Que tipo de humano visita um cemitério ao anoitecer? A ideia é assustadora para a maioria deles.

Para não levantar suspeita, escondi-me no alto de um abeto a espera do visitante de pensamentos nebulosos. Oitenta... A mulher parou no exato lugar onde eu estivera. Vovô, Vovó, pensou carinhosamente, em forma de cumprimento. Em sua mente um tanto obscura, um senhor de pele avermelhada ao lado de uma senhora de aparência frágil e pele cremosa. Mas eu ainda podia ver a beleza nos traços envelhecidos, mas principalmente nos olhos castanhos e calorosos. Neste instante o vento soprou mais forte, arrancando-lhe o capuz e revelando-me um rosto jovem emoldurado por cabelos lisos e negros, uma pele castanho-rosada e seu cheiro... Dolorosamente familiar, mas que, no entanto não me atiçava a sede por conter em si algo animalesco, ainda que bom. A jovem olhou em volta e por alguns segundos seu olhos_ Os olhos exatos de minha eterna amada_ encontraram os meus; seus pensamentos desordenados. Então ela levou a mão até a parte de trás da cabeça, buscando o capuz, e algo em seu pulso brilhou. Era um coração (meu coração), dado à Bella tantos anos antes, junto de um lobo esculpido em madeira, escurecido pelo tempo. A moça girou em seus calcanhares e se foi, contando os passos e eu fiquei. Tentando entender a vontade de alcançá-la e fazer mil perguntas. Tentando entender a razão dessa centelha de esperança que fazia meu coração, há tanto morto, vibrar em meio à dor.

Notas finais
Espero que tenham gostado de dar uma olhada num futuro paralelo.
Comentem, critiquem elogiem...
;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!