Espelhos (Percabeth)
9 Capítulo 8 - Novos amigos... E briga?
Notas iniciais
Passei o resto do domingo em casa, vendo TV e respondendo aos sms de Percy. Assisti vários filmes, fiz os deveres de casa e comi bastante.
E meu fim de semana foi isso.
Na segunda de manhã, me levantei quase caindo e tomei uma ducha gelada pra acordar. Vesti uma camiseta larga de mangas compridas, uma calça jeans e tênis. Escovei meus dentes e depois prendi meu cabelo em um rabo-de-cavalo e arrumei minha franja.
Joguei meus livros dentro da minha bolsa, junto com a minha faca. Quando acabei, joguei ela no meu ombro e desci a escada bocejando.
– Bom dia flor do dia! – Matthew gritou pra mim.
Acenei, com sono demais pra falar. Todos na mesa riram.
– Vamos logo? – Falei com dificuldade tentando não dormir em pé.
– Vamos. – Bobby falou e Matthew pegou a chave do seu carro, que era um Audi Q3 cinza. Sentei no banco de trás, enquanto Matt sentava no do motorista e Bob no do passageiro. Coloquei meus fones de ouvido e liguei meu iPod, na esperança de não dormir, porque, convenhamos, não seria muito agradável eu chegar na escola com cara de zumbi né?
Menos de 15 minutos depois, Matt parou o carro no estacionamento do colégio. Sim, nós estudávamos no mesmo lugar, mas tinha semanas que eu nem conseguia vê-los por causa de nossos horários, que não eram compatíveis.
Eu desci do carro e já ia me afastando deles, até que eu senti uma presença em minhas costas.
– Não ia esperar seus lindos irmãozinhos? – Bobby perguntou com a voz risonha, se apoiando em mim.
– Estou com sono. Vamos logo. – Falei e reprimi um bocejo. Eles riram, e nós nos entreolhamos. Puxamos nossos óculos escuros, colocamos no rosto e saímos andando.
É realmente diferente entrar sozinha na escola, e depois entrar com seus dois irmãos. Quem dissesse que eles não eram da minha família, tinha que arranjar um par de óculos urgentemente. Tínhamos os mesmos cabelos loiros e lisos, que tinha algumas poucas ondulações, os mesmos olhos cinza e até o nosso formato de rosto era parecido.
Sem falar que todos os pares de olhos presentes olhavam pra nós. Nós andávamos com postura de Bad Boys, sem contar que eu estava no meio deles. Vi algumas meninas olharem pra eles como se fossem devorá-los, enquanto outras me olhavam com raiva. Eu estaria mentindo se dissesse que meus irmãos eram feios. Os dois tinham muitos músculos, olhos cinza misteriosos, cabelos loiros propositalmente bagunçados e um corpo de dar inveja em todos os homens do planeta.
Eu estava decidida a ter uma nova postura, a ser uma nova Annabeth. Meus irmãos, como eu disse antes, tinham uma postura de Bad Boys, e eu era a única que os fazia ceder. É, eles seriam um ótimo incentivo pra mim.
Só percebia os olhares femininos em cima de nós três, até que Bobby me abraçou apertado, como se estivesse me protegendo. Olhei pra ele sem entender.
– Se estivesse vendo o que nós estamos vendo, entenderia. – Bobby disse.
– E o que vocês estão vendo? – Perguntei.
– Todos os olhares masculinos que existem nesse colégio estão em cima de você. – Matt sussurrou no meu ouvido.
– Bom saber que todos os olhares estão em nós. – Falei e eles me olharam confusos. – Vocês também estão atraindo olhares. Os femininos, mais especificamente. – Falei com ódio na voz.
Eles riram.
– Ciumenta.
– É de família. – Respondi e eles riram mais ainda, enquanto entrávamos finalmente no prédio da escola.
– Vejo vocês na hora do almoço? – Indaguei.
– Vai ficar pro almoço agora? – Bob perguntou.
– Papai disse que sim. Quer que eu fique pra poder voltar com vocês pra casa. – Eles assentiram. – E eu vou precisar de alguém pra ir comigo até a secretaria pegar meu horário do período da tarde.
– Na hora do almoço, tudo bem? – Matt disse e eu assenti. – Agora vamos. Acho que senhorita tem aula agora.
– Sim senhor! – Falei e ele revirou os olhos, enquanto me levavam até minha sala. O sinal tocou assim que paramos em frente à porta.
– Está entregue. Nos vemos na hora do almoço, e qualquer coisa, QUALQUER COISA MESMO, me mande um sms. – Matthew disse e Bobby concordou com ele.
– Tudo bem. Agora vão, porque vocês também tem aula. Prometo que se houver qualquer problema aviso. – Eles assentiram. – Vejo vocês na hora do almoço. – Falei e entrei na sala, sentando no fundo, encostada na parede. Meu celular vibrou, e eu sacudi a cabeça incrédula, enquanto via que era uma mensagem de Bobby.
“Será que a mamãe ainda vai te dar aula?”
Respondi:
“Espero que sim”
Senti alguma coisa bater na minha cabeça enquanto enviava a mensagem e olhei pro chão, encontrando uma bolinha de papel. Olhei em volta, procurando o novo defunto, até que vi Percy, sentado duas cadeiras depois de mim com um sorriso idiota no rosto.
– Hey!
– Jackson, você enlouqueceu?
– Por quê?
– Esqueceu que eu sou uma Caçadora idiota? NUNCA mais faça isso, a não ser que queira morrer.
– Desculpe. – Ele falou sorrindo, sem parecer nem um pouco arrependido.
Eu bufei e ele desviou os olhos para a porta, onde seus amiguinhos acabavam de passar. Apertei minhas têmporas, tentando ter paciência e lembrando que ainda teria que conversar com eles.
–... E essa é a Annabeth. – Ouvi Percy dizer. Acenei rapidamente, enquanto ouvia um monte de “Oi’s”.
Uma das meninas, que tinha cabelo preto e usava roupas punks veio na minha direção e se sentou do meu lado.
– Oi, sou Thalia. – Ela disse.
– Eu sou Annabeth.
– Você é filha de Atena, certo? – Ela disse e eu me surpreendi com sua pergunta.
– Sou sim. E você?
– Zeus. – Ela respondeu. Thalia tinha olhos azuis elétricos. — Tenho a impressão de que vamos nos dar bem.
– Também tive a mesma impressão. – Sorri. – Só espero que não se importe. Eu sou uma caçadora. – Thalia assentiu.
– Isso não é problema. – Ela respondeu.
Eu teria seis aulas pela manhã e cinco pela tarde. E nós tínhamos um intervalo de meia hora entre as 3º e 4º aulas.
Eu não queria sentar na mesa de Percy. Mas Thalia e Grover acabaram insistindo e eu cedi. E sobre Grover... Bem, ele é um sátiro.
Passei as três primeiras aulas conversando com ele e Thalia. Previa uma boa amizade entre nós. Tyson e Rachel conversavam com Percy e eu não fiz questão de ir falar com eles, já que os olhares que Rachel dava pra mim não eram nada amigáveis.
– Muito bem, o que você tanto queria falar comigo, Percy? – Perguntei e ele sorriu.
– Quero algumas respostas.
– Que tipo de respostas? – perguntei cautelosa.
– Você é filha de Atena, a Sabedoria. Então me explique algumas coisas. – Ele disse e eu esperei. – Porque os monstros sempre voltam?
Todos na mesa bufaram e eu mordi a língua pra não rir ou chamá-lo de lerdo.
– Porque eles são imortais, amor. – Rachel disse com uma voz enjoada e eu me segurei pra não vomitar.
– Errado. – Falei e ela me olhou surpresa. – Entenda uma coisa. Os monstros podem ser mortos, mas eles não morrem.
– Agora entendi tudo. Obrigado. – Ele disse com sarcasmo. Eu bufei.
– Olha só, eles não tem alma, como você e eu. Você pode bani-los por um tempo, e se tiver sorte, até por toda uma vida, mas eles são forças primitivas. No final, eles se reconstituem.
– Então... Aquele Minotauro...?
– Ele ainda está lá fora. Ele provavelmente vai voltar. – Falei e Percy assentiu, parecendo perturbado.
Rachel ainda me fuzilava com o olhar.
– Perdeu alguma coisa aqui querida? – Perguntei.
– O quê?
– Perdeu algo aqui? Desde que sentei aqui que você não para de me encarar.
– Escute aqui queridinha, não é só porque sua mãe é Atena, a linda deusa da sabedoria, que eu vou abaixar a cabeça pra você. – Ela disse.
– E quem aqui está pedindo que você abaixe a cabeça pra mim? – Falei e ela parecia que ia pular no meu pescoço a qualquer momento.
– Ninguém, mas que fique claro.
– Ótimo. Agora, pro seu bem, fique longe de mim. – Murmurei.
– Não precisa pedir duas vezes! – Ela retrucou.
– Que bom. Agora chega, cansei de gastar minha saliva com você. – Falei e ela rosnou. Segurei o riso.
– Está rindo de quê? – Ela indagou.
– É da sua conta? – Eu disse com a voz ácida e ela apenas olhou pra mim. Sorri vitoriosa.
Annabeth 1x0 Rachel – Pensei.
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