Espelhos (Percabeth)
17 Capítulo 16 - Conseguimos a guia de um jeito desagradável.
Notas iniciais
POV Annabeth.
Passamos mais de meia hora naquela lanchonete. Nós comemos rapidamente, mas Percy conversava com Agatha sobre alguma coisa que eu não fiz questão de saber o que era, então tivemos que esperá-lo por um bom tempo.
Agatha era uma garota punk que estava na lanchonete ao nosso lado e Percy começou a conversar com ela por algum motivo totalmente desconhecido para mim. Ela tinha uma personalidade forte, mas eu tenho certeza que não foi por isso que eu não fui com a cara dela – até porque minha personalidade também é forte. Não, tinha outra coisa que eu não sabia o que era.
Caminhávamos aparentemente sem rumo. Apolo se mantinha calado e parecia refletir sobre algo. Percy conversava com a punk ao seu lado e eu simplesmente me mantinha calada.
– Apolo? – Chamei baixinho e o deus me olhou. – Eu, hm, sei que é arriscado, mas eu posso ouvir música pelo meu celular?
Apolo pareceu pensar.
– Sim. Acho que o risco é menor, já que eu estou ao seu lado. – Ele deu um sorriso brilhante. Pisquei um pouco.
– Obrigada. – Falei, puxando o aparelho e o fone de ouvido, conectando-o, e escolhendo a música Lego House do Ed Sheeran. Guardei o celular em um dos meus bolsos da frente, e coloquei minhas mãos ali também, cantarolando baixinho.
Depois de mais quinze minutos de caminhada com direito a uma conversa que não parecia ter fim entre Percy e Agatha, eu simplesmente não aguentei mais. Avistei uma pequena praça em uma parte da cidade e indiquei o local com a cabeça. Todos concordaram e fomos até lá. Sentei onde devíamos apoiar nossas costas, e apoiei meus pés no assento.
Puxei um dos fones do meu ouvido, que agora tocava Teenage Dream da Katy Perry. Encarei minhas mãos, sem saber por onde começar. Felizmente, Percy fez isso por mim.
– Olha Agatha, precisamos te contar uma coisa. – Percy começou e a punk ergueu as sobrancelhas. – Sabe as histórias de deuses gregos que viemos falando durante o caminho?
A punk assentiu.
– Sim, o que tem?
– Antes de tudo, o que você vê? – Ele indagou puxando uma caneta. Depois tirou a tampa e a caneta se transformou em uma espada. A mesma espada que ele usou para me salvar do Minotauro.
– Eu vejo uma espada. – A punk disse, parecendo não acreditar. – Percy, onde você conseguiu isso? E ela era uma caneta antes... Como...?
Percy respirou fundo. Eu fechei os olhos. Apolo parecia concentrado em cada movimento nosso.
– Olhe, você pode nos chamar de loucos se quiser, mas todas aquelas histórias que comentamos... Bem, elas são reais. Os deuses realmente existem. E aquele ali – Percy fez um aceno de cabeça para Apolo. – é o verdadeiro Apolo, deus da música, da medicina, da profecia, do sol e de tudo aquilo que você já sabe.
– Mas... Deuses não... Oh meu Deus! – A garota parecia desconcertada. – Sempre houve a possibilidade de os deuses serem reais, mas ela já foi descartada à éons.
– Teve de ser descartada, Agatha. – Apolo disse. – Os tempos mudaram. Mas eu sou bastante real, acredite. – E deu um sorriso brilhante.
– Apolo, eu ainda quero a minha visão. – Percy disse, e Apolo riu, sendo seguido de todos nós.
– Então, você acredita em nós ou não? – Indaguei. No meu ouvido, a música foi trocada para Burn – Ellie Goulding.
– Eu... Eu... Preciso pensar sobre isso. – Agatha disse, fechando os olhos e depois voltando a abrir. – Podem me dar um tempo?
– Queria eu que tivéssemos tempo, Agatha. – Falei, de forma dura. – Não viemos à Grécia porque queríamos, e sim porque temos uma missão a ser realizada. Tempo é uma dádiva não concedida a nós no momento. O mundo está em risco e nós não podemos nos dar ao luxo de perder o tempo que nós NÃO TEMOS.
– Missão? – Agatha indagou.
– Sim, mas essa só será revelada se você acreditar em nós, E se concordar em participar da missão. Precisamos de um mortal com o poder da visão.
– Mortal? VOCÊS não são mortais? – Ela indagou, parecendo desafiar.
– Sim Agatha, nós obviamente somos mortais, com exceção de Apolo. Mas usamos o termo “mortal” para distinguir os semideuses das outras pessoas. Entendeu? – Falei impaciente.
– Entendi, Annabeth! – Ela deu ênfase no meu nome. – E se eu não aceitar? O que vocês vão fazer?
– Procuraremos outra pessoa. – Apolo disse de imediato. – Como a loira disse, não temos tempo pra ficar perdendo.
Agatha sentou-se mais eretamente antes de me encarar com um olhar superior.
– A loira disse, sim, claro que sim. – Disse irônica. – De quem você é filha, Annabeth?
– Atena, a deusa da Sabedoria e da Guerra. – Falei enquanto uma nova música começava a soar nos meus ouvidos: Let It Go – Demi Lovato.
– Claro que tinha que ser filha da Sabedoria! – Agatha murmurou.
– O que quer dizer com isso, Phillips? – Perguntei enquanto a encarava, a raiva transbordando em minha voz.
– Annabeth! – Percy me repreendeu. – Agatha, já chega! Temos uma questão maior para resolver! Você acredita em nós ou não?
Eu não me movi.
– Claro que acredito, Percy. – Agatha falou com uma voz mais mansa. – E sim, eu vou ajudar vocês.
Retesei meu corpo, fitando a morena como um leão fita sua presa.
Percy me olhou atentamente.
– Finalmente, qual é a missão? – Agatha indagou.
– É impedir que os servos de Cronos roubem o Espelho da Pureza. – Respondi friamente.
– Os servos de quem? – Agatha perguntou, me fazendo segurar a ponte do nariz com o dedo polegar e o dedo indicador, em uma expressão de impaciência. Percy riu. – O espelho de quê?
– Os servos de Cronos, Agatha – Apolo disse, e encolheu os ombros em seguida. – O senhor dos Titãs, um dos piores inimigos dos Olimpianos, perdendo apenas para Tífon, o esposo de Equidna.
– E sobre o Espelho... É uma longa história. – Percy comentou.
– Não tenho pressa. Conte-me. – Agatha disse em uma tentativa ridícula de usar um tom sensual.
– Ahn, tudo bem, mas... – Ele pensou por uma fração de segundo. – Mas Annabeth sabe a história melhor que eu!
– Mas eu não quero que Annabeth me conte. – Agatha disse ainda tentando ser sedutora. – Quero que VOCÊ me conte.
E eu não quero contar, acrescentei mentalmente.
Percy me olhou. Dei de ombros enquanto aumentava alguns decibéis no volume da música e trocava para Drunk – Ed Sheeran.
– Então tá. É o seguinte... – Percy começou, mas eu não quis ouvir e coloquei o volume dos meus fones no máximo. Cantarolei a música em um tom quase inaudível.
– Mas por que estão ME contando isso? – Agatha perguntou depois de alguns poucos minutos e enquanto eu ouvia Applause da Lady Gaga animadamente.
– Porque você tem o poder da visão. Descobrimos isso quando você viu a espada na mão de Percy. E tendo o poder da visão, você pode ser a guia que vai nos ajudar a encontrar esse espelho. – Apolo respondeu.
– Partimos amanhã pela manhã. – Interrompi. – Quanto mais rápido acharmos esse espelho, melhor.
– Tudo bem pra você, Agatha?
– Sim, eu só... Sem problemas. Aonde nos encontramos? – Ela sorriu.
Fale com o autor