Espelhos (Percabeth)
3 Capítulo 2 - O quê?
Notas iniciais
Quatro dias se passaram. Hoje era a entrega dos trabalhos sobre Mitologia.
Ao longo da semana, Perseu e seu grupinho continuaram com seus olhares estranhos. Tentei ignorar ao máximo.
Na quarta, tivemos aula vaga. Quando saímos de sala, fui até o pátio, e me sentei em um dos bancos, e comecei a ler. Mas vinte minutos depois, guardei o livro. Coloquei a mochila no ombro e decidi andar um pouco pelo colégio. Estava próxima ao refeitório, quando ouvi vozes. Curiosa como só a Annabeth Chase é, fui até o local de onde vinha o som, e vi Percy e seus amigos sentados em uma das mesas.
Revirei os olhos, me mantendo quieta para ouvir o que eles estavam dizendo.
–... Olhos cinzentos não são muito comuns, Grover! – Perseu dizia.
– Concordo com Percy. – Disse uma das meninas, Thalia. – Mas não vamos nos precipitar. E se estivermos errados? Acho que devemos falar com ela.
– Falar com ela? Você ficou louca, Thalia? – Disse a ruiva, Rachel.
– Concordo com Thalia. – Disse Tyson. – Mas como? Annabeth não é do tipo sociável.
Sacudi a cabeça e corri. Meu Deus! Eles estavam falando de mim? Argh!
Eu queria confrontá-los, e perguntar qual era o problema deles, mas eu não tinha coragem o suficiente. E não era tão cara de pau. Respirei fundo. O sinal bateu. Respirei fundo de novo e arrumei rapidamente meu cabelo, indo para a sala junto dos outros alunos.
Andei rapidamente, ultrapassando várias pessoas e entrei na classe de história. A professora, Srta. Smith, já estava na sala, sentada atrás do birô. Atena Smith, meu cérebro berrou. Franzi a testa. Com o mesmo nome da deusa? Mas deixei pra lá. Eu já tinha muita coisa na cabeça.
– Muito bem, vamos começar a apresentação dos trabalhos. Annabeth Chase, podemos começar por você? – A professora perguntou.
– Claro, Srta. Smith. – Falei e levantei, segurando meu trabalho, e o pousando sobre a mesa da professora. – Bem, escolhi falar sobre os Doze Olimpianos e Heracles. Começando pelos Olimpianos: Os Doze Olimpianos é a denominação dada aos doze principais deuses do Olimpo, sendo eles cinco deusas e sete deuses: Hera, Deméter, Atena, Afrodite, Ártemis, Zeus, Poseidon, Hefesto, Hermes, Apolo, Dioniso e Ares. O último olimpiano feminino devia ser Héstia, a deusa do lar e da família e uma das irmãs de Zeus, porém, esta cedeu seu lugar no conselho a Dioniso, quando ele foi feito deus. Obviamente, o conselho ficou desequilibrado. Nas antigas histórias, os deuses desciam até o mundo mortal e tinham filhos com mortais, esses chamados Semideuses. As únicas deusas que não faziam isso eram Ártemis, que jurou ser virgem para sempre, e a esposa de Zeus – Hera, que sendo a deusa do casamento, não sairia por aí tendo casos com mortais. Ártemis, sendo a deusa da Caçada, possui um grupo de acompanhantes em suas missões, denominadas Caçadoras de Ártemis. Elas se tornam Caçadoras após repetir este juramento: Eu me comprometo com a Deusa Ártemis. Dou as costas para a companhia dos homens, aceito a virgindade eterna e me junto à Caçada. Pelo que se sabe, após isso, as garotas se tornam imortais, morrendo apenas se caírem em batalha. Além de que, Ártemis só aceita garotas. Mas voltando aos semideuses... Posteriormente, alguns se tornaram famosos por seus feitos, como Hércules, Jasão, Perseu, Ulisses e outros.
– Uau, Percy, você é famoso! – Thalia gritou, rindo. E depois toda a sala riu. Eu revirei os olhos.
– Por favor, fiquem todos calmos! Tem Percy pra todo mundo! – Percy brincou e a sala toda riu de novo.
– Quero ver se ainda haverá “Percy pra todo mundo” depois que o senhor apresentar seu trabalho, Sr. Jackson. – A Srta. Smith interrompeu, irônica.
Percy corou.
– Annabeth, continue, por favor. – A professora sorriu para mim.
– Agora falarei sobre Heracles, ou Hércules. É provavelmente o semideus mais conhecido. Ele era filho de Zeus e Alcmena. Para seduzir a moça que tinha uma inegável beleza, Zeus assumiu a forma de seu esposo, Anfitrião, que era rei de Tebas. Assim, ele se uniu a Alcmena durante toda uma noite, embora antes disso, tenha pedido a Hermes que triplicasse a duração normal da noite. O nome dado originalmente a Heracles foi Alcides, em homenagem a seu avô Alceu, pai de Anfitrião. O nome alternativo foi uma tentativa sem sucesso de apaziguar o ódio de Hera, louca de ciúmes pelas infidelidades de Zeus. À medida que foi crescendo, Hércules mostrou ter uma grande força e coragem. Seus trabalhos mais famosos, com certeza foram Os Doze Trabalhos de Hércules. De certa forma, todos os doze trabalhos foram ideias de Hera, e também, para que ele se redimisse por ter matado os dois filhos que teve com Mégara. Preciso citar quais foram os trabalhos realizados por Hércules, professora?
– Não há necessidade, querida. – A Srta. Smith sorriu. – Está perfeito assim. Pode sentar-se agora.
Assenti enquanto caminhava para minha mesa.
– Sr. Jackson, que tal apresentar seu trabalho agora? – A professora desafiou.
– Claro, Srta. Smith. – Percy se levantou e eu juro que vi algumas gotas de suor em sua testa.
Não sei bem o que houve, mas em um determinado momento do dia, me senti mais forte. Quando me olhei no espelho do banheiro, meu rosto tinha um brilho prateado estranho. E quando eu repeti aquele juramento, eu senti algo em mim. Mas deixei pra lá.
Depois das aulas, eu caminhava com a minha mochila nas costas, pronta para ir pra casa, quando a Srta. Smith me chamou.
– Annabeth, pode vir aqui, por favor? – Sua voz vinha de dentro de sua sala.
Dei meia-volta e fui até lá.
– Parabéns pelo trabalho. O seu foi um dos melhores, sem dúvidas. – Ela disse e eu agradeci. – Minha querida, você se interessa por Mitologia Grega?
– Sem dúvidas, Srta. Smith. Tudo me fascina, desde os mitos até os monstros e bestas. E me interesso pela Romana, também, embora não tanto quanto a Grega. – respondi.
– Annabeth, o que você faria se eu dissesse que você é uma semideusa? – Ela me perguntou de repente.
– Eu... Eu não sei. Mas isso é impossível, não é? Já que deuses... Não existem. – Falei, desconcertada.
– Não, Annabeth, isso não é impossível. Com toda a certeza, deuses existem. E você é filha de um deles. Uma delas na verdade. Você é Annabeth Chase, filha de Atena. Minha filha. – Ela anunciou com orgulho.
– Como assim? Você? Minha mãe? Não! Eu... Eu tenho família, sabia? Meus pais são separados, mas ainda assim...
– Annabeth, eu conheço seu pai. Ele é Frederick Chase. – Ela disse e sorriu. – Ele é um mortal interessante.
– Não, não, não! Esse é o meu pai, mas... – Pulei da cadeira enquanto as engrenagens giravam em minha cabeça. Sempre fui inteligente, mas tenho dislexia e déficit de atenção. Fui diagnosticada ainda criança. –... Eu sou uma semideusa? Não, não sou! Você pôde ter descoberto o nome do meu pai só por olhar minha matrícula, e... – Falei agitada.
– Seu pai é Frederick Chase. Ele tem cabelos cor de areia, atualmente é divorciado, mora com seus irmãos – Matthew e Bobby, e já arrumou outra esposa. É professor de História Americana e ele tem um tabuleiro com miniaturas de tanques e soldados batalhando ao longo de um rio, em seu escritório. Descobri isso apenas olhando sua matrícula? – Ela ergueu a sobrancelha. Eu me mantive calada. – Querida, você é sim uma semideusa, e é sim minha filha. Há algum tempo que eu observo você, querida. Além de que, que tipo de mãe eu seria se não reconhecesse minha filha? – Ela sorriu.
– Mas como pode? – Perguntei enquanto voltava a me sentar. Talvez fosse verdade. – Então todos aqueles deuses e bestas existem? Por exemplo, Zeus, Hera, Poseidon, Cérbero...?
– Sim, todos aqueles seres mitológicos existem. E estão muito vivos.
– Então Zeus é meu avô? UAU! – Sorri e Atena balançou a cabeça. Era estranho conversar com uma deusa, que por acaso é sua mãe, e descobrir que deuses existem. – Espera mãe – falei sem perceber e pude perceber um sorriso no rosto dela. –, então eu fui enganada? Moro com uma estranha?
– De certa forma, sim. Queríamos que você fosse morar com seu pai, mas você não quis se afastar da sua “mãe” – eu juro que ela usou um tom irônico e ofendido –, então tivemos que deixar você com ela, embora EU nunca tenha aprovado essa ideia. Mas eu cuidei de você todo esse tempo. Assumi várias formas e me mantive o mais próxima de você possível, embora não pudesse falar com você. Tomamos cuidado com seu cheiro, já que atrai monstros, mas os riscos eram quase nulos. Nunca houve a possibilidade de nenhum se aproximar de você, já que eu e vários outros deuses estávamos tão próximos. – Ela me olhou intensamente e depois sorriu. Eu retribuí.
– Não estou reclamando, mas por quê? Digo, por que você está aqui? Devia estar no Olimpo, não dando aulas para mortais. – Franzi a sobrancelha.
– Como eu disse antes, estava de olho em você. Não conseguia ficar longe. Simplesmente não podia. Não pude me aproximar de forma brusca, tinha que ser natural. Então me tornei sua professora de História. Desculpe não me aproximar antes. Mas aqui está, mesmo que seja atrasado, meu presente pra você pelo seu décimo quarto aniversário. – Ela me deu um boné azul marinho. Sorri. Os Yankees eram realmente bons.
– Obrigada. – Sorri, mas a testa de Atena estava franzida.
– Não sei como dizer isso, mas pelos padrões de semideusa, você está atrasada. A maioria é encontrada pelos sátiros aos doze anos. – Eu arregalei os olhos. – Oh não, calma querida, está tudo bem. Não há nenhum problema em ser encontrada depois dos doze. Já que eu estava cuidando de você, não havia necessidade de um sátiro. E agora, sua patrona também é Ártemis. Acho isso interessante, uma filha da deusa da sabedoria como Caçadora de Ártemis. Talvez você seja a tenente, porque pelo o que sei, ela precisa de uma.
– Como assim, minha patrona é Ártemis? – Indaguei, arregalando os olhos de novo.
– Não notou uma força a mais em seu corpo? Não notou o brilho prateado em seu rosto quando se olhou no espelho? Minha querida, você agora é uma Caçadora de Ártemis. – Ela anunciou.
Pisquei três vezes antes de me recuperar. Depois soltei o ar. O que?
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